Never Mind
1 Welcome
Notas iniciais
“Poderia desistir, mas o fim da esperança, é o começo da morte”.
– Espero que o tempo que você fique por lá, aprenda com seus erros e volte uma pessoa melhor – Claire, minha mãe, disse enquanto me abraçava.
– Não pretendo voltar – eu disse seca, pegando minha mala de mão – Última chamada para o embarque do voo 4782 – A voz daquela aeromoça soou no meu ouvido como um adeus para tudo isso, estou partindo para uma nova realidade.
– Espero que fique bem – minha mãe disse derrubando uma lágrima – Eu vou ficar – eu disse aquilo tentando consola-la, mesmo sabendo que tudo iria ser uma droga. Abraçamos-nos uma última vez, eu peguei minha mala e fui ao encontro do avião, ouvi um grito por meu nome:
– Kristen, nunca se esqueça de que eu amo você – minha mãe gritou já em prantos — você que quis assim, também amo você – disse me virando e seguindo minha nova jornada.
Entrei no avião, abri minha bolsa e peguei meu pequeno papel amassado com meus desafios a serem cumpridos:
1.Poder enxergar dias melhores
2. Encontrar uma pessoa que me complete
3. Ir para um “lugar melhor”
4. Ser feliz
5. Mudar deste lugar que só me trás problemas
E risquei o número 5 “Mudar deste lugar que só me trás problemas”, eu consegui mudar daqui, só não sei se em Atlanta, as coisas vão ser melhores. Guardei aquele pequeno papel na minha bolsa e comecei a pensar em como seriam as coisas daqui para frente.Tudo começou pelas brigas de meus pais que são constantes, eles vivem em uma realidade que não é a minha, sempre tentando me fazer ser perfeita, eu não sou perfeita, aliás, estou longe disso. Chamo-me Kristen Martin, e não é fácil para uma menina de 17 anos, viver em um lugar onde só existem brigas, e eles decidiram me mandar para Atlanta, morar com minha avó, Jeanne. Em meio a meus pensamentos, consegui pegar no sono e dormi até ouvir novamente a voz daquela mesma aeromoça indicando que havíamos chegado ao nosso destino, Atlanta.
Sai daquele avião com minhas malas procurando por minha avó, até que ouço alguém conhecida me chamando:
– Kristen? – uma voz rouca e aparentemente conhecida me chamou
– Pois não? – eu disse olhando-o e me perguntando mentalmente quem seria aquela pessoa com um rosto de que me recordava
– Sou eu, Justin. Éramos amigos de infância, sou neto da Dianne, amiga e vizinha da sua avó, costumávamos brincar quando você vinha no natal com sua família comemorar o natal. Lembra-se? – ele disse me olhando duvidoso
– Nossa, mas é claro. Eu sabia que te conhecia de algum lugar, como você está diferente – eu disse o olhando surpresa, e admirando-o. – ele riu
– Sua avó está preparando um jantar de boas-vindas a ti, e pediu que eu viesse te buscar, porque ela estava com receio de queimar as comidas.
– Ata, entendi e obrigada por me buscar – eu disse – Imagina, sem problemas – eu sorri e ele pediu que levasse minhas malas até o carro. Eu ri jeito desajeitado que ele ia carregando aquelas malas — Ei, tem certeza que não quer ajuda? – eu disse segurando o riso – É… – ele pareceu pensar- talvez – rimos.
Peguei uma das malas e fomos carregando-as até o carro dele, o mesmo abriu a porta para mim, e ligou o rádio em uma estação qualquer, fomos em silêncio o resto do caminho, Justin apenas prestando atenção no caminho, e eu fitando as casas e pessoas da cidade.
– Kristen! Como você está linda, como cresceu – minha avó disse surpresa quando me viu entrar por aquela mesma sala, que mesma reconheci quando adentrei.
– Vovó! – eu respondi correndo até finalmente abraça-la – Estava com muitas saudades – eu disse em meio ao abraço – eu também minha filha! – ela me respondeu
– Esta é Dianne, você se lembra? A avó do Justin. – ela disse olhando para uma senhora praticamente da mesma idade que ela, que estava sorrindo – Mas é claro que me lembro, ela nos dava broncas por correr nos jardins – rimos
– Você está muito linda Kristen, nem parece à mesma garotinha sapeca de sete anos atrás — ela disse me abraçando – Eu também reparei que o Justin mudou muito – eu disse separando o abraço e olhando-a – É ele também mudou bastante, mas ainda é o mesmo bobão de sempre, só mudou a aparência – Todas riram, e ouvimo-lo protestar algo da sala.
– Kristen, suba e coloque uma roupa confortável para que possamos jantar — minha avó disse, colocando os pratos e talheres na mesa – Estou indo – respondi subindo as escadas.
[…]
Terminamos o jantar e fomos ver ao programa que costumávamos assistir juntos quando eu vinha para Atlanta, um Reality Show, onde as pessoas testam seu potencial cantando para os jurados e o publico que está assistindo.
– Nossa! Vocês ainda assistem a esse programa – eu disse surpresa
– Sim Kris, toda semana tem uma nova etapa de ganhadores e nos juntamos para assistir – minha avó disse ainda fixada na televisão – Vício – eu disse e todos riram.
Depois do final do Reality Show, Dianne disse que precisava ir embora porque já estava ficando tarde:
– Até amanhã, boa noite – Dianne disse acenando após minha avó abrir a porta para eles.
– Tchau Justin, nos vemos por ai – eu disse enquanto ele acenava – É, até mais, adorei te ver de novo – O mesmo – eu respondi e entrei em casa.
– Vou dormir vovó, estou exausta depois da viagem! – eu disse abraçando-a – ok minha filha, boa noite – Ela disse e deu um beijo na minha testa.
Entrei no meu quarto e troquei de roupa, peguei o meu mac book e entrei no twitter para avisar que havia chego, escrevi meu tweet: “Cheguei aqui em Atlanta, foi bom rever antigas amizades, boa noite.” Finalmente deitei na minha cama e fiquei em meus pensamentos sobre tudo que estava acontecendo, parece que aqui está melhor que no Brasil, desde que cheguei foram apenas risadas e sorrisos, vamos ver o que ainda está por vir.
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