Never Love
1 Prólogo - Bilhete Cinzento
Notas iniciais
Essa era sua última chance de impedir o que todos os outros achavam certo. Porém sem sua razão a seu favor, e agindo inteiramente guiada por sentimentos era difícil agir contra o que os outros pensavam.
- Sr. Gold, preciso da sua ajuda. – Anunciou ela, desesperada, ao entrar na loja de penhores.
A loja de penhores era um lugar escuro cheio de bugigangas que outrora tiveram donos, mas foram parar lá durante a primeira maldição, que banira todos os personagens de contos de fadas para o mundo sem magia em que se encontravam.
- Me desculpe, Srta. Mills, mas tenho coisas para fazer, então se puder me dar licença... – Enxotou o homem, ele segurava em uma das mãos a adaga com a inscrição “Rumplestilskin”, nome o qual uma vez, em outro lugar fora seu nome. Iria usá-la para esfaquear Peter.
- Gold, por favor, não faça isso. Sei o que ele fez, mas... – Tentou argumentar, mas sabia que sentimentos não são argumentos muito válidos quando se trata de acabar com alguém que é considerado uma ameaça.
- Está deixando levar-se por sentimentos, queridinha? – Questionou-a.
Ela virou o rosto, não respondeu. Mas o homem insatisfeito em vê-la esconder os olhos para não revelar a verdade: ela amava Peter, por isso tentava impedir o pior.
- Você não pode deixar que isso tome conta de você ou todos ao seu redor irão sofrer por suas escolhas tolas e sentimentais. – Continuou ele.
- Gold, por favor, não o mate. – Seus olhos marejavam. Gold parecia determinado a acabar com a existência daquele que por muitos era considerado um demônio em forma de garoto.
- Você não entendeu, não é, queridinha? Eu tenho que matá-lo.- Ao dizer isso o homem desapareceu.
- Não! – Exclamou ela. Agora, tudo estava perdido. Ele seria morto assim que o encontrassem.
Na rua Principal, todos se reuniram para encontrá-lo. Estavam todos com medo, não apenas dele, mas da maldição que em questão de tempo os atingiria.
- Ananda! Onde você esteve? Fiquei preocupada com você. – Perguntou sua mãe, Regina, a quem em outro reino fora chamada “Rainha Má”.
- Peguei outro caminho, queria checar se não o encontrava em outro lugar. – Mentiu a garota.
- E iria detê-lo como? – Bronqueou a mãe.
- Não havia pensado nessa parte. – Prosseguiu com a mentira.
- Você é muito corajosa minha filha, mas fique perto de mim. Assim, posso te proteger dele. – Pediu-lhe.
- Sim, mãe. – Concordou. “Não preciso que me protejam dele, não quero ficar longe dele”. Pensou ela.
Dois quarteirões à frente reconheceu uma silhueta: Peter! Todos o viram e se alvoroçaram. Ela manteve as aparências, como se ainda o odiasse e quisesse, realmente ver com seus próprios olhos a vida se esvair do corpo de Peter Pan.
O garoto fez um movimento com a mão no ar. E todos ali petrificaram, incluindo Ananda, não conseguiam se mover, embora cientes do que acontecia a seus redores. Ele aproximou-se dela, enxugou uma lágrima que se formara no canto do olho direito. Aproximou-se mais e sussurrou-lhe:
- Sinto muito, Ananda. Mas, não se preocupe comigo.
- Ora, ora, mas que cena tocante. – Trovejou a voz de Sr. Gold. – Vamos acabar logo com isso, Pan.
O garoto de cabelos castanho-claros deu apenas dois passos na direção de Gold.
- Me dê um abraço. – Sr. Gold abriu os braços deixando cair à bengala de lado, entretanto, não soltara a adaga.
Nesse momento Gold abraçou Peter, cravando a adaga em suas costas, e ao mesmo tempo enterrando em si mesmo, cravando-a cada vez mais em ambos os corpos e os dois desapareceram em meio a uma fumaça.
Todos voltaram a se mover. Belle, a quem Sr. Gold tanto amava caiu no asfalto em prantos, e Neal, filho de Gold, também chorou. Ananda apenas olhava paralisada o lugar, onde poucos momentos antes havia visto quem tanto amava partir, para sempre, ainda tentando entender as últimas palavras que ele lhe havia dito. Afastou a franja da frente e alguma coisa caiu de trás de sua orelha esquerda.
Um bilhete, em um papel cinzento, uma caligrafia de quem havia escrito a mensagem às pressas. Com os dizeres:
Ananda,
Venha me encontrar no porão da biblioteca.
Assinado: Peter Pan
Ela sorriu.
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