Never Love
13 Capítulo12 - Pensamentos Atados
Notas iniciais
“Estou finalmente em paz, mas parece errado
Minhas mãos e meus pés estão mais fracos do que antes
E você está deitado na cama
Onde eu descanso minha cabeça
Não há nada que eu desfaria
Mas é difícil dizer que não há nada que eu me arrependa
Porque quando eu canto, você grita
Eu respiro alto, você sangra,
Nós rastejamos como animais
Mas quando acaba, eu continuo acordada
Mil silhuetas dançando em meu peito
Não importa onde eu durma, você está me assombrando
Mas eu já estou lá, eu já estou lá
Onde quer que você esteja
Eu estarei lá também...”
(Silhouettes – Of Monsters And Men)
*Ananda Mills
Apenas me lembro de abrir meus olhos e encher meus pulmões com ar de novo e de novo com as costas doloridas. Antes que eu pudesse processar o que aconteceu, Regina me puxou e me abraçou apertado.
— Mãe. – Eu não tive a intenção, mas minha voz falha logo foi seguida por lágrimas. E Henry me abraçou junto com Regina.
Eu comecei a chorar como uma criança. O peso e a dor de tudo que aconteceu veio de uma vez e eu não consegui lutar. Tudo que não senti e não controlei durante o tempo em que não senti absolutamente nada caiu sobre mim de uma só vez. Eu não consegui suportar.
— Eu sinto muito. Eu não podia deixar ele matar Henry. Sinto muito. – Cada palavra saiu com dificuldade da minha boca. Eu não estava respirando corretamente.
Chorando e sentindo mais do que deveria, eu ouvi um trovão e a água começou a chicotear o navio.
— Regina. – Não consegui distinguir quem falou. Mas era um aviso para que ela me acalmasse. Não julgo mal quem o fez. Se alguém não me parasse eu poderia matar a todos nós.
Henry se afastou. Regina acariciou meu cabelo e minhas costas.
— Acabou. Vocês estão a salvo agora. Pan não irá te machucar mais. Eu não vou deixar isso acontecer. – Ela me apertou forte mais uma vez.
Eu lutei com minhas lágrimas o máximo que pude, forçando-as a secarem. Até que recuperasse, pelo menos um pouco do meu entorpecimento. E as águas recuaram.
— Desculpa. – Eu sussurrei, me afastando.
— Está tudo bem, minha querida. – Regina me abraçou de novo. Mas agora eu estava indiferente.
— Eu preciso dormir. – Menti para sair dali. Eu percebi o quanto eu havia machucado Regina ao afastá-la, mas o que eu podia fazer?
— Venha, Eu vou te pôr na cama. – Ela sorriu e eu fingi um sorriso de volta.
— Pode deixar a garota dormir na minha cabine, Majestade. – Disse Gancho.
Regina pegou um cobertor e me ajudou a arrumar alguns travesseiros.
— Está com mais olheiras do que quando passou duas noites em claro lendo os livros velhos da biblioteca. – Comentou rindo enquanto puxava a coberta.
— Eu fiquei falando na sua cabeça por duas semanas para que me deixasse entrar lá para ver alguns livros. – Lembrei rindo. Mas logo murchei meu sorriso quando lembrei uma grande e cruel ironia... – eu passei aquelas noites lendo uma versão antiga de Peter Pan que encontrei lá. E guardei o livro, sob chave, na gaveta da minha mesa de cabaceira pra não devolver -.
— O que aconteceu com Pan, enquanto eu estava morta? — Questionei. Não tinha certeza se era uma boa ideia falar sobre isso. Mas algo dentro de mim gritava que ele não estivesse ferido, ou morto.
— Não se preocupe. Sem você ou Henry ele provavelmente morrerá. – Ela disse sorrindo. Mas eu senti um estilhaço do meu coração me furar, como eu sentia toda vez que magoava alguém por estar distante ou entorpecida.
Quando eu já estava deitada e debaixo das cobertas. Regina me deu um beijo na testa e pairando a mão sobre meu peito fez alguma coisa com magia.
Gemi. Senti ferrões me perfurarem a pele.
— Pra quê isso? – Perguntei.
— Para ninguém tentar pegar seu coração, nunca mais. – Respondeu ela. Afastar Regina era muito difícil. Ela era minha única mãe. E já era tão machucada, e tudo o que eu fazia era machuca-la ainda mais.
— Obrigada, mãe. – Sorri e peguei sua mão. Tentei ser mais gentil com ela. Ela merecia, depois de eu fazê-la sofrer tanto.
— Vamos voltar para casa, minha princesinha. – Ela me beijou na testa de novo.
— Prometeu não me chamar mais assim quando eu fiz treze anos. – Ri. E ela riu de volta.
— Boa noite, minha querida. – Se despediu rindo.
— Boa noite. – Respondi tentando achar um jeito de me deitar sem que meus ossos doessem. Mas isso parecia impossível.
Me sentei na cama com as mãos na nuca. Tentando encontrar o ar que perdi enquanto estive morta. Eu sentia como se tivesse sido encolhida, apertada e espremida. Minhas articulações estavam duras e também doíam. Eu daria tudo por um analgésico.
— A morte não lhe fez bem não é, meu anjo? — Pulei de susto com a voz atrás de mim na cabeceira. – Tenho que admitir. Você fica melhor quando respira.
— Pan. – Sussurrei ofegando o susto. Ele estava intocado. Apesar da aparência de exausto.
— Sussurre meu nome de novo. — Ele riu. – Gosto do som.
Apesar do susto, algo dentro de mim exultava por ele estar vivo e essa parte me fez ceder:
— Pan. – Repeti. Mordi minha língua assim que percebi que o havia obedecido. — Eu me encolhi em cima da cama. – O que está fazendo aqui? Pensei que estivesse morto. – Questionei. Enquanto ele saia do canto atrás da cabeceira.
— Desculpe se pareço morto, meu anjo. Correr atrás da juventude eterna não é revigorante. Principalmente quando a tem arrancada brutalmente de você. –Eu me sentia pequena e impotente. Sentada em cima das minhas pernas. Ele parou em frente a mim.
— O que você quer? Regina enfeitiçou meu coração, você não pode arrancá-lo de mim de novo. – Mirei em seus olhos verdes. – Eu cumpri minha parte no acordo. Deixei você arrancar meu coração. Eu morri. – Esbravejei, embora sussurrasse. Não podíamos ser ouvidos.
Podia jurar ter visto certa comoção em seus olhos quando eu disse “Eu morri.” Talvez um vislumbre do arrependimento que ele não sentia.
— Se você não foi capaz de mantê-lo dentro de você o problema é seu. Você não pode ir atrás do coração de Henry. Estará desonrando sua promessa. – Completei.
— Você realmente pensou que Regina ia deixar você morta? – Sibilou entre os dentes. – Você sabia que não. No fundo de seu coração, mesmo quando já estava devotada a morrer por Henry, sempre soube. E não tente mentir que não sabia. Você não tem mais segredos para mim. Tive tempo de olhar em seu coração quando estava em mim.
Meu coração palpitou. De fato, tinha sido estúpida ao achar que Regina desistiria. Embora não seja minha mãe biológica, consigo acreditar que herdei sua teimosia. Mas, o que ele quis dizer em relação a meus segredos? Encolhi as unhas apertando-as na palma da mão através da coberta. Ergui os olhos.
— Você estava sozinha na primeira vez que se descontrolou. Você passou tanto tempo trancada. Afastou tanto quem te amava, quem quis te ajudar... Por que mesmo assim não aprendeu a se controlar? – Eu fechei os olhos, embora também quisesse fechar meus ouvidos.
Eu não queria lembrar. As prateleiras reviradas. Os cacos de vidro dos porta-retratos. Meus livros caídos e amassados. A rachadura no rosto da minha boneca de porcelana –o único brinquedo que guardei de lembrança quando cresci-. Eu destruí tudo. E afastei todos. E não adiantou nada...
— Porque você fica tão no limite de si mesma quando estou perto de você? – Ouvi a voz dele sussurrando perto do meu ouvido e senti sua respiração em meu pescoço.
— Vá embora. – Abri os olhos. O afastei. Engoli minhas lembranças junto com minhas lágrimas, me levantando. Uma onda atingiu o barco, me fazendo cambalear. Mas ninguém apareceu para verificar se havia sido minha culpa.
Ele não ia se aproveitar da instabilidade que me causara ao me fazer lembrar meu passado.
— Se você sabe que estou no meu limite também sabe que testar meu autocontrole em um barco instável no mar não é nada sábio. Me teste só mais um pouco e não vai precisar que a areia da sua ampulheta acabe pra saber que sua hora chegou. – Talvez me ver morta o fizera esquecer da minha hostilidade por ele. — Eu vou perguntar de novo. – Perguntei rangendo os dentes. – O que você quer?
— Um prêmio de consolação. – Ele deu um passou na minha direção e eu recuei um. Mas a cabine era pequena e a distância entre nós estava longe de ser segura. – Eu vou para Storybrooke. E você vai me ajudar.
Eu fiquei estática.
— Por que quer ir a Storybrooke? E o que te faz pensar que eu te ajudaria? – Questionei rindo com sarcasmo.
— Quem não tem segredos aqui é você, meu anjo. Eu não preciso compartilhar os meus com você. – Disse arqueando as sobrancelhas e dando mais um passo na minha direção, dessa vez eu não tinha para onde recuar. – E você vai me ajudar porque se não o fizer... – Ele olhava dentro dos meus olhos, me puxando aos dele. Eu tentava lutar contra a hipnose. – Esse navio está cheio de Meninos Perdidos que ainda são leais a mim. Se eles verem que estou vivo, isso era restaurar a fé deles em mim. Uma ordem minha e pode dar adeus a aqueles que você ama.
Eu queria acreditar que ele estava blefando. Mas ele não dava sinais de que estivesse, mesmo que mentisse eu jamais saberia.
— O que você quer que eu faça? – Entreguei os pontos. Não tinha como distinguir verdade e mentira nos olhos dele.
— Fique parada. – Ele disse se aproximando demais. Ele passou as mãos pelo meu rosto, mas não me tocou. Segui sua mão com os olhos. Meu cabelo estava caído para frente e ele o empurrou para trás das minhas orelhas.
Eu mal respirava. Ouvi um zumbido, seguido pela sensação de que agulhas entravam pelos meus ouvidos e se remexiam lá dentro.
— O que está fazendo? – Perguntei me contorcendo de dor. Eu queria gritar, mas não podia.
— Shh, está acabando, meu anjo. – Me forcei a abrir os olhos e vi que ele também fechava o rosto em dor.
Quando ele soltou meu rosto, eu caí. E ele me pegou nos braços.
Nos braços dele, eu estava completamente entorpecida. Como se por aquele um segundo, antes de me colocar de volta em cima da cama, eu estava distante de tudo e todos.
— O que foi isso? – Indaguei, buscando ar.
— Eu atei nossos pensamentos. – Ele estava sentado na cama, inclinado em frente a mim. – Quando eu quiser falar com você, mesmo que esteja longe, você irá me escutar. Na sua mente. – Ele arquejou, também com dificuldade para respirar.
— Como? – Questionei incrédula.
“Você consegue me ouvir?”
Eu ouvi a voz dele. Mas seus lábios não se moveram.
— Ouvi. – Respondi. Percebi o que ele fez. A magia que usara o deixara acabado, sem forças.
— Você também pode falar comigo. Mas o que importa é, — Se alguém o pegasse seria seu fim. Pois ele não teria forças para reagir. – você vai me ouvir e fazer o que eu digo. Os Perdidos não tem misericórdia quando agem sob minhas ordens.
De repente, ele se endireitou, se levantou e puxou a adaga da bainha.
— Tem alguém vindo.
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