Never Is Too Late
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Presente: Um mês depois...
– Primeira chamada para o voo 236 saído de New York com destino a Roma – a voz eletrônica se fez anunciar, soando nos alto falantes de todo o aeroporto.
– Você tem certeza disso, diva? – a voz preocupada de Jesse perguntou a amiga.
– Não – Rachel suspirou tristemente – Mas eu preciso fazer isso, Jess. Eu não posso mais ficar aqui...
– Tudo bem, eu não vou mais tentar te convencer do contrário. Eu só... – pausou e sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto – Eu só quero que você fique bem e feliz, okay? Me promete?
– Nada de chorar agora, St. James – Berry tentou usar o seu tom mais sério, falhando miseravelmente e sentindo suas lágrimas também começarem a descer – Eu prometo. E eu espero que você mude de ideia e vá me encontrar.
– New York é o meu lugar, Rach. Mas eu irei te visitar logo, logo – sorriu em meio as lágrimas.
– Última chamada para o voo 236 saído de New York com destino a Roma.
– Eu acho que essa é a minha deixa – falou a morena e então abraçou o amigo – Eu te amo, não esquece.
– Eu também te amo, diva. Fique bem – sussurrou.
– Eu tentarei...
Rachel deu um último beijo no rosto de Jesse e começou a se encaminhar em direção ao portão de embarque, arrastando sua única mala. Seu coração estava apertado, afinal, ela estava indo embora. Ela estava deixando a cidade que amava, pela qual tanto lutou e estava indo se aventurar em um novo país. Um mundo totalmente diferente do seu. O convite feito por um grande diretor, e amigo, teria sido recusado há, pelo menos um mês atrás. Mas as circunstâncias fizeram com que a morena aceitasse sem pestanejar ou até mesmo saber do que se tratava. Ela só precisava sair dali. Ela só precisava esquecer.
Porém, ali, a caminho do portão que a levaria para o avião que a levaria embora dos Estados Unidos, que a levaria a um oceano de distância, esquecer havia se tornado uma tarefa ainda mais complicada. Afinal, tudo que ela queria era poder, ao menos, ver Quinn uma última vez...
__________________________________________________
Flashback: Um mês antes...
Quinn não havia percebido que, finalmente, a neblina havia se tornado uma chuva e que ela permanecia sentada no banco da praça em frente à boate encarando o nada, até o momento que sentiu-se ser arrastada por Jesse e Emilia de volta a boate.
– Q, baby, o que aquela louca fez com você?! – Emilia perguntou irritada.
– Ela disse, não disse? – Jesse perguntou, recebendo um olhar de Quinn, e então completou tristemente – Ela disse e você a negou, a repeliu. Você terminou de quebra-la...
– Você sabia disso?! – exclamou a loira – E por que diabos a culpa tem que ser toda minha? Eu não tenho nenhuma culpa! Eu nunca dei sinais de que sentia algo a mais do que amizade por ela...
– Tem certeza, Q? Você tem certeza?! O que a Santana disse naquele almoço e, que eu tenho certeza, te disse em privado, não foi porque ela é apenas irritante. Qualquer pessoa que olhe para você e Rachel percebe que ali há mais, bem mais que uma simples amizade. O ponto em questão aqui é – pausou – Que ela teve coragem de admitir o que sente por você. Mas você, você não fez e eu duvido que vá fazer isso algum dia.
St. James deu as costas e saiu em direção a porta da boate sem esperar por uma resposta de Quinn. Ele precisava ir ao encontro de sua melhor amiga. Ele não queria imaginar o estado em que Rachel deveria estar nesse momento.
– Do que diabos ele estava falando?! – perguntou Emilia.
__________________________________________________
Jesse adentrou seu apartamento como um furacão. Correu em direção ao quarto de hóspedes e a cena que viu ali cortou seu coração: Rachel estava encolhida entre a cama e o criado mudo, ela abraçava as próprias pernas e tinha os olhos fechados, o que não impedia que as lágrimas caíssem livremente, sendo assim somadas aos soluços. St. James correu em direção a amiga e jogou-se ao seu lado, puxando-a para si e sentindo-a tremer quando o choro se intensificou.
– Shh, eu estou aqui, querida. Você não está mais sozinha. Shh... – sussurrou ele no ouvido da morena, abraçando-a fortemente.
Rachel nada disse, apenas apertou ainda mais o corpo do amigo. Sua dor era tanta, que não conseguia falar, não conseguia repetir para ele tudo que Quinn lhe dissera pouco tempo antes. Quinn. Fazia tão pouco tempo assim que a loira havia quebrado seu coração? Tamanho era o seu sofrimento que parecia ter se passado uma eternidade.
Não seria possível dizer precisamente quanto tempo passaram ali, apenas os dois, abraçados. O choro de Rachel havia cessado, mas ela não queria ter que separar-se de Jesse. Ali, naquele abraço, ela poderia, ao menos, fingir que havia esquecido. Ali, naquele abraço, ela não precisava pensar em Quinn, ou em Quinn com sua namoradinha, ou em Quinn quebrando... E lá estava ela pensando em Quinn.
– O que acha de tirarmos essa roupa, tomar um banho e deitar? – perguntou Jesse suavemente, quebrando o silêncio.
– Você vai ficar comigo? – Rachel devolveu baixinho.
– Vou sim, não te deixarei sozinha, diva – garantiu.
Após tomar banho e trocar de roupa, Rachel deitou-se em sua cama acompanhada por Jesse. O amigo a abraçou e eles ficaram lá, em silêncio. Ele sabia que o momento de falar chegaria, mas naquele instante, ele daria apenas o que Rachel precisava: paz.
__________________________________________________
Os dias se arrastaram lentamente. Se Jesse achava que Rachel estava mal antes, agora ele nem sabia mais o que pensar. Até mesmo o afastamento do show, a morena pediu, algo que foi prontamente atendido e compreendido pelo diretor. Berry só ficava em casa, no quarto, na cama, o tempo inteiro. A morena havia saído da casa que dividia com Quinn uma semana após o ocorrido. Ela e a loira não se falavam, não procuravam uma a outra, fingiam que a outra nem mesmo existia, ou pelo menos tentavam...
– Diva – St. James entrou no quarto, ganhando a atenção da morena que estava deitada na cama – Tem alguém querendo falar com você... – mostrou o telefone em suas mãos.
– Não quero falar com ninguém, Jess...
– Eu acho que você devia atender, Rach...
– Eu acho que não... – devolveu.
– Rachel, é o Alfred Thompson – revelou e ganhou a atenção da morena, que pediu-lhe o telefone.
– Alfred? Rachel Berry – anunciou.
Jesse observou a amiga trocar rápidas palavras com o tal Alfred Thompson, um renomado diretor que fez sua carreira na Broadway e agora se dedicava a espetáculos por toda a Europa, e viu também a expressão dela passar pelas mais variadas.
– Tudo bem, Alfred. Falarei com a minha agente e entraremos em contato o mais rápido possível – pausa – Não, eu que agradeço. Até logo.
Após encerrar a ligação, Rachel ficou em silêncio, sob o olhar atento do amigo.
– Não vai falar nada? – perguntou Jesse. Silêncio – Pelo amor de deus, Berry! Fale algo!
– Eu... – pausou e olhou para o amigo, a sombra de um sorriso em seus lábios – Eu acho que vou para a Itália.
__________________________________________________
Presente...
Rachel caminhava lentamente. Toda a vida que construiu em New York era deixada para trás. NYADA, os palcos da Broadway, a amizade com Jesse, o amor e todos os momentos ao lado de Quinn...
Quando entregou seu passaporte para a conferência, um grito fez ela estancar:
– RACHEL! – o coração de Rachel parou momentaneamente ao ouvir aquela voz novamente. Suas pernas bambas, que pareciam não lhe obedecer, viraram seu corpo de encontro a dona daquela voz.
– Quinn?!
Fale com o autor