Notas iniciais
Super capítulo, porque eu sei que estou em dívida com vocês por toda a demora nas atualizações. Mas acho que esse capítulo era o mais "esperado" até agora, então aproveitem! Nos encontramos nas reviews ;)

Dias haviam se passado. Muitos dias. No início, Quinn continuou procurando Rachel, ligando-a, buscando saber o que havia de errado, mas a morena continuava a lhe ignorar. Com o passar do tempo, Quinn apenas foi deixando pra lá. Ela havia feito a sua parte. Se Rachel não lhe queria mais por perto, infelizmente, não havia nada mais que ela pudesse fazer.

Porém, o que Quinn não sabia é que Rachel lhe queria por perto. Tudo que Berry mais queria era Quinn ao seu lado. Mas como chegar para a sua melhor amiga e admitir que está apaixonada por ela? Rachel sabia que a loira iria surtar e ela não podia colocar Fabray em uma posição daquelas. Então ela apenas se isolou. Isolou-se e, contra as indicações de Jesse, evitou Quinn a todo e qualquer custo. Evitou tanto que Quinn acabou desistindo. E, ao contrário do que se era imaginado, Rachel sofreu. Sofreu ainda mais. Sua dor era tanta, que começava a preocupar as pessoas ao seu redor.

– É o seguinte: ou você sai comigo hoje ou eu vou trazer a Quinn aqui na marra e eu quero ver se você não sai dessa cama! – exclamou Jesse, encarando Rachel, totalmente sério.

– Por que você está fazendo isso?! Me deixa na minha, Jess... – choramingou, voltando a enterrar a cabeça no travesseiro.

– Eu não vou te deixar entrar em uma depressão, Rachel! Essa história já está ultrapassando todos os limites, você precisa sair dessa! Você a afastou, você que optou não contar o que sente, então siga em frente. Já que você não consegue esquecer a Quinn sozinha, esqueça-a com outras pessoas, esqueça-a em um copo de bebida, apenas esqueça-a!

Jesse sabia que estava sendo duro, mas aquela situação já havia tirado o máximo do rapaz. Estar no meio de toda aquela confusão não era a sua intenção quando alertou Rachel de que seus sentimentos por Quinn ultrapassavam a amizade. Mas agora, lá estava ele, tentando tirar sua melhor amiga de uma quase depressão e sendo evitado pela outra, que o culpava por “esconder” Rachel em seu apartamento.

– Tudo bem, tudo bem – Rachel bufou e viu Jesse sorrir – Você venceu. Eu saio com você hoje.

E o que eles não sabiam é que aquela noite traria muitas surpresas...

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– Diva, você demorar a se arrumar não vai me fazer desistir de te arrancar de dentro desse apartamento hoje! – gritou Jesse da sala.

St. James já estava há horas esperado por Rachel ficar pronta para que pudessem sair. Para ele, ela estava tentando vencê-lo no cansaço e assim eles não saírem. Mas Jesse estava completamente enganado... Quando já se levantava para ir bater na porta da amiga outra vez, seus olhos encontraram a morena e fizeram seu corpo estancar.

– Deus, se eu não fosse gay, nós definitivamente não sairíamos desse apartamento hoje, Berry! – exclamou ele, arrancando uma risada da morena.

– Não precisa exagerar, Jess...

– Como não?! Você se olhou no espelho?

Rachel deu um leve sorriso de lado e maneou a cabeça. Ela precisava admitir que havia caprichado. Para ela, se era para sair e esquecer Quinn, então ela faria isso no melhor estilo Rachel Berry. Optou por um vestido vermelho apertado, que valorizava suas curvas, e ia até o meio de suas coxas, chamando atenção para suas pernas, nos pés um salto alto preto, usava o cabelo solto e uma maquiagem leve. Ela estava vestida para matar!

– Aquela boate só terá olhos para você, Rach – constatou – Você só não irá esquecer a loira hoje se não quiser.

– Nós... Nós podemos não falar dela? Fica mais difícil esquecê-la, desse jeito...

– Oh, claro. Claro! Me desculpa, querida. Hoje, eu garanto, a noite será só nossa!

Rachel sorriu. Tudo que queria era, pelo menos, tentar se divertir. E não havia ninguém melhor que Jesse para anima-la. Esperava que aquela noite, realmente valesse a pena.

Os dois saíram do apartamento e pegaram um táxi, afinal pretendiam beber bastante, em direção a uma das boates mais badaladas da cidade. De longe era possível ver a enorme fila para entrar no local, mas eles eram dois grandes nomes da Broadway e junto disso vinham algumas regalias. Passaram direto pela fila e logo o segurança os viu, liberou a entrada.

O lugar estava fervendo! Pessoas já lotavam a pista de dança e o bar. Os dois optaram por, aquela noite, não ficarem na área vip. Queriam se enturmar, então nada melhor que ficar onde a maioria das pessoas estava. Se encaminharam para o bar, onde, por sorte, arrumaram dois bancos vazios.

– Dois shots de tequila, por favor! – pediu Jesse a um dos barmans que logo voltou com os copos – Pronta para começar a noite, Berry?!

A resposta de Rachel veio no ato de virar o shot em sua boca. Jesse riu e fez o mesmo com o seu. Assim eles fizeram mais três vezes, antes de irem para a pista de dança.

O local estava super lotado. Pessoas dançavam por todos os lados, algumas se agarravam em meio aos outros. Mulheres, homens... Ali não havia distinção, eles só se entregavam ao desejo e Rachel não faria diferente. Pelo menos não depois de quatro shots de tequila.

A música soava pelos alto falantes da boate e invadia todo o local. Rachel e Jesse dançavam junto de várias outras pessoas, os corpos suados colados, se mexendo juntos em um mesmo ritmo. Rachel estava tão imersa no momento, que não sentiu alguém se aproximar de suas costas e segurar sua cintura. Quando se deu conta, seu corpo estava colado ao de uma morena.

– Você é linda! – disse a morena por sobre o som alto – Eu estou te observando a noite toda...

Berry nada disse, apenas continuou dançando. Ela iria apenas continuar dançando, sem dar bola para aquela mulher. Ou pelo menos foi isso que ela pensou, até sentir beijos molhados em seu pescoço.

– O que você acha de sair daqui, querida? – perguntou a mulher, mas antes que Rachel respondesse, uma voz se sobrepôs a dela. A última voz que Rachel esperava ouvir naquela noite.

– Não será possível. Ela está acompanhada...

– Q-Quinn? – Berry gaguejou ao pousar seus olhos sobre a loira.

– Desculpa ai loira, não sabia que a morena estava acompanhada – disse a outra mulher antes de afastar.

Jesse que havia ido ao bar, voltou praticamente correndo ao notar a leve movimentação ao redor da melhor amiga e ao perceber quem estava ali. Fabray era a última pessoa que Rachel precisava ver aquela noite, ela estava tão bem...

– Oh, hey Q – cumprimentou St. James ao se aproximar, ao mesmo tempo em que outra pessoa também chegava.

– Eu estava te procurando, baby – disse Emilia, se aproximando de Quinn e agarrando o braço da loira.

A cabeça de Rachel parecia ter dado uma volta de 360 graus na velocidade de um carro de fórmula 1, pois naquele momento, não só Quinn estava na sua frente, como também aquela modelozinho de meia tigela e ainda chamando a sua Quinn de baby.

– Como você a deixa sozinha nesse estado, Jesse? – esbravejou Quinn.

– O que? A Rachel está ótima! E eu só fui buscar mais bebidas – se defendeu o rapaz.

– Oh, eu acho que mais bebidas definitivamente não é uma boa ideia... – ironizou.

– Mais bebidas é uma ideia perfeita – falou Rachel, saindo do seu estado de torpor – Eu estou ótima, não preciso de ninguém me controlando.

– Tão ótima que aquelazinha estava se aproveitando de você! Se eu não chego, ela já estaria te comendo em qualquer lugar dessa boate!

– Hey! Me respeite, Fabray! Eu não sou você que transa com qualquer uma, em qualquer lugar. E eu não precisava que você viesse me defender como uma donzela indefesa.

– Ah, claro... Eu esqueci que você não precisa de ninguém. Você é a auto suficiente Rachel Berry, que se desfaz das pessoas quando bem quer, sem nenhuma explicação – era totalmente possível ouvir o ressentimento na voz da loira – Eu nem sei porque ainda vim aqui depois de todos esses dias, deveria deixar todas as mulheres dessa boate te comerem como bem quiserem e...

A frase de Quinn foi interrompida por o som estalado de um tapa. Rachel havia lhe batido. Aquilo realmente havia acontecido?!

– Você é louca?! – exclamou Emilia, pondo-se a frente de Quinn – Quem pensa que é para bater na minha namorada?

– Sua namorada devia aprender a não desrespeitar os outros se não quer apanhar – disse Rachel a modelo e então virou-se para Quinn – Meus tempos de ouvir todos os insultos saídos da sua boca sem dizer ou fazer nada em troca, acabaram, Fabray! Nem mesmo todo o amor que eu sinto por você, me farão aguentar tamanho desrespeito.

Dito isso, Rachel saiu dali no seu melhor estilo “diva”. Seu coração estava quebrado? Sim, mas nem Quinn e nem a sua namoradinha precisavam saber daquilo.

A loira ainda assimilava tudo aquilo, quando percebeu Jesse se mover para ir atrás da amiga. Ela, então, segurou-lhe o braço.

– Não, eu vou – disse decidida.

– Não vai, não – disse Emilia.

– Ela é a Rachel, a minha melhor amiga. Aquela que, quando fui eu a desferir o tapa, enxugou as minhas lágrimas. Então, sim, eu vou atrás dela.

– Tem certeza disso, Fabray? – perguntou Jesse.

Mas a resposta já não podia ser ouvida. Quinn saiu dali em passos largos, atrás de Rachel, deixando uma emburrada Emilia e um preocupado Jesse para trás.

– Eu só espero que você não termine de quebra-la, Q... – sussurrou St. James para si mesmo.

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Rachel não sabia para onde estava indo. Seus olhos embaçados não lhe deixavam ter uma certa noção do cominho que seguia. Tudo que ela precisava era se afastar dali. Se afastar de Quinn, a quem havia acabado de bater, e da namorada da loira, para quem o tapa deveria ter sido direcionado.

Quinn estava namorando e aquilo apenas havia sido o último prego no caixão da morena. Sua infelicidade estava completa. Toda e qualquer mínima esperança de que ela e Fabray poderiam funcionar havia acabado de ser minada. Quinn e Emilia estavam namorando. Não havia mais nada que pudesse ser feito para quebrar o coração de Rachel, ou assim ela pensava...

Nem havia percebido que seus passos já não eram mais apressados, muito menos que andava pela calçada da boate, sem rumo ou direção certa, embaixo de uma leve neblina que havia caído sobre New York. Berry só recobrou seus sentidos quando sentiu uma mão em seu braço.

– Pra onde você pensa que vai? – e então ela estava cara a cara com Quinn novamente.

– Me deixa em paz, Quinn – pediu e virou-se, continuando a andar.

– Eu não vou te deixar em paz. Andar sozinha, desse jeito, nesse tempo, é extremamente perigoso.

– Eu não preciso da sua preocupação, Fabray! – exclamou irritada – O que mais, além de te bater, eu preciso fazer pra você me deixar em paz?

– O que diabos aconteceu com você, Rachel? O que eu fiz? Eu juro que se você me der alguma explicação pra esse comportamento, de uma hora pra outra, eu sumo da sua vida sem deixar rastros! Mas eu preciso que você clareie as coisas pra mim...

– Você não quer uma explicação, Quinn. Pelo menos não a que eu tenho para dar...

– Sim. Sim, eu quero! Eu não me importo com o que você tem a dizer. Eu te amo, Rachie. Nós somos amigas e podemos resolver isso.

– Ai está! – riu irônica – O grande “x” da questão, o termo que define tudo: amigas!

– Hã? Do que você está falando? – questionou Quinn, claramente confusa.

– Durante todos esses anos, eu sempre achei que a nossa relação sempre fosse uma amizade extremamente estranha. A minha necessidade de estar sempre perto de você, de te perdoar mesmo depois de tudo que aconteceu, de sentir ciúmes e nunca aprovar as várias garotas com quem você se relacionava... Eu nunca tive grandes amigas, então eu apenas achei que isso fosse... Normal. Mas então nossos amigos apareceram, Santana ficou repetindo a mesma coisa durante todo o tempo e o idiota do meu melhor amigo resolveu “abrir meus olhos”. De uma hora para outra, eu me vi apaixonada por você. Apaixonada por Quinn Fabray. Minha algoz, que se tornou a pessoa mais importante da minha vida. É até estranho que eu tenha demorado tanto tempo para perceber, sabe? Acho que apenas me enganei esse tempo todo, não sei. Mas a questão é: tudo que eu menos quero, é ser SÓ a sua amiga, Q! eu quero poder te beijar sempre que me der vontade, segurar sua mão quando estivermos em restaurantes, nos quais eu terei te levado para um encontro, quero te homenagear a cada momento de sucesso, quero sair com você nos jornais e revistas, quero poder te chamar de minha. Eu quero ser mais, muito mais que uma amiga. Amiga não é nada perto do que eu quero pra gente. Meu amor por você não se contenta apenas com isso...

As lágrimas de Rachel caíam livremente por seu rosto. E o silêncio de Quinn diante daquele enorme discurso só agravava a situação, fazendo-a soluçar e tremer, tamanho o seu choro. Então, para a sua surpresa, ela sentiu dois braços lhe rodearem. Quinn estava lhe abraçando. Não só isso. A loira estava lhe acalentando, daquele jeito que só ela sabia: passando a mão em círculos por suas costas e repetindo um leve “está tudo bem” em seu ouvido.

Minutos se passaram e as duas permaneciam ali, paradas no meio da rua, abraçadas, em baixo de uma neblina que nem parava e nem parecia querer se transformar em uma tempestade. O corpo de Rachel já não tremia, sua respiração havia se regulado e seu choro cessado, mas ela não queria se separar de Quinn. Não queria encarar a loira. Mas Fabray não pensava o mesmo.

– Mais calma? – perguntou Quinn suavemente, separando-se de Rachel para encara-la.

A morena apenas assentiu.

– Vem, vamos sentar ali... – Quinn as conduziu até um banco na praça do outro lado da rua. Sentaram-se uma de frente para a outra e um silêncio se estabeleceu entre elas.

– Então... – começou Quinn – A explicação desse tempo todo me evitando é que... Você está apaixonada. Apaixonada por mim.

– Isso não é só uma paixonite, Quinn...

– Meu deus, Rach! Você tem noção de quão louco é ouvir isso? Nós nos conhecemos há... O que? Muitos anos! Tantos que eu nem me lembro. E agora você, simplesmente, descobriu que me ama? Isso é...

– Eu não descobri, Quinn. Eu apenas aceitei.

– Nós somos amigas, Rachel. E desenvolver essa amizade já foi extremamente complicado. Colocar mais complicações, quando as coisas pareciam estar indo bem...

– Então, pra você, o amor que eu sinto é uma “complicação”?

– Não, não. Eu realmente entendo o seu lado, o fato de você achar que me ama...

– Eu não acho, Quinn! – interrompeu – Eu tenho certeza que te amo. Por que é tão difícil assim aceitar isso?

– Porque é! Nós somos Rachel Berry e Quinn Fabray.

– E que porra isso deveria significar? – berrou.

– Eu... – suspirou – Eu estou namorando, Rach. Eu e Emilia nos entendemos, sabe? Não é complicado – deu de ombros com um olhar triste em direção a morena.

– E como sempre Quinn Fabray opta pelo que é mais fácil! – exclamou irônica – Sabe qual o seu problema, Quinn? Você é fraca! Você é incapaz de correr atrás da sua felicidade.

– E sabe qual o seu problema, Rachel? – perguntou irritada – Achar que você é a minha felicidade!

E lá estava. A última tacada. O “gran finale”. O coração de Rachel Berry havia sido nocauteado por Quinn Fabray.

Para a sorte de Rachel, uma táxi resolveu passar naquele exato momento. Quando Quinn percebeu, a morena já estava dentro do veículo e o motorista arrancava dali, cantando pneus.

Afinal de contas, ela era Rachel Berry e não seria agora que ela se permitiria quebrar na frente de alguém.