Never Is Too Late
6 Capítulo 6
Notas iniciais
A segunda-feira chegou, dando fim a um final de semana que Quinn preferia esquecer, mas que, infelizmente, não dava fim a sua tristeza. A loira havia dormido pouquíssimo, o que a fez tomar a decisão de não ir trabalhar naquela manhã. Permaneceu deitada em sua cama, não querendo sair dali tão cedo.
A manhã passou e Quinn em nenhum momento fez menção de se levantar. Aquela atitude poderia ser considerada extrema por quem via de fora, mas era Rachel. Suas atitudes em relação a morena sempre eram extremas.
A loira ouviu seu celular tocar e, mesmo não sendo o toque de Rachel, ela correu pensando que a morena poderia estar ligando de outro telefone.
– Rach? – ela atendeu ofegante.
– Ew, não Fabray! Que comparação, hein...
– Ah... – disse tristemente – O que você quer, Santana?
– Nossa, que mal educada! – pausou – Liguei pro estúdio e disseram que você não foi trabalhar hoje...
– Sim, e daí?
– E daí que queria te chamar pra almoçar, Britt não poderá sair do estúdio hoje e não gosto de comer sozinha.
– Não, obrigada – disse diretamente.
– Deus, o que há com você hoje?! Parece estar pior. A Berry não deu no couro ontem? – brincou.
– Vai se foder, Lopez!
– Calminha, Q! O que aconteceu?
– Nada da sua conta...
– É da minha conta se deixa minha amiga mal – disse – Se encontra comigo, vamos conversar...
– Eu não quero conversar.
– Então vamos comer, beber, fazer o que você quiser! Estou te mandando o endereço de um lugar e espero que você esteja lá.
Santana desligou a chamada sem dar chance a Quinn de responder. Segundos depois a loira recebeu uma mensagem com um endereço e bufou. Sabia que se não fosse, Santana ficaria no seu pé. E, no fundo, ela sabia que precisava sair daquela cama e nada melhor que alguém que a entendia, ou pelo menos assim ela achava...
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Rachel mais uma vez havia acordado, das poucas horas de sono, e encarava o teto do quarto de hóspedes do apartamento de Jesse. Ela já estava decorando cada detalhe daquele teto, daquele quarto. Havia passado o fim de semana inteiro trancafiada ali, chorando e sofrendo sozinha. Seu celular não saia de seu correio de voz. A mensagem de Quinn tocava repetidamente, como um player com só uma música. A voz da loira invadia seus ouvidos e fazia as lágrimas jorrarem de seus olhos. Nem mesmo Jesse foi capaz de tira-la dali, de amenizar aquela dor. Quem ela queria enganar, afinal? Apenas Quinn poderia cura-la. Apenas aqueles braços pálidos ao redor de si, aquele cheiro e aqueles olhos avelãs poderiam lhe trazer a calma que precisava. Mas, ao mesmo tempo, todos aqueles itens eram o motivo de sua desgraça. Como ela permitiu se apaixonar por Quinn? Na verdade, ela nem sabia em que momento dos últimos seis anos aquilo aconteceu. Mas quem não se apaixonaria por Quinn? Ela viu desde mulheres “comuns” a modelos maravilhosas caindo aos pés da loira, então por que diabos ela teria chances? Ela nunca teria chances! Quinn nunca lhe viu como nada além de sua melhor amiga. E, acredite, aquele era um título importante para Rachel. Mas como ela poderia permanecer ao lado da loira agora, como sua melhor amiga, quando o tempo todo tinha vontade de beija-la, de dizer o quanto a amava? Rachel não sabia se conseguiria sobreviver aquilo. Não importava se estava perto ou longe de Quinn, tudo em si doía. Maldito momento em que Jesse abriu seus olhos! Ela preferia ter ficado cega, apenas aproveitando da companhia e amizade de Fabray. Mas o que seria amizade perto de amor? Rachel queria sentir o que todas aquelas outras mulheres sentiram. Queria ser amada por Quinn, mas sabia quão impossível aquilo seria. As chances eram praticamente nulas.
Mais uma vez, colocou a mensagem de voz para tocar. Como se seu martírio já não fosse suficiente... A voz de Quinn soou no quarto, em seus ouvidos, em seu coração. Quinn disse que sentia sua falta, que a amava. Mas Rachel sabia que não era do jeito que agora ela ansiava. Ouviu a loira dizer que elas ficariam bem. Como elas poderiam ficar bem? Como tudo poderia se resolver? Rachel sentia em seu íntimo que, no momento que dissesse a loira o que sentia, ela a perderia. Quinn a via como melhor amiga, não como mulher. Tudo que as duas viveram que, para Rachel agora tinham outro sentido, para Quinn não passava de amizade.
Lágrimas voltaram a descer por aqueles olhos chocolate. Seu choro já não era estridente, como no começo. Agora preferia chorar em silêncio, evitando assim que Jesse aparecesse. Ela queria chorar sozinha, sofrer sozinha. Afinal, Rachel sabia que, no fim daquela história, era assim que ela terminaria: sozinha...
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Quinn chegou ao endereço mandado por Santana e viu que o lugar parecia ser bem calmo. O mesmo era um pouco afastado do centro. Provavelmente a latina imaginou que os paparazzis não iriam até ali. A loira estacionou e entrou, já podendo ver a amiga de longe em uma mesa.
– Hey Q, senta ai – cumprimentou a latina com um pequeno sorriso ao ver a amiga se aproximar.
– Desculpa a demora – disse a loira, sentando-se.
Logo o garçom apareceu e anotou os pedidos de ambas que ficaram em silêncio por alguns instantes.
– Você não deveria estar, sei lá, atrás de alguns assassinos não? – perguntou Quinn quebrando o silêncio.
– Por incrível que pareça, New York está calma essa semana. Tivemos dois casos, mas ambos foram dados como suicídios – deu de ombros – Mas e você? Pensei que uma fotógrafa famosa trabalhasse o tempo todo...
– Eu não estava com cabeça para trabalhar hoje – respondeu, voltando a ficar triste, o que não passou despercebido.
– Olha Quinn, eu sei que passamos muito tempo longe, mas eu ainda te considero minha amiga, sabe?! Não vou te obrigar, mas você pode falar comigo se quiser...
– Eu sei, S. Só... Só não sei se quero falar sobre isso.
– Eu sei que você tem a Berry e o St. James, nem deve precisar de mim... – disse irônica, mas viu que Quinn não a retrucou, apenas ficou mais cabisbaixa – Oh merda... Eles são o problema, não é? Me fala o que aconteceu.
– Eu não sei e isso é o pior de tudo. Rachel está estranha desde sábado, muita estranha. Tão estranha que ela não foi pra casa. Ela está na casa do Jess e não me atende. E ele foi lá em casa e me disse pra não ir atrás dela. Como eu posso não ir, Sant? É a Rachel... – pausou tristemente – Só... Só dói muito não tê-la por perto. Nos últimos seis anos nós nunca passamos mais que algum par de horas longe. Aquela casa fica enorme e vazia sem ela...
Santana observava Fabray falar e sorria discretamente. Era incrível para ela ver como alguém tão inteligente como Quinn não via o que estava estampado na sua cara.
– E o que aconteceu sábado? – perguntou a latina.
– Eu não sei! – exclamou – Nós estávamos bem. Eu acordei de ressaca pela nossa bebedeira da sexta e ela cuidou de mim. Me deu remédio, fez café... Passamos a manhã juntas assistindo filmes. Então na hora do almoço perguntei se ela e Jesse sairiam após o espetáculo e falei que ia sair com uma amiga modelo. Depois disso ela passou o resto da tarde trancada dentro do quarto, saiu pro teatro sem falar comigo e a noite, encontrei com eles em uma boate e ela estava mais estranha ainda. Distante, seca, diria até antipática, comigo e a Emilia, que é a modelo que falei. Então ela foi embora de lá e até agora não a vi novamente... – terminou a explicação.
– Deixa ver se eu entendi... – pausou – A Berry ficou “estranha” com você após o almoço, coincidentemente após você falar sobre a tal Emilia?
– É, acho que sim – respondeu.
– Sério, Quinn?! – encarou a outra – Sério que você não sabe o que aconteceu? – a loira a encarou com uma cara confusa – Sua explicação se resume em uma palavra: ciúmes!
– Mas... Não faz sentido. Rachel sabe que ela é e sempre será minha melhor amiga...
– Deus – disse a latina batendo contra a própria testa – Você realmente ficou idiota nesses anos, não é?! Não é esse tipo de ciúmes!
– E qual é?! – perguntou.
– Sério? Você não vê que aquela anã te ama mais do que como amiga?
– Não! De novo não, Santana! Isso é insano! – exclamou ofendida – Eu saberia se a Rachel sentisse algo a mais por mim...
– Você que pensa! Eu passei anos da minha vida achando que eu e Britt tínhamos apenas uma amizade colorida e foi preciso eu quase perde-la para, não só enxergar o que ela sentia, mas o que eu mesma sentia...
– Eu e a Rachel não somos assim!
– Olha, eu não posso te obrigar a ver o que você não quer, Quinn. Só te digo uma coisa: não espere perder a Rachel para poder perceber. Eu sei que se tivesse perdido a minha Britt-Britt, eu estaria sozinha e sofrendo uma hora dessas. E é isso que acontecerá se você perder a Berry: você ficará sozinha...
– Eu já falei que nós não somos assim – disse a outra – Eu e Rachel estaremos sempre uma na vida da outra, sempre! E não importa o que tenha acontecido ou que você acha que pode acontecer, eu não vou perde-la. Eu não posso perde-la.
Santana sabia que não adiantava discutir com Quinn naquele momento. A loira estava em negação assim como ela esteve um dia. Quinn não queria enxergar o que estava na sua frente. Não queria aceitar o que Rachel sentia e, principalmente, o que ela mesma sentia pela morena baixinha. Santana sabia que não cabia a ela forçar a barra, isso poderia ser ainda pior. Tudo que restava era deixar o tempo e o coração de Quinn agirem, apenas esperando que, quando a amiga finalmente percebesse, não fosse tarde demais e ela terminasse aquela história com o coração partido...
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