Never Gonna Change
1 Prólogo
Notas iniciais
And I hate that I can't say your name
Without feeling like I'm part of the blame
O horizonte nunca tinha me parecido grande coisa. Até ver em um daqueles banquinhos de praia minha melhor amiga com um cigarro. Eu já tinha implorado um milhão de vezes para ela largar aquela coisa miserável. Fui até ela, sentindo meus pés queimarem na areia fofa, apenas para dar um sermão sobre o seu vício. Ela seria o único motivo para eu sair, depois da confissão cheia de lágrimas de Brian que está apaixonado pela Annie. Um baque tão difícil para mim, afinal, eu estou apaixonada por ele há dois anos. Mas ele nunca vai olhar para mim. E não me admira que ele esteja encantado com a Annie, apesar dele ter zero chances com ela.
Cheguei e me sentei ao seu lado, só então reparando as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Afastei seus longos fios loiros e sequei as lágrimas, abraçando-a em seguida. Ela está triste? Quem deixaria ela assim? Quem teria coragem? Ela deitou no meu colo e minhas mãos começaram a trabalhar no seu cabelo, eu sempre faço trança nela quando ela chora. Porém, ela não é de chorar. É durona. Uma rebelde sem causa. Eu não a vejo chorar faz dois anos.
— O que foi, Annie? — Minha voz saiu rouca. Eu estou chorando e minha mente insiste que ela é a culpada por tirar a pessoa que eu mais amo de mim. As lágrimas quentes eram de vergonha, tristeza e raiva. Como eu tenho coragem de culpá-la? Ela não tem culpa. Mas ao mesmo tempo, eu amo Brian há tanto tempo para ver ele se derretendo pela minha melhor amiga. Aquela que eu confio. Aquela que é uma parte de mim. Aquela que eu também amo.
Então, eu e Annie, chorando enquanto o sol se põe. A cena é linda e melancólica. Observo ela levantando a cabeça para me olhar. Sem o cigarro pelo menos. Sua maquiagem preta escorre junto com as lágrimas. Ela chora ainda mais quando vê meu rosto banhado também. As duas prometeram se proteger. E, no entanto, estamos chorando. Ela nem faz ideia que me tirou Brian. Brian. Meu coração dá uma guinada dolorosa só de pensar nele e em como eu sinto falta dele. Respiro fundo. Eu ainda não o perdi.
— Mellie. — Annie chama com a voz fraca. Volto a prestar atenção nela, me sentindo culpada pelo lapso de raiva repentino. Sua tristeza é evidente, assim como sua confusão. Ela, por fim, desvia os olhos para o horizonte. — Eu estou apaixonada por você. Na verdade, eu amo você. Eu sempre amei. — Ela morde os lábios e volta a deitar no meu colo, chorando com força.
Não pode ser. Não pode ser! O destino deve ser alguém muito cruel nos controlando. Não é possível. Eu amo o Brian, que ama a Annie, que me ama. Não, eu não acredito. É cruel em demasia. Dói demais. É ruim. Então, ficamos as duas observando o sol indo embora, chorando em silêncio, apenas esperando as coisas piorarem. Elas sempre pioram.
Fale com o autor