Never Can Say Goodbye
3 Capítulo 3
Notas iniciais
É uma opção pessoal assistir ou não, já que não fará tanta diferença na história.
Espero que gostem :)
Estou no aeroporto. Não sei bem como cheguei aqui e só quero encontrar a saída para voltar para casa o mais rapido possível mas eu vejo alguma coisa que me impede. Não, não alguma coisa. Alguém. Ele está aqui. Eu consigo ver Sebastian entrando no portão de embarque do próximo voo para França. Quando corro em sua direção, ele parece se afastar mais e mais. Tento gritar mas ele parece não me ouvir e a cada tentativa, consigo perceber que ele já entrou no avião. As lágrimas já estão correndo pelo meu rosto mas eu me recuso a desistir de chamar seu nome.
"Sebastian! SEBASTIAN!"
Falando isso eu dou um pulo da cama, onde Kurt tenta me segurar e me acalmar.
"Calma, Quinn! Só foi um pesadelo!"
"Não, Kurt! Não foi só um pesadelo! Ele não está aqui comigo! Nem sei se algum dia ele estará... Ele me abandonou!"
Grito entre lágrimas e soluços enquanto ele me abraça cada vez mais forte sem dizer uma palavra na esperança de que isso me acalme. Depois de um tempo, já não tenho mais forças para chorar e apenas fico observando o chão do meu quarto, repassando todo o meu sonho repetidamente na minha cabeça.
"Acho melhor não irmos a escola hoje..."
"Não, eu quero ir. Eu preciso me distrair."
Ele me olha por uns segundos relutantemente mas depois concorda e ao olhar meu relógio vemos que ainda temos tempo mas nos arrumamos mesmo assim. Quando abro meu guarda roupa para pegar um casaco reparo na jaqueta dele. A jaqueta do nosso primeiro beijo no lual e que ele fez questão de me dar para que eu nunca me esquecesse dele. Que ironia não?
"Quinn, o Blaine-"
Kurt entra no quarto e imediatamente para de falar quando repara que eu estou segurando a jaqueta dele.
"Quer que eu jogue isso fora?"
Imediatamente eu abraço a jaqueta fazendo com que o perfume que ainda tem nela, se alastre pelo quarto. O perfume que antes eu associava com coisas maravilhosas, agora eu associo com dor. O pior é que eu não quero me livrar dela... É a única coisa que eu tenho dele agora que ele foi embora. Sem isso, o que eu terei?
"Não, eu... Jogo fora mais tarde."
Kurt acena com a cabeça mesmo sabendo que isso é uma mentira.
"O Blaine vai vir pegar a gente para nos levar para a escola. Tudo bem?"
"Aham.."
Eu coloco o casaco de volta no armário e pego um cardigã. Descemos e Kurt me faz um café da manhã reforçado, levando em conta que eu comi um sanduíche nos últimos dois dias. Dou umas mordiscadas e me pego olhando para o meu celular, esperando pela mensagem de 'bom dia' que ele me mandava todas as manhãs. Aquela pontada de dor volta mais forte que nunca e minha garganta fecha, deixando claro que não consigo comer mais nada. Acho que nunca vou me acostumar com a sensação de vazio que ele me deixou.
Escutamos uma buzina e temos certeza que é o Blaine. Pego minha mochila e sigo com o Kurt até a porta. Eu a abro mas fico alguns minutos oservando a rua.
"Vai tudo ficar bem, querida."
Eu suspiro e saio em direção ao carro do Blaine, enquanto Kurt tranca a porta. Quando chegamos na escola, todos parecem me olhar. Alguns com sorrisos de zombação no rosto e outros com olhares de preocupação. Como se fosse uma garotinha de cinco anos, me escondo entre Kurt e Blaine até chegar ao meu armário. Assim que eu o abro, dou de cara com uma foto dele.. Respiro e tento ficar calma porém já sinto aquele nó na garganta.
"Eu preciso ir ao banheiro."
Kurt e Blaine acenam e eu praticamente saio correndo em direção ao banheiro feminino. Chegando lá, me apoio na pia e deixo as lágrimas pingarem sobre a torneira.
"Fabray?"
Limpo minhas lágrimas e quando olho para ver quem é, Santana e Brittany estão de mãos dadas com um olhar assustado para mim na porta do banheiro. Santana se apromixa de mim e coloca as mãos na minha cintura enquanto Brittany dá a volta e fica do meu outro lado, mexendo no meu cabelo.
"San, ela deve estar alimentando os bichos que vivem na pia com as lágrimas dela! Eu sempre faço isso..."
Santana olha com um olhar de "agora não BrittBritt" e volta a atenção para mim.
"O que ouve, Fabray? Aconteceu alguma coisa?"
"Eu estou solteira, meninas."
Assim que termino de falar Brittany dá pulinhos enquanto bate palmas. Tanto eu quanto Santana olhamos para ela sem entender nada e ela logo explica:
"Todos sabem que ser solteiro é a melhor coisa que existe. Até para casar temos a despedida de solteiro, que acaba sendo uma das melhores festas da vida de uma pessoa."
Lanço um sorriso sincero para ela e Santana coloca sua cabeça no meu ombro.
"Eu sinto muito, Quinn."
"Está tudo bem... Tudo vai ficar bem."
Nos abraçamos e ficamos até o sinal bater notificando o começo das aulas. Por mais que eu quisesse, eu não consegui me concentrar. Os professores tinham que chamar pelo meu nome ao menos três vezes para que eu conseguisse notar que eles estavam se dirijindo a mim.
No almoço ninguém do coral ousou em tocar no assunto do meu término. Eles diziam palavras de incentivo mas sem dizer exatamente pelo que, mesmo que estivesse claro. Depois da aula, eles quiseram fazer uma apresentação de Keep Holding On em grupo. Foi uma das coisas mias gentis que eles já fizeram e eu agradeci a cada um deles.
Quando a aula acabou, me pego mais uma vez esperando por uma mensagem dele me contando como foi seu dia e qual seria nossos planos para a noite. Mas a mensagem não chegou e nem vai. Eu só tenho que me acostumar com isso.
Kurt e Blaine se ofereceram para ficar comigo a tarde mas eu não pude aceitar. Depois de tudo que eles já fizeram por mim, não tenho como pedir mais nada para eles. Afinal, eles tem suas próprias vidas e problemas.
Quando chego em casa vou direto para meu quarto, sem me preocupar em comer ou alguma coisa do tipo, e assim que entro no meu quarto vou direto para o guarda-roupa e puxo a jaqueta dele para vestir enquanto me deito na cama, da forma mais encolhida que posso. O cheiro dele ainda está lá e de uma maneira ou de outra, isso traz um certo tipo de conforto.
Fico pensando em o que vou fazer quando esquecer da maneira em que ele segurava minha mão, quando esquecer do som da sua gargalhada ou quando esquecer a sensação que beijá-lo me proporcionava.
O que eu vou fazer quando essa jaqueta não tiver mais o cheiro dele?
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