Never Can Say Goodbye
4 Capítulo 4
Meus pais chegaram aquele fim de semana e, para a minha surpresa, eles não fizeram nenhuma pergunta. Apenas me abraçaram e disseram que me amavam.
Passaram-se os dias e, ao contrário do que pensava, a dor não está diminuindo.A dor continua aqui, firme e forte no meu peito, aparecendo quando eu menos espero. Tem dias que eu fico normal, tentando não pensar nele e me concentrando em outras coisas mas outros dias eu consigo vê-lo em tudo que é lugar, como um lembrete doloroso de que ele não está mais aqui.
Hoje é um deles. Sinto um nó na garganta e não sei como vou conseguir passar por tudo isso... Agora, a jaqueta só tem um leve perfume que já não é suficiente para mim. Eu preciso de mais! Eu preciso.. dele. Olho para o meu celular que está na minha mesinha de cabeceira e fico imaginando se ele atenderia. O que ele falaria? Seguro o celular e fico andando de um lado para o outro pensando se deveria tentar ou não. Sento no chão do quarto e começo a imaginar como seria escutar a voz dele mais uma vez. "Não tenho nada a perder!"
Ligo e espero. O primeiro sinal, o segundo, o terceiro e nada... Quando estou prestes a desligar ouço uma voz masculina na outra linha.
"Alô?"
Perco a respiração e fico me perguntando se é realmente ele.. Tento falar mas nenhuma voz sai de mim.
"Alô?"
A voz repete impacientemente na outra linha e eu sei que se demorar muito, ele vai desligar.
"Alô? Sebastian?"
"Não tem ninguém com esse nome, não."
"Ah.. Desculpe."
Quando desligo não sei ao certo como me sinto. Ele mudou de número... Ele queria deixar tudo para trás. Nada que o fizesse lembrar de Ohio ou.. de mim. Nem me dou ao trabalho de levantar e deito no chão mesmo. Respiro fundo e sinto uma pontada de dor porém não estou chorando. Estou muito cansada para isso. Chorei compulsivamente por quatro semanas.. Kurt tem razão. Quanto mais cedo eu aceitar que ele me abandonou, mais cedo eu consigo me livrar do sofrimento.
Os meses se passam e aprendo a conviver melhor com o que aconteceu mas, acredite em mim, aquele papo de a dor passa com o tempo é tudo mentira. A dor nunca passa. Ela vai ficar para sempre com você como um pequeno ferimento que te dá duas escolhas: ou você fica cutucando ou você deixa ele quieto e segue com a sua vida. Eu escolhi a segunda opção por diversos motivos. Minha família, meus amigos, meus sonhos, minha vida... Eu escolhi por mim. Eu mereço isso... Mereço ser feliz.
Eu estou tentando voltar a minha antiga vida. Saio com a BrittBritt e com a San, converso horas com Kurt e Blaine e estou mais aplicada na escola do que nunca. Sinto que estou dando um passo de cada vez.
Agora, um ano depois, estou totalmente bem.
Não se engane, eu ainda penso nele. Só que a melhor parte é que aquela dor insuportável que eu sintia só de ouvir seu nome foi subtituido por um leve frio na barriga. Lembro de quando nos conhecemos, do nosso primeiro encontro, do nosso primeiro beijo mas isso tudo parece tão distante agora que só me faz querer ter novas memórias e experiências.
Ah sim, não preciso mais da jaqueta dele para dormir desde que a Brittany me deu um golfinho de pelúcia falando que golfinhos eram apenas tubarões gays, o que faz todo o sentido se você pensar bem!
Eu me sinto melhor e... me sinto nova. É uma boa sensação depois de tudo que eu passei. É bom saber que tudo vai voltar a ser como era antes.
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É mais um dia de escola e assim que entro na escola, sigo no caminho para o meu armário e encontro Kurt e Blaine que logo param sua conversa para virem falar comigo.
"Ei, Quinn. Você gostaria de ir ao shopping com a gente hoje? Estamos entediados demais para esperar pelo fim de semana! Hoje ainda é quarta feira!"
Kurt diz e posso ver o desespero em seus olhos e sou obrigada a aceitar.
"Ok, ok.. Só não quero ficar excluída então nem pensem em ficar trocando beijos na minha frente!"
Eles sorriem e logo coloco um braço em volta de cada um. Eles me acompanham até meu armário, onde eles me ajudam a pegar meus livros necessário para a próxima aula. Nos despedimos e vou direto para a sala, onde encontro Santana guardando meu lugar próximo a ela.
A aula passa bem rápido, ou melhor, as aulas passam bem rápido. Quando noto já está na hora de sair e Kurt e Blaine estão me esperando no estacionamento.
"Demorei muito, meninos?"
"Não mais que o normal!"
Dou um tapinha no braço do Blaine e seguimos juntos para o shopping rindo e falando idiotices como três crianças. Chegando lá combinamos de tomar um café e depois ver um filme.
"Eu vou pegar mais um café e já volto."
Desvio de todas as mesinhas cheias de casais, amigos e solitários lendo livros até chegar no caixa. A balconista pede para eu esperar mais um pouco e quando olho para Kurt e Blaine, já posso ver que eles estão trocando selinhos. Reviro os olhos e já estou mentalmente ensaiando todas as coisas que vou ter que falar para o casalzinho quando a moça do balcão me cutuca, informando que meu café já está pronto. Eu pego o copo, agradeço e, num movimento brusco, me viro dando de cara com uma pessoa derrubando meu café todo no chão. Todos olham para ver o que aconteceu, já que a chícara quebrou quando caiu no chão fazendo um barulho muito alto. Me abaixo para pegar os cacos quando vejo que a pessoa também abaixa para me ajudar. Vejo uma mão masculina catando os cacos.
"Não precisa, não foi sua culpa."
Assim que termino de falar eu olho para o tal homem e me deparo com um lindo sorriso. Quando me lembro de respirar novamente, consigo reparar mais nele. Seu cabelo é castanho claro, seus olhos são de um azul incrível e mesmo ajoelhado posso ver que ele é muito alto e musculoso. Fico sem reação por alguns segundos e quando percebo que estou ficando toda vermelha me forço a voltar minha atenção para os cacos que ainda restam no chão. Assim que acabamos de colher todos os resíduos de minha completa falta de atenção, ele se levanta e estende a mão para me ajudar a levantar. Eu seguro sua mão e logo sinto que meu coração se acelerou.
"Me desculpe por isso..."
"Você não precisa se desculpar. Como eu disse, não foi sua culpa."
"Quem sabe um dia eu possa te recompensar esse café."
"Eu adoraria."
Percebo que ainda estamos de mãos dadas.
"A propósito, meu nome é Brody."
"Quinn."
Notas finais
Estão gostando? :)
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