Never Again
9 Capítulo 9 - Epílogo
Notas iniciais
Seria muito legal dizer que Pan e os meninos perdidos — okay, desculpa, e a primeira menina perdida também — haviam voltado para a Terra do Nunca. Assim como também não seria tão ruim eles terem ficado onde se acostumaram a viver. Porque onde quer que estivessem, espalhariam a alegria de criança para qualquer um que a tivesse perdido.
Porque esse mundo é tão cruel e sério que a minoria do universo que ainda conserva isso são as almas perdidas; um em cada cem na multidão. Como se sentissem que eram únicos num planeta tão grande e com tantos lugares a ser explorados além da dimensão humana em que vivemos e que apenas aqueles com sensibilidade, paixão e curiosidade de um criança é que teriam acesso.
Aqueles que contam histórias, atuam, escrevem, dramatizam, cantam, dançam, esses sim fazem parte dos meninos perdidos. Alguns até já encontraram a tão sonhada Terra do Nunca; alguns esqueceram a janela fechada; e ainda tem alguns que nunca mais saíram de lá.
Mas vou lhe dizer uma coisa: de todos os meninos perdidos, aqueles mais felizes foram o que descobriram que a Terra do Nunca está em todo o lugar. E o mais importante: que está dentro de cada um.
E ainda digo mais. Nem todos os meninos que caíram de seus carrinhos chegaram a essa descoberta. Assim como, quebrando estereótipos, muitos homens de escritório conseguiram.
Não cheguei a saber se o nosso amigo Peter Pan foi ou não ao seu verdadeiro caminho de casa; nem ao menos se ele rendeu-se aos seus sentimentos e os de Wendy, que tanto temia. Nem mesmo se ele cresceu.
Mas o que ainda posso dizer é que ele continua voando por aí, brincando, correndo, sorrindo, entrando em janelas e aceitando beijos e dedais, principalmente o último que nunca mais tirou de seu dedo.
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