Never Again

7 Capítulo 7 - Estrelando Pan e Tinky


Notas iniciais
Esse ainda não é o último capítulo, falta mais uma ainda, okay? Se não ia ficar enooooorme kkkkkkk hope you enjoy!

A cada palavra dita por Tinky, Pan se empolgava mais e mais. Será que finalmente as coisas se acertariam na sua vida? Será que finalmente teria Wendy para ele depois de tantos anos?

O fato é que depois de alguns dias de ensaio, lá estavam nossos dois amigos se preparando para o tal plano; Pan ria e girava Tinky em suas mãos. Dançavam ao som do toca-discos e se divertiam como há muito tempo não faziam...

Não importava mais ser cortado do grupo de teatro, não importava mais ter uma peça tão pobre de elenco; Pan logo percebeu que uma peça não se faz meramente de atores, precisa-se também de sentimentos. Aqueles mesmos sentimentos que o fizeram conflitar com seus dois eu's interiores.

— Ei! Cuidado — Tinky ria enquanto Pan quase a deixava cair — Não faça isso com Wendy, ouviu?

— Eu sou um ótimo dançarino!

— Claro que é...

Tinky sorria, adorando dançar com o amigo de longas datas.

Dançar com Peter Pan quase parecia levá-la de volta ao reino das fadas. Pan era metade-fada, afinal. E talvez este fosse o famoso e verdadeiro motivo para que nosso menino-perdido estivesse de volta a Londres.

Pan deixara de acreditar em si mesmo.

Mas se ao menos Wendy... Se ao menos ela o enxergasse novamente, todos poderiam voltar à Terra do Nunca. Lá, casariam ao som de flautas, voariam banhados de pó dourado, beijariam-se nas grandes nuvens de algodão-doce cor-de-rosa.

Mas será que era isso mesmo que Pan queria?

Fugira a primeira vez temendo o mundo dos adultos, temendo o futuro que o aguardava. Mas pensar nesses assuntos lhe dava um frio na barriga. Como se mesmo lá, na adorada Terra do Nunca, precisasse dos malditos sentimentos.

Pan sentia algo estranho, inexplicável, por Wendy e Tinky. Enquanto uma o puxava para o "Pan criança", outra o levava ao "Pan adulto"; mas qual dos dois seria o verdadeiro Pan? Ou os dois coexistiam?

Pan sentia medo, insegurança, indecisão. Não gostava nem um pouco disso; pelo menos, na Terra do Nunca, não precisaria lidar com esses sentimentos. Voltar para lá seria a melhor escolha. Certo?

Com isso em mente, pediu uma pausa para recobrar o fôlego da dança. Deixou Tinky descansar um pouco, no chão, e distanciou-se um pouco dela.

Pan foi até o espelho, secando a testa suada. Encarou seu reflexo, pensativo. Começou a se comparar com a antiga aparência infantil que costumava ter: achara-se mais alto e mais musculoso; passou as mãos no rosto e sentira que estava mais áspero. Quando fora a última vez que fizera a barba?

— Pan, está tudo bem? — a voz de Tinky o trouxera de volta à vida.

— Ahn... Sim, sim — respondeu, virando-se para a velha amiga — Vamos embora. Do contrário, nunca estaremos descansados o suficiente para amanhã...

— Tem razão. Vou só pegar o restante das coisas — falou, organizando o que havia levado para o ensaio — Que sorte a nossa, não é? Você realmente deve ser bem influente para ter conseguido o espaço para uma peça de apenas duas pessoas...

— Tinky, número não quer dizer nada.

E assim seguiram os dois para a casa de Tinky. Desde aquele dia da peça, Pan nunca mais voltara pra casa; passava as noites sem rumo, sem compromisso...

Depois que reconheceu a amiga de longas datas, Tinky, passou a "morar" numa casa da árvore do quintal dela. "Assim você não parece um garoto de rua", como ela mesma disse. Só que ele era sim um garoto de rua; enquanto não encontrasse o verdadeiro caminho de casa, ele não descansaria.

Falando em descansar, quem não anda descansando é a mente de Wendy. Mil perguntas passam pelo seu inconsciente e é como se de repente um quebra cabeça houvesse se formado, porém com as peças erradas.

— Irmãzinha... — John hesitava, sentando-se ao seu lado, na cama dela — Quero vê-la sorrindo, por favor..!

— Quantas vezes precisarei lhe dizer? Eu estou bem, John, não há por que se preocupar.

— Hum... — ele avaliou a expressão do rosto dela e então completou, olhando-a seriamente — Se está tão bem assim, então pega seu casaco e me siga.

— Quê?

Wendy observou-o, curvando a cabeça. Seus cabelos caíam pelos ombros, numa expressão de incredulidade. Para onde iriam?

John levantou-se num pulo e encostou-se na borda da porta.

— Vamos passear, Wendy. Eu, você, Tina e Miguel.

— John. Que diabos você está aprontando?

— Não posso mais passear com a minha irmãzinha? Anda, vamos logo e chega de frescura! Miguel ligou dizendo que já está chegando em dez minutos.

— Tudo bem, tudo bem — falou, de uma vez, pegando o casaco — Eu vou.

John e Wendy deixaram o quarto e encontraram-se com Miguel, como o combinado. Tudo estava saindo do jeitinho que John havia planejado. E ele esperava que a noite continuasse assim.

— Onde está Tina? — Wendy perguntou, próximo ao fim da caminhada.

— Ah, isso é uma coisa engraçada... — Miguel começou.

— Não há nada engraçado! Onde está Tina, Miguel?

Mas quando Wendy avistou a entrada do teatro, cruzou os braços, aborrecida.

— Não estou acreditando que me trouxeram para falar com aquele menino!

— Wendy...

— Como podem dizer que me querem feliz se...

— WENDY! — John aumentara o tom de voz, fazendo a irmã piscar os olhos — Sua amiga, Tina, estará no elenco, que tal? Gostou da surpresa estragada?

— Estranho... Tina não havia comentado nada sobre isso comigo, sabe.

— Exatamente! — Miguel quase gritou de indignação — Era para ser uma surpresa!

— Vamos entrar — Wendy disse simplesmente, indo em direção ao bilheteiro.

Acomodaram-se em seus lugares; os meninos ansiosos, Wendy cansada e desmotivada. Desde o dia em que seu mundo se derramara, nada mais a empolgava. A vida perdera aquele colorido peculiar, assim como ela própria perdera para sempre o seu Peter Pan.

"E agora com vocês, 'De volta à Terra do Nunca'! Uma peça de Pan Thompson e Tinker Bell"

Uma salva de palmas encheu o teatro. E junto a ela, as dos nossos três amigos também.

— Ei! Onde está o nome da Tina no programa? — Wendy perguntou, sem prestar atenção no orador, tão absorta estava em ler o folheto.

— Bem... — John curvou-se para ler o folheto de Wendy — Algo me diz que...

"EU ACREDITO EM FADAS!"

De repente, algo arrancara toda a atenção dos três irmãos Darling, quase como uma hipnose. As cortinas abriram, as luzes se apagaram, e lá estava um menino-homem com vestes rasgadas e cheias de folhagem e raízes; ao seu lado estava uma garota sorridente, com um vestido igualmente verde e asas falsas.

Os garotos arregalaram os olhos, sem perder uma fala sequer. No fundo, imagens similares as dos sonhos e desenhos de Wendy. O "menino-selvagem" então aproximou-se mais ainda da garota loira do palco.

"EU ACREDITO EM FADAS. ACREDITO. ACREDITO. EU ACREDITO EM FADAS!"

Pan estendera sua mão, e Tinky rapidamente agarrou-a. Dançaram ao som de uma música celta, e ao fim daquela dança, algo de mágico, estranho, acontecera.

A garota que devia ser Tina, ou Tinky, fora envolvida numa luz intensa e dourada que a transformora num ser delicado e pequenino, quase como uma...

— Fada!

O primeiro a falar fora Miguel. Ele chamara a atenção dos irmãos, hipnotizados pela peça.

— Pessoal, ela é uma fada! De verdade! Gente, olha só!

Só que Wendy estava encantada demais para dizer qualquer coisa. Num instante vira uma simples garota dançar sozinha, no outro vira a mesma menina transformar-se em fada. E, ao seu lado, seu tão sonhado Peter Pan.

Era ele mesmo. Não havia errado...

Pan e Tinky sorriam extasiados. Riam feito crianças, abraçavam-se como se não se vissem há anos. E realmente não se viam... Não daquela forma.

— Ai, Tinky, que saudade! — Pan murmurara, colocando a amiga contra o peito — Escuta, que acha de eu chamar Wendy aqui em cima?

Tinky esganiçara uma resposta naquela sua estranha língua de fada. Pan então agradecera, mirara seus olhos em Wendy e acenara para ela.

Nenhuma resposta.

— Wendy?