Nevasca

11 Capítulo 11


— Você ligou os pontos muito rápido, Nix. Bateu o recorde de Celeste, que desvendou o mistério em uma semana e três dias. — Will comentou, de braços cruzados, apoiado na parede. — Não esperávamos que tudo acontecesse de forma tão rápida assim, mas talvez o incidente na festa da Raina tenha contribuído.

— O que aconteceu na festa da Raina? — Nix perguntou de forma passivo-agressiva, não gostando da forma pela qual estavam a enrolando.

— Ok, acalme seu coração. Você precisa saber antes de tudo que o que iremos te contar aqui não pode ser dito para mais ninguém, a não ser os envolvidos na história. — alertou Idalia, que mantinha-se ao lado da platinada.

— Somos todos filhos de deuses nórdicos, concebidos ou cuidados por humanos. Morgana é na verdade Frigg, deusa nórdica da fertilidade, mulher de Odin. Ela muda de forma constantemente, mas seu jeito gracioso sempre está presente. Ela foi nossa parteira, de todos nós, inclusive sua. Esteve presente em todos os nascimentos e acompanhou o caminho que tomamos durante todos estes anos, em nome de Odin. Este internato foi fundado para ela e, com algumas influências causadas pelo destino e alguns outros deuses menores, Frigg conseguiu nos colocar aqui dentro, e sua intuição é nos treinar. Há uma batalha se aproximando, e os deuses necessitam de nós, seja lá lutando ao lado deles, contra eles ou apenas virando a bunda e caindo fora. O fato é que Odin a ordenou que nos reunisse e nos mostrasse nossas essências, para que nós possamos tomar o livre-arbítrio e escolher o que for melhor para nossas vidas, praticamente. Se você parar para pensar, não temos muitas opções a não ser lutar, já que se virarmos as costas a chance de morrermos é gigante. — Raina tossiu um pouco, afim de limpar a garganta. — Tyr, filho de Odin e Frigg, é quem comanda os deuses em batalha. Só que o ego dele é do tamanho da sua cabeça, e ele não aceitou por nada treinar "seres inferiores", então Morgana chamou o seu neto, Magno, filho de Tyr, que também é um deus, pra ajudá-la a nos treinar. Embora ela seja a deusa da fertilidade, o maridão concedeu pra ela conhecimento e um toquinho do cérebro dele, assim ela pode nos ensinar a controlar nossos poderes. Sim, temos poderes. — o rapaz acenou quando teve seu nome mencionado, voltando a prestar atenção no seu palavras cruzadas.

— O nome desse internato é em homenagem a Balder, filho de Odin e Frigg que era o mais justo entre todos. Como eles prezam pela nossa liberdade de opção, decidiram que Balder seria um belo homenageado, para sempre se lembrarem de serem justos. — desta vez quem falava era Celeste, a mocinha loira que Nix não conhecera. — Aqui cada um é filho de um deus nórdico, a não ser Tyra e Frank, que foram concebidos pelo mesmo deus. Eu sou Celeste, filha de Thor, deus dos trovões e raios.

— Como você já tinha descoberto, minha afinidade é com o ouro. Minha mãe é Gullveig, a feiticeira. Lynae é filha de Freya, deusa do amor e da luxúria. Iris é primogênita de Frey, que possui poder sobre o tempo e também é meio chegadão com a natureza. Uriel é filho de Njord, senhor dos mares. Tyra e Frank são filhos de Loki, o famoso língua de prata, conhecido por ser muito traiçoeiro.

— Lynae... Até ela? — Nix indagou, tentando digerir tudo o que lhe era dito.

— Olha... É meio difícil no começo, mas com o tempo fica fácil de acostumar e de atrelar os deuses. No caso, Syn já sabia que era filha de uma deusa quando foi enviada para cá. Mas enfim... Meu pai é Imer, um gigante. Heimdall, o deus quem guarda a Bifrost, é pai de Joe. Hela, a deusa do submundo, é mãe de Will.

— O mundo nórdico é dividido em várias partes — desta vez quem ditava era Will, com uma voz como se tivesse decorado um texto de última hora, desdenhando. — Yggdrasil é a árvore da vida. Estamos todos em Yggdrasil. No topo tem Asgard, onde os deuses comem, bebem, fazem sexo e se divertem observando a gente tomar no cu. Midgard é onde estamos agora. Existem muitos reinos. O inferno é chamado de Niflheim.

— E o que eu tenho a ver com isso tudo?

— Nix, você é filha do gigante de gelo Bergelmir, um jotun muito educado e gracioso. — Magno disse, aproximando-se de Nix, abaixando-se em sua frente — Você é como um globo de neve por dentro, Nix. É só chacoalhar que a magia acontece. Mas você tem que descobrir como lidar com isso que há dentro de você, antes que o frio congele os seus batimentos cardíacos.

Ela franziu o cenho, encarando os demais. Eles não achavam mesmo que ela iria acreditar em todo aquele teatro, certo? Deuses, reinos, herdeiros de poderes e predestinados a morrer em um campo de guerra.

— Vocês deveriam consultar que tipo de droga estão colocando nos bebedouros daqui, porque uma loucura coletiva dessa só pode ser isso — ergueu-se de imediato, indo em direção à porta.

William revirou os olhos quando recebeu um olhar de Raina que muito bem conhecia. Sem sequer descruzar os braços, conseguiu paralisar os movimentos de Nix, que não conseguia sequer dar mais um passo para frente.

— O que vocês fizeram? — ela virou o rosto em busca de respostas, encarando o chão assim como todos logo em seguida. Sua sombra estava atrelada à dele.

A cena a seguir quase a fez perder a consciência mais uma vez. Agora Raina estava conjurando uma esfera metálica, enquanto Idalia havia se transformado em uma pantera. Celeste possuía as mãos carregadas de eletricidade, enquanto Magno repentinamente passou a ter um brilho muito parecido com o de Morgana.

Ela sentiu seu corpo cambalear para trás, mas William a impediu de cair, segurando-a pelos ombros. Estar com o rosto próximo ao dele fez com que uma nova onda irradiasse por dentro de seu corpo, e ela tinha a sensação de que algo relacionado a ele estava faltando em sua mente.

— A festa! — exclamou, recompondo-se — O que vocês estão me escondendo em relação ao galpão?

— Eu não sei se é um bom momento para você saber o que realmente aconteceu lá, mas... — Raina suspirou, tentando evitar que Eriksen se estressasse. Com a descoberta dos poderes, a adrenalina de seu corpo poderia causar estragos, principalmente inconsequentes.

Entretanto, William sorriu ao perceber que dizer o ocorrido iria acarretar em uma série de consequências e, sem pestanejar, interrompeu a fala da acastanhada, anunciando:

— Eu e você estávamos nos pegando. Tyra achou que eu era o Uriel e te meteu a porrada. Ela te apagou e praticamente queimou todo o seu corpo.

A platinada ficou sem reação. Parada, não sabia ao certo como deveria reagir. Ela havia apanhado? E nem sequer conseguiu revidar? Impossível. Nix Eriksen nunca saia de um lugar como perdedora.

Um silêncio tomou conta do lugar, que foi apenas quebrado quando a filha de Bergelmir saiu correndo porta à fora, em busca de Tyra Genovese.

Notas finais
Oi gente, tudo tranquilo? Este aqui é só um aviso para dizer que a história dos deuses são adaptações realizadas por mim mesma, para que tenha um sentido bem bacana dentro do livro, já que boa parte das histórias sobre mitologia nórdica foram perdidas com o tempo. O que trarei a vocês é uma forma de retratar os deuses, e espero que vocês curtam bastantão. É claro que manterei as relações originais (Hela sendo filha de Loki, viu Marvel? rs) e a própria essência deles, tanto quanto "cargos", mas a história em si pode ser um pouco adaptável. Espero que estejam gostando da aventura!