Tenso, ele caminhava pelas ruas frias e calçadas ainda com neve fresca, da nevasca que durara quatro dias, prendendo-o no escritório, totalmente entediado e ansioso para sair logo daquele maldito lugar que herdara e ver Gina. Precisava parar de prendê-la a si, não conseguira antes por sua personalidade possessiva. Era assim desde... Sempre. Após alguns meses de relacionamento, sua incapacidade de pedi-la em casamento e a recusa dela em se mudar para sua casa fizeram-no ter certeza.

“Eu passei sete anos em Hogwarts, e antes estive morando em uma casa com sete homens. Sempre tive que conviver compartilhando meu espaço privado com várias pessoas, e não vou perder essa última convivência, a única que aprendi. Continuarei no dormitório da faculdade até o fim da mesma.”E quando Ginevra Weasley diz algo, é impossível contestá-la. Também era um dos motivos da necessidade do fim do relacionamento.

Não, ele não queria que ela mudasse. Na verdade, se alguém tivesse que mudar, seria ele. Ambos com gênios fortes, as discussões sempre acabavam com alguém trancado no quarto e outro fora da casa, algumas vezes Draco indo atrás dela, já que Ginny se recusava a assumir seu erro tão rápido. Odiava as vezes em que ela chorava, e, mesmo a abraçando, se sentia totalmente inútil. Desde pequeno, nunca soube lidar com sua mãe chorando após ser espancada por seu pai, nunca soube lidar quando alguma menina chorava por ele terminar um relacionamento com ela e, novamente, depois de tantos anos, ainda não sabia direito o que fazer para não se sentir tão impotente diante a fragilidade de sua Ginny quando seu rosto está umedecido pelas lágrimas.

– Olha por onde anda, filho da pu... Draco? – ele ouviu uma voz conhecida, percebendo que andara pelo caminho errado, já estava quase em frente a casa de uma amiga, Pansy. – Por que veio pra cá? Passamos quatro dias seguidos trancados naquele escritório, não me diga que já está com saudades de mim.

– Eu me distraí. – disse seco. – Vou pra casa agora, obrigado pelo esbarrão. – sorriu leve e seguia em frente, mas seu pulso foi segurado pela amiga de tantos anos.

– Você vai fazer uma burrada. Você fala dormindo, sabia? Eu ouvi você murmurando, sobre a Weasley. Seu pai foi um filho da mãe nojento, já está trancado em uma cadeia qualquer, pagando por todas as bostas que vez, ferrou com sua infância e feriu sua mãe. Agora, se esqueça de tudo o que ele disse sobre você. Não faça isso. Não podemos escolher de onde viemos, mas podemos escolher para onde vamos, Draco. Não escolha errado.

Ele iria tentar contestar, mas a jovem soltou-o e entrou em um prédio, deixando-o zonzo pelo que ouvira.“Você fala dormindo, sabia?”lembrou-se das doces palavras da ruiva, quando já estavam juntos a cerca de três semanas. Soava tão espontâneo, natural, que ele simplesmente sorriu e beijou-a. Pansy tinha uma maneira mais...Rude,digamos, de se falar. Preferia a frase pela voz de Gina, em toda e qualquer Possibilidade. Gina...

– Draco, ainda bem! – levantou a cabeça, que antes encarava o chão, e só pôde sentir o impacto contra seu corpo e ser derrubado na neve fofa. Já estava perto de sua casa. Após alguns segundos atordoado, viu o rosto dela, e sorriu de maneira singela. – Fiquei preocupada. Assim que pude sair da faculdade vim aqui. Estou com saudades. – e beijou-o, na verdade apenas um leve encontro dos lábios de ambos. – Vamos entrar logo.

E, sem mais nenhum argumento, ela levantou-se e puxou-o pelo pulso casa a dentro. Seria inútil para ele contestar, apenas se deixou levar pela persistente jovem, que parou apenas na sala, deixando-o sozinho por alguns instantes. Sentou-se no sofá, tenso.

“Ótimo, como eu vou fazer isso agora?”pensou, aflito. Logo ela voltou com uma xícara de chocolate quente e outra de café. Forte, preto, sem açúcar, leite ou qualquer coisa, da maneira que ele gostava.

– Então como foi no trabalho? – ela perguntou, sorrindo. Um bigode de chocolate se formou acima de sua boca, que ela logo lambeu, de uma maneira espontânea, mas excitante.“Droga, Malfoy, pare já com isso!”ralhou consigo mesmo. – Não vai responder?

– Desculpe, me distraí. – sorriu com o canto da boca, aquele sorriso que só ele sabia dar. – Foi um saco, faltou luz vinte minutos depois de a nevasca começar, e só voltou hoje cedo. Mudando de assunto, eu preciso... Falar, uma coisa.

– Diga. – apesar de ele estar tenso, ela permanecia relaxada, parecendo não se importar muito com a expressão séria no rosto do namorado.

– Nós... Não podemos existir. – ele olhava para suas mãos, movendo-as em um estranho jogo entre seus dedos.

– Como assim? – Ginny olhou-o confusa, realmente não entendera. Após alguns segundos de silêncio, ela pareceu compreender um pouco. – É porque eu não aceitei morar com você? Se for por isso, eu volto para aquela faculdade agora, pego minhas coisas e me mudo pra cá. Você é mais importante que esse fim de faculdade.

– Não é por isso, Gina. Eu não terminaria com você por algo bobo assim. – ele ainda olhava para os próprios dedos, que continuavam com aquela sequência de movimentos estranha. Parecia levemente ruborizado. – O problema está em mim. O problema sempre esteve e sempre estará em mim. Eusouum problema. Você é perfeita demais pra mim.

– Deixa de ser besta, Malfoy! – falou, levantando-se exasperada, exatamente como quando estudavam juntos, causando uma risada leve em ambos. – Nós dois temos defeitos. E você sabe, há muito tempo, que eu te amo absurdamente mais que todos eles.

– Exato! – ele parecia ter acordado de alguma espécie de transe. Levantou-se agressivamente, assustando a ruiva. Percebeu o que fez e se sentou. – Eu não mereço isso tudo. Você ama muito mais do que eu sou capaz de retribuir.

– Draco, – ela pegou em seu rosto, olhando-o em seus olhos acinzentados, tinham um leve tom de azul, quase impossível de se perceber. Um tom único, só dele. Aquela cor tão única e detalhada que ela amava passar horas observando, memorizando cada detalhe. – você já sabe, eu já te disse isso várias vezes. Eu sempre acharei que eu sou feia, baixa e pobre pra você. – não permitiu que ele a interrompesse. – Sempre acharei que você merece todas asoutras mulheres do mundo, que são infinitamente melhor que eu. A gente aceita o amor que acha que merece.

Ele sorriu para ela, e ela fez o mesmo. Ela estava prestes a selar seus lábios, porém, a alguns milímetros do contato, ele sorriu de canto, e disse:

– Aquele livro de novo, Weasley?

– Sim. – respondeu-lhe. Ela sorria de maneira marota, como era quando estudavam em Hogwarts. Nenhum dos dois mudou, no fundo. – Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias, um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Somos infinitos.

Haviam lágrimas no rosto da menina, e começavam a escorrerem algumas lágrimas pelo rosto dele. Ambos se lembravam da noite em que leram juntos, esse mesmo trecho.“O livro parece ter sido escrito exatamente para você.”Ele disse.“Mas é verdade, e você sabe disso. Nós somos infinitos.”.

Ela acabou com o pouco espaço que separava seus lábios, em um beijo casto de alguns poucos segundos. Então, ela começou a rir, contagiando-o. Não havia um motivo exato. Talvez a ideia ridícula de se afastarem. Ainda ofegantes, ele disse:

– Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. – ele dizia com calma e clareza, observando-a expressar um silêncio surpreso. – Ah, eu decorei isso e você não fará nada?

Ela sorriu, e puxou-o para mais um beijo.

Notas finais
"MEEEEEU, não sei se o problema é que eu to manteiga derretida ou essa fic realmente ficou bem melosa. "

Essas foram as Notas da postagem anterior. Mas, pra falar a verdade, meus olhos ficaram marejados quando editei essa fic. Tsc, era carência.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!