Neva Lá Fora

8 Sanduíches e Banhos gelados!


Estava óbvio que aquela briga teria uma interrupção. Era bem provável de ser tarjada de desajustada e ser banida da festa por um desleixado. Mas cativaram seu orgulho de “rebeldes” e deixaram a briga acontecer. Não acabei no hospital, as mãos dela eram fracas e não eram o suficiente para me machucar tão drasticamente. Ela não tinha atributos que possam ser considerados especiais, mas já deve ter lutado alguma arte marcial. Tinha alguns golpes que eu não conhecia, e nem me incomodaria a pesquisar sobre tais. Minha mãe não teve a oportunidade de assistir a “luta”, o que para mim é ótimo. Desde que algum fofoqueiro não contasse a ela, por mim tudo bem. Eu não fiquei com hematomas visíveis e, desde que ela não cisme de fazer uma análise física em mim, não teria nenhum problema.

Saí da festa ás onze horas da noite. Não tinha comido absolutamente nada, não sou gastrônoma nem nada. Mas vi algumas garotas vomitando em suas bolsas, não era bom sinal. Não tinha bebidas na festa, pelo menos não que eu saiba, então poderia ser a comida. Então, não me arrisquei.

Eu tinha alguns assuntos pendentes com Mayara quando ela voltasse, seria antes das sete horas de amanhã. Estou na frente de um drive thru agora. Minha mãe mal consegue se equilibrar direito. Eu não a vi dançar, não sei qual o motivo dela estar tão desleixada assim. Apesar de estar usando uma sapatilha, que por acaso ela comprou dizendo que era confortável, parecia que machucava muito os pés dela. Eu não usava o mesmo número de minha mãe, seria ilógico trocar de sapato com ela. Eu a avisei de que não precisava descer do carro. Chamava-se “drive thru”! Ela não tem cérebro.

— Voltei. – ela estava segurando um sanduíche gigantesco. – Dividiremos isto.

— Conseguimos comer isto?

— Talvez.

Eu não sou acostumada a ir a festas como aquela. Brigar é ainda mais raro. Era muito cansativo e pesado para dormir depois, mas por algum motivo eu sentia que dormiria como uma pedra.

— Pode me ajudar a carregar a “bagagem” lá atrás? – Que eu saiba, não estávamos viajando.

— Que bagagem?

Ela abriu o porta-malas e um homem totalmente dopado caiu de lá. Ele parecia não saber nada.

— O que você fez com o pai do Michael?!

— Eu dei uns remedinhos para ele.

— Você está louca?! Quando Michael perceber que o pai dele não está mais lá, o que você pretende fazer?

— Sei lá.

— “Sei lá” – tentei imitar ela com uma voz um pouco debochada, mas só atraí risos – Vamos devolver ele!

— Nunca! Eu levei dez minutos só para carregar ele até o porta-malas.

— Como você quer devolver este cara depois?! Quero te lembrar que eles não tem porta dos fundos que fica aberta, não!

— Só me ajuda.

Eu tenho certeza que as outras mães no máximo pegariam os docinhos e colocariam nas bolsas, a minha sequestra o pai do aniversariante. Certo, mesmo achando uma atitude errada, a ajudei. Eu estava um pouco fraca, parecia que espinhos estocavam meus braços.

— Ufa. – ela o jogou na cama do Quarto de Hóspedes. – Agora vamos comer.

— Não estou com fome. Talvez amanhã. – Embora estivesse com fome, minha cabeça estava pesada demais para comida. Eu precisava esfriar a cabeça, talvez tomar um banho gelado, para me deixar um pouco mais relaxada. – Eu vou dormir, boa noite.

— Bem, boa noite...

As músicas estrondosas da festa ainda estavam presas, ou pior, acorrentadas, em minha cabeça. Eu cheguei no quarto, e nem me incomodei de ligar as luzes, fui direto para a suíte para me despir.

Liguei o chuveiro na água gelada, e entrei. Depois, fechei o boxe e deixei que a água invadisse meu corpo. Me lavar depois de um dia cansativo não era bem que um hábito, mas esfriava minha cabeça. E funcionava bem mais que um remédio para enxaqueca.

Claro que tive que tirar aqueles aparelhos de oxigenação para poder tomar meu banho. Mas não fazia mal tirar um pouco. Minha respiração apenas ficava um pouco difícil, mas era algo suportável.

Lavei bem meu corpo e o enxaguei. Depois, desliguei o chuveiro e me sequei com a toalha.

— Hm, que alívio. – eu não era daquelas que precisava de higiene em absolutamente tudo, a ponto de usar um chinelo para tomar banho. – Um bom banho sempre espanta os maus pensamentos.

Coloquei o pé para fora do boxe para calçar meus chinelos. Peguei o aparelho para oxigênio e o trouxe para o quarto. Acendi as luzes.

— O carpete está quentinho.

Abri o guarda-roupa e puxei um pijama e uma calcinha confortáveis. Os vesti e coloquei logo o aparelho. Envolvi os tubos condutores por detrás da orelha e abaixo do nariz, para não ficarem suspensos. Eu não me mexia muito á noite, mas precisava tomar cuidado para que o aparelho não caísse, tinha que ficar bem perto dele enquanto dormia.

Puxei o aparelho até o banheiro. Penteei os cabelos e escovei os dentes.

— A noite está bem quente... – Estava nevando, mas o clima daqui é meio bipolar. O ar aqui era seco, nas épocas do frio não costumávamos tomar banhos gelados. Mas não estava frio, totalmente pelo contrário.

Caminhei até a cama conduzindo o aparelho e deixando-o ao lado de minha cama. Deitei-me, e tinha um interruptor ao lado da cama que também apagava as luzes do quarto, o que era um alívio. Apaguei as luzes e fechei as pálpebras, neste momento, caí nos braços de Morfeu.

Senti alguém me cutucar e abri meus olhos, ainda ardidos, para perceber que a cortina de meu quarto estava aberta, deixando a luz passar.

— Bom dia, senhorita Marilyn. – era uma mulher de idade, com uma vassoura nas mãos.

— Quem é você?

— Sou a nova diarista. Sua mãe saiu com um homem para leva-lo para casa, ou algo assim.

— E Alexandre?

— Ainda está na casa do coleguinha.

Eu estava bem o bastante para lembrar que era sábado. Ou não.

— Bem, por que você me acordou? É Sábado.

— Sua mãe me pediu para que não deixasse você dormir muito, já é a hora do almoço. Você precisa comer.

— Até que dormi bem. Acho que posso me levantar.

Minha cabeça ainda pesava um pouco, além de ter uma vermelhidão absurda em volta de meus olhos. Eu odeio festas!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.