Notas iniciais
Eu sei que faz um bom tempo que não posto nenhum capitulo, peço desculpas pela demora e digo que não desistirei tão facilmente dessa historia.

Envolvida na luz, ela sentia tudo girar. Fechou os olhos e esperou. A sensação não era das melhores, mas era suportável. O silêncio foi absoluto por mais ou menos um minuto até que o som de pássaros, aos poucos, começou a surgir. Kálita abriu os olhos e se viu em uma floresta, as árvores eram altas e impediam a entrada da luz solar no ambiente tornando o lugar escuro. Atrás dela quatro formas de luz surgiram, uma ao lado da outra. Aos poucos foram assumindo a forma de homens.

Ninguém parecia estar bem. Leo caiu de joelhos ameaçando vomitar enquanto Felipe e Matheus se apoiavam nos joelhos, com a respiração acelerada. Victor e Kálita eram os que haviam resistido melhor aos efeitos da viagem, os dois suavam frio e olhavam em volta tentando se localizar.

— Será que deu certo? Não me parece muito que estamos no lugar em que desejávamos ir. Onde estão todos? — Victor falava olhando para os lados enquanto procurava por qualquer sinal de vida que não fosse de seus companheiros. Kálita tira um aparato do bolso, uma espécie de bússola azul no qual caracteres brilhantes pulavam para fora da tela formando os dizeres: Grécia, 451 a.C..

— Não seria inteligente aparecer em um lugar em que todos poderiam nos ver surgir do nada, a nossa aparição poderia assustar as pessoas e não é isso o que desejamos. — Ela fala com desdém enquanto observa sua bússola.

— E para onde vamos agora? — Felipe pergunta após se recuperar um pouco — Nem sabemos ao certo onde estamos e temos que chegar a Atenas logo.

— Por que a pressa? Eu estava pensando em fazer um turismo por aqui. Afinal, quando poderemos ver a Grécia assim novamente? — Kálita respondia enquanto continuava a mexer em sua bússola. Os caracteres azuis haviam se transformado em um mapa da região — Tem uma encosta aqui perto, parece ser dos grandes, tem quase 300 metros. Seria legal passar por lá.

— Ah, qual é! Nossa missão não é fazer turismo aqui.

— Bem, nossa missão é trazer o maior número de informações sobre a sociedade grega, observar de cima vai dar uma perspectiva diferente.

— Ela tem razão, não custa nada dar uma olhada. — Matheus, que estava calado até então, resolveu falar — Imaginem quantas coisas incríveis podemos achar pelo caminho. Cadê o espírito de historiadores de vocês?

— Finalmente alguém inteligente neste grupo. Decidido, vamos subir este morro. — Com um sorriso nos lábios, a animada viajante do tempo caminha na direção que o mapa aponta que o morroestá, todos a seguem sem muitas escolhas.

E assim prossegue a viagem, Kálita na frente guiando os historiadores. Nada de anormal acontecia pelo caminho, de vez em quando um coelho passava correndo entre as árvores. Antes mesmo de se cansarem, o grupo chega ao pé do morro.

— Agora é que ferra tudo, para subir isto aqui vai demorar! — Leo exclama olhando para cima, não estava muito animado com a ideia de ter que fazer tanto esforço físico, afinal, eles acabaram de viajar pelo tempo, esperava que houvesse um descanso de pelo menos meia hora antes de começarem a fazer alguma coisa.

— Quando chegarmos à metade poderemos fazer uma pausa. Força, rapazes! Eu sei que vocês conseguem.

E assim todos começam a subir vagarosamente, o morro íngreme não ajudava muito o grupo, carregar a maleta com todos os equipamentos começou a ficar cada vez mais difícil e a subida que já não começara rápido ficava cada vez mais devagar, mas tinham que continuar.

Era próximo ao meio-dia quando finalmente chegaram ao topo. O grupo logo se pôs a abrir suas maletas e pegar seus equipamentos, todos estavam cansados, mas ainda assim tinham trabalho para fazer. Os historiadores pegaram seus notebooks e se puseram a anotar tudo o que viam. E por falar em ver, que bela vista eles tinham. Atenas se estendia abaixo deles com toda a sua beleza, haviam esculturas gigantes de deuses em todos os lugares, multidões se reuniam em frente a templos de pedra e crianças corriam e brincavam com espadas de madeira, sonhando em um dia poder lutar como soldados.

Enquanto todos faziam suas anotações, Kálita preparava todo o sistema de camuflagem. Retirou de sua maleta uma estaca de ferro e a fincou no chão, da ponta do equipamento uma luz azul em forma circular surgiu, aos poucos essa luz aumentava seu tamanho até cobrir todo o topo do morro. Agora se algum grego subisse ali veria apenas um grande buraco que o impediria de continuar.

Se sentindo um pouco mais segura, ela se põe a caminhar pela área e averiguar qual seria o melhor caminho para sair dali. À frente ficava a cidade, porém não teria como descer por ali, era tudo muito íngreme, tentar ir por ali sem equipamento era praticamente suicídio. Todos os outros analisavam a cidade com cuidado enquanto a descrevia com detalhes o que percebiam.

— Teremos que arrumar uma maneira de nos infiltrarmos na população. As informações que podemos pegar daqui são muito poucas. — Felipe dizia enquanto fechava seu note e se levantava — Nosso trabalho não é só pegar informações de como eram suas construções.

— Pera ae! — Exclamou Matheus — Quer dizer que vamos passar dias por aqui? Eu tinha planos marcados para hoje à noite em 2149.

— É só a gente voltar um minuto depois de termos saído. — Leo responde enquanto suspira de frustração — Faltou às aulas, novato?

— Não, senhor! Foi só... Sei lá, é minha primeira missão, ainda estou meio confuso sobre como as coisas funcionam nesse lance de viagem no tempo.

— Relaxa, você se acostuma com esta loucura. — Kálita responde, tentando amenizar o clima — Mas então, rapaz, acho que é bom montarmos acampamento aqui, teremos que fazer todo um planejamento antes de descer. Só de pensar nisso já dá uma preguiça...

E assim começaram a montar acampamento, com a tecnologia ali disponível essa tarefa não demoraria muito, afinal, cada um tinha seu kit de cápsulas, basicamente ao jogar uma no chão uma construção temporária apareceria, seria difícil morar em uma delas, pois necessitavam de energia elétrica para funcionar, quanto maior a construção mais rápido a energia acabava. Graças a esse motivo todos ali optaram por escolher a cápsula tenda. Cada um foi para um canto com no mínimo 5 metros de distância um do outro e jogou sua cápsula no chão. Uma fumaça encobre a encosta e o som de ruídos metálicos surge do nada, por alguns segundos ninguém consegue ver muita coisa, Kálita teria que usar essa oportunidade para escapar.

Devagar foi se distanciando de onde seus companheiros estavam, indo cada vez mais perto do precipício, com a mão direita pegou a arma laser que carregava presa à cintura e agarrou o pingente que trazia em seu pescoço com a outra mão. Com receio, continuou se aproximando de seu destino, sabia exatamente onde ele estava e qual seria o momento propício para aparecer e fazer um resgate perfeito, mas ainda assim por um momento hesitou, tendo receio de suas consequências.

— Kálita? O que está fazendo ae? — Olhando para trás ela percebeu que a fumaça aos poucos se dissipava, com o coração acelerado não sabia o que fazer, afinal ou ela fazia aquilo agora ou poderia nunca mais ter outra oportunidade, as chances estavam ao seu favor mesmo com os seus companheiros sabendo o que ela teria feito.

— Não podem me impedir... Eu tenho que fazer isso.

— Ou desiste desse plano maluco ou teremos que usar a força para te impedir. — Leo falava com a voz autoritária de sempre, o som de um clique metálico denunciou que ele pegara sua arma laser também e apontara para Kálita.

— Não deveriam aceitar tudo o que a instituição diz a vocês, temos que correr atrás de nossas próprias verdades. Não vão me impedir de perseguir essa verdade. Não deveriam abandonar um companheiro do jeito que fizeram, ele pode ter feito algo de errado, mas merece outra chance. Ele merece uma chance de tentar consertar o que fez. — Devagar ela se vira para encarar seus companheiros — Podem tentar me convencer da maneira que quiserem, eu vou viajar no tempo e vou salvar meu irmão!

Ao fim dessas palavras, Kálita fecha os olhos e se joga para trás em um gesto de coragem, a queda impediria seus companheiros de entrar no portal que se formaria e viagens no tempo iniciadas em velocidade de queda interfeririam o sinal, o que a deixaria oculta. Nenhum dos três sabia onde estava seu irmão, isso lhe daria um bom tempo de vantagem caso tentassem ir atrás dela.

Enquanto caía viu o clarão de luz que saia da arma de Leo iluminar o céu, se tivesse demorado mais alguns segundos provavelmente teria tido grande problemas, a luz verde deu lugar a uma branca que a envolveu aos poucos e assim tudo voltou a girar, dessa vez o salto não seria tão grande então provavelmente não passaria mal.

Segurou a arma com força a apontando para sua frente esperando que a luz aos poucos de dissolvesse, finalmente sentiu o pé tocar ao chão. Ao forçar os olhos viu um homem a sua frente, seus braços eram totalmente metálicos, seus cabelos ruivos caíam sobre os ombros e uma energia vermelha emanava de seu corpo. Olhou para trás e viu seu irmão, desamparado e desprotegido, se ela não tivesse aparecido sua morte teria sido terrível. Pelos menos era isso que anunciava no jornal temporal.

— Desculpe pela demora. — e ao falar isso puxou o gatilho, o laser foi direto na testa do homem misterioso e o impacto o fez cair no chão, em sua testa agora havia um buraco de onde um liquido escuro escorria. Kálita olha para trás e vê Eddie surpreso, joga a arma que acabou de em sua direção dizendo com um leve sorriso aos lábios.

— Se quiser voltar para casa terá que lutar!

Notas finais
Peço que por favor comentem, falem sobre o que gostaram ou o que desgostaram na historia, isso com certeza me ajudaria na hora de escrever :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.