Nether Hills
8 Que seja infinito!
Notas iniciais
Já era 7:30 e a aula já havia começado. Eu não tinha visto o John, nem sabia se ele tinha vindo. Eu estava o evitando.
O primeiro horário de Matthew era Educação Física, o meu História – o que não era ruim, já que eu gostava...
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Assim que o sinal tocou, fui correndo para minha aula de E.F. Com sorte, eu talvez encontrasse o Matt. Eu já sentia saudades, era como se um segundo já fosse muito sem ele por perto.
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Eu entrei revistando cada canto do vestiário, mas não o vi. Em contrapartida, vi o John.
Engoli seco. Olhei para o chão, mas já era tarde demais, ele já tinha me visto. Ele não estava bem, seus olhos estavam com olheiras, seu corpo curvo, como se estivesse muito cansado, além de tudo, sua pele estava pálida, como se ele não tivesse comido há horas...
– Leon! – ele parecia surpreso.
Eu não conseguia... Não dava pra encarar ele. Não agora. Saí correndo.
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Não o vi no refeitório da escola.
– Vai ver ele nem veio hoje! – sugeriu S.
– Eh... Não sei. Tudo ficou tão estranho sem ele, sabe. Como se uma parte do meu mundo, um que eu jurava conhecer, se tornou contra mim. Não sei explicar. – desabafei – Agora vamos mudar de assunto. O Matt está vindo!
Aqueles olhar de apaixonado, aquele sorriso que encanta e ilumina o ambiente, aquele andar estiloso e sexy, aquela boca, aquele jeito que só ele tinha de parecer perfeito a todo o tempo.
– Olá, meu amor! – cumprimentou enquanto sentava e me dava um beijo.
A essa altura o pessoal da escola não zoava mais, mas ainda assim, agiam estranho.
– Olá, meu amor! – cumprimentei de volta.
– Bom dia, Matt! Vou deixar vocês a sós. Tenho um trabalho pra discutir! Até mais, amigo! – despediu da gente e saiu.
– Desculpas por ter sumido. O dia tem sido cheio. Hoje aconteceu um jogo de aquecimento. Me dei bem! – gabou-se.
– Claro, meu amor! Eu tinha certeza! Não preocupe com isso! – tentei o confortar.
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A semana passou bem devagar. Nublada e chuvosa. Parecia uma daquelas em que o mundo chora com você. Tudo estava estranho. Eu era muito amigo do Steven, mas não tanto como era de J. A falta e saudade eram constantes, meu coração estava em pedaços.
Por sorte eu tinha o Matt. Ele estava cada vez mais se tornando meu melhor amigo, minha rocha, meu porto seguro. A amizade e o amor com ele andavam lado a lado. Ele fez pequenos atos todos os dia seguintes para me alegrar. Mandava rosas ou bilhetes quando eu estava em outra sala. Me ouvia e aconselhava. E se declarava a todo o tempo.
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Na sexta-feira, ele se ajoelhou e recitou alguns poemas. Eu chorava e o abraçava. O amor que ele me dava era algo mágico e surrealista. Logo depois fomos a casa dele, os pais tinham viajado.
Deitados no sofá, abraçados, o tempo parecia parar, as feridas eram cicatrizes.
– Amor, eu tenho algo pra te falar. – ele começou assunto. Nos endireitamos e sentamos de mãos dadas.
– Não me deixe apreensivo, Matthew! – falei com um aperto no coração.
– Me desculpe, mas é muito sério! – ele disse desviando o olhar.
– Amor, meu coração está disparando! Conte logo! – falei sério.
– Calma, amor! – ele riu e ajoelhou a minha frente.
– Amor... – eu tinha percebido que era um presente.
Ele tirou uma pequena caixa do bolso. Eu gelei. Eu não estava acreditando.
“Leon Stuart Donavan, eu percebi ao longo do tempo ao seu lado que eu nunca amei alguém como te amo. Eu já vivi dores e amores, mas ao seu lado eu não lembro ou penso nisso. O mundo é colorido, as canções de amor e poemas fazem sentido. As loucuras de amor parecem justificáveis. O sol tem uma coloração diferente, como se só agora eu pudesse sentir esse brilho e calor que ele pode proporcionar. Meu mundo gira ao seu redor, você é meu sol, lua e estrelas! A imagem de você me emociona, o seu sorriso, seu jeito de me alegrar com uma simples palavra. Eu poderia falar e falar e falar. Mas quero fazer, esse colar que te presenteio tem o símbolo do infinito e representa o ciclo do nosso amor, um ciclo infinito e bonito – ele deu um leve sorriso, tirou a aliança e colocou em meu dedo.”
Chorando eu o beijei, como nunca tinha o feito. Era um beijo com o maior amor do mundo. Eu não sabia o que falar, eu estava em êxtase com tudo aquilo.
– Amor, se minha vida for ao seu lado para todo o sempre, serei eternamente feliz! — disse finalmente.
O colar era lindo: simples, em prata e sóbrio, nada muito chamativo, pelo que fui grato. E pela primeira vez eu entendi o que eles tinham escrito nos livros e mostrado nos filmes. Este amor incondicional que pregam existir, esse estado de espírito que parece não ser real. Eu só sonhava com isso, eu só imaginava algum dia acontecer. Aconteceu! Demorou sim, mas aconteceu. Eu nunca tinha me sentido tão amado!
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