Nether Hills
5 Destino fadado
Notas iniciais
Dois dias se passaram desde a última mensagem de B. Se ele(a) pretendia algo, não o fez. E finalmente era sexta-feira, o melhor dia da semana! Eu estava a caminho da escola quando encontrei J. meio depressivo, chorando até.
– J... J! — o chamei.
– Uh?! Ah, é você... Tudo bem? — me perguntou meio fanho.
– Comigo sim, tirando o fato de eu ter um perseguidor anônimo... Mas, e você, por que está assim? — disse, enquanto me aproximava.
– Eh... Meus pais brigaram e dessa vez parece sério... — disse ele meio sem jeito.
– Ah! Relaxa, J.! Eles sempre voltam ao normal, não? – tentei acalmá-lo meio desconfiado. Juro que ele estava escondendo algo.
– Bom... Vamos indo! Hoje é sexta, finalmente! — exclamou ele, enquanto se recuperava.
Na escola era dia de esportes — tinha isso toda primeira semana, era o dia em que organizavam os times oficiais. Eu odiava esportes e coisas do tipo. J. adorava e pretendia, esse ano, entrar no time de basquete. Fomos todos para as quadras, no grande campo que ficava na escola.
– Quero que todos entrem em filas, serão 5 no total: basebol, basquete, futebol, vôlei e líderes de torcida. Lembrando mais uma vez que não é obrigatório se inscreverem! — disse George, o professor, para meu alívio.
Como sempre, a maioria das meninas iam para líderes de torcida e vôlei, e os mais gatos para o futebol americano e basquete. Eu, como não estava interessado, fui para a arquibancada da quadra, junto com Steven, meu outro melhor amigo que estava fazendo intercâmbio na Inglaterra no último ano e tinha aparecido na escola só agora.
– Ei, sumido! Como foi a viagem? — perguntei, meio com sono.
– Tudo ótimo! E aqui, o que tem acontecido? P.S: Já sei do Matthew, J. me atualizou um pouco. – brincou ele um pouco.
– Ah... Depois de nossa breve conversa, nunca mais nos falamos e ainda tem um tal de B. que está me mandando mensagens anônimas! — exclamei meio estressado.
– Ah, Leon... Cuidado com esse Matthew, vai ver é hétero, e você está aí sonhando... — disse ele, apontando para Matthew na fila de futebol americano.
E lá estava ele, com seu cabelo loiro e corpo atlético perfeito! Ele estava meio deslocado em meio de tantos caras altos e largos, na fila do futebol! Mas parece que tinha feito amizades com alguns... Pois, já conversava com um outro garoto. Eu estava me sentindo tonto, levante devagar e falei com Steven para me acompanhar até o banheiro.
–-
Não cheguei a vomitar, felizmente. E me sentia um pouco melhor depois que S. tinha me dado um remédio para náuseas. Pedi para que avisasse o J que eu estava bem e que não precisaria me esperar para ir embora e então o dispensei
Já tinha passado uns minutos desde que estava no banheiro me ajeitando. Foi só aí que me toquei que tínhamos ido ao banheiro do time de futebol! Droga! Ou eu vou encontrar um bando de caras trocando de roupas — o que não seria nem um pouco ruim — ou eu iria me encontrar com Matthew, porque o destino tem disso...
E lá estava ele, trocando de roupa no roupa no vestiário… Eu não pude deixar de olhá-lo. Meu Deus, por que ele? Não podia ser outro clássico sobre o garoto inocente, amador de artes, que se apaixona pelo quarterback do time de futebol, ou o capitão do time de basquete… Era diferente, eu sei que era, tinha que ser…
Mas… Eu mal disse um “Oi” pra ele, como espero que vá, algum dia, me notar…
– Oi, posso ajudar?! — disse Matthew, me olhando de cima a baixo — Você está perdido? — perguntava ele, com aquele sorriso de canto de boca.
Ele era tão lindo!
– Eh…
E depois desse momento, caí em cima dele, desmaiado!
– Ei! — gritou — Ei, acorda, cara! — me sacudia de leve.
– Ah... Matthew, eu... Me desculpe! — disse meio tonto, enquanto estava em seus braços.
– Pare de se desculpar! Não me importo em te ajudar, Leon! — disse ele meio nervoso com a situação e me passou um copo de água.
– Obrigado! Eu tinha passado mal mais cedo. Deve ser algo relacionado à pressão. – comentei.
– Quer que eu te acompanhe até a enfermaria? – sugeriu ele educadamente.
– Não precisa me acompanhar. Você já fez muito! – falei enquanto desviava o olhar.
– Que isso! Vamos lá!
Ele me pegou pelo braço e fomos em direção à porta. Mas ela estava trancada! — Claro que estava!
– Acho que não vamos a lugar algum! – riu levemente.
– Não acredito que nos trancaram aqui! – reclamei.
– Eu ligaria pra alguém, mas esqueci meu celular em casa.
– E o meu está sem bateria... – respondi, antes que ele respondesse.
Ficamos por alguns minutos sentados um do lado do outro e sem jeito para conversar muito. Foi quando ele me encarou. Seus olhos tinham uma luz mágica. Eu esqueci do mundo e de tudo mais. E me inclinei. Ele inclinou de volta e me beijou. Sua língua fazia movimentos que eu não conhecia, sua mão se encaixando em minhas costas e meu pescoço, e as minhas em seu rosto e cabelo. Eu sentia uma paixão ardente em mim, algo novo e não explorado anteriormente.
Foi quando escutei um leve grunhido de porta abrindo...
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