Notas iniciais
Respire e leia, correções ortográficas, elogios, críticas são aceitas de bom grado. And, Have fun!

O relógio estava prestes a passar de um escravizador para um escravo, e o melhor de tudo, um escravo meu. A voz dela ainda ecoava na minha cabeça, “Isso é perigoso não?”, “Alterar o tempo pode mudar tudo né?”, “Você deveria parar com isso.”. Eu tenho ciência disso, mas agora é tarde, tarde pra nós dois minha amada. Eu devo ir agora, assim eu terei chance de salvar minha mãe.

O caixa, se eu estiver certo é simples de usar, somente um pensamento a faria cumprir o seu propósito. O dia, eu jamais poderia esquecer, dia vinte e sete de março de noventa e sete. Eu tinha nove anos naquela época, e era uma criança comum. A caixa, ao entender o meu comando, começou a vibrar e tremelicar, antes de criar um campo multicolorido, em torno de nós, que nos faria viajar até aquela data.

Fechei os olhos, não queria fracassar de maneira alguma novamente. Pra ser mais específico, foram vinte e nove tentativas antes daquela, e aquela seria a trigésima, e última, pois os elementos raríssimos e difíceis de lidar não são os mais acessíveis e baratos, ou seja, não se encontram em qualquer anúncio de sites de compra coletiva.

Respirei fundo, e senti aquele cheiro agridoce, facilmente reconhecido pelo meu cérebro como torta de maçã. Lágrimas vieram aos meus olhos, finalmente, tinha funcionado. Finalmente, todo aquele esforço tinha valido a pena, e eu poderia finalmente fazer algo sobre aquele dia. Com certeza havia algum tipo de comemoração, pois era o aniversário dela, e eu ouvia de longe uma música estranhamente familiar, e pela janela pude ver eu e minhas priminhas dançando. Ah, quase tinha me esquecido que anos depois, qualquer um que dançasse “É o Tchan” era automaticamente classificado como um pária social.

Minha mãe entrou na cozinha, trocamos olhares e ela perguntou:

-Você é amigo do Carlos?

-Sou sim, meu nome é Nero. E parabéns, muitas felicidades pra senhora Vera.

Disse estendendo a mão.

-O Carlos saiu por um instante para comprar umas bebidas, mas ele já retorna. Eu já te vi em algum lugar? Seu rosto me é tão familiar...

-Ah sim, já nos cruzamos algumas vezes no supermercado.

-Claro, mas então tá, sinta-se à vontade ok?

Ela falou sorrindo, dirigindo-se para a área ao ar livre.

Se eu me lembrava bem, não teria muito tempo para agir. Eu preciso de uma arma. E vigiar cada passo dela. Não posso lidar com falhas. Era a hora, e eu tinha somente uma faca na mão. Fui para um arbusto perto da porta, e esperei. Alguém veio, chamou uma, duas, três vezes, então ela apareceu.

Ela franziu o cenho ao ver aquele encapuzado. Ela saiu e eles começaram a falar.

-Eu quero o meu dinheiro, agora!

-Você vai tê-lo, mas eu não o tenho agora, quando eu o tiver eu te darei, eu juro!

-Eu não posso esperar até você ter o meu dinheiro, eu preciso dele agora, senão...

-Senão o que? Vai, me diz. O que você vai fazer? Nós entramos nessa juntos. E vamos sair da mesma forma, tá me entendendo?

-Ora, eu sei, mas o que o seu marido ia pensar se soubesse que você pega criancinhas e os vende pra pais inférteis do exterior.

-Shh! Calado! O que você vai fazer se alguém nos ouvir? Eu vou te dar o dinheiro quando eu tiver que te dar o dinheiro, agora cai fora daqui!

-Ah é assim, então vamos ver se o dinheiro aparece com isso!

Disse o estranho lhe apontando uma arma ao peito.

Ao que tive chance atirei-lhe a faca na cabeça, que o derrubou instantaneamente no chão. Ao ver a cara de surpresa de minha mãe, e o grito histérico que vinha de seus lábios não tive coragem de ir ao seu encontro. Mas agora que ele estava morto, estava tudo resolvido, quando eu voltasse ao meu tempo, ela estaria lá, viva.

A caixa não demorou a entender o meu comando, e eu estava de novo, naquele espiral de cores, dentro do córtex criado pela caixa. O meu único pensamento era um, será que eu consegui salvar minha mãe?

Aos poucos o espiral foi formando a minha casa, que estava exatamente igual ao que eu havia deixado antes de sair. Corri, ao meu laboratório, com uma certeza, se havia alguém que me entenderia, seria eu mesmo. Ao chegar lá, não vejo um eu perplexo, ou surpreso ao me ver. Ele só pergunta.

-Em qual protótipo alcançamos o nosso objetivo?

-Trigésimo.

-Ah, entendo. O que você quer?

-E a nossa mãe? Como ela está?

Ele franze o cenho, respira, como eu faria para dizer algo difícil.

-Ela pegou prisão perpétua, por um crime que ela não cometeu.

Notas finais
Cuidado, é bastante perigoso deixar um review, pois tem vários leitores que não fazem. Mas se você não tem medo do perigo, ou seja, vive perigosamente, vá lá e faça este autor feliz.