Nephilins de Londres
14 Capítulo bônus de Especial de Natal
Notas iniciais
PAÍS DE GALES, 1873
Cecily e Ella estavam brincando de boneca no quarto. Pode parecer meio infantil brincar de bonecas com 14 anos, mas Ella sempre brinca com seus irmãos mais novos. Poderia falar os detalhes: a quantidade de luz do sol que entrava pela janela, como eram quando crianças, ou como o quarto estava, mas depois disso, as lembranças na cabeça de Ella passam tão rápido quanto uma presa correndo para preservar a vida da morte pelo caçador:
–Quero ir ao banheiro-Cecily falou e saiu correndo.
Se passaram alguns segundos, ou minutos, não sabia dizer, mas ouviu um grito vindo do andar de baixo. Um grito de seu irmão, Will.
Sem pensar duas vezes, Ella correu para o andar de baixo. Os pais haviam saido. O motivo? Comprar comida na feira? Fazer um passeio romântico? Ella não sabe dizer, o que isso é comparado ao que estava por vir?
Como em um instinto, quase automático, Ella pega uma faca que estava na coleção do pai. Já havia visto uma ilustração dela em um dos livros que pegara escondida para ler sobre o mundo que os pais ocultavam tanto dela. Reconheceu que era uma lâmina serafim, mas ainda não sabia muito sobre elas, mas era só uma faquinha, o que poderia ter de tão especial para que usasse errado?
Os gritos vinham da biblioteca, se não me engano. Ella abriu a porta e encontra Will abaixado, parecendo que queria sumir e, intimidando ele, um bicho que nunca sequer pensou que poderia existir igual. Era azul, um pouco baixinho e tinha uma grande cauda. Seria isso um demônio desses que caçadores de sombras tanto falam? Ella imediatamente lançou a lâmina serafim nele, achando que seria suficiente. Ele parecia surpreso de primeira, mas riu, arrancou a faca do corpo e, para a surpresa de Ella dessa vez, falou:
–Tolinha! Não sabe usar uma lâmina serafim.-E se jogou para cima dela. Uma escuridão invadiu a visão de Ella, que tentou gritar: “Will, corra! Salve Cecily!” Mas apagou antes de completar a frase.
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Faz alguns meses que Dylan estava trabalhando para o Magistrado e o De Quincey. Sentia saudade das amigas, Jessie e Ella, mas tinha que conseguir dinheiro, para pôr comida na mesa. Não conseguia mais sair daquele lugar subterrâneo, mas de acordo comos chefes, a família recebia o salário dele, a única opção era acreditar.
Não sabia para que eram aqueles robôs que construia. Autônomos, segundo eles. Eles conseguia o materias, Dylan construia, e uma mulher levava-os para outro lugar, onde “ganhariam vida”.
–Vim pegar o próximo.-Ela chegou.
–Está naquela mesa, Gália.-Apontou para trás sem tirar os olhos da mesa de trabalho atual.
–Obrigada-Gália voou até a mesa. Literalmente. Gália era uma fada. Seus cabelos eram rosa e os olhos turquesa arroxeado, as asas tão finas que pareciam feitas de seda. Foi assim que descobriu o mundo das sombras, se recusou a acreditar no começo, mas agora sabe que é a realidade.
–Ah, teremos uma pessoa nova aqui, mas parece que não virá para essa área.
–Quem será?
–Não tenho certeza. De Quincey pediu um carregamento de sangue gigantesco, então deve ser outro vampiro. Tinha esperanças que você o conhecia.
–Antes de vir para cá não fazia a menor ideia que existiam, imagina conhecer um.
–Tem razão.-Gália riu um pouco-Até mais.
–Até.
Realmente, quem mais De Quincey iria querer lá dentro? Já tinha Dylan, Gália, Antonieta, ele, os robôs e alguns subjugados. Mas resolveu que era melhor não pensar nisso e voltar ao trabalho, quando mais rápido acabasse, melhor.
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–ELLA! ELLA! ACORDA!-Will berrava enquanto sacudia a irmã
–Ah!?-Ella acordava um pouco bêbada-O que aconteceu?
Will a abraçou muito apertado.
–Ella! Aquele bicho,...
–Calma, Will,-Ella limpava as lágrimas do rosto dele enquanto olhava ao redor-Ele já foi. Não tem mais com o que se preocupar.
–Ele disse,... disse que ia me amaldiçoar. Que todos que me amam iam morrer,... e que começaria com você.-Will soluçava.
–Ele só queria botar medo. Ninguem é páreo para os Herondale!-Ella tentou anima-lo.
–Eu pensei que,... quando você estava deitada,... que... você estava morta.
–Não precisa ter medo. Eu sempre estarei ao seu lado e ao de Cecily, e se não tiver, pode ter certeza que estarei protegendo os dois de qualquer forma.
Will pareceu se acalmar um pouco:
–Como você sabia atirar facas?
Ella olhou para os lados para ter certeza de que não havia ninguem:
–Você guarda um segredo?
Will fez que sim com a cabeça.
–Eu li alguns livros do papai.-Os olhos dele ficaram maiores, de surpresa:
–Sério?
–Sério. Quer dar uma olhada enquanto eles não estão? Podemos chamar Cecily também.
Will concordou com a cabeça e os três ficaram a tarde toda juntos. Mas, quando os pais voltaram, encontraram uma filha doente na cama. Tentaram de tudo, mas nada amenizava a dor. Resolveram que, como já estava bem tarde, no dia seguinte a levariam a um médico para ver o que aconteceu. Ella e Will ficaram completamente calados sobre o que aconteceu.
Algumas horas depois:
–AAAHHHH!!!!!!!!!!!-Ella acordou gritando. Estava deitada em uma maca em um lugar que parecia ser uma clínica. Havia muitas outras macas, mas o pano as cobria e não dava para saber se estavam ocupadas ou vazias. Apesar da ausênsia de pacientes, tinha várias pessoas andando de um lado para o outro. O grito de Ella chamou um médico e duas enfermeiras.
–Calma, senhorita Herondale. Está tudo bem.-O médico falou, colocando a mão na testa de Ella, como se estivesse medindo a temperatura. Era loiro quase branco e tinha olhos pretos, alto e pálido. Em sua indentificação estava escrito “Doutor De Quincey”-Seus pais te trouxeram aqui enquanto dormia. Sua situação piorou de noite e eles te trouxeram imediatamente. Por sorte, conseguimos te tratar.
–O que eu tenho, doutor?
–Encontramos veneno no seu sangue-Ella se arrepiou. Deveria ser do demônio do dia anterior.-E, alias, por isso mesmo, precisamos fazer outro teste de sangue em você. Iremos recolher um pouco para fazer alguns exames nele. Vai ficar tudo bem.
Ella assentiu com a cabeça. Queria voltar para casa e para sua cama o mais rápido possível. A primeira enfermeira segurou o braço de Ella e, com uma agulha, furou uma veia dela, como se já tivesse anos de prática. Para descontrair a dor, tentou focar na enfermeira. Ela também era pálida, tinha cabelo castanho escuro, olhos azuis e se parecia um pouco com Ella, na verdade. Na identificação dela estava escrito “Enfermeira Antonieta Kerem”. Quando reparou, ela já estava limpando o lugar que perfurou com um algodão e o frasco com o sangue estava na cômoda ao lado. Estranhamente, ela estava passando a lingua pelos lábios, como se tivesse tentando se hidratar ou com água na boca, de fome.
–Exelente. Espere aqui, nós vamos ter que te vacinar também.
Alguns poucos minutos depois, eles voltaram com um carrinho e a enfermeira estava com um frasco amarelo na mão:
–Nós iremos te anesteciar para que não sinta mais tanta dor.-Ella fez que sim com a cabeça e engoliu o líquido. Começou a ficar mais calma e tranquila. Perdeu o controle do corpo, que amoleceu e não conseguia mais controla-lo. De Quincey, Antonieta e a outra enfermeira começaram a prender meus braços e pernas prendedores da maca que não havia reparado antes. Eram duros como aço.
–O queeee estaum vasentio?-Ella tentou perguntar “o que estão fazendo?”, mas a anestecia não deixou com que ela falasse. Havia várias injeções com líquidos vermelhos, que pareciam sangue, mas não pôde ver mais do que isso, pois a visão começou a ficar turva e ainda sentiu as agulhas picando-a. Mais uma vez, ficou desacordada.
Ella acordou. Uma dor insuportável a atingiu. Começou a sentir um peso leve nas costas, um espeto no cabelo, uma dor enorme no coração e no pulmão, uma dificuldade incrível para respirar. Mas, nada se comparava a fúria e a ardência na garganta por uma sede. Mas, uma sede diferente. Uma sede descomunal por sangue. Levantou a cabeça e a primeira coisa que viu foi De Quincey e seu pescoço. Seu alvo.
Havia ficado extremamente forte, conseguiu arrancar as amarras de aço com a mesma facilidade de quem leva um copo de água à boca. E literamente “voou” até o pescoso do De Quincey, os dentes estavam perfurando o própria boca e indo para ele. Mas, ele a venceu na luta e jogou para ela uma garrafa cheia de sangue, que ela rapidamente mordeu e espirrou sangue para todos os lados, mas saciou a sede dela. Quando voltou a si e se deu conta do que estava fazendo, jogou a garrafa para longe e deu um grito de pavor do que tinha feito. A Antonieta e a outra a seguraram forte para que não fugisse:
–Cadê meus pais? O que está acontecendo?-Ella gritava desesperada. Nunca havia sentido tanto medo em sua vida.
–Levem-na para o “quarto dela”-Disse o De Quincey-Já pus as coisas dela lá.
As duas a arrastaram até o “quarto” dela, que na verdade era um cela somente com cimento e pedras e um quartinho ao lado, que era um banheiro.
–Vai se trocar.-A mulher olhou para Ella com olhar superior-Isso não é uma sugestão. É uma ordem do De Quincey e do Magistrado.-E as duas sairam.
Ella olhou ao redor, além de não ter nada para dormir, não havia janelas também, e também até tentou abrir a cela, mas estava trancada (Claro, não é óbvio?) A única coisa a se fazer, além de ficar gritando para importunar todo mundo, o que Ella tentou, é claro, era ir ao banheiro se vestir.
Lá dentro era parecido com o quarto, um cômodo pequeno revestido de cimento e pedra, apenas com um espelho um pouco quebrado, um balde cheio de água para tomar banho e um buraco no chão, que Ella concluiu que seria para fazer as necessidades.
–Que nojo.
E também, do lado tinha um vestido de faxineira preto, e ainda por cima com uma daquelas touquinhas. Ella teve uma sensação que se se recusase a vestir seria pior, então para não criar problemas, vestiu a roupa.
Quando foi trocar de roupa, Ella percebeu na parte não quebrada do espelho coisas diferentes, e caiu de tanto susto. Havia asas de fada em suas costas, orelhas pontudas, os dentes caninos salientes, tão pálida quanto os outros lá, e, em uma parte do pescoço em que a maioria dos vestidos da época tampava, guelras de peixe, Ella até ficou pasando a mão nelas para ver se era real.
–Se acostume com ela. É sua marca de feitiçeiro.-Uma voz falou atrás dela, que se virou e encarou a enfermeira que retirou o sangue. Agora, estava com um vestido vermelho e preto, que lembrou o descrito como o da Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas”. “Qual era seu nome mesmo? Ah, sim. Antonieta Kerem.”-Pensou. Ella terminou de vestir seu novo vestido e falou:
–Eu não sou feitiçeira!
–Então, o que acha que são essas guelras? E todo o resto que está em você?
Ella pensou um pouco antes de responder:
–Alucinação múltipla?-Antonieta revirou os olhos.
–Sorte do magistrado que não vai ter que ficar falando com você e azar ao seu inteligência não ser um fator que influênciou em nossa pesquisa. Nunca vi nephilim tão idiota. Espero que não demore horas para que entenda o porque de estar aqui.
–Ei! Eu não sou idiota! Eu não quero ficar aqui! Eu quero sair!-Ella tentou passar pela Antonieta, mas não deu certo e ela a algemou e mostrou um frasco com água para Ella:
–Isso aqui é água benta e se não se comportar, jogarei em você, menininha insolente!-Antonieta deu um tapa nela, que gritou de surpresa-E se tentar correr vai ser pior!-Antonieta pegou as correntes da algema e a puxou na velocidade vampiresca até uma grande sala, essa bem decorada, com uma grande mesa e várias cadeiras e uma lareira. O doutor estava sentado na cabeceira da mesa, Ella lembrou de seu nome: De Quincey. Agora, estava muito bem vestido, com um terno preto formal. A Antonieta sentou-se do lado dele, que começou a fazer carinho em sua mão muito ternamente:
–Olá, Ella Herondale. Acho que não tivemos uma chance de nos apresentar corretamente. Sou De Quincey, seu mais novo chefe. Essa é Antonieta, minha namorada, e pode ser considerada uma subchefe-Ela estava feliz do lado dele, nem parecia aquele ser com cara feia que deu um tapa e xingou Ella.
–Ninguém manda em mim! Porque vocês me trouxeram aqui? O que querem comigo? Eu não fiz nada para vocês! E,... E o que é tudo isso?-Ella tentou mostrar que estava falando dela.
Antonieta semicerrou os olhos, mostrando que a resposta não lhe agradou, mas De Quincey parecia estar se divertindo com a reação de Ella:
–Uma coisa de cada vez. Nós te trouxemos aqui porque é a nephilim mais próxima que é bonita e jovem. Essas foram as condições estabelecidas pelo Magistrado, nosso chefe, para encontrar a criada e protetora perfeita. Para deixá-la nas condições de protetora, e também para testar um experimento dele, colocamos em você sangue de diversas criaturas do submundo e o seu. Assim, você tem caracteristicas de fada, vampiro, nephilim, lobisomem e feitiçeiro, se for necessário, adicionaremos mais sangues em você. Depois de seu ataque na enfermaria, nossos subjugados que tiveram que ajudar, a te parar, ficaram feridos e estão de descanso hoje. Mas, amanhã, começaremos o seu treinamento, tanto como criada, como guerreira. Você protegerá ele, a futura esposa, que também é um experimento, e os filhos deles. Por mais que ela queira escapar, você tem que impedir isso.
Ella ficou tão surpresa que nem o interrompeu. Ele falava isso como se fosse normal, como “Comi bolinho hoje no café-da-manhã” ou “Fui ao teatro ontem a noite”. Quando ele terminou de falar, Ella se pronunciou:
–Não!
Os dois fizeram cara de “não gostei”:
–Não?
–Não vou fazer isso! Não vou prender uma mulher que não quer ficar lá! Não vou ser cobaia de nenhum experimento! Não vou ser segurança ou criada de ninguém! Tirem isso tudo de mim! Me levem de volta para casa! Devem ter visto que não estou lá!
Antonieta e De Quincey deram um pequeno sorriso maldoso. Esses dois eram mesmo perfeitos um para o outro.
–Eles não viram que você não está lá, porque você está lá.
–Nós contratamos um feitiçeiro para colocar um encanto de ilusão. Há uma mulher morta em sua cama, mas graças ao feitiço, eles veêm você morta no lugar dela.
Ella ficou horrorizada e se calou. Isso era demais. O que os pais, Will e Cecily fariam quando acordassem e visse ela morta na cama? Will acharia que é culpa dele.
–Aliás, esse foi outro motivo de termos a escolhido. Você estava com veneno de demônio no corpo, ia morrer de qualquer jeito. Eles não vão achar estranho, porque estava doente e vão se conformar com isso.-Os dois se aproximaram dela, que estava completamente abalada e incapacitada de responder.
–Assim como você terá que fazer isso.-Os dois começaram a socá-la até que caisse.
–Essa é uma pequena amostra do que você terá se não nos obedecer.-Sinalizaram para que um dos subjugados viesse e a levasse de volta para a cela.
No banheiro, pôde ver que estava completamente roxa, mas estava sarando rapidamente. Estava dolorida em alguns cantos, mas na hora doeu de verdade. Ninguém nunca bateu nela. Foi dormir, pensando o que faria no dia seguinte.
De Manhã:
Deram uma garrafa de sangue para Ella, que teve que beber pensando se não poderia mesmo comer mais nada que não fosse isso.
Depois, a levaram para uma outra sala, com dobro do tamanho da de ontem. Também tinha uma grande mesa cheia de cadeiras. Mas, essa sala também tinha sacos de pancada, diversos tipos de espada, facas, adagas, e outras armas e vários bonecos de madeira, metal e aço com alvos no coração e no cérebro. Antonieta e De Quincey estavam no centro:
–Bem-vinda ao seu primeiro dia de treinamento!-De Quincey estendeu as mãos, mostrando o lugar, como se fosse algo impressionante.-Aqui, aprenderá a como ser uma criaa perfeita-Apontou para a mesa, onde tinha também tabuleiro de chá e outras coisas no mesmo estilo- e também uma guerreira perfeita-Agora apontou para as armas.-Por onde quer começar, Antonieta?
–Eu acho que seria bom ver como ela serve aos superiores primeiro-Antonieta fez olhar esnobe para Ella. Estava claramente querendo fazer com que Ella se sentisse extremamente inferior. Mas, já havia tomado a decisão:
–NÃO!-A cena da noite anterior parecia estar se repetindo, os dois a olharam ameaçadoramente:
–De novo esse comportamento?-Os dois pegaram chicotes do arsenal-Tem certeza de que quer recusar o seu destino?
Eles começaram a chicotear Ella, que tentou fugir, mas não conseguiu, onde o chicote encostava, saia sangue vermelho vivo:
–Esse não é meu destino! Podem me machucar até eu não aguentar mais! Podem me matar! Prefiro morrer mil vezes do que ficar com vocês e ajudar nesse seu plano todo! Dane-se o Magistrado! Dane-se vocês! Dane-se isso tudo!-Ella gritava.
–Bem, então talvez alguém tenha que morrer para que veja o quão importante é!-De Quincey disse e parou de chicoteá-la.-Amanhã, mandaremos buscá-la mais cedo ainda.
Um subjugado apareceu e a levou de volta para a cela. Ella dormiu pensando que pelo menos, depois de sua morte no dia seguinte, não teria que fazer o que estavam mandando e poderia partir em paz.
No dia seguinte:
A deram uma outra garrafa com sangue logo que acordou. “Por que me deram sangue se vão me matar?” Ella pensou. Depois veio dois subjugados, Ella reconheceu que um deles era a outra enfermeira, e a levaram para o lado de fora. “Será que vão me matar ao ar livre?” Ella pensou.
Então, a colocaram em uma carruagem, junto com o cocheiro, enquanto Antonieta e De Quincey iam atrás. O cocheiro tinha cabelo preto e olhos da mesma cor, mas esbugalhados, muito grandes. Parecia feito de metal, “Mas isso não seria impossível” pensou Ella. Mas, o que não seria possível mesmo,era o lugar para onde estavam indo. De cima de um morrinho, Ella viu a própria casa.
A carruagem parou e Ella desceu, tentou correr para ela, gritar pela família, mas não funcionou, pois o cocheiro a pegou pela gola do uniforme, “Como ele é tão forte?” Antonieta e De Quincey sairam da carruagem:
–Por que ainda tenta fugir? Sabe que não consiguirá.-Tentava porque ainda tinha esperança.
–Então é isso? Vão me matar de frente para minha casa para que eu possa sofrer mais enquanto morro?
–Quem disse que vamos te matar? Nós teriamos que procurar por outra nephilim prestes a morrer, seria muito mais trabalho. Não, nosso plano é bem melhor.
Um feitiçeiro saiu da carruagem depois que disse isso. Ele era baixo, cabelo loiro escuro, olhos azuis e barba, mas havia listras de tigres pelo corpo todo, que o fazia ser reconheido como feitiçeiro.
–Esse é o mesmo que nos ajudou a disfarçar o corpo morta em sua cama como o seu. Agora, ele vai fazer ficarmos invisíveis.
E, com isso, ele fez um ritual e as outras pessoas não poderiam vê-los.
–Agora, vamos ver sua casa de perto.-Eles se aproximaram e conseguiram entrar dentro da casa, sem nínguem ver, obviamente.-O que você vê, senhorita Herondale?
–Minha casa, está como quando eu sai. Não tem ninguém aqui.
–Já devem estar voltando.
Se passaram 20 minutos, quando a família apareceu. Quando passaram, deixaram um recipiente em cima de uma mesinha. Era preto e parecia uma urna, estava escrito na frente, em uma letra muito bonita: “Aqui, jaz Ella Herondale. Descanse em paz” Eram as cinzas daquela mulher, que eles pensavam ser ela. Nesse momento, Ella já estava com vontade de chorar, mas não se permitiu fazer na frente dos outros:
–Minha...urna.
–Eles acabaram de voltar do funeral. Percebe mais alguma coisa? Ou a falta de alguém?
Todos pareciam tristes. A mãe e o pai estavam lamentando em um canto, Cecily estava encarando os quadros na parede, e Will… onde estava Will?
–Will, ficou lá?
–Ele morreu.
Ella arregalou os olhos:
–O QUE?
–Falamos que alguém teria que morrer, então o matamos. É isso o que se ganha quando não obedece. Outros sofrem. Eles o enterraram porque não estava doente, diferente de você. Se falhar conosco novamente, outra pessoa querida morre. Está claro?
Ella apenas fez que sim com a cabeça, e não conseguiu mais segurar o choro. Lágrimas de sangue escorreram pelos seus olhos. Ficou com a cabeça baixa durante todo o percurso de volta, tentando impedir que a vissem assim. Quando voltou para a cela, Antonieta quis acompanhá-la. Ella não havia entendido o porque, até que chegou no quarto, ela falou:
–Isso foi ideia minha.
Ella se virou:
–Como assim?
–Ele ia te matar mesmo. Mas eu dei a ideia que matar seu irmão seria melhor. Realmente, me agradou ver você chorando na nossa frente. Isso só mostra como é fraca. A pior pessoa que já tive o desprazer conhecer.-E foi embora.
Ella continuou chorando, mas dessa vez foi de raiva. Raiva de Antonieta, de De Quincey, e de si mesma. Prometeu ao irmão que os protegeria, e falhou miseravelmente, pensando em si mesma e em uma mulher desconhecida que seria uma cobaia como ela. A entregaram três livros, entitulados: “O Magistrado”, “A Esposa do Magistrado”, e “O Que Você É”, mas nem tocou neles. Falhou com o irmão, mas continuaria ali, obedecendo dessa vez. Não podia falhar em proteger Cecily, ou os pais. Aguentaria por eles.
5 anos depois:
5 anos treinando, 5 anos jogados fora. Estava com 19 anos agora. Até a primeira marca fizeram. Não mudou muito, só cresceu. Agora que já havia completado 18, essa seria sua aparência para sempre. Leu os três livros, já sabia de tudo. Agora, também era parabatai da outra, Theresa Gray era seu nome. Teve acesso às suas lembranças, o irmão estava vivo. Isso era maravilhoso, pensar que estava morto, e por sua culpa, por 5 anos, foi horrível. Iria continuar resistindo, quando for a hora, ela fugiria para casa ou para o Instituto, tanto fazia. O importante, era que reencontraria a família.
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–Parabéns, Dylan! Já faz cinco anos em que você trabalha aqui!-Gália comemorou. Estavam nos poucos minutos entre um trabalho e outro, em que podiam comer.
–Sinceramente, eu não acho que essa é uma ocasião para se comemorar. Trabalhamos tanto e recebemos tão pouco.
–É, isso é verdade. Principalmente com esse objetivo.
–Objetivo? O por que de construir autônomos, por exemplo?
–Isso mesmo. Você já sabe do porque?
–Não, mas também já não estou mais com vontade de saber.
–Bem, meu curto horário acabou-Gália se levanta com cara triste-Vou lever o sangue da senhorita Herondale.
–Espera,... você disse senhorita Herondale?-Dylan achou que tivesse ouvido errado. Ele ouve os nomes dos pais, de Jessie e de Ella desde 3 anos, mais ou menos, de tão longe que está das pessoas que gostava.
–Sim, senhorita Ella Herondale. Ela é a pessoa que nossos chefes estão treinando para ser a criada e protetora escrava do Magistrado. Eles até a transformaram em vários membros do submundo de uma única vez para deixá-la mais forte.
Dylan agarrou o braço de Gália e falou, mais sério do que nunca:
–Onde ela está?
–Treinando, por que?
–Me leve até ela agora!
–Ela não pode falar.
–Eu quero apenas vê-la!
Gália respirou fundo, como se tivesse pensando um pouco e disse:
–Siga-me.
Os dois andaram até uma grande sala, com uma enorme mesa de jantar e várias armas. Ella estava lutando, e podia reparar que tinha asas e orelhas de fada, dentes e pele pálida de vampiro, marcas, e com certeza podia se transformar em lobisomem e tinha uma marca de feitiçeiro em algum lugar que podia esconder.
–Porque queria tanto vê-la?
–Eu a conhecia.-Dylan respondeu, visivelmente triste.-É minha amiga.
–Ah, sinto muito.
–Para que são os autônomos que construi?
–Acabar com os nephilins.
Dylan arregalou os olhos e se virou para ela.
–Eu construi algo para acabar com uma raça inteira!?
–Sim.
–Não é possível!
Dylan começa correr de volta e Gália voa atrás dele.
–Espera! Para onde você vai?
–Eu não posso mais ficar aqui!-Dylan para e se vira para Gália.-Eu não posso continuar com minha amiga daquele jeito e uma raça ser destruida sabendo que eu ajudei, sem fazer nada! Você está de prova! Eu juro pelo anjo…
–Você é mundano. Não faz sentido jurar pelo anjo. Você sabe que vai ter que realizar seu juramento de qualquer jeito se o fizer, certo?
–Sim! É exatamente por isso que vou fazer! Eu juro pelo anjo, que eu vou concertar todas as consequências que o meu ato causou. Desde Ella, até o futuro nephilim. Nem que seja em outra vida!
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–E foi isso.-Charlie terminou de contar.-Depois, durante a briga entre autônomos e os integrantes do Instituto, eu fui tentat ajudar, mas morri soterrado por uma pedra do teto que caiu em mim antes de chegar. Desculpa, Ella, eu poderia ter me informado melhor.
Jessie e Ella se entreolharam, com o mesmo pensamento nos olhos: “Só isso?”
–Está desculpado.
–Só queriamos saber o que tanto escondia.
–Então, eu só precisava dizer o porque de eu ter morrido?
–Sim, mas obrigada pela história. Foi muito informativa.
–Ah, foi divertido então.
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