Notas iniciais
Para Karina e Isabelli, obrigada por fazerem parte da minha pequena lista de pessoas que eu mais amo nesse mundo.

Gen 6:04 Havia gigantes na terra naqueles dias, e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens, e que tiveram filhos a eles, o mesmo se tornou valentes que houve na antiguidade, os homens de renome.

A estrada era completamente escura e nebulosa contribuindo ainda mais para que a atmosfera daquele lugar fosse assustadora. Gadrel não estava com medo do que poderia acontecer consigo mesmo, sabia que iria sobreviver até mesmo ao inferno, mas, o que ele temia de verdade era a vida de sua mulher e filha.

Ele olhou para o lado enquanto dirigia sua BMW preta, observou os grandes olhos verdes de Lana arregalados de medo para a escuridão do lado de fora. Queria saber no que ela estava pensando naquele momento, embora não fosse difícil imaginar. Mal havia se passado um mês após o nascimento de sua primeira — e bem provavelmente última -, filha.

Malditos anjos! Se intitulavam criaturas puras e santas, mas lá estavam eles, dispostos a aniquilar uma raça por completo.

Ele se sentia mal por sua amada, pois Lana tinha total plenitude de sua morte. Estava disposta a dar sua vida para proteger a criatura que gerou por 9 meses e aquele era um dos motivos pelo qual Gadrel a admirava, era muito corajosa para uma simples mortal.

— Gadrel. — Lana o despertou de seus devaneios com um desespero palpável.

Ele desviou o seu olhar da estrada para ela, seus olhos estavam fixos no retrovisor externo do carro, a imagem de dois seres com asas reluzentes que pareciam ser feitas de metal, refletiam no espelho. Eles voavam em sua direção.

— Droga. — Gradrel murmurou.

De longe ele esperava que o fim viria tão cedo.

Gadrel pisou fundo no acelerador do carro fazendo o motor emitir um forte ronco. Aquilo era inútil, ele sabia daquilo, mas iria lutar pela vida da mãe de sua filha até o final. Um dos anjos colocou a mão sob a porta de trás do carro e segurou com força, amassando sem nenhuma dificuldade a lataria. Gadrel virou o volante para esquerda com impulso, em uma misera tentativa de fazer o anjo se soltar do automovel, mas só serviu para ajudar a outra criatura também se agarrar na parte de trás do carro.

Lana olhava desesperada para trás, vendo as criaturas celestiais agarradas na BMW.

— Pegue a Besta. — Gadrel falou com a voz firme para Lana.

Ela puxou de baixo do seu acento uma arma feita toda de prata, era parecida com uma balestra — armas dos mortais -, a diferença entre elas era que aquela Besta podia deixar anjos inconsciente por horas e matar Nefilins. Um tiro daquela flecha, e os deixariam adormecidos tempo suficiente para fugir. Lana abaixou o vidro do carro, colocando metade do seu corpo para fora e mirou em um dos anjos. Gadrel havia a ensinado a usá-la e ela realmente havia ficado boa naquilo. O anjo vendo-a mirar a Besta em sua direção começou a se aproximar ainda mais, fazendo fundos na lataria da BMW. Lana viu de perto o olhar cheio de ódio da criatura que estava tentando a matar, toda orbita de seus olhos estavam mergulhados em uma profunda escuridão. Ela estremeceu antes de atirar bem no centro de sua testa, fazendo o corpo do anjo ser impulsionado para trás, soltando o carro enquanto mergulhava no escuro da estrada.

Lana entrou para dentro do carro novamente, mal acreditando que havia conseguido se livrar tão fácil daquele anjo.

— Consegui. — ela afirmou para Gadrel com um olhar orgulhoso.

Ele virou seu rosto para ela com um sorriso surpreso, quando uma mão atravessou o vidro da porta do carro estilhaçando-o por completo. Gadrel por impulso, jogou o volante para sua direita quando sentiu o toque firme da mão do outro anjo em seu braço. O carro saiu da estrada perdendo totalmente o controle e caiu em um barranco, enquanto Gadrel lutava contra as mãos daquela criatura. Tudo aconteceu tão rápido que ele mal pode perceber quando a BMW começou a desafiar a gravidade e deixou o solo. Foi aí que as coisas começaram a ficar lenta, tão lenta que Gadrel conseguia contar quantas vezes o carro girou. Cinco vezes no total. Até que uma árvore finalmente fez com que a BMW parasse de capotar, deixando-os de cabeça para baixo.

Ele sentiu um zunido em seu ouvido por conta do estrondo da batida, Gadrel olhou para o lado e viu Lana inconsciente, coberta pelo seu próprio sangue.

— Lana. — sua voz parecia distante do seu corpo.

Ele pegou seu braço para checar sua pulsação. Nada.

— Lana. — ele a chamou novamente, balançando seu corpo sem acreditar no que havia acontecido.

Gadrel estava disposto a tentar despertá-la, quando o barulho de metal rangendo o fez olhar para a porta do carro. As mão do anjo o puxou pela camisa, levando-o para fora do automovel. O seu corpo bateu com força no chão quando a criatura o soltou, ele gemeu de dor enquanto abria os olhos, reconhecendo o anjo Miguel parado a sua frente, segurando uma Besta.

— Quanto tempo, Gadrel. — o anjo lançou um sorriso irônico.

Ele o ignorou completamente e desviou seu olhar para o carro que estava a alguns metros de distância, bem a tempo de vê-lo começar a pegar fogo.

— Lana! — Gadrel gritou desesperado, tentando se levantar para buscar sua amada, mas Miguel colocou o pé no o seu ombro o forçando para baixo, fazendo-o voltar a ficar deitado no chão.

Uma explosão fez com que destroços do carro voasse. Gadrel olhou completamente em choque na direção da explosão, vendo a BMW em chamas com o corpo de Lana lá dentro.

— Sinto muito pelas coisas terem sido assim. — Havia algo sincero em seu olhar, mas Gadrel não se importava se Miguel estava sendo sincero ou não. Ele havia matado Lana.

— Desgraçado! — gritou se levantado, pronto para ir pra cima de Miguel.

O anjo deu alguns passos para trás e mirou a Besta em seu coração, antes de atirar, disse:

— Espero que aproveite mais cem anos preso no inferno, Gadrel.