Nephilim: A Profecia Do Céu
7 Capítulo 6
Assim que abriram a porta do banheiro, Aislynn deu de cara com Travis que lhe esperava na companhia de dois homens carrancudos ao seu lado. Ela tentou imaginar o por que daqueles caras estarem ali.
— Irei levá-la até seu quarto. — Falou com calma, colocando a mão direita em suas costas guiando-a pelo corredor. Tentou imaginar qual era a necessidade de uma escolta até o quarto, mas resolveu aceitar aquilo em silêncio.
Ela se sentiu particularmente desconfortável com seu toque, primeiro por que não tinha nenhuma intimidade com Travis, segundo por que ele era tão atraente ao ponto de lhe deixar extremamente nervosa. Não que Aislynn fosse totalmente inexperiente com os caras, na verdade, ela já havia tido dois namorados, nada muito serio, mas nada que a considerasse uma virgem fracassada. Fez uma careta pra si mesma em sua cabeça, tudo bem, ela era virgem, mas não uma fracassada.
Todos ficaram em um silêncio desconcertante durante a trajetória, mas foi bom para Aislynn poder observar cada detalhe daquele lugar. Eles passavam por um corredor sinuoso, mal iluminado e que parecia não ter fim, ela tentou se imaginar andando por ali sozinha, certamente não deveria fazer aquilo pois iria se perder facilmente. O local não tinha nenhuma decoração apropriadamente dita. Era tudo muito vago, as paredes eram brancas e o chão era feito de um mármore escuro, havia alguns bancos no corredor, mas Aislynn não conseguiu imaginar alguém sentado ali. Ela viu algumas pessoas passando pelos corredores, embora fosse poucas, ficou se perguntando se o Purgatório era tão vazio quanto imaginava.
Enid não havia lhe dado muitos detalhes sobre o tal Purgatório onde elas se encontravam, só apenas disse que era um lugar seguro e que ficava embaixo de um prédio abandonado pelo governo. Aislynn estremeceu ao pensar o quanto embaixo da terra ela estava, a ideia de estar em um lugar subterrâneo não lhe agradava muito.
— É aqui — Travis a despertou de seus devaneios, indicando com o dedo uma grande porta antiga de madeira que continha o número 28.
Aislynn ficou tão distraída examinando a porta de seu quarto que não percebeu quando Travis puxou um molho de chaves do bolso de sua calça e a abriu. Assim que ela deu o primeiro passo pra entrar no cômodo, ouviu a voz de Enid falar atrás dela:
— Vou buscar algo pra você comer — Asylinn assentiu, muito curiosa pra ver o quarto que iria ficar sem nem se importar de ficar sozinha naquele lugar com estranhos.
Assim que ela se adentrou no cômodo ficou boquiaberta com o quanto o lugar era espaçoso, conseguiu percebeu logo de cara que as mobílias pareciam ser feitas do século passado, diferente do corredor, a decoração do quarto era toda rústica. Havia uma cama de casal com lençóis brancos e detalhados, uma grande estante recheada de livros ficava do lado oposto da cama, havia um grande tapete vermelho vinho estendido no centro do chão do quarto.
— Uau — murmurou, com os olhos brilhando.
— Temos vários quartos sobrando, — a voz de Travis a fez assustar, ela nem ao menos havia percebido sua presença ali. — Achei que iria gosta desse.
Aislynn sorriu, se virando para ele.
— Boa escolha.
Ela caminhou em direção a estante e começou a analisar os livros dali. Aislynn percebeu que era a primeira vez desde que chegara que estavam sozinho, acabou então achando uma boa ideia fazer algumas perguntas a Travis.
— Então... — ela pegou um livro e começou a folhear as páginas casualmente. — O que o Purgatório é exatamente?
Travis cruzou os braços, ele a observou bem antes de falar:
— Acredito que Enid já tenha a contado sobre — Aislynn assentiu. — Aqui é uma base de encontro dos nefilim, alguns demônios as vezes nos visitam, já que são nossos aliados. Mas, os anjos são permanentemente proibidos de entrar no Purgatório em qualquer tipo de situação, é como se fosse um clube particular. — Brincou.
Aislynn sentou-se na beira de sua cama.
— Então significa que estou segura aqui?
Travis assentiu.
— Mas acredite, Aislynn, você não vai querer passar sua imortalidade de baixo da terra.
Imortal?! Aquilo definitivamente era novo pra ela. Aquela palavra a fez sentir um misto de empolgação e medo. A ideia de ser jovem pra sempre parecia ser boa, mas em compensação, ver seus entes queridos morrerem não lhe agradava nem um pouco. Seu coração deu um pulo ao lembrar que se seu pai estava preso por 100 anos no inferno, Aislynn poderia estar viva pra conhecê-lo. Bom... Estaria viva se os anjos não a matassem antes disso.
— Como você pretende impedir os anjos de matar os nefilim? — A pergunta escapou de sua boca.
Travis ficou surpreso a pergunta de Aislynn, um deslumbre de empolgação invadiu em seu rosto ao perceber o interesse repentino dela.
— Após o início das caças dos anjos pelos nefilim, acabei passando os últimos anos da minha vida me escondendo aqui, no Purgatório. — A tensão em sua expressão era palpável. — Mas, tudo tem seus prós e os contras — fez uma pausa. — Eu passava a maior parte do tempo tentando criar alguma maneira de parar os anjos e também pude contar com a ajuda dos demônios. Juntos, descobrimos que quem está liderando o exército de anjos para nos matar é o arcanjo Miguel.
Aislynn estremeceu.
— Como os demônios não podem batalhar contra os anjos e nos ajudar nessa guerra, apenas nós mesmos podemos salvar nossa pele — explicou. — Existem 5 nefilim mais poderosos entre os outros. Se juntarmos todos eles, poderíamos prender o arcanjo Miguel no inferno.
Ela respirou fundo.
— E quem seriam os 5 nefilim mais poderosos?
Travis umedeceu os lábios e deu um de seus sorriso enigmáticos.
— Bom, já encontramos dois. Eu e você, agora só falta mais três.
Aislynn suava frio. Ela definitivamente não esperava aquela resposta pra sua pergunta, mas, mesmo sendo surpreendida mais uma vez pelo destino, não cogitava a hipótese de pular do barco. A sede de vingança era maior que o seu medo. Começou a se questionar se aquela irá pertencia ao fato dela ser uma nefilim. Travis e Enid haviam drenado o seu sangue por conta do numbness, o que acabava deixando os seus poderes mais vulneráveis e a fazia ser mais humana. Bom, seja o motivo que fosse, Aislynn se sentia capaz de ir até o final daquela guerra pelos seus pais.
— E como os encontraremos?
Travis hesitou.
— Não sei ao certo ainda, — admitiu — a única certeza que tenho é que não será uma tarefa fácil, ele estão espalhados pelo mundo.
Uau. Aislynn sempre quis viajar pelo mundo, mas, não imaginou que seria daquela forma.
— Eu sei — Travis murmurou, ao notar sua expressão.
Havia algo em seu olhar, mesmo que Travis mantivesse aquela pose ameaçadora, Aislynn ainda conseguia perceber o abatimento de sua alma. Ela quis perguntar sobre ele, queria saber mais sobre ele. Era estranho como se sentia conectada com um desconhecido. Talvez só se sentia daquele modo por conta da situação semelhante que os dois se encontravam. Seja o que fosse, conseguia sentir sua dor.
Travis tomou fôlego e disse.
— Mas antes de qualquer coisa, você terá que treinar.
Aislynn franziu a testa. Ótimo, aquilo só parecia piorar.
— Mas, você disse que tenho poderes...
Travis bufou, a interrompendo.
— Acha isso o bastante? — Ele a perguntou como se não fosse óbvio. — Aislynn, nós vamos lutar contra o céu, literalmente.
Ela revirou os olhos. Tudo bem, foi estúpido presumir que apenas seus poderes de nefilim seria o suficiente.
— De qualquer modo... — Ele caminhou até a porta do quarto. — Você precisa descansar.
Você precisa descansar. Aislynn repetiu em sua mente, fazendo uma vozinha irritante. Travis se virou subitamente para ela e deu um sorriso enigmático:
— Costuma ser tão infantil assim? — Havia um humor ácido em sua pergunta.
Balançou a cabeça, sem entender sobre o que ele se referia. Assim que seus olhos se encontraram, Aislynn compreendeu. Ele havia lido sua mente. Como aquilo era possível? Era um dos poderes dos nefilim? Ela também tinha aquele poder?
— Como... — Ela começou, mas Travis virou as costas e continuou o caminho até a porta.
Antes de fechar a porta, falou:
— Assim que Enid trazer suas novas roupas, poderia devolver minha blusa? — Indicou para a que Aislynn vestia. — É a minha favorita — lançou um sorriu perverso.
Ela agradeceu o fato dele ter fechado a porta antes de poder vê-la corar.
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