Neon Lights

3 Capítulo 3 - Amigos ?


Notas iniciais
Fico feliz que a Neon Lights esteja indo bem *--* E graças aos comentários, dicas, e favoritos que recebi, aqui está um capítulo maior que os outros, e também mais significativo. Boa leitura !

Tudo estava acontecendo rápido demais.

Num momento, eu puxava Gray em direção a borda da piscina, e no outro, Natsu gritava em minha direção algo inteligível, enquanto sacudia os braços feito um louco. Depois de refletir por alguns instantes, estendi o corpo desacordado do Fullbuster na direção dele, que o pegou de prontidão.

Com uma força insignificante, agarrei-me na borda de azulejos azuis, tentando sucessivas vezes subir, sem conseguir de maneira alguma. Olhei em volta, em busca de ajuda, e mais uma vez aquela situação se repetiu.

Eu estava só, no fim das contas.

Numa última tentativa, emiti algo parecido com um rosnado, agarrando-me com aquela horrível sensação de exaustão. Eu não conseguiria subir. Sabia que não morreria afogada, mas era fatigante.

– Segura – disse uma voz rouca e familiar. Levantei os olhos, encontrando um garoto de cabelos azuis e uma tatuagem estranha vermelha ao redor do olho esquerdo. Era o Representante de Turma da 2-A. Aluno prodígio, responsável pelos discursos de início de ano. Um ano mais velho que eu. Jellal Fernandes, namorado – ao menos é o que dizem – de Erza Scarlet.

Ele me estendia a mão de forma amistosa, e a aceitei no automático, sendo puxada pra cima rapidamente.

Quando finalmente senti meus pés no chão, a água caia como numa cascata. E Jellal, por alguma razão que de primeira não entendi, olhava para algo abaixo do meu rosto.

Oh, céus.

A bendita regata branca.

Desci os olhos até meus seios, observando o desenho do sutiã de bolinhas cor-de-rosa , e depois subindo o olhar até Jellal, que sorria de lado de modo unicamente pervertido. Ao notar que eu o encarava, ele desviou os olhos rapidamente. Mas por ser obviamente frio como uma geleira, nem se quer deu-se ao luxo de corar pelo flagra. O que foi extremamente irritante, e mal educado de sua parte.

– A-Achei que tivesse namorada! – ralhei irritada, tapando a regata ao abotoar um dos botões da jaqueta azul. Ele franziu o cenho, encarando-me com visível impaciência.

– E achei que tivesse te ajudado – rebateu frio. – Já ouviu falar em educação? Normalmente depois de serem salvas, as pessoas agradecem.

Cruzei os braços, rolando os olhos em seguida. – Agradeço sua ajuda, de qualquer forma. Mesmo que seja um completo pervertido – acrescentei num sussurro.

– Já vi melhores – debochou com uma risadinha seca. Corei feito um tomate. – E que sutiã é esse, hein? Comprou na sessão infantil? Se bem que não acho que seus seios vão até o tamanho 16 anos.

Fiz uma careta pior que a habitual para ele.

– Pra quem tem fama de mascote da Titânia, até que é bem sem vergonha, Fernandes-san – sorri ironicamente. Ele ergueu uma sobrancelha.

– Eu faço o que posso para manter a pose – deu de ombros, sorrindo levemente em seguida. – Então me conhece, não é? E quem seria você, salvadora do dia?

– Juvia Lockser – respondi sem graça, relaxando os ombros. – E não salvei o dia.

– É, foi mais mico que resgate, na verdade – comentou com aquele tonzinho cínico que notei – futuramente – ser habitual.

Sorri, revirando os olhos.

– Eu sei – cocei a nuca. – Mas não posso fazer nada quanto a isso.

– Não liga não, apesar da parte assustadora, até que achei legal – admitiu, olhando-me atentamente. – Devia entrar pro Clube de Natação. É bem rápida.

– Não gosto de … maiôs – comentei, fazendo-o rir. Jellal revirou os olhos.

– Insegura, hn? – me analisou por alguns instantes. — E pelo fato de que ninguém veio te ajudar, suponho que sozinha também. É do tipo odiada por todos, ou invisível a todos?

– Tipo 2, eu suponho – torci o cabelo encharcado, olhando ao redor em busca de Gray. – Onde levaram ele?

Foi quando o encontrei, deitado, próximo da entrada do vestiário, com Lucy, Natsu e Erza ajoelhados ao seu lado. Estava semiconsciente.

No mesmo instante, ignorei completamente a presença de Jellal, seguindo na direção dele automaticamente. Quando estava a apenas um metro e meio de distância, ele subitamente abriu os olhos, focalizando-os em ninguém menos que a loira azeda.

– Lucy! – exclamou, abraçando-a com força.

Natsu engasgou ao olhar a cena. E eu só não o fiz, porque estava chocada demais para isso.

– Oe, Gray, tá agarrando a Luce por que?! – perguntou esbaforido. Lucy estava igualmente estática com a atitude, mas, ainda assim, retribuiu. – Quem carregou você até aqui fui eu!

Ao término do abraço, Gray-sama sorriu verdadeiramente, de um modo que eu jamais havia visto antes. Ele não era de sorrir, mesmo que risse com frequência. Sorrisos eram algo raro. E em três anos de observação a distância, eu sabia que só os sorrisos de lado eram utilizados por ele.

Mas não dessa vez.

– O que foi, Gray? – a loira perguntou, olhando-o desconfiada.

Ele não tirava o sorriso do rosto.

– Você me salvou, Lucy – afirmou, fitando-a com intensidade.

No mesmo instante, senti uma flechada bem no meu peito, partindo toda e qualquer esperança em pedaços miseráveis.

– Gray – Natsu coçou a nuca, um tanto sem jeito com a situação. Na realidade, todos estavam, incluindo Lucy, que não sabia como dizer nada. – Não foi a Luce que te tirou da água não.

– Do que está falando, Natsu? – Gray olhou-o com irritação. – Eu vi os cabelos loiros.

– Não é loira – garantiu Erza, olhando em minha direção. – Provavelmente deve ter visto o sol refletindo nela.

– Nela quem, Erza? – perguntou, já pra lá de impaciente. Prendi o ar com o nervosismo.

– A garota da biblioteca – resmungou Natsu, apontando com o queixo em minha direção.

Os olhos negros demoraram a me achar, mas ao notar meu estado encharcado, uma expressão de decepção se instalou em sua face. E ele não sorria.

Não passava nem perto do que ele esperava.

No mesmo instante em que decidi que deveria ir falar com ele, Gray desviou o olhar.

– Hey, Juvia – ouvi Jellal me chamar, puxando-me levemente pelo braço. – Precisa trocar de roupa logo, não acha? Erza deve ter alguma roupa extra, sei lá. Vamos pedir a ela. Assim você chega em casa seca, pelo menos.

Olhei na direção dele, sentindo o choro entalado na minha garganta. Agora Gray Fullbuster, que nunca jamais se quer olhou em minha direção, me detestaria por ter sido a salvadora errada da vida dele. O que há de errado comigo afinal?!

– Obrigada, Jellal-san, mas eu… vou pra casa – sussurrei, dando as costas a Jellal e acelerando na direção da saída.

Ótimo. Perdi minha bolsa, celular, e carteira – onde só tinha 200 yens mesmo, que não dá nem pra um refrigerante – e ainda saio com água até dentro do ouvido.

Não dá pra ficar pior?

Não, Juvia. Sempre dá.

[…]

Na segunda feira, quando cheguei ao Fairy Tail, senti como se toda e qualquer alma presente ali, me encarasse. Sabiam exatamente o que havia acontecido, e simplesmente resolveram comentar a minha existência.

De um modo ruim, obviamente.

Afinal, por que a esquisitona da 1-B tinha que salvar o garoto lindo e popular que nem sabia que ela era da classe dele ?!

Se fazia eles se sentirem melhor, eu também me perguntei isso diversas vezes.

E enquanto caminhava pelos corredores lotados de alunos "juízes", me perguntei também se valia a pena entrar naquela sala. Parei automaticamente, próxima das máquinas de refrigerante.

Se eu entrar lá, provavelmente serei zoada e encarada mortalmente. O problema mesmo é o Gray-sama. E se ele me odiar ?! Ou pior ... e se ele nem se quer notar minha presença, pra variar um pouco ?

–Pensar demais queima o cérebro — debochou Jellal, aproximando-se sorrateiramente. No mesmo instante, arregalei os olhos, olhando para os lados compulsivamente.

–Qual é a tua, Juvia ? — perguntou sem entender, seguindo meu olhar. Engoli em seco.

–Está falando mesmo comigo ? — pensei alto. Ele riu, revirando os olhos.

–Que eu saiba, não é um nome tão famoso assim — murmurou somente, dando de ombros — Deixa eu adivinhar. Não quer entrar na sala porque tem medo que a classe toda comente sua entrada triunfalmente vergonhosa.

–Não tenho medo de comentários alheios — garanti calma, fitando meus próprios pés — Apenas um em especial.

–Hm ... então minha teoria está dentro dos conformes — sorriu de lado — Juvia Lockser é uma típica menina stalker, de traumas no passado que a fizeram se segurar na imagem de um atual amor platônico. No caso, o famoso Capitão do Time de Natação, de olhar frio e coração quente.

Gargalhou com ironia.

–Errei em alguma coisa ?

Por um momento, quis me esconder na lixeira. No outro, achei aquilo simplesmente incrível e assustador. Assustador porque ele havia descrito exatamente a minha vida. Incrível pela mesma razão.

–Como ... aprendeu a fazer isso ? — perguntei incrédula.

–Mãe psicanalista — contou , sem dar muita importância — Diversos livros de psicanálise me fizeram aprender tudo sobre comportamento humano e social. Sei exatamente o seu tipo, e exatamente o que está te fazendo não entrar. Mas eu tenho uma notícia boa pra você, Juvia Lockser.

–E qual seria ? — perguntei com curiosidade. Ele assumiu um tom menos irônico.

–Gray Fullbuster terá de lhe agradecer por ontem — alertou calmo — Não é algo que ele tenha cogitado não fazer.

–Ele não queria que tivesse sido eu ! — admiti, cerrando os punhos — Ele só gosta de uma garota, e ele jurava que tinha sido ela... e fico com pena porque ...não era para ter sido -

–Você ? — completou, franzindo o cenho — Então quem mais seria ? Não seja tão idiota, Juvia, ele não pode escolher entre uma situação e outra. O fato é que ele quase morreu, e você salvou ele. E o Gray sabe disso.

–Foi ele quem te disse isso ? — perguntei hesitante, entrelaçando uma mão na outra — Sabe, vocês andam juntos e -

–Eu não ando com nenhum deles — afirmou convicto, olhando-me com irritação — Não gosto de nenhum deles, pra ser sincero. Natsu e Gray me irritam profundamente, e todas aquelas garotas são exasperadamente barulhentas e sem sal. Só passo o intervalo com eles porque — engoliu em seco, hesitante em terminar a frase.

–Erza — disse sem humor algum. Ele não respondeu, apenas mudou de assunto.

–Bem, no fim das contas, Gray vai te agradecer — garantiu bagunçando meus cabelos azuis levemente, quase com ternura — Talvez não exatamente no inicio da aula. Ele pode esperar um acaso do destino durante o dia, e na pior das hipóteses, vai te esperar na saída.

–Tipo .... VOLTAR PRA CASA JUNTOS ?!

O corredor inteiro parou, olhando diretamente para nós. Jellal bateu na própria testa, sem acreditar.

–Certo , Juvia — suspirou pesadamente — Não. Ele vai te agradecer, e se conseguir não desmaiar nem agir como louca, talvez, somente talvez, role um assunto.

–Role um assunto — murmurei mais pra mim mesma, sorrindo levemente — Anotado.

–Oi ? — riu , revirando os olhos — Anda, entra lá logo.

Assenti, caminhando na direção da sala. Parei mais ou menos na metade do caminho, me virando novamente ao ver que Jellal comprava um refrigerante. Corri na direção dele, fazendo-o franzir o cenho.

–Hn ? — coçou a nuca, abrindo a lata em seguida — O que foi?

–Arigatou — agradeci com sinceridade — Ninguém nunca foi tão gentil comigo tantas vezes.

–Não ... foi nada — bebeu um gole, um tanto sem graça — Acho você legalzinha.

–Tipo ... em que sentido ? — perguntei, fazendo-o corar, engasgando com o refrigerante.

–C-Como o que mais ?! — tossiu algumas vezes — N-Não do outro jeito ! Ahn , aquele outro jeito. Sabe, eu não gosto de você não, apesar de te achar bonitinha , mas eu não -

Ri com a falta de jeito dele.

–Eu sei de quem você gosta, Jellal — garanti entre risadas — E sei que não sou eu. Só queria saber se ... somos amigos ou algo assim.

–Amigos ? — repetiu , avaliando a ideia. Por um instante, consegui lê-lo perfeitamente.

–Não é do tipo que se apega — comentei, fazendo-o erguer uma sobrancelha — Não é só você que é bom em entender os outros.

–Eu não tenho amigos ... — admitiu, dando de ombros — Não por falta de oportunidade, diferentemente de você. Simplesmente não preciso deles. Já tenho que me preocupar com muita coisa pra adicionar outros na lista.

–Mas — engoli em seco, suspirando derrotada — Tudo bem então.

Virei de costas, voltando ao caminho original. Até quando estou a apenas dois passos de conseguir alguém pra não passar o intervalo tão sozinha, tudo dá errado.

Parei em frente a porta da 1-B , respirando fundo antes de entrar finalmente.

–Olha a Super Heroína do ano — alertou a toda a classe, Laxus, com seu típico senso de humor deplorável — Salvou nosso amado Fullbuster — seu grupo riu debochado — E saiu esquisitona como sempre, só que descalça. Poxa, Esquisitona, o que houve com você ? Resolveu virar mendiga também agora ?

Revirei os olhos, seguindo em direção a minha cadeira e sentando rapidamente na mesma. Automaticamente, deitei a cabeça na mesa, deixando os cabelos cobrirem todo meu rosto.

Não estava afim nem de ser encarada, nem de ouvir piadas.

–Hey, Fullbuster — Laxus o chamou, fazendo-me assoprar meu cabelo até abrir uma frestinha na direção de Gray, que permanecia sentado em cima da mesa de Natsu, sem dar atenção ao loiro — Oe, vai ignorar os outros também agora ?!

O moreno ergueu uma sobrancelha, olhando o maior com irritação.

–O que é , Laxus ?

–Como o Capitão do Clube de Natação se afogou tão facilmente ? — perguntou debochado. Muitas pessoas não contiveram o riso — E ainda foi salvo pela criatura mais esquisita de todo o colégio. Como conseguiu todo esse bônus num dia só ?!

Gray não o respondeu, apenas olhando em minha direção.

Kami-sama.

Encontramos o olhar por alguns instantes, e meu coração simplesmente parou de bater. Ainda mais na situação em que eu me encontrava, debaixo de meus cabelos, com apenas um olho de fora.

O primeiro olhar que trocamos. Foi um fracasso.

Eu definitivamente tenho que me matar.

Rapidamente , depois de entender que eu o olhava , ele desviou os olhos, voltando a conversar qualquer coisa com Natsu, visivelmente constrangido.

E não me agradeceu , como faria de acordo com Jellal.

[...]

–Eu quero aquele achocolatado — apontei para o produto — E dois pacotes de biscoito de nata.

–Dois ? — repetiu a mulher da cantina, arregalando levemente os olhos — Não é muita coisa não ?

–Estou com fome — garanti , dando o dinheiro a ela em seguida — Arigatou.

Olhei em volta, as mesas estavam simplesmente lotadas. E lá estava o grupo de Gray, sentado , rindo e entretido consigo mesmo. Eles não eram como eu, afinal.

E foi com isso em mente que me afastei das mesas ao ar livre, caminhando em direção as árvores mais afastadas.

Geralmente, nem se quer comeria. Passaria todo o tempo na biblioteca, para que ninguém me visse sozinha. Mas o dia estava tão ruim que nem isso importava mais. A opinião dos outros era algo rotineiro na minha vida. E sempre seria.

Sentei-me entre as raízes de uma Sakura, observando o ambiente ao redor. A maioria conversava as mesas, mais ao canto, enquanto outros faziam rodas de jovens sentados a grama, jogando comida e conversa fora.

Casais conversavam sentados em bancos, e eu estava ali. Escondidamente sozinha. Abri um dos pacotes de biscoito, comendo-o enquanto dava umas goladas no achocolatado.

–Divertindo-se ?

Vire-me automaticamente, observando um Jellal assustador sentado do outro lado do tronco. Engoli em seco.

–Chegou agora ? — perguntei confusa. Ele negou com a cabeça, esticando a mão até meu pacote e pegando um dos biscoitos — Não há de quê.

Ele sorriu debochado.

–Encontrou meu esconderijo secreto — murmurou sem humor algum, fitando através da grade a quadra de futebol — Está me seguindo por acaso ?

–Achei que passasse seus intervalos com a Erza — comentei como quem não quer nada, bebendo mais uns goles. Ele não me olhou.

–Só uma vez na semana, mais ou menos — respondeu aparentando lembrar-se de algo desagradável — Mas recentemente os boatos sobre nós dois estão tão intensos, que ela me pediu que me afastasse um pouco. Quer que nos encontremos somente fora daqui.

Suspirei cansada, mordendo outro pedaço.

–Magoado ? — deduzi, rindo levemente. Jellal resmungou algum palavrão.

–Eu não me magoo — garantiu orgulhoso, cruzando os braços rente ao peito — E quanto a você, Senhorita Sofrimento em pessoa ? Teve sua primeira conversa decente ?

–Não — admiti, fazendo bico — Acho que ele me odeia.

–Bem-Vinda ao Clube — sorriu ironicamente — Pensei sobre o que te disse de manhã e ... foi mal mesmo.

–Mal pelo quê ? — franzi o cenho.

O azulado suspirou cansado.

–Não quis te cortar daquele jeito. Mas , não sou do tipo que vai dizer que somos amigos ou algo assim , entende ? Vai contra minha natureza mal-humorada.

–Então somos amigos — deduzi entre risos. Ele bufou.

–Não foi o que eu disse.

–Mas foi o que pensou.

–Você não tem como saber disso.

–"É que eu já li muitos livros de psicanálise, e sei que você é frio e calculista devido a traumas de um passado oculto " — imitei a voz e careta dele, fazendo-o gargalhar.

–Boa imitação — comentou com sinceridade.

Sorri de orelha a orelha.

–Que cara é essa ? — perguntou impaciente, enquanto me observava.

Não consegui desfazer o sorriso.

–Foi mal — enfiei outro biscoito na boca — Nunca conversei com ninguém desse jeito.

–Só não chore de emoção, Juvia — rebateu irritado — Ou dou meia volta e te largo ai sozinha. Falando nisso, me dá um gole disso ai !

–Nem vem.

–Egoísta.

–Pão duro.

–Eu ? Eu que sou o pão duro ?! Você que não me dá nem um gole disso ai !

E pela primeira vez, senti como se tivesse finalmente encontrado meu lugar. Jellal Fernandes, um ano mais velho, ranzinza e prodígio. Esse fora meu primeiro — e melhor — amigo. E eu não podia estar mais feliz.

[...]

Será que o Jellal pega trem ? Bem, se ele não pegasse, podíamos voltar juntos pra casa. Seria divertido, eu acho.

Quê isso , Juvia ? Esqueça a ideia ! Jellal ia me odiar se eu ficasse de grude logo no primeiro dia que passamos juntos. E perder ele não é uma opção. Em seis meses de aula, ele foi o único que já passou algum tempo comigo. O único que me chamou pelo nome.

Isso era simplesmente maravilhoso.

Sorri verdadeiramente, trocando de sapatos e colocando os anteriores no compartimento correto, utilizado como armário para todos os alunos, logo na saída do colégio.

Enquanto ajeitava o uniforme e colocava a bolsa no ombro, olhei na direção da porta, vendo o Fernandes fazer algum sinal esquisito com as mãos.

–Hn ? — franzi o cenho, olhando-o atentamente. Ele apontou com o queixo na minha direção, me deixando ainda mais confusa.

O que ele estava querendo dizer ?!

"Haja naturalmente " sibilou. Ergui uma sobrancelha, desconfiada. Naturalmente com relação ao quê ? A ele ?

–Hey , Lockser.

Meus olhos quase saltaram pra fora.

Essa voz ... era bem mais que familiar. Kami-sama.

Notas finais
Mereço comentários ? HAUSHUAHS' A propósito, como foi o Natal de vocês, amores ?