Neon Lights

8 Capítulo 8 - Conversa Indireta


Notas iniciais
Como vai pessoal, estão bem de saúde ? HAUSHAUSH' Animados para as aulas ? o.ó Ok, não. Mas enfim né ... aqui estamos nós, na amada Neon Lights, em mais um humilde capítulo, postado com atraso e muito amor - pra compensar - KKKKKK' Boa Leitura a todos, e quero agradecer a leitora Mellissa, que além de fazer a nova capa para a fanfic, me deu uma lindíssima recomendação, da qual jamais poderei agradecer a altura ^^

Amarrei o cabelo num rabo de cavalo firme, enquanto encarava meu reflexo no espelho.

–Juvia, eu estou indo no mercado — avisou minha avó, do lado de fora da casa — Quer uma carona ?

–Seria bom — confirmei, pegando a mochila em cima da cama, e descendo as escadas escorregando pelo corrimão.

–Já te disse que é perigoso — murmurou ela, impaciente, enquanto segurava a porta — E falando em perigo, quem vem te mandando as mensagens de texto esses dias ? Ouço o barulho do seu celular novo diversas vezes durante a noite.

Sorri de canto, dando de ombros.

–Devem ser os meus amigos ... — fingi indiferença. Os olhos dela se arregalaram.

–A-Amigos ?! — repetiu, abrindo um sorriso de orelha a orelha. Assenti, rindo sem graça — Oh, Kami-sama ! Não sabe o quanto isso me deixa feliz, Juvia ! Eu sempre soube que ia chegar um dia em que você iria se adaptar ! E não tardou, veja só ! Fale deles, não me esconda absolutamente nada !

–Certo, mas vamos pro carro antes — pedi, trancando a porta com a minha chave enquanto ela retirava o carro da garagem.

Até hoje não entendia a bendita rotina da obaa-san de ir ao mercado seis e pouca da manhã. Tudo bem que deve ser vazio, e os produtos devem ter sido entregues recentemente ... mas ela trabalha somente a partir das dez e meia, na outra cidade — a mais próxima daqui — de Crocus, e o trem , atualmente, só leva cerca de uma hora.

Então por que exatamente ela precisaria levantar tão cedo ?

É totalmente sem sentido o porque das pessoas mais velhas acordarem tão cedo quando nem precisam. Ainda mais os aposentados.

–Anda, Juvia ! — chamou-me de dentro do automóvel. Suspirei, pegando as contas na caixa de correio e entrando no carro.

Li alguns destinatários, prestando mais atenção a música que tocava do que nas cartas em si. Até ver uma em especial, destinada a mim.

"De : Centro de Reabilitação de Deficientes Mentais.

Para : Juvia Lockser "

–Okaa-san — sussurrei, sentindo meu peito comprimir-se — Obaa-san, é uma carta do Centro ..

Ela desviou os olhos da estrada por alguns instantes, desligado o rádio em seguida.

–Quer ler agora ? — perguntou, parecendo calma. Neguei com a cabeça, colocando por trás das outras — Ótimo, então aproveite para me contar dos tais amigos.

–Ah, sim — sorri, tentando disfarçar o nervosismo — Primeiro teve o Jellal. Jellal Fernandes — fiz uma careta, rindo em seguida ao lembrar de alguns momentos — Ia adorar ele. É a ironia na forma de pessoa. Ás vezes parece até que tem noventa anos... de tão ranzinza.

–Já vi que realmente vou gostar dele — ela sorriu, entusiasmada — Continue. É só ele ?

–Não, não — toquei minha bochecha, recordando dos outros — Ah, sim. A Lisanna Strauss é minha melhor amiga atualmente. Nós três voltamos juntos de trem, e ela desce uma estação antes de nós dois. Mas felizmente somos todos do mesmo trem, então fica fácil de voltarmos juntos. Ela tem dois irmãos mais velhos, e um deles estuda com agente. Os dois são os mais íntimos, mas ultimamente ... venho falando bastante com o Gajeel, que estudava comigo, e a Levy McGarden. Também tem o Natsu, mas com ele eu falo com menor frequência.

–E quanto ao tal garoto da Natação ? — ela dançou as sobrancelhas, sugestivamente — O que te aceitou na Equipe e ainda te deu um sermão ... qual o nome dele ?

–Gray Fullbuster — respondi, olhando pela janela já ruborizada — Ele é moreno ... e alto.

–É uma pena — ela suspirou, buzinando alto quando uma bicicleta nos ultrapassou — Seu fedelho imbecil !

–Vai pro inferno , velha bakka !

–Não tô afim de ver seu pai lá embaixo !

Dessa tive que rir, revirando os olhos.

–Mas por que disse que era uma pena, obaa-san ? — perguntei, franzindo o cenho.

Ela deu de ombros.

–Mai tinha me dito que o novato da padaria era bem atraente — explicou, olhando-me de relance — E que quando ela chegou, vocês pareciam ter se dado bem.

–Ah, o Lyon — lembrei, escondendo a carta da okaa-san sorrateiramente em minha mochila — Ele é bem ... exótico.

–Exótico ? — repetiu ela, rindo em seguida — Como um garoto poderia ser exótico ?

–Bem , ele ... — entortei a boca, pensativa — É inteligente, mas muito preguiçoso. Reclamou no mínimo cinquenta vezes antes que eu jogasse o avental na cara dele pra ele vestir ... e além disso, ele detesta trabalhar. Fiquei até com raiva no inicio ... mas depois ele simplesmente fez as coisas, ... mas fico imaginando o porque dele estar passando por isso. Se detesta tanto ... não era melhor não trabalhar ?

–Nem todos tem essa opção , Juvia — garantiu ela, repreendendo-me — Imagine para alguém cujo orgulho é grande vestir um avental de docinhos e uma bandana vermelha de morangos. Deve ser como engolir farofa com a garganta seca.

Que expressão ... assustadora. Nem consigo me imaginar tentando fazer isso.

–Mas sabe ... — sorri de canto — Quando expliquei as coisas, ele entendeu perfeitamente. Por isso que disse que o achei inteligente. E ele é mesmo. Fico imaginando se não é até mesmo da turma especial. Eu demorei no mínimo dois dias pra entender pelo menos o básico, e ele foi bem além disso.

–Mai disse que é um garoto bom, apesar de não dar essa impressão — comentou ela, parando em frente a estação de trem — Podia ser simpática. Ao menos para tê-lo de amigo.

–É, eu sei — peguei a bolsa, colocando-a no ombro enquanto abria a porta — Ele seria um bom amigo ... apesar de agir meio estranho ás vezes quando nos falamos ...

–Agir estranho ? — repetiu ela, visivelmente interessada — Que tipo de ações estranhas ele fez ?!

–Nada não — ri, fazendo mistério enquanto fechava a porta — É coisa minha.

–Juvia ! — ela me chamou, mas adiantei o passo em seguida, sumindo em meio a multidão de pessoas da estação.

oO0

A aula estava simplesmente um saco.

Enquanto Mavis sensei, uma mulher loira com belos olhos claros, explicava algo não tão interessante sobre a Segunda Guerra Mundial, focalizei os olhos no meu adorado Fullbuster, imaginando como seria o treino de mais tarde.

Só lembrar que teria de enfrentá-lo sentia minhas pernas bambearem. Gray sabia ser bem mais que assustador quando queria.

E ele sempre queria.

–O que acha disso, Senhorita Lockser ?

Quase cai dura no chão da sala.

Por que eu, entre tantos desinteressados, tinha que ser chamada a atenção ?!

–Sim ? — sorri amarelo. Ela revirou os olhos, murmurando algum xingamento baixo.

–Sabe o que eu penso sobre alunos que não se dão nem ao trabalho de ouvir os professores ? — perguntou ela, encarando cada aluno, fileira por fileira de carteiras — São todos muito mimados e egoístas. Alguns não conseguem desviar a atenção de si mesmos nem mesmo por um instante, não é, Senhor Dreyar ?

Laxus olhou-a com irritação.

–Enquanto outros, a explicação nem se quer se torna razoável — tornou a me encarar — Nem ao menos interagem com os outros alunos, e ainda por cima ignoram os professores. Fico pensando se não é alguma doença mental, afinal, não me parece haver outra explicação razoável.

Quase toda a sala riu, fazendo até mesmo minha alma corar.

–Bem, se certos seres sobrenaturais, dispuserem-se a prestar atenção por mais meia hora, posso esclarecer a resposta da pergunta que fiz a atenta Senhorita Lockser — sorriu de forma debochada em minha direção — E então, pode me dar um minuto de atenção ?

–O tempo que quiser — murmurei com ironia, ouvindo uma risada próxima a mim. Meu olhar encontrou-se com o de um certo rosado, que sorriu de forma simpática.

Por que ela não chamou a atenção dele, que estava fazendo Origami ?!

E aquele cisne estava mais parecido com um barco.

Suspirei cansada, deitando a cabeça na mesa enquanto a explicação retornava ao ritmo tedioso natural. O olhar vagava pela sala, até chegar ao local de sempre, a duas cadeiras de mim.

Gray Fullbuster folheava o próprio caderno com interesse, como se procurasse algo de importante em meio a confusão de folhas.

Acompanhei cada movimento de suas mãos, anotando a nota mental de que sua cara de concentração era simplesmente cômica. Olhos cerrados, e a boca retorcia-se numa careta divertida. Parecia forçar a mente ao máximo.

Fitei os ombros que agora pareciam menos largos que normalmente, descendo até o ante-braço definido de modo razoável graças a árdua pratica do esporte.

Era uma linda visão, mesmo tendo o corpo de Levy McGarden tapando metade da minha visão periférica.

De repente, tive aquela estranha sensação de estar sendo observada.

E ao subir os olhos lentamente, encontrei o par de olhos negros a me encarar de forma impaciente.

Pela primeira vez, sustentamos o momento por cerca de vinte segundos. Que devido a emoção de estar sendo retribuída — visualmente — pareceram durar uma eternidade. Gray não desviou, e não ousei fazer o mesmo.

Subitamente, ele desviou o olhar, folheando o caderno com rapidez e pegando uma de suas canetas em cima da carteira, enquanto rabiscava algo.

Franzi o cenho ao vê-lo erguer o caderno em minha direção, escondendo-o da vista de Mavis sensei.

Olhei em volta, e mais ninguém parecia prestar atenção no que acontecia. Ou seja ... a mensagem definitivamente era pra mim.

Ergui os olhos, e ele me encarava com irritação.

"Por que está me encarando ?! "

Kami-sama. Senti minhas bochechas arderem em chamas.

Rapidamente, revirei meu próprio caderno em busca de uma folha branca, onde escrevi a resposta.

"Não estava te encarando o.ó "

Ele riu seco, revirando os olhos e virando a página.

"Não, não. Só estava petrificada na minha direção, né ? ¬¬ "

Bufei, erguendo uma sobrancelha. Apaguei a mensagem antiga, escrevendo outra logo em seguida.

"Por que eu perderia meu tempo te encarando ? ¬¬

P.S : Já ouviu falar em borracha ?! "

Gray sorriu de canto, de modo divertido. Virando outra página propositalmente forte, fazendo um barulho alto ecoar pela sala.

"Por acaso você é do Greenpeace ?! :P "

Ri baixo, sendo fuzilada pelos olhos de Mavis. Felizmente, ela pareceu ignorar, voltando a explicação irritante sobre qualquer coisa antiga.

"E se eu for, algum problema, Capitão ? U.U "

Sorrimos levemente um pro outro, e ele bagunçou os cabelos, espiando Mavis rapidamente e virando outra folha com força, fazendo-me rir de novo.

"O que está achando da aula ? Nota 10 na escala de tédio ? "

Senti meu coração quase saltar pra fora da boca. Aquilo era uma novidade. Gray quase nunca ... puxava assunto. Tudo bem que agora nos falávamos melhor, graças ao dia da inscrição e tudo o mais. Mas conversar era novidade. E até entendo que seremos da mesma Equipe, então ele provavelmente só está sendo simpático.

Além do mais, Lucy está matando esse tempo de aula enquanto ajuda Erza no Conselho.

Que, a propósito, é a única vantagem de se fazer parte do Conselho. Perder algumas aulas com desculpas idiotas como cômites de festivais e etc.

Sorri, assentindo pra ele enquanto apagava minha antiga resposta.

"Acho que está mais pra nota 11. Mavis sabe ser chata quando quer "

"E até quando não quer " argumentou, desenhando embaixo um boneco de palitos com um cabeção e um monóculo.

"É ela ?" perguntei, rindo em seguida. Ele sorriu de canto.

"Daqui a alguns meses ... "

Nós dois rimos, e quase saltamos da cadeira quando ela deu um tapa em cima da minha mesa.

–Deixe-me ver isso daqui — arrancou as folhas da minha mão, olhando em seguida para Gray — Me dê o seu caderno Fullbuster, se não se importa de dividirmos com a turma o seu aparente interesse na aula.

Nós dois gelamos.

–Os dois, fora, na sala do Makarov — ditou firme. Meus olhos se arregalaram.

–Mas ... Mavis-sense' ! — ela me fuzilou com o olhar, e só o que pude fazer foi levantar e caminhar pra fora, sendo seguida por um certo moreno.

–Mas que droga — ele fechou a porta atrás de nós, bufando irritado em seguida — Só falta Makarov tirar meu treino de hoje, pra completar a desgraça !

O Fullbuster parecia realmente irritado, e engoli em seco diante do sentimento de culpa.

–Me ... desculpe — murmurei, olhando-o de relance. Agora caminhava ao meu lado, mas nem se deu ao trabalho de me olhar.

–Pelo quê ? — perguntou, revirando os olhos — Sou tão culpado quanto você. E pra ser sincero, prefiro estar aqui fora que lá dentro.

Estou começando a achar que ele é muito estranho. Diz algo simpático, que soa como uma facada. É quase como a versão masculina e adolescente da vovó. Seco e frio, porém não menos encantador.

Ri fraco, confirmando com a cabeça.

–É definitivamente mais interessante — garanti, fazendo um bico em seguida — Apesar de ser minha ... primeira vez na sala do Diretor.

–Sério ? — ele riu bem discretamente, olhando-me nos olhos finalmente — É tão certinha assim ?

–O que te fez pensar que eu não fosse ? — perguntei em resposta. Nossos olhos encontraram-se verdadeiramente, e ele deu de ombros.

–Sabe, você anda com Jellal Fernandes — explicou-se, fazendo-me rir — É quase impossível ... bem, todo mundo sabe da má fama dele.

A última fase fizera meu sorriso desfazer-se.

–Boatos não dizem nada sobre alguém — garanti, com um leve tom irritado. Se tinha algo que me irritava, era ouvir comentários alheios sobre Jellal. Ele realmente não era bem falado, mas isso não era da conta de ninguém — E eu sei bem como é ser julgada com base nas informações dos outros...

Ele engoliu em seco, parecendo desconfortável em relação ao meu comentário.

–Desculpe — sussurrei, corando levemente — Fui meio ranzinza ainda agora. Só quis dizer que ele não tem nada a ver com ... o que os outros dizem.

Gray assentiu, fitando os próprios pés enquanto andava.

–É só que ... — engoliu em seco, coçando a nuca — você é bem direta, sabe ? Também não tem nada a ver com o que os outros dizem.

Apesar do tom frio e cordial cotidiano usado na frase, senti-me um pouco menos retraída. Era realmente um elogio.

Sorri de canto, assentindo.

–Gray Fullbuster ? — a voz grossa o chamou, vinda de dentro da sala.

Gray suspirou cansado, entrando na sala e deixando-me do lado de fora, esperançosa.

Cada vez mais próxima.

Agora pelo menos nos falamos direito.

o0O

–Começaremos com algo simples, O.K ? — o moreno revirou os olhos para a preguiça de sua Equipe, que permanecia sentada aos bancos — Raia 5 , revezamento de borboleta para as garotas ! Raia 6, revezamento de costas para os garotos !

Todos bufaram, direcionando-se as suas respectivas áreas na piscina de 200 metros de extensão. Kana e Lucy eram as primeiras da fileira feminina, e entrei logo atrás de Bisca, na última posição, quando ouvi um berro bem alto e assustador ecoar pela piscina :

–Lockser, você na Raia 1 !

Senti minhas pernas tremerem enquanto caminhava na direção dele, que permanecia de pé, com os braços cruzados, ao lado da plataforma de salto da primeira raia.

–Seu nado é um total desastre a Natação — explicou ele, apontando com o queixo na direção da plataforma — E como vou deixar o verdadeiro treino pesado para segunda feira, hoje começaremos com algo mais simples. Respirar, certo ? Você não fez isso no teste, e é muito importante que faça daqui pra frente.

–Ahn ... — emiti qualquer som, só pra ele saber que não estava em standby.

Gray ergueu uma sobrancelha, voltando a falar enquanto apontava na direção de Lucy, que estava na primeira volta.

–Está vendo aquilo ? — perguntou, com impaciência — É uma sequência. Duas braçadas, e respiração. Duas braçadas, respiração. É simples, qualquer idiota sabe fazer. Alguns fazem com três, mas isso é algo que se aperfeiçoa com o tempo. Não interessa muito essa parte...

–Não me diga — murmurei, revirando os olhos em seguida.

–O que foi que você disse ? — perguntou ele, cerrando o olhar irritado — Quatro voltas correndo em volta da piscina, Lockser ! Sem paradas , e muito menos piadinhas !

–Oi ? — fiz uma careta — Mas o quê -

–ANDA !

Arregalei os olhos, passando a correr enquanto toda a Equipe ria da situação.

–Dá um desconto pra ela, Gray ! — Kana gargalhava, revirando os olhos — Não precisa ser tão cruel ... a novata vai levar um tempo a se acostumar !

–Então ela corre enquanto se acostuma — comentou, gritando em seguida — Corre direito, Lockser ! Ou mais uma volta na sua conta !

–Já vai ! — bufei, acelerando o ritmo. Maldito esporte. E maldito maiô. Devia ter comprado uma roupa de mergulho.

Depois de completar as voltas, eu estava semi-morta. E Gray apenas apontou na direção da raia, ordenando que eu retornasse. E assim fiz, apoiando as mãos nas coxas e curvando o corpo para frente, tentando recuperar o fôlego.

–Isso ... me ... ajuda ... em ... quê ?!

Ele sorriu de modo debochado.

–A não fazer comentários fora de hora — respondeu, cruzando os braços novamente — Mergulhe e faça duas voltas seguidas, sem descanso. Se respirar a cada duas braçadas, vai conseguir. Se não, não vai.

Assenti, revirando os olhos enquanto subia na plataforma, mergulhando em seguida, a tempo de ouvir um "Mas que mergulho foi esse ?! " vindo do adorável Capitão.

Isso porque eu sou loucamente apaixonada por ele, mas tenho que concordar com Jellal.

Gray Fullbuster como Capitão é o Demônio 2.

Oo0

Ao chegar do treino, na padaria, senti como se estivesse morta. Minhas pernas e braços doíam, além do ouvido. Quase podia ouvir a palavra "Lockser" se repetindo de modo incansável, infernizando minha alma.

Lockser, nade direito. Lockser, respire direito. Lockser, fale direito !

Agora, se a Lucy viesse falar qualquer coisa era "Lucy hahaha", "Lucy hehehe". Patético ao extremo.

Olhei ao redor, e notando que Lyon não estava no local, assim como Yui-senpai, sentei-me próxima aos armários, dentro da cozinha, revirando a mochila até encontrar a carta de mais cedo.

Respirei fundo, abrindo-a lentamente enquanto verificava seu conteúdo.

"Cara Juvia Lockser:

Aqui é o psicanalista que está analisando de perto o caso de sua mãe, Aquarius Lockser, durante sua estadia no Centro de Reabilitação, o Dr. James Sunday. Decidi que seria mais propenso escrever uma carta endereçada a você, já que de acordo com a ficha, é a que vem com mais frequência visitar a paciente.

Aquarius teve uma infeliz queda no tratamento, e agora sofre de perda de memória recente, que pode ser ou não algo simplesmente passageiro. É com pesar que peço para que os parentes mantenham distância durante alguns meses, cerca de um único, ou no máximo dois, para melhor análise da paciente.

No entanto, o quadro no geral permanece o mesmo. Perguntou-me durante o telefone se havia melhora na fala, e agora posso afirmar com certeza de que a resposta é negativa.

Sua mãe permanece na mesma situação, e em breve telefonarei diretamente para a sua avó, para confirmar as informações a ela.

Atenciosamente,

Dr. James. "

Senti meus olhos encherem-se de lágrimas aos poucos. Nunca, em minha vida, tive uma conversa duradoura e sincera com minha mãe. Ela nunca me disse nada sobre seu passado, nem sobre meu pai — que fosse concreto, como um nome-, e muito menos sobre minha infância ou nascimento.

Nem se quer gostava de tocar nesses assuntos.

Mas se tinha algo do que ela se orgulhava, esse algo era sua época de nadadora profissional. Chegou a ganhar primeiro lugar no Campeonato Nacional aos dezessete anos.

Até que, pelo que entendi, conheceu meu pai.

Que deu a ela nada menos que a minha existência.

E para Aquarius, eu não fui a melhor das experiências. Acabei com a sua carreira, e ela com minha infância. Ou pelo menos era assim que eu via as coisas. Até perdê-la de vez.

Solucei alto, tapando os olhos com o braço, tentando parecer menos imbecil. Nada nunca era fácil em minha vida. E por mais que eu tivesse os piores momentos ao lado dela, a saudade era incontrolável.

–Juvia , será que dá pra me ajudar com aquelas drogas de caixas antes que -

Não tive coragem de levantar os olhos, nem de descobrir o rosto. Apenas permaneci sentada, encolhida contra as portas de ferro dos armários, enquanto sentia a pessoa se aproximar.

–Você está bem ... ?

Era Lyon.

–Eu ... tô sim — garanti, secando as lágrimas com a mão enquanto sorria fraco para confortá-lo — Só ... cansada.

Seus olhos negros focalizaram-se nos meus, demonstrando incredulidade.

Mas eu não esperava que ele acreditasse em mim realmente. Apenas que não tocasse no assunto.

Seus olhos passaram de relance pela carta, a tempo de ver — provavelmente — as palavras "Dr." e "mãe".

Ele sentou-se ao meu lado, retirando o avental de doces de si, enquanto fitava a parede oposta, parecendo um tanto relaxado.

–Sabe, já deve ter notado que isso aqui não é bem a minha praia — disse ele, coçando a nuca um tanto sem jeito — Só estou trabalhando aqui, e nos outros dias servindo de garçom num café, porque preciso mesmo de dinheiro... e não é como se eu fosse usar pra comprar algo, entende ?

Franzi o cenho, negando com a cabeça. Ele riu seco, relaxando os ombros.

–Eu estou juntando dinheiro pra tirar meu pai da cadeia — murmurou, de modo unicamente amargo. Senti meu coração apertar-se diante da confissão — E por isso estou dando o melhor de mim. Eu sei que ele não vale nada ... mas meus irmãos não estão nem ai. Deliora é um idiota, mas ainda assim é meu pai.

O modo como ele considerara a informação me deixara admirada. Pela primeira vez, me senti realmente pequena diante da determinação dele. Lyon Vastia era o tipo do garoto cujos objetivos estavam em primeiro lugar. E , de certa forma, aquilo era realmente incrível.

Instintivamente, deitei a cabeça no ombro dele, e o corpo do grisalho simplesmente ficou tenso. Pensei que fosse repulsão, mas logo depois vi um sorriso formar-se no canto de sua boca.

–Minha mãe está internada num Centro de Reabilitação — contei a ele, finalmente tocando no assunto com alguém — E me sinto até envergonhada de falar dela para os outros. Sei que isso é horrível ... mas não tenho se quer uma boa lembrança dela. Mas é como você disse. Ainda assim é minha mãe...

–É, também não falo do meu pai pros outros — concordou, soltando uma risada sem humor pelo nariz — E ele era um babaca com a minha mãe e tudo o mais.

–Eu sinto muito — mordi o lábio inferior, afastando a cabeça do ombro dele aos poucos, e olhando-o nos olhos — Mas o que você está fazendo é admirável, Lyon. Não sei bem se acho isso ... certo, mas só o fato de estar trabalhando duro por alguém que se importa.... já é lindo.

Ele ruborizou, desviando o olhar constrangido.

–Valeu — sussurrou, levantando-se em seguida e estendendo a mão pra mim — Agora, me ajude com aquelas porcarias de caixas, porque não estou entendendo mais nada. Quase cai com aquela maldita bicicleta de entregas no rio, e não tô afim de bancar o prejuízo.

Ri , revirando os olhos enquanto aceitava sua mão.

–Anda, vou te ensinar direito.

Notas finais
E então, o que acharam desse ? Notas de 0 a 10 HAUSHAUSH'