Neon Lights
6 Capítulo 6 - Inscrição e ... Antonio Banderas ?!
Notas iniciais
Minha avó sempre disse que um dos traços marcantes de minha mãe, eram suas obsessões. Fossem por limpeza, organização, ou até mesmo, água.
Principalmente água.
Era tão obcecada pela mesma, que me obrigava a nadar todos os dias, durante no mínimo duas horas, no lago próximo a nossa casa. Ás vezes, me obrigada a passar cerca de quarenta segundos submersa, forçando minha cabeça . A cada novo tempo marcado, deveria superá-lo no mergulho seguinte.
Foi assim que atingi minha máxima de 3 minutos inteiros.
Mas nem tudo era superação em minha antiga casa. Certa noite, a chuva caia como nunca antes. Nunca antes mesmo. O telhado mal aguentava as rajadas de água, que caiam como se o céu estivesse desabando.
Tentei fechar as janelas e portas, mas as chaves estavam com a mamãe, e o vento estava forte demais.
Decidi que deveria ir atrás dela, que ainda não havia voltado. E assim fiz, pegando um guarda-chuva velho e colocando a capa de chuva. Corri pela trilha com dificuldade, devido a lama e ao riacho que havia se formado. Até que a encontrei. Estava sentada na borda do poço de onde tirávamos a água, com os pés pra dentro do mesmo.
Cantarolava uma frase ritmada, a única que falou desde o incidente.
"Gota, Gota, Gota".
–Juvia ? — vovó tocou meu ombro, fazendo-me saltar da cadeira — Está tudo bem ? Nem tocou nas panquecas ... Mai fez questão de me ensinar a fazer, pois disse que você gostava muito delas.
–Eu gosto — garanti, ainda um pouco distraída — Só estou um pouco sem fome.
–Você ... sem fome ? — repetiu, achando graça — Tenho certeza que significa algo. O que está acontecendo ?
Engoli em seco, suspirando cansada. Por que tudo tinha que ser tão difícil ?!
–Eu ... — bebi um gole do café, olhando-a nos olhos — Quero me inscrever pro Clube de Natação, mas pra isso, vou ter que falar com o Capitão dele ... que é o garoto que eu gosto.
–Hm ... — sorriu de modo insinuante — Então suponho que seja bom, não é ? Vai matar dois coelhos com uma cajadada só.
–Se eu conseguir dar a cajadada — rebati, revirando os olhos — Ele vai estar rodeado de garotas, e quando não estiver com elas, vai estar com os amigos escandalosos...
–Então terá que enfrentar uma coisa, ou outra — afirmou, com a convicção habitual que costumo invejar — Sabemos que você não é covarde, Juvia. É apenas enrolada. Seja direta! Você sabe ser assim, então seja.
–Só que ... -
–Só que nada, criança ! — riu de mim, bufando em seguida — Deixe de ser chata ! Só alcançamos as coisas com determinação. E você tem isso. Só falta o primeiro passo. Pense que entrar pra Natação, será como uma amostra grátis de você. É parte do que você é. E quer que ele te conheça, não quer ?
–Aham.
–Então creio que tenha seu incentivo.
Sorri, assentindo, enquanto me levantava.
–Arigatou, obaasan.
–Não há de quê.
Fui até o banheiro, escovando os dentes e ajeitando o cabelo uma última vez.
Hoje era o dia.
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–Gray-kun !
–Gray-san !
–Fullbuster-kun!
–Fullbuster-san!
–Capitão !
A onda de gritos femininos, era , no mínimo, insuportável. Enquanto retirava os sapatos, e trocava-o pelos adequados, em frente aos armários, as meninas envolviam meu Gray-sama com uma agilidade incrível.
Os papéis de inscrição eram praticamente colocados na goela dele.
–Nossa — comentou, rindo sem graça em seguida — Não achei que ... tivesse tanta gente interessada.
Senti meu sangue ferver. Esse não era o tom normal frio e seco de Gray Fullbuster. Ele , definitivamente, estava se deixando levar pelos hormônios.
–Irritante — resmunguei, os olhos cerrados — Duvido que nadem direito !
–Eu também duvido — concordou uma voz familiar, ao meu lado. Virei o rosto, observando Levy McGarden carregando alguns livros, enquanto os outros permaneciam nas mãos de Gajeel Redfox.
Engraçado, não pensei que ele fizesse o estilo "Gentleman".
–Ohayo — os cumprimentei, sorrindo de lado. Levy retribuiu o gesto.
–Ohayo — respondeu Levy — E então, Juvia-san, já se inscreveu ?
Arregalei os olhos, negando com a cabeça em seguida.
–N-Não — garanti, corando um pouco — Por que eu faria isso ?!
–A guria-san foi bem rápida salvando o idiota ali naquela Competição da Phantom — explicou Gajeel, dando de ombros — E me lembro de quando estudávamos juntos na Phantom, no meio do Fundamental. Você saiu na metade, mas quando estava lá, fazia parte da Equipe.
–Vocês estudaram juntos ? — Levy riu, revirando os olhos — Imagino o Gajeel naquela época.
–Era menos convencido — afirmei, fazendo-o engasgar um "Nani?!".
–N-Não era pra ser tão sincera ! — rebateu, constrangido pelas risadas da azulada.
–Já suspeitava disso — comentou ela , ainda entre risos — Mas enfim, acho mesmo que devia se inscrever. Já pegou uma ficha ?
–Pra ser sincera, já até preenchi — contei a eles, me sentindo mais confiante. Pareciam realmente ... legais — Mas nem sei como entregar nesse mar de garotas.
–Ah, é verdade — ela concordou, olhando por cima do óculos para a cena — decadente — protagonizada pela multidão feminina e o amor da minha vida — Mas acho que daqui a pouco elas dão um tempo.
–Além disso, Gray corta elas rapidinho — disse Gajeel, olhando de relance para o amigo — Geralmente o Gelo Seco ai não tem muita paciência com mulheres. Nem com nada além de discussões com Natsu e Erza. Em menos de dois tempos, ele dá um fora em alguém, e elas desistem de vez.
Engraçado, Gelo Seco era meu apelido secreto pro Jelly. Só não o chamei assim primeiro, porque sei que ele odiaria menos.
E não seria tão engraçado.
–É, ele sabe cortar um clima — acrescentou Levy. Os dois assentiram, recordando-se de algo.
Me senti mais animada.
O sinal ecoou pelos corredores, e nós três bufamos ao mesmo tempo.
–Deixe os livros comigo, Gajeel — pediu Levy, sorrindo fraco para o moreno — Nos vemos no intervalo.
–Tá — deu de ombros, entregando-os a ela. Arregalei os olhos ao vê-la segurá-los com tanta facilidade. Gajeel riu ao notar minha reação — É o costume. Também me perguntava como alguém tão nanica conseguia segurar isso tudo ... -
–Pare de me chamar de baixinha ! — irritou-se, rolando os olhos impaciente.
–Eu te chamei de nanica.
–Dá no mesmo.
–Claro que não! Nanica é uma versão mais baixa de baixinha !
–E por acaso eu diminui ?!
–É você quem está dizendo.
Ela largou a pilha de livros em cima do pé dele, fazendo-me rir, e me afastar, por segurança.
Vendo que a discussão não pararia por ali, me contentei em ir em direção a sala, dizendo um educado " Ja nee", mesmo sabendo que estavam entretidos demais para me responderem.
Enquanto andava, avistei algo do qual meus olhos nunca se cansariam de observar. Uma máquina de refrigerante. Devido a fome, e a falta do café — não necessariamente nessa ordem — , remexi o bolso do casaco, em busca de uma nota que fosse.
E a achei, juntamente com o papel da inscrição, que teria de ficar pra depois.
Suspirei, e enquanto estendia a mão para comprar uma latinha, alguém realizou o mesmo movimento.
Segui os olhos desde a manga do casaco de cor semelhante ao meu, até o rosto tão familiar, que fizera minhas bochechas automaticamente esquentarem.
Gray Fullbuster coçou a nuca, um tanto sem jeito.
–Pode comprar — incentivou. Neguei com a cabeça, muda — Não ia ?
–Eu ... ia sim — admiti, rindo sem graça. Ele sorriu de lado, erguendo o queixo na direção da máquina.
–Vá na frente, estou sem pressa.
Assenti, colocando a nota no lugar enquanto ouvia alguém chamá-lo alto. Uma menina aproximou-se rapidamente, tocando-o no braço enquanto estendia sua ficha de inscrição, devidamente preenchida.
–Gray, eu vou me inscrever ! — afirmou, num tom entusiasmo demais para ser natural — Você disse que queria inscritas, e aqui estou eu ! Adoro natação ! Sempre gostei, desde pequeninha! Aquele negócio de pernas e braços .... batendo. É incrível.
–É, né — olhou-a sem demonstrar o mesmo entusiasmo — Que bom. Apareça amanhã no teste, então.
–Eu estava pensando ... pode ir de bikini ? — perguntou, agora num tom sugestivo ao extremo. Quase soquei-a bem no meio da cara.
–Não disse que gostava de natação ? — perguntei, me intrometendo na conversa — Já deve ter percebido que as nadadoras só usam maiô. "Aquele negócio de se vestir decentemente" — murmurei, imitando levemente a voz dela.
A garota entortou a boca, numa careta, em minha direção. Ouvi uma risada baixa, e olhei pelo canto dos olhos para Gray, que mantinha um sorriso de canto divertido nos lábios.
–Até amanhã então — despediu-se dela, expulsando-a indiretamente — Nos vemos no negócio de braços e pernas, né ?
–Que seja — sussurrou, esbarrando propositalmente em meu ombro enquanto andava pelo corredor com velocidade.
–Valeu — sussurrou, fazendo-me corar ainda mais. Deu as costas a mim por alguns instantes, comprando finalmente seu refrigerante — Metade das garotas que se inscreveram não devem nem saber nadar ...
Respirei fundo, olhando-o abrir a latinha e dar uma boa golada.
Era o momento oportuno pra falar.
–Gray-sama- engoli em seco, sacudindo a cabeça enquanto ele me observa com o cenho franzido — san, quis dizer ... — ri sem graça, bagunçando meus cabelos constrangida — Juvia queria ... bem, Juvia sabe que muita gente já te encheu com isso, mas ... ela — ele me olhava um tanto assustado. Bufei, sacudindo a cabeça de novo enquanto recuperava a fala — Eu ! Eu queria ... -
–Quer se inscrever também ? — deduziu, erguendo uma sobrancelha. Suspirei aliviada.
–Aham — tateei o bolso, pegando o papel dobrado e estendendo-o a ele — Juro que sei fazer mais que bater braços e pernas.
Ele riu seco, assentindo.
–Por mim tudo bem — confirmou, pegando o papel gentilmente — Lucy — engoliu em seco, visivelmente ponderando se dava continuidade ao assunto, ou não — ela me disse que ... você foi bem rápida no dia da competição no Phantom.
–É ? — cada vez mais vermelha. Ele assentiu, sem demonstrar muita emoção. Apesar de estar sendo mais gentil que o habitual.
–É — confirmou, dando de ombros — Ela tinha comentado sobre te chamarmos pra avaliação, já que poderia ser uma boa nadadora. E ...
Eu o olhava em expectativa do término da frase, e ele pareceu gelar ao encontrar meus olhos. Engoliu em seco de novo, coçando a nuca e desviando o olhar para disfarçar.
–Fico feliz que tenha se inscrito por conta própria.
Senti minhas pernas bambearem de tanto nervosismo. Eu ... deixando Gray-sama feliz ?!
–Também fico feliz de ter essa oportunidade — sorri levemente — Arigatou, Gray.
–Nos vemos na sala, Lockser — e então, deixou-me sozinha.
Abri um sorriso de orelha a orelha.
"One step closer" cantarolava em minha cabeça. "A Thousand Years" tocaria direto em meu Ipod, daqui pra frente.
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–Sabe, é mais grave do que parece — afirmou Jellal, sem me dar tanta atenção quanto eu gostaria.
–Por que é mais grave do que parece ?! — perguntei, cruzando os braços impaciente. O azulado permanecia sentado na grossa raiz da cerejeira, na qual passávamos grande parte dos almoços conversando, enquanto lia "Como dominar psicologicamente a humanidade".
–Por que, caso não tenha notado, já faz quatro dias que você salvou Gray Fullbuster — argumentou, no tom monótono habitual — Se eu, por acaso, resolvesse seguir sua "sugestão", e comentar seus pontos fortes, que todo o Colégio conhece como nível de loucura extrema, ele talvez nem se recordasse do seu nome.
–Ele sabe meu nome — garanti, fazendo um biquinho contrariado — Ele me chama de — imitei o tom sexy e rouco — "Lockserrr".
–Ele ou o Antonio Banderas ? — revirou os olhos — Dá um tempo, Juvia. Sejamos sinceros, independentemente do tipo de mico que você tenha pagado, fofocas desse nível duram apenas dois dias. E falando nisso, já se inscreveu pro Clube ?
–Sim, e ele foi um doce ! — expliquei, suspirando cansada em seguida — O dia todo foi uma loucura. As garotas foram em cima dele direto! Nem acreditei que tive uma oportunidade tão ... perfeita. Ele até disse que ficou feliz com a minha inscrição... mesmo que não estivesse sorrindo — acrescentei , rindo em seguida — Ele é um fofo com aquela careta rotineira.
–É a cara normal dele — comentou Jellal , revirando os olhos — E você ainda tem coragem de chamar de fofo. Mas sabe, pra Lucy ele até mostra os dentes sorrindo, vez ou outra.
–Obrigada pelo incentivo ! — sentei ao lado dele, derrotada — Só me resta chorar... não consigo chegar perto dele nunca, ainda mais na sala ! Ele é rodeado daquele grupo e por aquela maldita loira , e só surge uma oportunidade de cem em cem anos -
–Vamos fazer o seguinte — interrompeu-me de pressa — Pode ir lá agora, sentar na mesa dele, e perguntar algo sobre a avaliação. Só pro assunto não morrer de vez.
–Como vou fazer isso ?!
–A sua resposta, infelizmente, está vindo até aqui.
–Hey, Jellal — era Natsu, se aproximando com Lisanna, que sorria em minha direção. Retribui o gesto — Está lendo ?
–Não, eu tô varrendo a calçada, não tá vendo não ?! — fechou o livro com força, bufando alto — A que se deve sua nobre visita, Dragneel ? Veio compartilhar sua sabedoria universal nula ?
–Nulo — repetiu — Alguém disse isso hoje na aula ...
–Deve ter sido o cara que entregou o boletim dele — comentou o azulado. Lisanna inflou as bochechas, contendo uma risada. Nos entreolhamos, e ela sibilou :
"Se conhecendo ?"
Franzi o cenho. Como assim, se conhecendo ?
Ela gesticulou discretamente para o Fernandes, que estava entretido demais com a guerrinha de foras para notar nossa "conversa".
Corei, negando com a cabeça rapidamente.
–Amigos — sussurrei de volta. Ela assentiu, sorrindo sincera.
–Que bom — comentou próxima ao meu ouvido — Ou teria a pior rival amorosa de todos os tempos.
–Sabe, Jellal — o rosado revirou os olhos — Apesar de não ter entendido metade do que você disse agora, vim aqui porque vai rolar um Prision Game da galera no sábado de tarde. Como você ia com agente antes, e é bom jogar com muita gente, decidimos te convidar de novo, sabe. Mesmo que eu tenha avisado que você não vai nem que implorem de joelhos ... -
–Que bom que sabe dis-
–O que é Prision Game ? — perguntei, fazendo Jellal bater na própria testa.
–Agora já era, vamos ouvir o único discurso que ele já guardou na -
–Prision Game ? — repetiu Natsu. Um sorriso maroto formou-se em seus lábios. O entusiasmo e determinação em seus olhos eram tão grandes que me fizeram realmente acreditar naquela palavra. Fosse o que fosse. E mesmo que fossem um total de duas — Prision Game, é simplesmente um tipo de missão considerada Rank S no nivelamento de dificuldade. Quando se entra no Prision Game, não há mais saída. Primeiro dividimos nossos ideias em dois grupos, e quando os mesmos estão formados, República realiza a contagem regressiva. É a República, versos os Infratores. E enquanto a República conta, seus agentes preparam-se com suas vidas, prontos para arriscar tudo. Enquanto seus soldados do front de batalha contam, os de trás dão as instruções. Cada republicano recebe uma estratégia, e assim é feito o Plano de Ataque. Mas durante os vinte segundos de pura emoção e sintonia de grupo, os Infratores tem direito a réplica. Eles planejam o Plano de Defesa, onde um infrator pode escolher defender o outro, distrair os republicanos, ou até mesmo ... suicidar-se pela causa.
–E como ele faz isso ? — perguntei. Se me entusiasmasse mais, juro que um filete de baba escorreria ali mesmo do canto de minha boca. Natsu era incrível. E Prision Game também.
O rosado aproximou-se perigosamente de minha orelha direita, apoiando as mãos em meus ombros. Senti um calafrio percorrer através da espinha, e então, ele disse :
–Invadindo Prision.
–Oh — engoli em seco, sorrindo de orelha a orelha — Prision ... -
–É onde estão os infratores capturados pelos republicanos — contou-me. Nossos olhares se encontraram numa faísca de interesses. Quase me senti ...
IRMÃ DE ALMA PRISION GAME DELE !
–E um suicida-infrator, é aquele que invade a Prision, quando não há ninguém perto, e tenta salvar seus iguais — afirmou, cerrando os punhos — Um vilão com princípios. Um herói demoníaco.
–Mas ... e se ele for pego ?! — mordi o lábio inferior, apreensiva.
–Então se juntará a eles. Na eternidade.
Engoli em seco, chocada. Morte.
–Prision Game é -
–Polícia e Ladrão — cortou Jellal, acabando em cerca de uma fração de segundo com toda a magia do discurso de Natsu — Caso não tenha notado, Juvia.
–Jellal ! — o rosado trincou os dentes — Você não é digno de ser um infrator, e muito menos um republicano !
–Ótimo — sorriu cínico — Assim não preciso fingir que acho esse jogo menos patético do que ele é.
–Eu quero jogar ! — afirmei, sem pensar realmente. Tapei a boca em seguida, constrangida. O.k, nada mais mal educado do que se oferecer assim ... para a atividade dos outros.
Natsu olhou-me, sorrindo verdadeiramente em seguida.
–Lisanna — chamou-a, envolvendo seus ombros com o braço por alguns instantes — Vamos levá-la até a sala do Congresso de Gamers, e agente decide se ela entra ou não. A Juíza que vai decidir.
–Sala do ... — Lisanna franziu o cenho — Mas que droga é essa, Natsu ?!
Ele sorriu diabólico.
–Nosso Supremo Tribunal Particular — afirmou, num tom altamente sério. Senti meu corpo se arrepiar, amedrontado -A mesa onde agente come — sussurrou a ela, fazendo-a rir — Bem, Jellal e amiga dele, vamos logo.
–Vamos aonde ? — perguntou Jellal.
–Decidiremos se merecem ou não jogar.
–Eu já não disse que não queria ?!
–Jellal ! — o repreendi, bufando em seguida — Por favoooor.
–Não.
–Por favor.
–Não.
–Então eu vou sozinha ! — decidi, com determinação. Natsu sorriu.
–Deixa ele ai ... — coçou a nuca, sem recordar — ainda — meu maldito nome.
–Juvia — lembrou Lisanna — Quanto tempo vai demorar a decorar ?!
–Juvia, — repetiu, assentindo em seguida, enquanto me puxava pelo pulso — Vamos lá avisar o pessoal que você quer entrar !
–P-Peraí ! — olhei pra trás, em busca da ajuda de um certo azulado. Ele apenas me fuzilou com o olhar, dando de ombros e voltando a ler.
Maldito Jellal.
Agora, eu teria de enfrentar todos eles, sozinha.
–Natsu, vai mais devagar ! — pediu Lisanna, falando por nós duas. Natsu praticamente voava pelo gramado, e quando notei, já estávamos a poucos metros da mesa da qual nunca , se quer, cheguei perto.
Automaticamente, algo no meu pé fraquejou, e sem o apoio do braço que Natsu segurava, fui diretamente ao chão.
De cara na grama.
–Oe, Natsu ! — era Erza — O que é isso ?!
–Ela ... caiu ?! — o rosado arregalou os olhos, me puxando pela cintura como se eu fosse um saco de batatas — Juvia, Juvia !
Me sacudia no ar, até que Lisanna deu-lhe um cascudo no topo da cabeça, fazendo-o se acalmar, e me colocar no chão de volta.
Jurava que três Grays-samas estavam sentados a mesa, me olhando em choque.
–Você está bem ? — perguntou Lucy, levantando-se. Assenti rapidamente, ajeitando o uniforme e retirando alguns matinhos do cabelo.
–Ainda tem um no nariz — afirmou Lisanna, rindo enquanto o tirava de mim — Anda, Natsu. Fale logo antes que ela morra de vergonha ...
–Ah , é ! — sorriu animado — A Juvia, da nossa sala, quer entrar pro Prision Game. Vou abrir uma votação pra decidirmos se ela entra, ou não, O.K. ?
–E quanto ao imbecil do Jellal ? — perguntou Gajeel. Natsu deu de ombros.
–Acho que ele não quer jogar.
–Eu não disse isso — murmurou o azulado, surgindo atrás de mim assustadoramente. Murmurou um "Que aparição foi essa ?!" irritado, fazendo-me corar ainda mais.
Ele não precisava ficar me lembrando todas as vezes que eu fizesse algo desse tipo.
–Por que acha que vai jogar ? — perguntou Erza, com os olhos negros fixos nos dele. Ambos se encararam, e um silêncio desconfortável se instalou no lugar.
–B-Bem ... — Lucy engoliu em seco, prosseguindo — Que tal resolvermos a questão da Juvia primeiro ?
–Boa ideia, Lu-chan — Levy concordou — Eu voto que ela pode entrar sim !
–Sim — afirmou Lucy, sorrindo levemente em minha direção. Quase consegui correspondê-la, mas meu máximo era uma erguida de sobrancelha, em desconfiança.
Ela engoliu em seco, assustada. Pobre rival amorosa de tinta no cabelo.
–Erza ? — Natsu perguntou. A ruiva e o azulado ainda se encaravam, mas ela respondeu :
–Sim.
–Gajeel ?
–Não — deu de ombros, fazendo-me tremer — Brincadeirinha, voto sim.
–Palhaço — resmungou Levy. O moreno sorriu presunçoso.
–Tá, eu voto sim ... Lisanna também ... então só falta Gray — o rosado olhou-o. O Fullbuster permanecia com os braços cruzados, e uma postura desleixada. Os olhos fechados em repouso, mas visivelmente acordado.
–Gray ? — chamei-o, um tanto hesitante.
Ele ergueu apenas uma pálpebra, olhando-me de relance.
–Pode ser, Lockser — suspirou, sem dar a mínima importância. Ah , qual é ?! Cadê a gentileza de hoje cedo ?!
Talvez tenha sido pela cena do segundo tempo...
Lucy e Loke se beijaram, tipo, no meio do intervalo entre os tempos. Não fora algo muito planejado, e sim um beijo roubado. Loke sabia ser um saco quando queria. E ele sempre queria ser um saco com Lucy, a garota que tinha ficado a cerca de uma semana.
E só haviam ficado, porque a loira havia bebido demais na festa de aniversário da Kana, depois de descobrir que Natsu havia comprado um anel de compromisso e dado-o a Lisanna.
Gray ficara simplesmente desolado durante o restante da aula. E não era de se esperar menos, já que a paixão dele por ela vinha aumentando drasticamente de uns tempos pra cá. Por mais que cortasse meu coração, era visível através dos olhos negros dele. Tão escuros, porém tão transparentes.
Apesar da frieza, quase me senti feliz. Afinal, era um "sim", não era ?! Já era mais que suficiente para -
–Cadê o Antonio Banderas ? — perguntou Jellal, assoviando enquanto fingia procurar,olhando em volta. Quase soquei a cara dele até fazê-lo sangrar, graças ao comentário.
–Quem ? — Natsu franziu o cenho — É do segundo ano ?
–Eu acho que é aquele ator — comentou Lisanna, rindo em seguida — Natsu, você é muito sem noção.
–Oe, Lisanna — fez uma careta — Não comece a falar igual ao Gray e ao Jellal !
–Natsu, Igneel ligou pro meu celular — Gray chamou sua atenção, no tom rude de sempre — Como você ainda não aprendeu a atender o seu, ele pediu pra ligar pra ele logo. Ou nada de usar o campo particular lá pra jogar.
–Por que não disse logo ? — puxou meu Gray-sama belo braço com uma força inimaginável. E devido ao ato grosseiro, o moreno caiu do banco de costas na grama, rolando com o rosado entre chutes e socos.
–Agora vai demorar uma semana pra separar — comentou Lisanna. Jellal assentiu.
Sorri, e enquanto observava o grupo, notei do que os dois haviam reclamado sobre o grupo. Lucy e Levy riam da cena, enquanto discutiam com Gajeel. Erza separava Gray e Natsu. Todos altamente entretidos consigo mesmos.
Se bem que, agora que somos três ... e talvez não fosse tão ruim. Não que a Lisanna esteja com agente, oficialmente. Até porque, Jellal não ia aceitar isso tão facilmente.
–Ah, danem-se eles. Juvia, vou matar o restante da aula, O.K ? — Jellal avisou, visivelmente impaciente para a cena a sua frente.
–Por que ? — perguntei, fazendo bico. Ele revirou os olhos.
–Porque eu quero.
–Eu posso te fazer companhia — afirmou a grisalha — Como Natsu vai ficar entretido até o fim de tarde, vai ser bom ter alguém pra conversar.
Sorri, assentindo.
–Arigatou, Lisanna-san.
–Não há de quê.
Jellal emitiu algo semelhante a um ronronado.
–Eu volto na saída pra te buscar — avisou. Franzi o cenho — Quanto tem de dinheiro ?
–Sei lá, recebi a mesada hoje — dei de ombros — Uma boa quantia ... eu ia passar no -
–Ótimo — interrompeu-me, com a paciência divina habitual — Vamos comprar um celular pra você de uma vez.
–Ah, ... — Lisanna parecia um tanto sem jeito — Bem, eu já -
–Quer ir ? — convidei, fazendo Jellal forçar uma carranca — Sabe, é bom ter garotas também no dia a dia.
–Por que não ? — sorriu sincera — Não tenho nada planejado.
–É , por que não ?! — Jellal riu seco — Que seja.
Eu e Lisanna rimos, e ela entrelaçou nossos braços. No mesmo instante, senti meu coração parar. Era o tipo do ato do qual eu não estava acostumada. Demonstração de afeto ... fisicamente. Realmente estranho.
Nunca tive ninguém a quem abraçar, sem ser a obaasan.
Nem minha mãe me abraçava.
Automaticamente, desfiz o contato, devido a estranheza da situação.
E Lisanna pareceu notar minha apreensão, pois me fitou de um modo engraçado, como se avaliasse minha reação. Não parecia ofendida, felizmente.
–Algum problema com ... te tocar ? — perguntou, receosa. Neguei com a cabeça.
–N-Não ! — garanti, envergonhada — Só é ... algo novo. Não costumo ... ter contato fisico com as pessoas.
–Oh — ela engoliu em seco — Me sinto mal em perguntar ... mas ... é algum ... trauma ?
–Não sei — ri , fazendo-a relaxar um pouco — Acho que está mais pra uma consequência. Nunca fui muito próxima de ninguém, então ... basicamente não estou acostumada a isso.
–Entendo — assentiu, parecendo realmente entender — Bem, talvez possa melhorar isso com o tempo, não acha ?
–Seria bom — afirmei, sorrindo a ela — Arigatou, Lisanna-san -
–Pode me chamar só de Lisanna — garantiu, sorrindo de volta — Somos amigas, não somos ?
–Sim.
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Parei em frente a uma das lojas, com uma nova criação em exposição, onde somente alguns tinham coragem de se aproximar, e usá-la.
Assim que o local ficou vago, me aproximei do aparelho eletrônico. A loja era uma daquelas bem caras, só com os equipamentos de última geração da informática. Jellal e Lisanna pararam ao meu lado, interessados na interrupção das compras.
Já havíamos comprado meu celular novo, comido no McDonald's, trocado números , conversas e risadas, e até mesmo escolhido um maiô novo para o teste de amanhã.
–O quê é ? — perguntou Lisanna, curiosa.
–Um DVD com acesso a videoclipes online — li da placa, interessada no produto — Ao que parece, tem milhões de músicas antigas.
–Tipo anos 80, assim ? — perguntou a grisalha, rindo divertida — Meu irmão adoraria isso daí. Elfman passaria o dia dançando ...
–Nem me fale — Jellal revirou os olhos — Minha mãe encheria o saco.
–Podíamos ... escolher uma música, né ? — perguntei, tentando esconder a ansiedade. Jellal arregalou os olhos, negando com a cabeça rapidamente.
–Nem vem ! — negou com frieza — Nada de passar vergonha ! Tá cheio de estudantes normais aqui — enfatizou o "normais" — E você não vai me fazer escolher nenhuma música vergonhosa pré-histórica pra dançarmos em conjunto aqui !
–Ah, Jellal ! — fiz o melhor bico pidão que consegui — Onegaaaai !!! É só uma música !
–Já viu filmes adolescentes ? — perguntou, cruzando os braços rente ao peito — No final, vira um flash mob.
–Ah qual é ! — Lisanna riu, visivelmente entusiasmada — Também acho uma boa. É só uma música !
–Por favor, Jellal ! — imploramos em uníssono.
Ele bufou, assentindo derrotado em seguida. Sorrimos abertamente, batendo uma , na mão da outra.
–Escolhe logo — ordenou o azulado. Franzi o cenho, tentando pensar em alguma.
–Já sei ! Eye 2 Eye !
Enquanto a música começava, Jellal arregalou os olhos.
–Ah , não !
Mas já era tarde pra tirar. E a música era típica do inicio de nossa adolescência. Depois de olhar pros lados duas vezes, ele não resistiu, e assumiu a linha de frente na coreografia. Exatamente como o videoclipe do filme.
E sim, o shopping inteiro parou para assistir nosso "pequeno" show.
Mas o repertório não parou por ai. Chegou até U Can't Touch This onde Jellal simplesmente deu a louca.
Mas mesmo depois de tanta loucura, ao fim do dia, tive a tarde mais engraçada da minha vida.
Com meus dois novos melhores amigos.
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