Neo Omega - A Dualidade das Almas
1 Prólogo - Os Revolucionários
Tudo estava desaparecendo em chamas. O mundo das duas estava desmoronando diante de seus olhos.
– Casti... Castita... Eu... tô com medo...
– Vai ficar tudo bem, Nuntia... Eu prometo.
As vozes de ambas eram carregadas de medo, insegurança, desespero e um choro que tentavam abafar. Todos que conheciam estavam mortos; as duas irmãs tinham apenas uma à outra agora.
Andavam com passos apressados e de mãos dadas pelas destruídas e desertas ruas daquela enorme cidade. Queriam achar alguém, alguma ajuda, mas os poucos sobreviventes daquele genocídio provavelmente eram aquelas que o haviam causado. Os desolados corações das pobres garotinhas batiam quase em sincronia. Tudo que podiam ver eram os prédios que por tanto tempo cortaram os céus afundando cada vez mais.
Tinham apenas uma escolha: ficar juntas, fugir daquele caos infernal e sobreviver. Parece simples o suficiente, mas alguém tinha planos diferentes...
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Os dois desmoronaram sobre a neve. Mesmo com três ou quatro casas daquela pequena vila nas montanhas ainda ardendo, o frio penetrava seus ossos com aterrorizante violência.
– Por... quê...? Por quê... nós dois sobrevivemos...? Por que só nós dois, Asther...?
– Sorte... Eu... acho...
– Sorte...? Como isso é sorte...?
– ...Eu não sei, Zeon! Eu só...!
Pegou um punhado de neve e o esmagou como se ele fosse o culpado. Zeon segurou a mesma mão daquela garota, que era quase sua irmã, e tentou confortá-la.
– Asther... Eu prometo, nós vamos ficar juntos e vamos nos proteger... ok?
A tensão deixou os dedos da menina; o garoto se levantou e a ajudou a fazer o mesmo.
– Mas...
– Mas nada. – Ele a abraçou e continuou em seu ouvido. – Nós vamos ficar juntos, entendeu?
Ficaram completamente imóveis por alguns segundos, então os olhos da garota desabaram sobre os ombros do garoto, assim como os dele desabaram sobre os dela.
Uma promessa, feita sob um assustador e incerto céu estrelado, que não deveria ser quebrada, mas alguém tinha outros planos...
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Os olhos dele ficaram sem foco até o fim daquela cena horrível. As duas poças de sangue já haviam se encontrado quando o garoto acordou. Em sua mão, uma espada ensanguentada; no chão, seus pais. Pânico o dominou por completo.
– Pai... Mãe... O... quê... O que eu fiz?!
Suas pernas perderam a força, seu corpo mergulhou sobre os sem vida, seu rosto e suas roupas ficaram vermelhos. Por alguns minutos, não conseguiu se mexer, não conseguiu pensar.
Só voltou a si pela segunda vez quando ouviu sirenes vindas da rua, provavelmente chamadas pelos vizinhos.
– Eu... vou ser... preso...? Eu... não quero isso...!
Senj correu para a porta dos fundos; fugiu de um modo que não poderia ser visto. Escondeu-se nos esgotos da Capital por alguns dias, mas alguém o encontrou.
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Tudo aconteceu em um dia. Foi nesse dia que os primeiros passos foram dados. Os primeiros passos do coveiro em direção à sua própria cova.
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