Nemo

1 Capítulo 1 - Sombras


Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo de Nemo. Esta história já havia estado aqui no site antes, mas por motivos pessoais eu resolvi melhor retirar e agora estou de volta com ela, revisada, reescrita e melhorada!
Nemo é baseada em um jogo de video-game e o nome vem de uma música que eu gosto bastante (Nightwish - Nemo http://letras.mus.br/nightwish/84212/traducao.html)
Espero que gostem da história!

Era noite do dia 25 de setembro de 2008. O céu estava limpo, as estrelas brilhavam tanto quanto possível em meio à poluição. Ônibus, carros e motos passavam na avenida, porém, poucas pessoas andavam a pé.

A moça estava vestida com uma roupa social, calça preta, blusa branca e sapato de salto. Carregava uma bolsa, estava voltando de um escritório, ao que tudo indicava. Era jovem, não devia ter mais de 22 anos.

Virou a esquina de uma rua deserta, uma sensação ruim a invadiu, ela olhou de volta para a avenida, o fluxo do trânsito continuava o mesmo. A sensação não a deixava.

“Que bobagem”. Pensou. Mas se tivesse visto a figura encapuzada do outro lado da rua, não teria esse pensamento.

Andou, embora com receio, até metade da rua, até que ouviu algo se mexer à suas costas, seu coração disparou, agarrou a alça da bolsa com força, o medo a tomou. Mas não havia nada nem ninguém para se mexer ali. Voltou a caminhar, com rapidez. Sua visão foi ficando turva, a luz que vinha dos postes não iluminava mais, vindo de lugar nenhum surgiu um nevoeiro denso, não se enxergava um palmo à frente. Apavorou-se, correu, gritou.

– Thomas não! – berrou uma voz feminina.

A moça virou-se e deu de cara com a figura encapuzada. A pele branca e os olhos azuis foram as últimas coisas que viu. Bateu contra o chão.

Era dia embora estivesse escuro, se parecia mais com a meia-noite ou qualquer outra hora da madrugada, menos dia. Árvores gigantes e extremamente velhas cercavam a clareira. Uma fraca luz vinha do céu e iluminava o pequeno campo de grama verde.

Parado em pé ao lado de uma das enormes árvores, estava um garoto. Ele era alto e magro, sua pele era branca, seus cabelos loiros e cumpridos, seus olhos verdes brilhavam. Estava atento, a mão apoiada sobre o cabo da adaga estava pronta para sacá-la.

Do lado oposto da clareira alguém o observava parada em cima de um galho alto. Os longos cabelos ruivos e encaracolados estavam amarrados por uma fita preta. Vestia uma roupa toda preta e longas botas de couro. Os olhos azuis estavam fixos no loiro parado na clareira.

O garoto avistou algo laranja entre as folhagens, uma parte do cabelo da ruiva. Pulou rapidamente na árvore ao seu lado e foi escalando até atingir a mesma altura da garota, pulou de galho em galho e de uma árvore para outra com rapidez impressionante. Contornou toda a clareira e parou onde havia avistado o cabelo da garota. Não estava lá.

O movimento foi tão rápido e preciso que não houve tempo de reagir. Levou-o ao chão. Segurava seu pescoço com um braço e um dos braços dele com o outro. O jovem riu.

– Realmente, você nunca vai aprender como imobilizar alguém – antes mesmo de terminar de falar, livrou-se dos braços da garota, sacou a adaga em seu cinto e apontou para o pescoço dela, deixando-a imóvel no chão – Mas continua boa em emboscadas – soltou-a e a ajudou a levantar.

Ouviram um pio alto e agudo. Olharam para cima e avistaram um enorme pássaro vermelho sobrevoando suas cabeças uns 20 metros acima.

– O que é agora... – falou a garota voltando a olhar para a floresta à sua frente.

Da escuridão surgiu um homem, era alto e tinha os cabelos escuros e curtos, seus olhos eram negros e profundos. Tinha uma grande cicatriz que lhe tomava uma parte do rosto e o pescoço. O pássaro vermelho pousou em seu braço.

– Ezreal quer você na sala dele agora – falou num suspiro, dirigindo-se à garota – É uma missão.

Ela revirou os olhos e bufou. – E não tinha nenhuma outra equipe disponível?! – retrucou nervosa.

– Não serão “uma equipe” desta vez... – disse num tom estranho – é melhor ir logo, ele está mais chato que o normal.

Sem dizer mais nada a garota foi andando em direção à floresta de onde o homem havia saído.

– Você vem comigo Kaleb. – disse segurando-o pelo braço – Vamos para a geleira. – olhou-o como se já soubesse no que aquilo tudo ia dar.

A garota chegou a um enorme portão de ferro protegido por dois guardas altos e fortes, na cintura portavam ao invés de armas de fogo, espadas afiadas e longas. Ao verem que a garota se aproximava o portão foi aberto, revelando uma gigante redoma de vidro amarelo.

Entrou pelo portão e caminhou até uma porta dupla que dava acesso ao interior da redoma. Lá dentro não havia divisões, como paredes, o centro era um enorme espaço vazio, o chão era preenchido com blocos de pedra preta. As laterais sim eram feitas por paredes. Havia dezenas de portas e um suporte de ferro formava o segundo andar. O lugar não era muito bem iluminado, como tudo por ali. Do teto pendiam longos lustres de ferro cheios de velas acesas.

Caminhou pelo centro vazio até o outro lado onde havia três portas, ficou de frente para a do meio e bateu. A porta se abriu, a garota entrou e cumprimentou o homem que a havia aberto. Tinha cabelos castanhos claros e olhos cor de mel. Aparentava ter uns 20 anos.

– Bom dia John – falou olhando para ele, que respondeu com uma aceno de cabeça.

– Você demorou – falou o homem que estava parado perto da parede de vidro amarelo.

– Desculpe Vossa Alteza, da próxima vez eu pego meu jatinho particular.

– Não me irrite garota! – rosnou.

– O que quer?

–Sabe que dia é hoje Akira? – perguntou o homem, já mais calmo.

– 25 de setembro – respondeu revirando os olhos.

– 25 de setembro de um ano bissexto – corrigiu-a – Temos uma alteração na cidade.

– Eu estava no meio de um treino! Qualquer outra equipe poderia ir! Aliás você mandou Kaleb para outro lugar e eu não entro sozinha na cidade!

– Você vai onde eu mando! E os outros não estão disponíveis.

– Estão dormindo com certeza, é só o que sabem fazer!

– Isso não interessa, vá logo, leve Thomas com você. É uma ordem! – vociferou o homem.

– É mais fácil me mandar de uma vez para a forca do que mandar aquele garoto para a cidade!

– É uma ordem Akira! – berrou.

Irritada, Akira saiu da sala e bateu a porta antes que John a fechasse. Subiu a escada de ferro que levava ao segundo andar. A vela da segunda porta estava acesa, o que informava que havia alguém lá dentro. A garota bateu na porta, mas ninguém a abriu. Bateu novamente e a impaciência foi maior, escancarou a porta.

– Levanta! – gritou.

O garoto deu um pulo na cama e arregalou os olhos como quem vê um fantasma.

– Que diabos você está fazendo aqui? – perguntou sentando-se na cama.

– Eu mandei você levantar! – vociferou a ruiva. – Ande logo, não tenho o dia todo!

O garoto calou-se como quem obedece às ordens de um superior. Jogou o cobertor pesado de lado e levantou-se, fazendo cara feia.

– O que está acontecendo Akira? – perguntou outro garoto que estava deitado na cama do lado esquerdo do pequeno quarto.

Ela não respondeu de imediato, seus pensamentos se perdiam através da parede de vidro amarelo.

– Eu e Thomas vamos à cidade – respondeu devagar.

– Vocês dois? E o que houve com Kaleb? Hoje não é dia de nós treinarmos?

– Ordens superiores... Não sei qual a intenção “dele” me separando de Kaleb, mas se é de que eu morra, vou ter que decepcioná-lo.

– Desculpe?! – falou o garoto arregalando os olhos.

– Esqueça menino, esqueça... Thomas se você demorar mais cinco minutos eu juro que lhe arrebento! – gritou impaciente.

– “Juro que lhe arrebento” – caçoou – você fala feito velha...

– Sou mais velha e mais experiente, não tente a sorte.

O garoto se calou. Ajeitou os cabelos pretos e deu de ombros.

Akira saiu do quarto sem falar mais nada e foi andando rapidamente.

– Boa sorte, Thomas – falou o garoto ainda sentado na cama.

– Eu não preciso de sorte Pedro, sou esperto – gabou-se e saiu do quarto batendo a porta.

Akira entrou por uma porta ao fundo do segundo andar e a fechou antes que Thomas pudesse ver o interior do cômodo. Logo em seguida saiu carregando uma bolsa de couro preta e outra marrom.

– Vamos logo – disse atirando a bolsa marrom a Thomas, que reconheceu o conteúdo.

– Primeiros-socorros? Pra quê?

– Há uma alteração estranha na cidade, talvez seja “ele” trazendo outra pessoa... Talvez essa pessoa chegue ferida, temos que estar preparados para qualquer coisa.

Os dois desceram as escadas. Havia algumas pessoas circulando por ali, Thomas as ignorou completamente.

– Alice! – chamou Akira se dirigindo a uma garota que andava pelo local. – Não teremos treino hoje, avise os outros, por favor!

– Vocês estão bem? – perguntou a menina estranhando a atitude da colega.

– Apenas avise os outros! – saiu apressada pela porta dupla e alcançou Thomas perto do portão.

– Não sei como consegue conversar com certas pessoas aqui...

– Infelizmente eu tenho que aturar algumas – falou abrindo um sorriso forçado – Mesmo aqui... Matar alguém é crime.

O garoto calou-se novamente.

Os dois andaram rapidamente pelo caminho de pedras que levava até a floresta onde Kaleb e Akira treinavam mais cedo.

– Vamos ter que ser cuidadosos, as atividades registradas na cidade são vinte vezes mais intensas que em qualquer lugar por aqui...

– Quem é esse tal cara que nos trás para cá? – perguntou Thomas.

– Não sabemos... Ele só aparece a cada quatro anos quando abre o portal que liga os dois mundos.

– Nunca tentaram pegá-lo?

– Sim, tentamos, o último que o fez morreu. – respondeu friamente.

– Mas não me lembro de nenhum de nós que tenha morrido em missão...

– Thomas... Antes de vocês começarem a chegar aqui, existiam centenas de pessoas que foram trazidas por ele. E a “velha” aqui, era a mais nova entre essas pessoas.

– E onde eles estão?

– Mortos – falou com a voz fria novamente. – Chega de conversa antes que as sombras nos achem.

Ficaram mudos, atravessaram a longa floresta depois da clareira. Era um longo caminho até chegar à cidade. Akira havia optado por dar a volta nas montanhas ao invés de passar pelo vale de rochas que ficava no meio delas.

O vale das rochas era evitado tanto por Akira quanto por Kaleb e nenhum dos dois dizia o motivo. Na verdade, nenhum dos dois falava nada sobre os tempos antigos. Nem sobre suas vidas antes de virem para esse mundo. Ninguém sabe de onde eles são ou como foram parar naquele lugar. Apenas o que se sabia sobre esses dois jovens era o que deixavam transparecer; que eram melhores amigos e não se davam muito bem em missões quando separados. O quarto onde dormiam ficava 24 horas trancado e nenhum dos chamados “novatos” jamais havia visto o interior do cômodo.

Kaleb e Akira eram a dupla mais antiga e mais experiente que existia naquele mundo. Comandavam a maioria das missões e faziam o treinamento de todas as duplas.

Sim... Aquele mundo era tão desconhecido e imprevisível que toda e qualquer pessoa enviada para lá era submetida a um duro treinamento com espadas, arco e flecha, todo o tipo de armas que tinham disponíveis e tudo o que Kaleb podia ensinar sobre luta.

Akira tinha — segundo Kaleb — o dom de brigar com o “chefe”, a garota o odiava, não tinha motivos concretos mas, afirmava que o homem não era boa pessoa.

Depois de pouco mais de duas horas de caminhada, evitando locais muito escuros ou fechados, avistaram a cerca de três quilômetros à frente, grandes prédios e arranha-céus, havia largas ruas e carros parados rente às calçadas, alguns estavam largados no meio da rua com vidros quebrados, lataria amassada. A maioria dos prédios estava caindo aos pedaços, com as vigas de sustentação a mostra, os arranha-céus estavam em estado deplorável, os vidros quebrados, os andares a mostra... Era uma cidade fantasma, completamente destruída, abandonada as pressas.

Era uma cidade moderna, todas as construções exigiam o máximo da arquitetura. Algo que vemos atualmente no século XXI.

A tensão aumentava à medida que chegavam mais perto do cemitério de concreto. Akira e Thomas andavam lado a lado. O garoto estava fascinado, mas se recusava a demonstrar isso. Sua expressão era de puro descaso. Nunca havia estado na cidade antes, apenas ouvia histórias e usava a imaginação para transformá-las em realidade. Ele era atualmente o mais novo de todas as duplas, estava naquele mundo havia apenas quatro anos, foi o último a ser trazido. Havia começado a participar de missões havia apenas cinco meses e Kaleb discordava da decisão de Ezreal de que estava pronto para agir em dupla.

Provavelmente, Kaleb teria um acesso de raiva quando soubesse que Ezreal havia separado ele e Akira para mandá-la ao lugar mais perigoso ao qual já haviam chegado, e ainda por cima com um novato que, segundo ele, não estava pronto para sobreviver.

Akira segurou Thomas pelo braço impedindo-o de avançar. Ele a olhou preocupado, mas ela apenas observava. Estavam aparados a uns quinhentos metros do início da cidade.

– O que foi? – perguntou sussurrando.

Ela não respondeu, apenas fez sinal para que ele se calasse. Akira sacou a adaga que estava em sua cintura e ficou pronta para que algo inesperado acontecesse.

Thomas abriu a bolsa marrom que carregava e tirou uma adaga prateada de dentro dela.

Os dois andaram devagar e com atenção pela estrada que agora era asfaltada.

Entraram finalmente na cidade, Akira estava atenta até mesmo a uma mísera pedra que estivesse no caminho. Já Thomas, parecia um robô caminhando.

Ela estava tensa e a atitude do garoto a irritava cada vez mais. O fato de estarem adentrando cada vez mais na cidade a preocupava, não por estarem cada vez mais perto do centro, mas por conta do silêncio. Em todas as vezes que Akira estivera na cidade, havia ruídos e sombras por todas as partes.

Algo se moveu na sombra que era projetada por um prédio. Akira se assustou, mas Thomas continuava devaneando. Pareceu não ser nada, mas naquele lugar, todo cuidado era pouco.

Depois de poucos minutos andando, avistou uma forte luz vinda de trás de uma aglomeração de prédios. Akira correu, seguida pelo garoto.

Ao chegar ao local, se depararam com uma enorme roda de luz que girava suspensa no ar. Viram então, através da luz, uma rua deserta, mal iluminada e com uma estranha névoa. Akira não se atreveu a chegar mais perto para olhar. Mas mesmo de longe ela pôde ver a figura encapuzada, parada do outro lado da rua; observava cada passo de uma jovem moça que andava apressada. A ruiva reconheceu o homem que seguia a moça e um forte arrepio lhe correu o corpo, dos pés a cabeça. Era a mesma pessoa que muitos anos atrás a trouxera para esse mundo. Ficou em choque, imobilizada.

Logo atrás da garota, Thomas mexia em um carro que estava abandonado no meio da rua, ao abrir a porta, fez-se um barulho estrondoso, que libertou Akira de seu transe, fazendo-a olhar para o garoto.

– Thomas, não! – gritou a ruiva.

Mas antes que ela pudesse pensar em fazer algo, enormes sombras surgiram de dentro do veículo. Ela correu e puxou Thomas pela camiseta, trazendo-o para perto dos escombros de um prédio que estava desabado perto dali.

As sombras eram enormes coisas negras que sugavam qualquer fonte de luz que chegasse perto, tinham enormes bocas de igual tamanho, mas não possuíam rosto. Eram guiadas pelo calor. Ao sentir que havia pessoas por perto, não se demoraram e investiram contra os dois.

Akira agarrou Thomas pelo braço e correu o quanto pode. O garoto estava pasmo, só se movia porque era puxado pela colega.

Correram por uma porta grande de aço e entraram em uma espécie de câmara, seguidos pelas sombras. Akira acionou uma alavanca fixada do lado direito da parede de ferro. O lugar se parecia com uma enorme caixa, não havia paredes separando cômodos, era apenas um edifício enorme, feito de ferro fundido e vazio.

Assim que Akira passou correndo arrastando Thomas, o chão se revelou feito de grades, labaredas com cinco metros de altura subiram do subterrâneo. As sombras que perseguiam os jovens desapareceram no instante em que foram tocados pelas chamas. Num canto, Akira protegia Thomas do fogo, que queimou por aproximadamente trinta segundos. Quando as chamas cessaram, restaram apenas os dois encostados na parede e toneladas de ferro fervendo por toda parte. A ruiva soltou um suspiro de alívio e então virou sua atenção para o companheiro atirado ao chão.

– Imbecil! – falou irritada. Pegou a bolsa que carregava e de dentro dela tirou um cantil com água, destampou e jogou o líquido no garoto. Thomas tossiu e se engasgou, despertando do choque.

– Por que fez isso? – berrou ele, ainda atordoado.

– Você quase nos matou, idiota!

O garoto riu. – Foi divertido.

– Então da próxima vez eu deixo você de petisco para aquelas coisas e salvo minha vida!

– Calma ruiva, estamos todos vivos – falou Thomas ainda rindo. Levantou-se do chão e olhou para o ferro das grades, vermelhos de tão quentes. – Você quase fritou a gente!

– Eu deveria ter jogado você no fogo e comido no jantar!

– Ui, vejo alguém perdendo o controle... – provocou e saiu andando, contornando as grades ferventes.

Akira não se deu o trabalho de discutir e seguiu Thomas para fora do edifício.

– Ei, Akira... O que viemos fazer aqui mesmo?

Mas a garota não respondeu, apenas soltou um grito excruciante. Thomas virou-se assustado, a tempo de ver uma das sombras atingi-la nas costas com as enormes garras afiadas.

Thomas segurou-a antes que batesse contra o asfalto. A sombra soltou um urro e desapareceu.

– Akira! – chamou-a desesperado – Ei! – tentou acordá-la – Sua velha! – provocou, na esperança que a colega abrisse os olhos. Mas nada aconteceu. Levantou-se então e correu até onde o portal havia sido aberto, não havia o menor sinal de um portal por ali, provavelmente se fechou enquanto os dois fugiam das sombras.

A alguns metros dali, uma mulher andava totalmente desnorteada. Era a moça que, momentos antes estava do outro lado do portal.

Thomas correu até ela. – Você está bem?

– E-e-eu... Onde estou? – gaguejou – você é um ET?

– Ótimo você está bem – concluiu – agora me ajude a colocar fogo em um desses carros. Temos que pedir ajuda.

Foi quando ouviram alguém se aproximar correndo. Thomas sacou a adaga que carregava e ficou alerta.

– Ora, vamos garoto, abaixe isso antes que se machuque. – falou alguém, saindo de trás dos escombros de um edifício. Era alto e tinha os cabelos compridos e loiros. Os olhos pareciam duas esmeraldas e seu corpo era forte.

– Kaleb! – Thomas se espantou – O-o que faz aqui? Pensei que estivesse em missão.

– Onde está Akira? – perguntou, ignorando a pergunta.

– Ah... Kaleb – falou lentamente preparando a explicação. Thomas parecia ter vestido a máscara da inocência.

– Onde ela está? – gritou.

– Perto do prédio de ferro – Kaleb mal esperou Thomas terminar de falar e correu para onde a ruiva estava. O garoto o seguiu, puxando a mulher com ele. – Kaleb... e-eu... olha... ela... nós...– ele não conseguia ao menos falar ou fingia que não conseguia.

– Cala a boca! Tire essa mulher daqui agora! – era uma ordem, e Kaleb era o superior. Thomas o obedeceu por medo e levou a mulher embora, ela não disse ou perguntou absolutamente nada, apenas o seguiu.

Kaleb pegou Akira no colo. No chão havia uma poça de sangue. Virou-se para trás e certificou-se de que Thomas não estava mais ali. Andou cerca de quinhentos metros seguindo a rua onde estavam e entrou por uma porta que antecedia um pequeno recinto fechado e escuro, parecido com uma guarita. Na parede, Kaleb procurava algo, ao encontrar acionou o botão com o cotovelo. Uma porta se abriu, escondida pela escuridão do lugar, revelou um corredor que se estendia para debaixo da terra.

Ele carregou Akira pelo corredor. A porta se fechou ao passarem, o corredor era comprido e só descia, havia muita luz, mas não era produzida por velas e sim por lâmpadas que ficavam no teto. A descida terminava em uma porta dupla, feita de vidro. Kaleb a empurrou com as costas e entrou num saguão amplo, era uma recepção, totalmente vazia. Seguiu para uma porta do outro lado do recinto que se abriu para outro corredor, bem maior que o primeiro e ladeado por portas, cada qual com uma numeração diferente. Entrou pela porta de número 93, a sala estava cheia de equipamentos médicos de alta tecnologia e era muito bem iluminada, ao contrário da cidade.

Kaleb deitou Akira sobre a cama, deixando-a de costas para cima. O longo cabelo ruivo estava manchado de sangue, assim como sua blusa e a roupa do garoto.

Ele lavou as mãos numa pia que havia no canto da sala. Em cima do balcão pegou duas luvas de silicone e as colocou, ao lado havia uma caixa com agulhas e outra com linha. Pegou um elemento de cada caixa e juntou-os numa mesa móvel que estava ao lado da cama, onde estava também, anestesia, gase, algodão e outros instrumentos cirúrgicos.

Kaleb rasgou a blusa preta de Akira e analisou os cortes, eram profundos e extensos. A garota ainda respirava, mas se ele não contivesse o sangramento ela morreria.

Preparou a anestesia e a aplicou perto dos cortes. Enquanto esperava fazer o efeito, limpou o sangue acumulado nas costas da garota, gases e mais gases eram jogadas no lixo ensopadas do liquido vermelho. Após alguns minutos pegou a linha e a agulha e começou a costurar os cortes, ao terminar havia mais sangue em suas mãos do que no corpo da colega.

Notas finais
Eu espero que tenham gostado desse primeiro capítulo e estejam ansiosos pelo próximo. Eu adoraria que me deixassem saber o que mais gostaram ou o que acham que eu deveria mudar. Por favor, qualquer dúvida me pergunte. Não esqueçam de deixar um "olá", todo escritor gosta de saber que seu trabalho está sendo apreciado - ou não.
Não posso prometer postar sempre, já que a história vai se tornando mais difícil com o caminhar da coisa, mas vou me esforçar para sempre trazer atualizações. Muito obrigado por ler, fico feliz!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.