Nemo
1 SOLIDÃO
Notas iniciais
Enfim, para que o leitor se situe: eu tava muito triste MESMO quando comecei a escrevê-la, mas achei a ideia interessante e tive que continuar... enfim, melhor parar de enrolar.
Laura. Eu gostaria que você estivesse aqui. Eu gostaria que você fosse eu, e que eu fosse você. Quem sabe assim, eu não me sentisse incompleta, como me sinto neste momento.
Meu pai me trouxe do médico esta noite. Eu não entendi exatamente o que aconteceu comigo, mas, enquanto o doutor falava, eu só conseguia pensar no meu passado e futuro. Quando estávamos voltando para casa, meu pai falou algo...
– Bruna.
– Hm? – desviei o meu olhar do vidro do carro e o encarei.
– O doutor pediu pra te levar a um hospital, sabe? Pra te examinarem melhor. O médico não soube dizer o que você tem...
– Pai? – ele parou o carro no sinal vermelho e olhou para mim. – O que será que a Laura diria agora?
Ele me olhou de um jeito estranho e suspirou.
– Eu não sei, filha. Realmente não sei.
Dois dias depois, meu pai me levou ao tal hospital. Até que era bonito. Tinha uns quartos espaçosos, um jardim ENORME e um refeitório com todas as comidas gostosas do mundo. Laura! Eu queria tanto que você tivesse vindo, apenas para ver como é (e também para provar a comida).
A doutora que me atendeu se chama Kamila. E me sugeriu escrever neste diário em que estou escrevendo agora, apenas para “ter certeza de que está tudo bem, emocional e mentalmente falando”.
Quando cheguei em casa, eu desabei com tudo na minha cama. O meu quarto, você sabe, é lilás, tem aquela cortina cor de rosa, a escrivaninha, a TV e minha cama, sempre com a colcha feliz. Mas quando eu acordei no dia seguinte, notei que tinha alguma coisa errada... a cortina parecia ter desbotado! O que será que houve, hein, Laura? O mais estranho foi o fato de somente isso ter “mudado”, pois o resto está absolutamente normal.
Laura, será que eu não poderia ser você?
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