Nemesis

66 O feriado de Ação de Graças


O feriado de Ação de Graças

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26 de Novembro de 2012, 07:49 AM

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Brooklyn – Nova York

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Era feriado nos Estados Unidos e já havia amanhecido.

Steve e Mary dormiam juntos, depois de passarem o dia anterior sozinhos, aproveitando cada minuto na presença um do outro.

Os dois adormeceram tarde da noite após horas conversando sobre diversas coisas, e pouco tempo depois, ambos apenas deitaram na cama e dormiram agarrados, afinal estava frio, muito frio...

O quarto ainda estava escuro quando Mary Crystal acordou. Ela ficou imóvel por um minuto, sentindo o ar gélido da manhã pela fresta da janela.

A garota tentava esticar as pernas, mas era difícil se mexer com Steve desacordado quase que totalmente por cima dela.

O loiro mantinha o rosto preso a nuca da garota, enquanto seus braços estavam enrolados possessivamente ao redor da barriga dela.

Tudo o que Mary conseguia fazer naquele momento, era esticar os braços e arquear as costas.

Ela tentou levantar da cama, mas não queria acordá-lo, e quando pensou que conseguiria, Steve a puxou de volta, num instinto de proteção, ainda desacordado.

Kiara suspirou fundo, achando engraçado, mas ao mesmo tempo, sabendo que precisava se levantar, então, ela virou o rosto, sussurrando perto do ouvido dele...

Cap... eu preciso levantar...

Um gemido abafado emanava do Super Soldado. Em vez de deixa-la ir, ele a abraçou com ainda mais força.

Mary fazia uma careta em resposta.

Steve... eu preciso ir ao banheiro...

O Capitão grunhiu e relutantemente se afastou dela, mudando a posição na cama enquanto puxava o edredom por cima.

A Segundo-Tenente sorria, descobrindo mais um novo detalhe em Steve, que era o fato de o mesmo adorar dormir abraçado com ela a ponto de não querer larga-la.

A garota se dirigiu ao banheiro, e cinco minutos depois, voltava para a cama, começando a engatinhar sobre o corpo do Super Soldado, enrolando-se novamente em seu peito por baixo do edredom.

Suas mãos pousavam na cintura dele...

— Não estou mais com sono... – Ela murmurava contra o ouvido do loiro.

— Nem eu... que horas são...? – Ele a agarrava mais uma vez, impedindo-a de escapar.

— Oito horas... – A loira respondia, brincando com a bainha da camiseta do Capitão.

— Vamos almoçar em Manhattan hoje...? – Steve a convidava, abrindo os olhos e encontrando o olhar dela.

— Eu preciso me encontrar com a Wanda agora de manhã.

— Ah sim, tinha me esquecido...

— Você não quer que eu vá...? – Mary o desafiava, sorrindo divertidamente.

— Não quero... na verdade, esperava ficar o dia inteiro com você de novo... o tempo passa tão rápido quando estamos juntos... – O Super Soldado a abraçava com mais força, apoiando o queixo no topo de sua cabeça.

— É só agora de manhã, Cap. Eu vou estar de volta ao anoitecer.

— Certo... vou aproveitar a sua ausência para ir a torre, mas... você vai mesmo voltar para o jantar? E se algum imprevisto acontecer?

— Hoje é feriado. Nenhum imprevisto vai acontecer.

— Bem... pensei em chamar o Bucky e a Wanda pra jantarem conosco...

— É uma ótima ideia, porque eu não sei o que eu faria se ficasse sozinha com você de novo... – Mary mordia o lábio inferior, olhando-o de forma predatória e libidinosa.

— O que quer dizer com isso, senhorita Ellis...? – Steve a provocava, já imaginando do que se tratava...

— Não quero testemunhas por perto na nossa... segunda vez... – A loira replicava, num tom malicioso, fazendo-o rir de nervoso e ao mesmo tempo deixando seu corpo tenso, só de imaginar repetir tudo o que fizeram dois dias atrás.

— Eu disse para irmos com calma...

— Calma? É difícil ficar calma com você por perto... não consigo me conter... – E então, Kiara disparava contra Steve, agarrando-o com mais força, apertando seu corpo contra o dela, distribuindo beijos pelo pescoço masculino.

— Mary... é melhor pararmos... são oito da manhã...

— E daí...? – A garota continuava a série de carícias, tentando despertar seu namorado, mas o senso de juízo do Capitão era muito mais forte naquele momento.

— Queria te fazer um convite...

— Convite...? – A loirinha erguia o olhar na direção do rosto dele, curiosa.

— O Stark vai promover um evento na torre dos Vingadores no próximo fim de semana, mas basicamente é uma forma de nos reunirmos com as pessoas mais próximas da nossa missão, de um jeito informal... você não quer me acompanhar nesse evento? – Steve piscava, olhando para a garota com muita atenção.

— Você não vai esconder o nosso relacionamento? – A garota sorria mais uma vez, o provocando.

— Se você não quer que ninguém saiba, não pode dizer nada à Nat.

Naquele momento, Kiara soltava uma gargalhada.

— Você acha que a Natasha não sabe que nós dois estamos aqui sozinhos!? Ela com certeza sabe, então não há por que esconder nada!

— Mas você não disse nada ao seu irmão, então pensei que não quisesse tornar nosso relacionamento público... – O loiro replicava timidamente, ainda não sabendo como agir no meio das demais pessoas, estando agora comprometido com Mary.

— Ele vai descobrir, cedo ou tarde... só disse aquilo porque não queria que ele ficasse me alugando...

— Certo, então você aceita ir comigo nesse evento?

— Claro... mas preciso escolher um vestido para a ocasião...

— Um vestido...?

— Sim... meu namorado gosta muito das cores vermelho e azul... é muito patriótico, então estou pensando num vestido com um decote em V nas costas, bastante ousado... o que acha...?

Steve ria diante daquela provocação.

— Bem... eu não gosto desse seu namorado... por que ele a faria usar um vestido tão ousado? E se outros homens olharem pra você...? – Ele murmurava contra o ouvido da Segundo-Tenente.

— Não quer que outros homens olhem pra mim...? – Mary inclinava a cabeça, ofegando ao sentir os lábios de Steve pousarem em sua pele.

— Não... – Ele inalava o cheiro inebriante de sua namorada, beijando levemente seu pescoço, subindo pela mandíbula, e em seguida por sua bochecha.

— Você é muito possessivo, sabia...? – Kiara redarguia, sentindo os lábios dele lhe fazerem cócegas.

— A culpa é sua, por ser tão linda e cheirosa... – O Super Soldado enfatizava a palavra ‘cheirosa’, respirando o perfume tão singular de sua namorada.

Mary sentia os dedos longos do Capitão percorrendo por baixo de sua blusa e acariciarem sua barriga... um arrepio impetuoso fluía por sua espinha... céus, eles tinham tanta química...

— Cap... eu estou com frio... pare de me tocar desse jeito... – A Segundo-Tenente protestava, mas na verdade, desejava o contrário. O que mais queria era que Steve lhe tocasse, lhe pegasse de jeito, arrancasse suas roupas e mergulhassem um no outro de novo... a sensação de sua primeira noite com ele, ainda estava muito forte dentro de si... ansiava reviver tudo aquilo de novo...

— Certo... acho melhor levantarmos, porque temos coisas a fazer. – E então, o Capitão saia debaixo do edredom, indo rapidamente para o banheiro, deixando-a sozinha na cama.

Kiara sorria, plenamente satisfeita... não conseguia acreditar que estava ali com Steve, vivendo aquela intensa paixão da forma mais encantadora possível...

A Segundo-Tenente só queria colorir aquela casa... espalhar suas pétalas invisíveis, borrifar seus anseios e sonhos de menina em cada cômodo e deixar aquele cantinho com um toque particular seu, apenas para demarcar território...

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Depois de levantarem e tomarem café, Mary resolvia cuidar da louça, porque sim, não gostava de acumular nada. Ela era uma senhora neurótica da limpeza, e Steve a observava cuidando dos objetos de sua casa com muito zelo...

De longe seu olhar fixava naquele lindo sorriso e ali se perdia... e quando percebia, já havia saído de si e se pegava mais uma vez a agarrando por trás e beijando seu pescoço...

— Hey, eu estou lavando a louça, então pare com isso! – Mary reclamava, com as mãos molhadas e cheias de espuma.

— Você está me fazendo viver um sonho que eu nunca soube que tinha... – O loiro murmurava contra a nuca feminina, fazendo-a estremecer.

— É mesmo...? Que sonho...?

— Te ver cuidando de mim e da minha casa... só tive essa sensação uma vez na vida...

— Com sua mãe?

— Sim... – Ele fechava os olhos, ainda a abraçando por trás, aspirando o doce perfume da garota, narcotizado por aquele momento mágico.

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Mary Crystal podia sentir a necessidade que Steve tinha de ter uma família... ele parecia muito carente e necessitado de um lar... era algo bonito e apreciável, mas ao mesmo tempo triste... a vida dele não tinha sido nada fácil...

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E então, a Segundo-Tenente se virava de frente para o loiro... e quando Steve a olhava, via um sorriso florescente... um sorriso daqueles de deixar as pernas bambas... um sorriso caloroso, e cheio de segundas intenções...

— Então me diga... o que vamos jantar hoje? – A loira o contestava, tentando distraí-lo de qualquer resquício que o fizesse ficar triste e se lembrar de sua solidão. Estava disposta a transformar todos aqueles dias nos mais lindos e felizes para ele.

— Hmm... tenho algumas coisas em mente...

— Sabe cozinhar, Cap?

— Eu sou um garoto do Brooklyn. Sei fazer um bom espaguete... – Ele redarguia, com um sorriso de canto, orgulhoso de seus pequenos dotes culinários.

— Uau... meu namorado sabe fazer um bom espaguete? Mas saiba que sou um tanto crítica com relação a massas, afinal, você sabe de onde vim...

— Da Itália... e eu já sei que não será fácil conquistar seu paladar, mas prometo me esforçar...

— E sabe o que combina com espaguete?

— Vinho?

— Exato!

— Prometo trazer uma garrafa quando voltar, meu cristalzinho... – Steve circundava os quadris da garota com seus braços, e a levantava do chão, colando seus corpos, fazendo-a abraçar sua cintura com as pernas, enquanto pressionava seus lábios gentilmente nos dela, num beijo apaixonado...

Mary sorria no beijo... sentindo-o lhe tocar com avidez e urgência... e automaticamente seus braços enlaçaram o pescoço masculino.

O Capitão então a puxava contra ele, carregando-a em seu colo, até coloca-la contra a bancada de mármore ao lado, sentada, apenas para que pudesse aprofundar o beijo.

Mary mantinha as pernas abertas, com o corpo de Steve no meio, pressionado contra o dela de modo apressado... ele a beijava com muito desejo... ansiando sentir novamente o ameno sabor de sua namorada em seu paladar, porque Kiara tinha um gosto doce e cheirava tão bem... um perfume alegre e viciante, com toques de primavera e verão...

A garota estava tão feliz, que começava a rir no meio do beijo... seu riso borbulhava pura alegria e felicidade...

— Hey, eu preciso terminar de lavar a louça!

— Ok, me desculpe... mas é impossível não querer te beijar de cinco em cinco minutos... – Steve justificava, enquanto pressionava vários selinhos molhados nos lábios da garota.

— Bem, eu preciso me apressar...

— Eu te deixo na casa da Maximoff. Pode ser...?

— Agora terei caronas o tempo todo naquela linda Harley!?

— Se seu namorado é dono de uma Harley, então sim... – Ele sorria, convencido.

— Não podia ter um namorado melhor... – Mary replicava sorridente, completamente apaixonada, acariciando a bochecha dele num carinho delicado. Sua pele recém-raspada pelo barbeador exalava o perfume delicioso do creme de barbear... Steve era vaidosamente caprichoso...

— Eu também não podia ter uma namorada melhor... – E então, os dois voltavam a se beijar, sedentos por seus toques, seus corpos juntos, colados e unidos... estavam tão apaixonados que não conseguiam ficar muito tempo longe... era um magnetismo mútuo que não parecia ter fim...

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Uma hora depois, Steve deixava Kiara em frente à casa dos irmãos Maximoff, mas eles não estavam muito dispostos a se separarem.

— Bem, até mais tarde, então... – Ela dizia a contragosto, com uma leve expressão chorosa.

— Vou morrer de saudades até lá...

— Exagerado... – E então, a Segundo-Tenente pressionava um selinho demorado nos lábios dele, se despedindo.

O loiro estava disfarçado aquele dia, afinal, era feriado e havia muitas pessoas nas ruas por conta dos tradicionais desfiles.

Ele olhava para Kiara, por baixo do boné de baseball, e embora estivesse frio, o sol despontava no imenso horizonte do céu azul.

Steve observava Mary atravessando a rua, ainda desacreditado que estivesse vivendo aquele sonho...

O relógio do Capitão América parou por quase setenta anos... porém, sentia como se tivesse dado um salto não somente no tempo, mas em seus próprios sentimentos, num curto espaço de tempo.

O Super Soldado via a Segundo-Tenente entrando na casa dos irmãos e finalmente resolvia ligar a ignição de sua moto e rumar para a torre dos Vingadores.

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Quando Mary Crystal entrou na casa, dava de cara com Wanda e Natasha, sim Natasha Romanoff, de prontidão em frente a escada, ambas com os olhos muito curiosos na direção dela.

— Ora ora, se não é a senhorita sumida... por onde esteve nos últimos dois dias? – A Viúva Negra começava com as perguntas audaciosas e tudo o que tinha em resposta era um sorriso largo da garota.

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Estava com um anjo dentro do paraíso... – A loirinha retorquia, suspirando enquanto fechava os olhos.

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— Eu realmente não quero espionar seus pensamentos, então pode nos contar como foi? – Wanda parecia muito curiosa. Queria saber se Steve e Mary tinham finalmente se acertado.

— Qual é, Wanda!? Onde está o Pietro, hein? – A Segundo-Tenente olhava ao redor, temerosa de dizer qualquer coisa estranha, caso aquele garoto irritante estivesse ali, ouvindo. E normalmente ele estaria, provavelmente esparramado no sofá da sala assistindo filmes de ação americanos, que ele dizia que odiava...

— Ele não está aqui. – A feiticeira assegurava, com um sorriso malicioso nos lábios.

— O que é isso que você está vestindo? – Natasha perguntava, apontando para o moletom escuro que Mary usava.

— Isso...? – Kiara percebia que estava de fato muito estranha naqueles trajes, porque eram longos demais para seu pequeno corpo. Obviamente eram roupas emprestadas de um Super Soldado, loiro, mais conhecido como Capitão América...

— É sério que você está usando as roupas do Capitão? – Wanda questionava o obvio.

— Bem, eu não levei nada meu quando resolvi me hospedar no apartamento dele, então o Cap me emprestou algumas coisas que ele tinha guardadas.

— Então essas roupas são tecnicamente suas agora? – Natasha tentava deixar Mary constrangida, mas a loirinha não parecia intimidada.

— É confortável até... – A garota sorria, tocando parte do casaco, sentindo o cheiro de Steve impregnado ali... céus, os dois estavam tão íntimos agora...

E em meio a um sorriso bobo, Kiara colocava as mãos no bolso da frente do moletom e percebia que havia algo dentro.

Ao tirar, notava que era um pequeno papel dobrado.

— O que é isso? – Wanda a indagava.

— Parece ser um bilhete... – A loira redarguia e ao desdobrar o papel, havia uma pequena margarida amarela presa num plástico.

No papel, os seguintes dizeres...

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Mary,

espero que você ache esse bilhete antes de nos encontrarmos novamente. Eu queria te dar algo bonito essa manhã, então peguei uma pequena margarida do vaso em frente ao meu apartamento.

Espero que isso ilumine seu dia, e te faça sorrir.

Vejo você a noite para o jantar.

Amo você.

Steve.

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Ao terminar de ler o bilhete, os olhos de Kiara brilharam e ela se sentia derreter internamente com a linda declaração do Super Soldado estampada com tinta nanquim naquele papel...

— Uau... – Mary estava boquiaberta... Steve Rogers era um homem extremamente romântico, poético e lírico... cada pequeno detalhe que o mesmo se esforçava em demonstrar para surpreendê-la, fazia com que a garota ficasse ainda mais apaixonada...

— Ele te deixou um bilhete? – Natasha indagava.

— E uma flor num plástico... – A Segundo-Tenente sorria divinamente feliz.

— Isso é muito romântico... – Wanda dizia num entusiasmo tremulante, em uma vã tentativa de não rir.

— Parece que estou vivendo um conto de fadas... – A loira redarguia, quase chorando de emoção. Naquele momento, só tinha vontade de abraça-lo e beijá-lo até o anoitecer...

— Tá agora para de enrolar e nos diga como foi. – Natasha se aproximava, encurralando Mary Crystal no canto, a olhando de cima em baixo, ansiosa por ouvir como tudo tinha acabado entre aquele casal briguento.

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Ah... bem... você sabe... – A Segundo-Tenente rolava os olhos para cima, tentando disfarçar.

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— Queremos detalhes. – A Viúva Negra fixava seu olhar no rosto dela, contendo um meio sorriso cínico de canto.

— Detalhes? – Ela não sabia por onde começar, e embora não tivesse problemas em dizer, temia que Natasha espalhasse os ‘detalhes’ para os demais Vingadores.

— Anda logo, Mary. Desembucha. – A ruiva cruzava os braços, estreitando o olhar.

— Se você prometer que isso ficará apenas entre nós três, eu posso dizer.

— Eu prometo.

— Ah, Nat, todo mundo sabe que você não guarda segredos da vida amorosa do Cap, então essa sua promessa não vai colar, sabe...? – A loirinha redarguia, se sentando no sofá da sala.

— Uma coisa é não guardar segredos porque estava tentando juntar vocês dois, outra coisa é sair espalhando detalhes da vida sexual de um casal que acabou de se acertar, e esse segundo fator não virá a público.

— Sério...? Nem o Clint vai saber...? – Mary olhava para a ruiva de forma desconfiada.

— Nem o Clint, porém depende... agora fala logo... – E então, Natasha se sentava ao lado da garota no sofá, com Wanda se sentando na poltrona em frente.

As duas olhavam fixamente para Mary, esperando o que a garota diria.

— Bem... o Steve chegou aqui dois dias antes, às oito da noite, e então eu o convenci de me levar para o apartamento dele.

— Ele aceitou de cara? Não contestou? Não fez discursos moralistas de como isso era errado? – A espiã a questionava, sorrindo largamente. Ela já conhecia muito bem a personalidade retrógrada e conservadora do Capitão.

— Sim, ele relutou bastante, mas consegui fazê-lo mudar de ideia. Não foi fácil, porque o Cap esperava que iríamos com calma, mas eu fui logo mandando a real e isso o assustou bastante no início.

— Ele é bem diferente do Bucky... – Wanda confessava, fazendo Natasha e Mary a olharem, perplexas.

— Não, não, vocês não estão entendendo... é só que o Bucky disse que se fosse com ele, não perderia tempo e... por que eu tenho que explicar isso pra vocês? – A feiticeira redarguia, um pouco embaraçada, porque era obvio que todos sabiam que rolava um clima bem estranho entre ela e o sargento.

— Continue, Mary. – Natasha pedia para a loira prosseguir.

— Ok, resumindo... o Steve me levou pro apartamento dele, nós escolhemos uma música e a elegemos como nossa, dançamos juntos e então... aconteceu... – Kiara olhava para cima, parando ali.

— Aconteceu o quê!? – Nastaha a contestava, querendo saber mais.

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Aconteceu! Você sabe! Nós... aah, eu não preciso dizer o obvio! – A garota replicava, um pouco envergonhada.

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— Uau... você tirou mesmo a virgindade do Rogers? Estou impressionada... – A Viúva Negra começava a rir, desacreditada da situação.

— Deve ter sido... doloroso, certo...? – Wanda a indagava, imaginando que não deve ter sido fácil, afinal, Steve era um homem com um porte físico acima do normal, e Mary? Bem ela era uma garota de estatura pequena.

— O Steve foi maravilhoso... ele agiu com cautela, zelo e muito carinho... o lugar mais seguro do mundo com certeza é nos braços dele... – Kiara revelava, com um sorriso apaixonado. Nem conseguia disfarçar o quão maravilhada e fascinada ficava por conta de toda a gentileza, cuidado e amor que o Super Soldado tinha por ela.

— E ele deve ser gigante, não é mesmo...? – Natasha a provocava com uma pergunta muito obscena.

— Sim... você não tem ideia... – A garota fazia uma careta, ainda temerosa por se recordar do sofrimento que foi no início.

— E a performance? Ele se saiu bem? – A ruiva continuava a fazer perguntas descabidas.

— Sim, foi excelente. Nem parecia um homem inexperiente.

— Será que não era...? – A ruiva sorria de canto.

— Não coloque minhocas na cabeça dela, Nat! – Wanda repreendia a espiã.

— Não foi rápido, se você quer saber... demorou bastante... ele tem um autocontrole fora do normal...

— E doeu muito...? – A ruiva prosseguia com as perguntas inadequadas.

— Claro! Não foi nada fácil pra mim, e... o Steve é o tipo de homem que gosta de obscenidades, mas puras, carinhosas e muito românticas, sempre dizendo que não queria me machucar...

— Uau... – Wanda estava impressionada.

— O Cap se saiu muito bem... ele soube conduzir tudo da melhor forma possível e eu não poderia estar mais grata e feliz...

Wanda e Natasha observavam o sorriso fascinado da Segundo-Tenente.

— Ficamos felizes por tudo ter dado certo, Mary. Vocês dois mereciam ficar juntos depois de tantas coisas pesadas que passaram. – A feiticeira dizia num tom ameno.

— Eu sei... obrigada por me ajudarem, meninas... – A Segundo-Tenente agradecia.

— Mas agora que vocês estão bem íntimos, posso te dar um último conselho, Mary? – Natasha fazia a pergunta num tom mais obscuro.

— Claro, Nat.

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Tente ter o dobro da paciência que o Rogers tem, porque dois estressados juntos é um campo de guerra e não um namoro.

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A loira arqueava um sobrancelha.

— Por quê está me dizendo isso?

— Se esqueceu de como vocês dois brigavam o tempo todo antes? Acha que isso não pode voltar a acontecer? É agora que as coisas pioram, Mary. Se você ama o Steve do jeito que eu imagino, então espero que não cometa deslizes e nem aja como uma garotinha pirracenta quando os problemas vierem.

— Que problemas...?

— Você nunca esteve em um relacionamento antes, certo?

— Nunca...

Natasha sorria, olhando para o lado. Céus, ela ainda teria muito trabalho com aquele casal briguento, sim, briguento, porque na concepção da ruiva, os dois ainda teriam muitas discussões até se adaptarem totalmente.

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Ouça mais um conselho... quando vocês brigarem e você tiver vontade de arrancar a cabeça dele, a sugestão que tenho é: façam as pazes na cama.

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Wanda arregalava os olhos diante das palavras da espiã e Mary exibia uma careta monstruosa.

— Qual é a lógica de fazer as pazes na cama se você estiver com raiva da pessoa?

— Porque o ódio e o amor são uma linha tênue, Mary. Aceite meu conselho. Isso vai dar certo, porque tenho certeza que vocês dois ainda vão brigar muito.

— Mas eu não quero mais brigar com ele, Nat...

— Sério...? Então quando a primeira briga oficial como namorados acontecer, me diga como se saiu... – A ruiva cruzava os braços, com um sorriso de canto cínico nos lábios.

Kiara tinha medo daquela expressão... Natasha era alguém tão conhecedora de tudo assim?

— Certo, você pode ter razão, mas... o Steve não é alguém tão complicado... sempre sou eu que estrago tudo... ele... é só um cara normal, que me deixa segura e ouve meus impropérios e gracinhas sem maiores problemas...

— Nossa... ela vai começar a falar da imensa lista de qualidades do Rogers... está preparada pra ouvir, Wanda...? – A ruiva revirava os olhos.

— Sempre estou. Nos diga, Mary... o que você conheceu do Steve durante esse tempo que passou com ele? – A feiticeira a incentivava a continuar falando, mesmo Natasha achando tudo aquilo meloso demais.

— Aah, foram tantas coisas... tantas coisas pequenas e grandes... o Steve tem tantas e tantas qualidades escondidas, e que poucas pessoas conhecem... ele faz tudo pra me agradar... do tipo: levar o mundo numa bandeja até a cama quando acordo... de me trazer flores, de me levar para algum lugar só para vermos as estrelas, de dividir as pequenas tarefas domésticas comigo só pra não me sobrecarregar... de me deixar ansiosa com surpresas maravilhosas, como essa do bilhete... ele é tão diferente em todos os aspectos...

— Sério? E o que mais...? Meu nível de glicose ainda não atingiu o ápice... – Natasha continuava desdenhando, enquanto Mary sorria como uma menina apaixonada.

— Você quer mais? Bem... o Steve me ouve como se me entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios... Ele esconde algumas coisas de mim só pra não me chatear e não me deixa descobrir, mas quando descubro, por mais que haja uma briga, é muito nítido que foi só por pura proteção... ele protege... e eu me sinto segura com ele...

— Ok, chega. Vamos parar com esse açúcar todo. Estou enjoada... – A espiã revirava os olhos, farta de tanto romantismo.

— Mas eu estava gostando de ouvir... – Wanda protestava, querendo saber mais sobre aquele romance tão lindo do Capitão com a Segundo-Tenente.

— O que vai fazer hoje à noite, Nat? – Kiara a contestava.

— Ver uma velha amiga. Ficarei ausente o dia todo, já que é feriado, então não procurem por mim.

— Ia te chamar pra jantar com a gente hoje... – Mary redarguia.

— Sinto muito, mas já tinha planos, e eu também não quero parecer uma vela russa no meio de dois casais.

— Dois casais? – A loira não entendia.

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Você e o Rogers e a Wanda e o Barnes...

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— O quê!? A Wanda e o Bucky? Como é!? – Kiara ficava boquiaberta diante de tais palavras.

— A Nat só está brincando, Mary. Não acredite nela. Eu e o Bucky não somos um casal. – A feiticeira rebatia, com um semblante assombroso em resposta.

— Não são ainda... – A ruiva sorria, e embora fosse contra, sabia melhor do que ninguém que Wanda tinha muita capacidade de se defender sozinha, caso o sargento mulherengo tentasse algo.

— Ok, será que alguém pode me explicar o que está acontecendo!? – Mary protestava, não entendendo aquele diálogo.

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Enfim anoitecia, e Steve voltava para o apartamento junto com Bucky.

O sargento estava muito estranho nos últimos tempos, e obviamente seu amigo notava.

Pelo pouco que sabia, era algo envolvendo Wanda Maximoff.

O loiro caminhava lentamente com seu amigo pela calçada que dava acesso a entrada do prédio onde morava. Ele carregava uma sacola sofisticada com a garrafa de vinho que prometera a Mary naquela manhã.

— Então... o que está acontecendo com você e a Maximoff...? – Steve era direto, e Bucky sorria com a menção de Wanda, não se incomodando em negar que algo estava acontecendo... porque estava muito nítido sua atração pela feiticeira...

— Não está acontecendo nada ainda... tenho que estar com meu cérebro 100% consertado antes...

— Você e sua queda por morenas... – Steve sorria de volta, achando engraçado a melancolia do sargento.

— Nossas vidas são estranhas, não acha, Punk...?

— Depende...

— Você está aí, feliz com sua loirinha piloto depois de tantas idas e vindas, e eu estou aqui, sem saber o que fazer...

— Por quê...?

— Eu não sei como explicar... eu e a Wanda somos amigos... mais do que amigos... mas nós apenas nos encaixamos nesses moldes e não saímos do lugar...

— Você já tentou tomar alguma iniciativa?

— Não... tenho medo de assustá-la... você sabe, ela ainda é muito jovem e... me sinto sujo por sentir essas coisas estranhas por uma garota como ela...

— Como o que eu sinto pela Mary?

— Não exatamente... acho que ainda é prematuro... – O soldado redarguia, com um sorriso derrotado nos lábios.

Ele amava a companhia da feiticeira e as conversas que tinham quase até tarde da noite eram tão rotineiras... os dois tinham tantas coisas estranhas em comum... hábitos, experiências, opiniões...

— Teve uma vez que ela veio até o apartamento, quando você estava ausente numa missão, e quando chegou, me encontrou deitado no sofá, assistindo um filme preto e branco, antigo... ela ficou parada, me observando, alegre por me ver calmo, com uma expressão serena, tão vulnerável...

— E então?

— E então eu a convidei para assistirmos o filme. Ela topou, nós ficamos ali no sofá, muito próximos, apenas compartilhando o calor um do outro...

Steve arqueava uma sobrancelha.

— Você... não tentou nada, certo?

— Não tive coragem... eu não a enxergo como as outras... ela é única... tenho medo de quebra-la, ainda que na prática, quem sairia quebrado sou eu...

— Está com tanto medo assim de dar o próximo passo?

— Sim... ela sabe o que eu penso, mas eu não sei o que ela pensa... tudo parece tão confuso...

— Eu sei como é estar de pés e mãos atados quando se está apaixonado por uma garota. Foi mil vezes pior com a Mary...

— Eu sei... essa sensação é estranha... e... eu gosto tanto da companhia dela... às vezes nós ficávamos em silêncio e juntos... às vezes eu contava algumas piadas e ela sorria... mas continuo perdido, sem saber como agir...

— É novo pra mim te ver assim por causa de uma garota. Nos anos 40, era você que deixava todas as damas em completo estado de êxtase. – O Capitão brincava, se recordando dos velhos tempos.

— Sim... acho que estou pagando meus pecados por ter iludido tantas mulheres décadas atrás...

— Quem sabe...? – E então, ambos chegaram em frente ao prédio.

Bucky respirava fundo, tentando se convencer de que ele e Wanda eram apenas amigos, mas a palavra parecia a mais errada possível para definir aquela situação... amizade não se encaixava...

E então, os dois entraram no prédio...

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Quando Steve e James subiram e entraram, Mary e Wanda já estavam lá. Era possível ouvir a voz das duas, que conversavam na cozinha.

O sargento arregalava os olhos ao notar a voz da feiticeira no apartamento.

Ele olhou para trás, encarando Steve, tentando entender o que estava acontecendo.

O loiro apenas deu de ombros e deixou seu amigo ali, um pouco desesperado.

James não estava em condições de encarar Wanda Maximoff aquela noite.

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Steve se aproximava sorrateiramente da cozinha, vendo Kiara conversando com a feiticeira.

A Segundo-Tenente que estava de costas, não notava a presença dele ali, e ao olhar na direção do Capitão, Wanda o observava fazendo sinal de silêncio, apenas para que a loirinha não percebesse que ele havia chegado.

— Vou ao banheiro, Mary. Logo volto. – A garota passava por Kiara, que terminava de guardar alguns utensílios no armário da cozinha.

— Ah ok, Wanda...

A feiticeira passava por Steve, com um sorriso divertido no rosto.

O Super Soldado andava na ponta dos pés, abafando o som de seus passos, e então, agarrava sua namorada por trás, numa chave de braço, murmurando contra o ouvido dela...

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Me dê seu amor e carinho e ninguém sairá ferido...

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Mary Crystal se assustava com aquele aperto repentino, sentindo o toque gélido dos lábios de Steve em sua nuca, que beijava apaixonadamente o local.

— Hey, quer me matar de susto!? – A loira o repreendia, rindo, com o coração muito disparado. Não estava preparada para vê-lo chegar daquela forma ali.

— Me desculpe, mas não resisti... – Ele redarguia, imerso no perfume dela.

Quando a garota se virou, Steve se inclinou, pressionando os lábios suavemente nos dela. A boca da Segundo-Tenente se abriu ligeiramente sobre a dele, exprimindo um gemido suave no fundo de sua garganta.

Ambos de olhos fechados, sentindo tudo mil vezes mais intenso do que de manhã... tão ansiosos pra se verem, numa adrenalina avassaladora e vulcânica...

Kiara pressentia o chão sair de seus pés de novo... era sempre assim quando o Super Soldado chegava...

Céus... ela o amava de uma maneira incrível e extraordinária... e quando já não sabia mais o que sentir por ele, apenas respirava fundo perto de seu pescoço, começando a desejar tantas coisas que não sabia que existiam... e sempre precisava disfarçar, porque começaria a rir, só que no processo, Steve também acabava rindo...

Era inexplicável... a certeza que amar enlouquecia, corroía, dava medo, muitos ciúmes, uma saudade tão estúpida de garotinha romântica e apaixonada e de querer estar perto, tão perto... juntos, próximos e colados... pra nunca mais se separarem... era indigno, mas tão delicioso de se sentir...

A garota finalizava o beijo, abrindo os olhos, feliz... muito feliz...

— Obrigada pelo presente que você escondeu no casaco de manhã... – Ela murmurava contra os lábios dele, com os braços em torno do pescoço masculino, totalmente pendurada.

— Ah, então você achou...?

— Você é maravilhoso, Steve... eu tenho tanta sorte...

— Eu é que tenho sorte, cristalzinho... – O loiro piscava, sorrindo, mirando fixamente as lindas esmeraldas reluzentes dos olhos de Kiara. Sua mão subia, descansando na bochecha feminina, num doce carinho... ele amava sentir a textura marmorizada da pele alva...

Kiara fechava os olhos, apenas para que pudesse sentir aquela carícia ainda mais profundamente...

Submersa no toque delicado, Steve sussurrava no ouvido dela...

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Eu te amo...

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Mary Crystal abria os olhos, o encarando com uma expressão deslumbrada...

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Eu também te amo...

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E então, ambos fecharam os olhos novamente, sentindo a ponta de seus narizes se encostando... era como se o tempo tivesse parado e aquele momento fosse eterno...

A garota ria, de olhos fechados, imaginando como seria vida daqui em diante...

— Droga, Cap...!

— O que foi...?

— Eu preciso voltar pro meu trabalho na Força Aérea um dia... como vou fazer isso se agora eu namoro com você...?

— Hmm... por que não me leva junto...? – O loiro enlaçava a cintura de sua namorada com os braços, trazendo-a para mais perto, apenas para fita-la com mais precisão.

— Você quer voar no meu jato...? – Kiara brincava, sorrindo plenamente.

— Sim...

— Confia em mim, Capitão América...?

— A todo momento e em qualquer lugar... – Steve piscava, sorrindo para sua garota.

— Certo... mas se você quiser vir comigo, terá que ir com aquele seu uniforme tático da SHIELD, que é bem sexy por sinal...

— Não sabia que você gostava tanto desse traje.

Eu amo... valoriza o seu... bumbum... – A loira esbanjava um sorriso obsceno em resposta.

— Uau... você é mesmo apaixonada no meu bumbum...

— Você não tem ideia das lindas fantasias que tenho com você...

— Está me assustando...

— Deveria ficar assustado mesmo, porque eu mordo...

— Desde que não me arranque um pedaço...

— Eu não arranco um pedaço... eu devoro...

— Que menina gulosa...

— Você ainda não viu nada... – E então, ela o puxou para mais um beijo, quente, inebriante e apaixonado.

Steve tinha a mania de amar os defeitos de Mary, a curando todos os dias de si mesma... era tão incrível ser quem era com ele...

Quando terminaram, Kiara se inclinava para trás, com os braços de Steve ainda presos em sua cintura, e então, ele apoiava o queixo no ombro dela...

Seu nariz percorria a curva da clavícula exposta por conta do casaco largo que ele havia emprestado para ela... e então, passava a absorver o cheiro da garota... porque não havia nada mais aromático no mundo do que o perfume delicioso de sua namorada...

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Você cheira a maçã e baunilha... – O Capitão murmurava contra o ouvido dela, fazendo-a rir baixinho...

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Mary Crystal estremecia ao senti-lo farejando seu pescoço... era tão fácil estar rendida nos braços do Capitão... era tão fácil derreter em sua presença...

Dois dias desde a primeira noite de amor entre ambos, e quando estavam juntos e tão próximos, o clima era carregado de muita tensão sexual, expressões convidativas e insinuações obscenas... e Steve se perguntava se realmente foi certo apressarem as coisas, porque agora, seria difícil não se sentirem tão atraídos e desejosos um pelo o outro...

E então, quando o Super Soldado a mirava novamente, atentava para os lábios entreabertos e o olhar levemente lascivo da Segundo-Tenente... era tão difícil resistir a ela...

O loiro se inclinava novamente para frente, de uma maneira propositalmente exagerada, apenas para permitir a visão generosa dos seios volumosos da garota diante do decote do casaco... e ele gostava de imaginá-la por baixo dele... seus hormônios potentes pareciam estar a mil aquela noite...

Mary se deliciava ao perceber que conseguia deixa-lo aceso... espalhar todas aquelas provocações sexualmente estimulantes pela visão, tato, olfato e paladar... e também porque amava trazer o tom encantador de vermelho as bochechas dele...

E naqueles dois dias, a garota também percebia que às vezes o Capitão se aproximava de seu ponto de ebulição... o ponto em que ele perderia a contenção, deixando de lado suas inibições e sua personalidade moralista, permitindo sentir o impacto da devassidão reprimida, no entanto, cada vez em que ele recuava, se acalmando, Mary colocava como seu maior objetivo, fazê-lo perder totalmente o controle... porque desejava saber como Steve seria sem aquele domínio quase implacável... como seria se ele simplesmente liberasse 100% de todos os seus desejos refreados?

Olhando intensamente nos belos olhos azulados do loiro, Mary resolvia dizer o que tinha em mente...

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Se estivéssemos sozinhos aqui... eu e você... podíamos... – Ela parava no meio, o provocando da forma mais deliberada possível.

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— Teremos outra oportunidade no futuro... mas devíamos ir devagar... não quero apressar as coisas de novo... – O Super Soldado replicava, num tom baixo e sensual, tentando se manter no controle de seu juízo, o que era extremamente difícil para ele...

— Ou poderíamos tentar mais tarde...? Talvez em outro lugar...? – A garota sugeria, inclinando-se para frente, encontrando os lábios de Steve num beijo delicado... aqueles lábios celestiais e aveludados que só ele tinha...

Os olhos do Capitão fechavam involuntariamente, enquanto saboreava a suavidade da boca dela contra a sua... mas cinco segundos depois, resolvia quebrar o beijo, e o que tinha em sua frente era o sorriso travesso e provocante de Mary Crystal.

E então, percebendo que o clima havia esquentado, Steve dava um passo para trás, largando o corpo da garota no mesmo instante.

— Nós teremos outra oportunidade um dia, Kiara... – O Super Soldado reforçava as palavras de antes, tentando manter seu juízo intacto.

— Tudo bem... eu vou esperar o tempo que for... – A Segundo-Tenente sorria de canto, enquanto o loiro olhava para baixo, se sentindo... culpado...

— Me desculpe...

— Pelo quê...?

— Se estou parecendo um... pervertido...

— Ah, Cap, pensei que você é que me chamaria de pervertida... não percebeu como fico quando você me toca dessa forma...? É tão irresistível... – Kiara aproximava um passo, no ímpeto de encurtar a distância entre ambos, o desafiando.

Steve podia vislumbrar um brilho demasiadamente libertino nos olhos esverdeados da loira.

O Capitão estremecia de antecipação, mas recuava novamente um passo para trás.

— Como foi o seu dia? – Ele a indagava, tentando desconversar, apenas para que pudesse se controlar novamente.

— Normal... e o seu?

— Normal... quer dizer... o Tony estava me esperando ansioso na torre... – O loiro começava a corar um pouco, e Mary já imaginava o porquê.

— Ele te fez narrar com detalhes como foi a sua primeira noite comigo? – A garota sorria de forma sórdida, achando as extravagâncias de Tony Stark hilárias.

— Como você sabe...? – O Super Soldado virava o rosto, coçando a nuca, totalmente desconsertado.

— Por que a Nat e a Wanda fizeram a mesma coisa comigo hoje.

A Nat é...? – O olhar de Steve mudava, ficando um pouco mais nebuloso.

— Relaxa... a única pessoa que pode saber disso por ela é o agente Barton.

— Bem, pelo menos o Barton é uma pessoa discreta...

— Foi o que pensei...

— Ah, eu trouxe o vinho... – O Super Soldado pegava a sacola de papelão que estava ao lado da porta da cozinha.

— E quanto ao espaguete? Você vai mesmo fazer...?

— Sim. Eu trouxe o Bucky de volta pra me ajudar.

— Sério? Vocês também cozinham juntos?

— Desde que éramos pequenos... – O Capitão sorria triunfantemente, orgulhoso da comida que ele e seu amigo faziam.

— Uau... isso é inédito.

— Bucky costumava ajudar a mãe e a irmã na cozinha vez ou outra, e eu... bem, você sabe... fui criado apenas com minha mãe...

— Certo... então eu e a Wanda vamos ficar apenas de expectadoras enquanto vocês cozinham! – A loira ria, achando aquela situação muito engraçada.

Dois homens cozinhando, enquanto as duas jogavam videogame? Seria divertido...

— Tenho certeza que vocês vão adorar... – Steve se aproximava novamente, pegando na mão delicada da garota, a segurando com muito carinho.

— Eu não poderia estar mais feliz estando com você, Cap... – Ela admitia, apertando a mão dele de volta, fazendo-o corar mais uma vez...

— Fico feliz que você se sinta assim, Mary... – O loiro redarguia, voltando a olhar para o rosto da garota...

Os olhos azuis majestosos a fitavam com total adoração... e aquela expressão de devoção ficava gravada em seu rosto...

Os dois se entreolhavam, e enquanto o Capitão mantinha seus dedos parcialmente entrelaçados nos dela, ele abaixava a cabeça, dando um beijo no calcanhar da mão da Segundo-Tenente.

— Vou chamar o Bucky pra começarmos a fazer a janta. – E então, o loiro se afastou, indo na direção da sala.

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Bucky e Wanda conversavam despreocupadamente por muitos minutos, com ambos ignorando as coisas mútuas que estavam carregando ao mesmo tempo, sobre si mesmos.

— Então agora você tem um... iPhone...? – O sargento a indagava, achando engraçado, porque Wanda e Pietro odiavam tudo sobre os americanos.

— A Nat disse que seria melhor que tivéssemos um... – A garota justificava, um pouco embraçada, porque de fato, não era fácil ter que ceder até mesmo a tecnologia americana.

— Posso ver?

— Claro.

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A feiticeira entregava o aparelho nas mãos do soldado, que apertava a tecla de desbloqueio, e dava de cara com a foto de um gatinho com um arco-íris no plano de fundo.

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James arregalava os olhos... era fofo... Wanda era apenas uma menina... uma menina normal, que depois de sofrer tanto, merecia ser feliz, e com certeza não seria com uma mala sem alça como ele ao lado...

Seu peito apertava, porque sabia que tinha de se afastar dela... tinha medo de que seus sentimentos ficassem desenfreados, semelhantes aos de Steve por Mary.

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Ele jamais poderia deixar que as coisas chegassem aquele estágio... Wanda não merecia...

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Bucky achava que o fato da feiticeira odiar os americanos, era um bom motivo para afastá-la... poderia machucá-la com seu típico jeito galã, que sabia que ela secretamente odiava, e então... ele se aproximou lentamente dela, estreitando a distância entre ambos.

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Sabe, eu saio com muitas garotas... e elas são todas sexualmente liberadas...

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Wanda virou o rosto na direção dele, um pouco perplexa com aquela declaração audaciosa e... do nada...?

Ela engoliu a seco...

— Uau... ótimo pra você... aah... qual é o termo pra definir sua posição...? Xavequeiro...?

— A garotinha sokoviana não entende, não é mesmo...? – James sorria de canto, no intuito de deixa-la irritada.

— Poderia, mas não quero... – Rebatia, de forma fria, mostrando que não se importava, de fato.

— Eu vejo... está curiosa para saber, não é...? Você deixa muito explícito que é uma garota inexperiente...

— E no que isso exatamente mudaria minha vida? – A feiticeira o contestava, encurralando-o.

— Ah, bem... você está perdendo toda a diversão de sua juventude...

— Acho que prefiro ler... adquirir conhecimento é muito melhor do que sair com outras pessoas só pra manter contatos físicos e trocar fluídos corporais... – E mais uma vez a garota rebatia, deixando-o sem argumentos.

— Tem certeza que prefere ler? Se quiser adquirir conhecimentos antigos, eu posso ser um livro aberto para você agora mesmo... – E então, o soldado se aproximou ainda mais, passando braço por trás do corpo dela no sofá.

Wanda olhava para Bucky com atenção... o sorriso de canto que florescia em seus lábios, faria qualquer mulher no planeta desmaiar...

Um bom canalha conseguia fazer qualquer mulher se sentir única, mesmo se você fosse só mais uma...

Ele pensou que a deixaria constrangida, mas...

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Seus neurônios estão dando curto circuito depois da última peregrinação que fiz em sua mente ou você comeu alguma coisa estragada e está delirando, James...?

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Automaticamente o sargento se afastou, não esperando aquela resposta tão fria e desagradável.

— Aah... eu... – O soldado ia terminar de responder, isso se Kiara não tivesse corrido na direção dos dois e dado um tapa na cabeça dele.

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Para de ser idiota, Bucky! Acha que vai assustar a Wanda só com isso!?

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O soldado encarava a loira com certa perplexidade.

Do outro lado, Steve segurava o riso, enquanto mantinha o ombro encostado na parede, observando a cena ridícula de seu amigo tentando de tudo para magoar Wanda Maximoff, só porque ele já estava caidinho por ela...

— Não diga isso, Mary... o Bucky está acostumado a sair com muitas mulheres e achou que faria o mesmo comigo. – A feiticeira rebatia, ironicamente, só para deixar o sargento pior.

— Até parece! Todo mundo sabe que ele não sai com ninguém! Ele e o Steve sempre tiveram pavor de sair com as mulheres desse século!

Wanda começa a sorrir diabolicamente...

— É verdade...? Mas você não é o garanhão do Brooklyn, sargento Barnes...? – A feiticeira enfatizava ‘sargento Barnes’ apenas para provoca-lo.

— Garanhão? Só se for dos pernilongos desse apartamento! Essa é a única coisa que ele atrai para cá! – Mary continuava a série de humilhações, apenas porque odiava ver aquele soldado idiota brincar com Wanda.

A Segundo-Tenente sabia que os dois se gostavam... só não entendia por que Bucky Barnes pretendia agir como um idiota para afastar a garota...

— Uau... parece que alguém estava mentindo apenas pra manter as aparências... – A feiticeira sorria.

— É típico de um cafajeste... — Kiara cruza os braços, ao lado da garota, rindo descaradamente.

Steve também ria da cara do amigo, e Bucky desferia um olhar fatal na direção dele.

Como Mary Crystal sabia que ele não saia com ninguém?

— Hey, seu Punk idiota, por acaso você disse algo pra ela!? – James apontava para Kiara.

— Dizer o quê...?

— Você é tão lerdo, Barnes... eu ouvi o Cap falando com você ao telefone outro dia. Foi uma conversa bem engraçada... – A Segundo-Tenente sorria maquiavelicamente.

— Sério, Bucky, por que você me trata como uma garotinha que não sabe de nada, mas age como se fosse um garotinho? Até meu irmão é mais evoluído que você... – Wanda exprimia uma feição divertida na face.

— Ah, é melhor esquecermos isso! Vem, vamos jogar videogame, Wanda! Até porque, eles vão fazer o jantar para nós! – A loira apoiava o braço ao redor do ombro da feiticeira, puxando-a dali, na direção da TV.

— Boa sorte na cozinha, garotos... – Wanda dava joinha para Bucky, caminhando com Mary na direção da Televisão.

Kiara olhava para trás, mandando língua para o sargento.

Bucky lançava um olhar colérico na direção de Steve.

— Eu juro que ainda vou te matar, seu maldito...

— Eu não sabia que ela estava me ouvindo falar com você ao telefone... – O Capitão dava de ombros.

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E então, uma hora depois, Steve e Bucky chamavam as meninas para jantarem.

Mary e Wanda iam para a cozinha, e a mesa já estava totalmente posta.

A Segundo-Tenente se surpreendia ao ver a mesa tão bem decorada enquanto o cheiro de alho, manjericão e molho permeavam o ar.

As duas garotas colocavam as mãos na boca, tamanha surpresa.

Espaguete ao molho com carne moída e muito queijo...

Como dois homens tão antiquados conseguiram fazer toda aquela obra de arte na cozinha?

— Espero que o rosto surpreendido de vocês duas signifique que nós fizemos tudo certo, caso contrário vou interpretar que erramos e que ainda sou péssimo em entender as mulheres...

— Claro que não, seu bobo... está tudo maravilhoso...! – Kiara sorria, deslumbrada.

— Talvez você devesse mudar a profissão de garanhão para cozinheiro profissional, Bucky... – Wanda provocava o sargento, que acabava se derretendo diante do elogio e do sorriso satisfeito da feiticeira.

— Posso considerar... isso se você deixar eu cozinhar pra você todos os dias... – O soldado piscava, num galanteio descarado.

Kiara dava outro tapa na cabeça dele.

— No dia que você souber o que quer, aí você está liberado pra cozinhar pra ela!

— Por que está respondendo pela Wanda!? Está parecendo o irmão irritante dela! – Bucky reclamava, se sentindo injustiçado.

— Nós vamos conversar em breve, Barnes. Esteja preparado. Agora cala essa boca, e vamos comer.

Wanda segurava um riso e James olhava com uma carranca infernal na direção do loiro.

— Dê um jeito na sua namorada, Steve!

— Eu não... ela pode fazer o que quiser... – O Super Soldado dava de ombros mais uma vez.

E então, os quatro se sentaram para jantar.

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Após o delicioso jantar, os quatro ficaram na mesa conversando por duas horas seguidas, entre risadas e piadas. Finalmente parecia um encontro duplo digno, já que todos os outros haviam falhado miseravelmente.

Mary e Wanda resolviam partir, porque já estava tarde.

Mas Bucky arrastava a feiticeira dali, se oferecendo para acompanha-la em casa, porque era bem notável o quanto Steve e Mary estavam praticamente se comendo com os olhos antes da loira decidir ir embora.

O sargento e a feiticeira então resolviam ir na frente e deixá-los a sós para que pudessem se despedirem melhor.

O Capitão levaria sua namorada embora logo depois, até porque, ambos passaram os últimos três dias juntos e todos sabiam o quão sofrido, tortuoso e demorado tinha sido para que aquele casal briguento se entender...

O Super Soldado colocava sua típica jaqueta de couro por baixo de uma camisa de manga comprida, já que estava muito frio aquela noite.

— Vamos...? – Steve pegava a chave da Harley, esperando por Mary Crystal na porta, mas...

A garota praticamente o empurrou contra a parede, pendurando-se em seu pescoço, olhando possessivamente naqueles lindos e esplendorosos olhos azuis celestes...

— Quero meu beijo de boa noite antes... – Kiara o intimidava, lhe arrancando um riso divertido.

— Não acha que está sendo muito violenta comigo hoje, senhorita Ellis...? – Ele rebatia, no mesmo nível da provocação.

— Estou esperando...

— Pare de brincar comigo, Kiara...

O coração de Steve estava acelerado... uma onda de choque e adrenalina percorria por todo seu corpo... estava ficando cada vez mais difícil resistir a ela...

— Se você não der o meu beijo, então eu vou roubá-lo...

— Se acalme, minha fada... – O Super Soldado se inclinava para frente, e então passava a roçar a ponta do nariz sobre o dela... ambas respirações começavam a se misturar...

Seus lábios pairavam sobre os de Mary Crystal, num doce e agonizante desafio...

E então, a Segundo-Tenente que já não tinha mais paciência para aguentar os joguinhos bobos de Steve, puxava o colarinho da jaqueta de couro com força, capturando os lábios macios do Capitão no mesmo instante...

O Super Soldado estava muito ansioso... a garota acendia a faísca de seus reprimidos instintos, presos nas profundezas de suas entranhas...

Ela o beijava com força e com vontade... e o obviamente o loiro notava quais eram suas intenções... a Segundo-Tenente queria que ele perdesse totalmente o controle... mas... justamente por entender aonde chegariam, conseguia forças o suficiente para se conter ao máximo, ainda que por dentro, desejasse se render...

O Capitão sentia sua namorada lhe beijando com tanta paixão, desejo e rendição, que tudo o que conseguia fazer era permanecer paralisado e cativo a ela...

Kiara notava a forma como Steve reagia... ele simplesmente não correspondia na mesma intensidade, e aquilo a irritava profundamente...

Ela quebrava o beijo... os lábios de ambos estalaram no processo... e então, passava a encará-lo com impetuosidade...

— Por que está fazendo isso comigo, Steve...?

— Porque não quero que sejamos precipitados...

A Segundo-Tenente revirava os olhos, desacreditada.

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Cap... aceite... nós transamos dois dias atrás... e agora não tem como voltar no tempo... eu te quero... não tem como controlar isso, então o que eu devo fazer?

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— Apenas seja uma boa menina e se acalme... – O Super Soldado depositava um beijo na testa dela, sorrindo logo em seguida.

— Como... você consegue ser tão...-

— Tão controlado? Porque preciso... não tenho escolha.

— Você tem escolha! Pode se render junto comigo!

— Eu não posso, Kiara... sou responsável por você e não quero que façamos coisas as quais possamos nos arrepender, por ser cedo demais.

— Bem, você está certo sobre algumas coisas...

— Certo quanto a ter trazido um contraceptivo para você no dia seguinte da nossa primeira vez, por que nem eu e nem você, pensamos nisso na hora? O que aconteceria se você engravidasse? Eu quero que tudo ocorra no tempo certo, então devemos ser racionais.

A loira abaixava a cabeça, sabendo que ele estava certo...

— Você tem razão... eu fui bem insensata sobre não nos prevenirmos... me desculpe...

— Que bom que te fiz entender...

— Ok... eu vou cuidar disso daqui pra frente, mas... me concede um último pedido?

— Que pedido?

— Você ao menos poderia me dizer como se sente quando estamos juntos e desse jeito...? Tenho a impressão de que talvez você perdeu o interesse em mim depois da nossa primeira vez... – A loirinha se lamentava, com uma expressão triste, os olhinhos melancólicos e um beicinho fofo...

Steve achava tudo aquilo muito encantador... Mary era uma menina tão insegura...

— Você quer a verdade...?

— Quero... – Ela erguia o rosto para fita-lo, ansiosa pelo que Steve lhe diria...

— Se não houvesse nada para nos atrapalhar hoje... então... – O Capitão pausava, começando a distribuir beijos por toda a extensão do pescoço feminino.

Kiara suspirava diante da carícia...

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Eu diria... não vá embora... fica... fica até a música acabar... até os créditos do filme terminarem... fica... eu não durmo cedo... ainda tem um pedacinho do seu pescoço que eu quero beijar... fica até o sol nascer... minha cama é macia, eu prometo te abraçar de conchinha e te fazer carinho até você pegar no sono... — Ele murmurava contra o ouvido dela, beijando a pele de sua mandíbula...

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Steve... – Mary Crystal gemia, sentindo-se estremecida... céus, como ele conseguia lhe causar um efeito daqueles?

O Capitão apertava a cintura feminina com seus fortes braços, lhe trazendo para ele...

Fica comigo... – Ele tornava a sussurrar aquelas palavras quentes em sua pele...

E então... por mais que a Segundo-Tenente soubesse que o Super Soldado só estava dizendo tudo aquilo de forma hipotética...

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Me dê uma razão para ficar...

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Quando a garota terminava de sussurrar aquelas palavras, os lábios do loiro encontraram os dela na quase escuridão da sala... Steve beijava todos os protestos ousados de Mary Crystal... e ela se arqueava, colando seu corpo ao dele, enquanto suas mãos desciam das costas fortes para as nádegas firmes e empinadas do Capitão, apertando-as com vontade contra o jeans que ele usava.

— Acho que isso é bom o suficiente... – O loiro interrompia o beijo, ofegante, confessando contra os lábios dela...

— Será...? – A Segundo-Tenente o indagava, derretida contra os braços fortes em torno de si...

E por mais que o desejo de ambos fosse se entrelaçar mais uma vez, exatamente como na primeira noite de amor que tiveram, eles resolviam se afastar...

Steve e Mary respiravam fundo, ofegantes, tentando recuperar o fôlego...

Dez segundos depois, eles voltavam a se olhar... reprimindo a imensa vontade de se beijarem intensamente e terminarem enrolados um no outro na cama do Super Soldado... fazendo amor...

A garota pigarreava, tentando disfarçar...

— Vamos...? – E então, Mary Crystal pegava na mão do Super Soldado, que suspirava densamente, tentando regular a respiração.

— Sim, é hora de ir... – E então, o loiro trancava a porta, prestes a sair dali para levar Kiara até a casa dos irmãos Maximoff.

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Até quando os dois conseguiriam resistir um ao outro...?

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