Nemesis

26 Decisões, revelações e confissões complicadas


Decisões, revelações e confissões complicadas

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19 de Maio de 2012, 03:04 PM

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Malibu – Califórnia

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Os Vingadores se reuniam na mansão de Tony Stark em Malibu.

Após a escapada de Steve que durou por volta de três semanas, o grupo se reunia novamente para traçar um novo cronograma de metas e etapas.

Todos já se encontravam ali.

Steve e Mary foram os últimos a chegarem.

Enquanto o Capitão tratava de alguns pontos com Nick Fury e Maria Hill, a Segundo-Tenente perambulava pela imensa sala da mansão do bilionário.

Ali, ela encontrou um piano de cauda e seus olhos brilharam no mesmo instante.

A loira então se sentou no banco em frente ao instrumento e tocou a nota dó da quarta oitava.

Parecia estar afinado... mas precisava ter ainda mais certeza, então, ela tocou um acorde de seis notas com as duas mãos, percebendo que o instrumento se encontrava em perfeitas condições.

A loirinha sorriu, matreira e aventureira... a última vez que tocou, foi na festa dos veteranos... então o que poderia sair dali...?

Curiosa para conhecer o timbre daquele piano, Kiara começou executando uma série de arpejos, mas pisando no pedal que abafava o som, justamente para não chamar atenção de ninguém ao lado de fora e nem fazer tanto barulho.

Sua vontade era executar Inverno das quatro estações de Vivaldi, com muita agressividade, no entanto, aquilo assustaria qualquer um que ouvisse do lado de fora, já que a sala da mansão fazia um incrível eco.

Mary então olhou para trás, temendo que alguém a flagrasse tocando, só que ela não desistiria tão fácil...

A garota começava a tocar uma música... uma delicada canção...

The Gathering – Forgotten.

Era uma música curta, fácil e nada barulhenta...

Tocando numa dinâmica extremamente delicada, ela começava a cantar de forma módica e moderada enquanto seus dedos deslizavam pelas teclas do piano...

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Have you forgotten, (Você já esqueceu)

All this beauty Around you? (De toda esta beleza ao seu redor?)

All your worries, (Todas as suas preocupações)

Could easily fade, (Poderiam facilmente desaparecer)

Behind you... (Por trás de você...)

Who is pulling you back, (Quem está te empurrando para trás)

With such strength? (Com tanta força?)

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Tocando o mais baixo que podia, a garota não queria chamar atenção e o que mais desejava era que todos eles demorassem muito tempo para entrarem ali, apenas para que pudesse tocar tudo o que tinha vontade, só que...

Tony e Steve atravessaram o imenso corredor que ligava a entrada da mansão à sala onde Kiara estava e a flagraram fazendo o que a ela mais temia...

Tocando e cantando...

Tony franziu o cenho e inclinou a cabeça para o lado, surpreendido, já Steve apenas havia se esquecido que Mary Crystal era uma exímia pianista e cantora.

Os dois Vingadores ficaram parados observando-a tocar tão... perfeitamente...

Ela era incrível...

E para seu azar, a garota se encontrava tão concentrada que simplesmente não notou a presença dos dois ali.

A música que tinha um tom melancólico e uma letra extremamente sentimental, fluía de forma extremamente esmerada...

E então, ela voltava a cantar em consonância com as notas do piano...

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I hear you calling… (Eu ouço você chamando...)

Your voice is bright… (Sua voz é brilhante...)

You hear me calling back, (Você me ouve responder)

After fighting, (Depois de lutar)

You're always right, (Você está sempre certo)

You're always right, (Você está sempre certo)

And I tried… (E eu tentei...)

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A voz dela era doce, lírica e suavizada... uma melodia que poderia arrancar lágrimas dos olhos das pessoas mais sensíveis, porque a forma como a música fluía, tocava a alma...

Embora houvesse dois espectadores ali, somente um se sentia extremamente tocado...

Steve...

Era como se a voz tão macia dela, ecoasse divinamente por seus ouvidos, abduzindo-o daquele lugar...

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Who is pulling you back, (Quem está te empurrando para trás)

With such strength? (Com tanta força?)

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I hear you calling… (Eu ouço você chamando...)

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E então, ela terminava a melodia, satisfeita por não ter errado uma nota sequer, mas...

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Kiara pulou do banco quando ouviu as palmas extravagantes de Tony Stark... do nada...

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— Bravo, bravo, bravo!!! Temos uma musicista no grupo e nossa tripulação está finalmente completa!!! – O Homem de Ferro assobiava, animado, arrancando uma cara assustada da loira.

— Mas... o que vocês estão fazendo aqui!? – Ela abaixava a tampa das teclas, exasperada.

— Por que está assustada? Não queria que ninguém aqui te pegasse tocando piano!? Quer esconder os seus dons, cachinhos dourados? – O gênio das Indústrias Stark a provocava, deixando-a levemente irritada.

— Muito engraçado, Stark... mas por favor, dê um jeito em seu piano, porque as notas ré e sol estão altas.

— E o que isso quer dizer?

— Estão desafinadas mais para cima...

— Uau, seu ouvido é muito apurado... desde quando sabe tocar piano?

— Desde os quatro anos de idade...

— Tão clichê... mas me diga, é possível você tocar um piano version de Highway to Hell do AC/DC?

— A trilha sonora que você coloca todos anos na Stark Expo? Você quer uma versão adaptada? Eu posso tocar agora mesmo. – A garota estava prestes a voltar a tocar, mas Steve a impediu, tocando em seu ombro.

— Senhorita Ellis, vamos nos concentrar primeiro no que viemos fazer aqui?

A loira revirou os olhos... lá vinha o senhor Steve mala Rogers...

— É notável que a música que você estava cantando agora a pouco era pro Capicolé, então não precisam disfarçar na minha frente, porque eu já saquei que tá rolando um climão entre vocês. – Tony dizia na maior cara de pau que os dois pareciam estar envolvidos, mas isso apenas arrancou um suspiro impaciente do Capitão e uma careta de nojo da Segundo-Tenente.

— Você está delirando, Stark... é apenas uma música que eu gosto... – Kiara se justificava.

— Não dê ouvidos pra ele, senhorita Ellis. O Tony bebeu ontem à noite e está de ressaca.

— Pro seu governo, foram apenas duas garrafas de whisky e estou perfeitamente sóbrio hoje de manhã. – O Homem de Ferro ajeitava os óculos no rosto, tentando disfarçar o quanto seu rosto estava péssimo por conta do álcool.

E naquele momento, Natasha, Clint, Maria e Nick cruzavam o corredor, encontrando os três na sala da mansão.

— Stark, Rogers, ouçam... Thor estava em Nova York procurando pelo grupo, mas foi avisado de que estamos em Malibu e ele está vindo para cá. Parece que o asgardiano descobriu algumas coisas referentes as tais joias do infinito. – Natasha os avisava, caminhando no meio dos outros agentes, carregando uma pasta.

— Mas já!? Pensei que ele demoraria uma eternidade para voltar. – Tony parecia surpreendido.

— Precisamos nos concentrar ao máximo e ponderar sobre as descobertas dele. Não sabemos o que Thor vai nos dizer. – Steve os alertava, pedindo total comprometimento de todos ali.

O clima ali era de tensão e Mary odiava tudo aquilo...

— Ok, se vocês vão começar a fazer essas caras de que um apocalipse zumbi vai começar, será que posso dar uma volta lá fora, já que alguns membros dessa reunião ainda não chegaram?

— Senhorita Ellis, eu disse que todos aqui precisam se concentrar, e isso a inclui também. – Steve a repreendia.

— Mas eu não sou uma Vingadora e nem uma agente da SHIELD, logo essa sua lógica não se aplica a mim. – Mary contrapunha, tentando sair de fininho.

— Mas é um membro importante da formação atual da equipe. – O Capitão escolhia as palavras cuidadosamente, para não a ofender, porque não desejava começar uma discussão calorosa com a mesma, como aconteceu das outras vezes.

— Ah Cap... em vez de ficar todo sério me pedindo pra ficar, já pensou a respeito da proposta que lhe fiz?

— Que proposta?

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Do Book Rosa... dez mil dólares a hora...

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Steve a fitava confuso, enquanto Tony começava a gargalhar como um macaco sofrendo de gases e Clint e Natasha seguravam o riso.

Fury e Hill reviravam os olhos.

E o Capitão... continuava boiando, não entendendo a referência...

O loiro então olhou para Natasha, que sempre lhe servia como um dicionário ambulante do mundo moderno.

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Book rosa é uma expressão utilizada por algumas agências de modelo para designar um catálogo de profissionais que prestam serviços sexuais em troca de bonificações. – A Viúva Negra explicava, com um tom de voz sério além da conta.

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O Super Soldado então encarou Mary Crystal com um olhar severo e ríspido.

— Você pagaria dez mil pra ter a princesa aurora em seus braços, Capitão? – Tony o questionava, tossindo como um louco no canto da sala, quase desmaiando.

— Princesa Aurora?

— É uma princesa da Disney. – O bilionário rebatia.

Steve revirava os olhos, ignorando-o.

Fury e Hill falavam com algumas pessoas ao telefone, e já estavam alheios ao circo.

— Sabe, senhorita Ellis... pessoas inteligentes têm duas coisas em seus lábios, “silêncio e sorriso”. Sorriem para o problema e ficam em silêncio para evitar o problema. – Ele a encarava, furioso.

— Ah, vamos começar mais um round de discussões públicas, Capitão Rogers...? – A garota andava três passos na direção do Super Soldado.

— Não se depender de mim...

— Tem gente que eu trocaria por um Martini com muito gelo... – A loirinha revirava os olhos diante da resposta dele.

— Será que vocês podem esperar que eu pegue um pacote de Doritos pra observá-los discutir!? Eu amo muito esses momentos do meu casal, sério! – Tony começava a procurar por alguma coisa para comer no armário da sala naquele exato momento.

— Tony... menos... você ainda está de ressaca. – Natasha advertia o gênio, que fazia uma careta.

— Você não entende o que é diversão e sabe por quê!? Por que você é russa! E russos são chatos e caretas! – Tony então abria uma lata de energético, a única coisa que havia de bom ali, no frigobar da sala.

Mary observava a interação estranha dos Vingadores...

— Se eu pudesse dizer quem vocês são, eu diria: Tony Stark é o Batman, Steve Rogers é o Superman, Natasha a Mulher Maravilha, Thor o Aquaman e Clint o Flash.

— Por mais que isso soe como uma ofensa, prefiro a Liga da Justiça a nós, porque eles são mais organizados do que esse bando de aberração aqui na sala. – Tony assinava embaixo as afirmações de Kiara.

Steve não entendia uma vírgula... o que era... Liga da Justiça...?

— Eu nunca entendi a sua lógica, Stark... acho que você errou em parar de produzir armas, porque é através da guerra que os humanos vão se matar e só assim chegaríamos à extinção! Você está atrasando o apocalipse! Deveria voltar a produção de armas!

— Você é louca e é por isso que gosto de você! – O Homem de Ferro dizia, bebericando sua bebida.

— Parecem duas crianças... – Clint comentava com Natasha, que concordava.

— Daqui a pouco o Rogers vai explodir e tudo ficará ainda mais divertido... – A Viúva Negra concluía, já esperando o pior acontecer.

— Agora me diga o dia exato que você irá deflorar o Capitão, para darmos uma festa de comemoração para esse evento épico! – O gênio das Indústrias Stark colocava mais lenha na fogueira.

— Tá maluco!? Não venha me jogando essa responsabilidade! – A loirinha fazia uma careta.

— Qual é..!? Vocês dois estão sempre andando pra baixo e pra cima juntos... é normal que isso aconteça um dia...

Steve observava aquele diálogo insano entre Tony e Mary, já pensando em interromper.

Por que a sua vida sexual era sempre motivo para tanta piada...?

— Bem... se isso acontecer, eu devia filmar e cobrar uma alta quantia em dinheiro para os maiores sites pornôs, não acha? Quanto será que me pagariam? – Kiara indagava, fazendo Nat e Clint arregalarem os olhos com sua audácia.

— Talvez um milhão de dólares!? O Capitão tem a bunda que representa a América! – O Homem de Ferro sugeria o valor.

— E como eu nomearia o vídeo...?

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Ninfeta loira tirando cabaço de idoso patriota de 94 anos de idade.

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— Gostei!!!

E então, Mary e Tony faziam High-Five, batendo as mãos, concordando.

Steve se encontrava chocado... céus, porque Tony e Mary tinham que estragar aquele momento tenso com piadas de cunho sexual?

O loiro enxergava o mesmo sorriso malicioso de Howard em Tony. Era como se o Homem de Ferro fosse a reencarnação de seu próprio pai algumas vezes, no entanto aquele diálogo insano começava a deixa-lo cada vez mais irritado.

— Chega. Precisamos nos concentrar apenas nos assuntos referentes ao futuro e as joias do infinito, então peço que parem de fazer piadas a meu respeito. – O Capitão os advertia.

Dois segundos depois, Banner corria pelo mesmo corredor, gritando alto.

— Gente, o Doutor Pym está a dez minutos daqui! Já estão todos prontos para recebe-lo?

O grupo assentia e assim, a reunião começaria.

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Hank Pym chegava com Hope Van Dyne na mansão de Tony e todos ali explicavam sobre as partículas.

O físico revelava alguns fatos sobre a tecnologia de seus trajes, que fazia o portador encolher do tamanho de uma formiga.

Depois de muito debaterem a respeito, todos decidiram por unanimidade que iriam atrás de Scott Lang e o tirariam da prisão, para ser...

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A cobaia...

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Isso se o engenheiro que estava detido, topasse vestir o traje de Homem Formiga.

Após um tempo, Thor finalmente chegava na mansão de Tony em Malibu.

O asgardiano caminhava pelo corredor que ligava a sala da mansão com seu típico traje de deus do trovão, com o mjolnir em mãos, e encontrava todos os Vingadores ao lado de Nick Fury, Maria Hill e três pessoas que o mesmo não conhecia.

Hank, Hope e Mary.

Após explicar o que os três faziam ali, Fury e os demais Vingadores começavam a debater sobre o que Thor havia descoberto fora da terra.

— Espero que estejam todos bem, porque o que tenho para dizer é assustador... – Thor afirmava, deixando todos ali muito mais tensos do que já estavam.

— Então comece... – Steve suscitava.

— Todos aqui já sabem que estamos vivendo em uma nova realidade, que foi criada a partir dos Vingadores do futuro, certo? – O deus do trovão os lembrava.

— Sim. – Tony respondia em nome de todos, porque a maioria ali já conhecia as regras sobre o tempo e espaço.

— A nossa realidade não está seguindo mais os acontecimentos da linha temporal dos Vingadores do futuro da outra realidade, ou seja, tudo o que está acontecendo aqui, não faz parte dos acontecimentos originais, digamos assim... – Thor explicava o que maioria deles já sabia.

— E podemos descobrir o que aconteceu na linha temporal deles? – Steve o questionava, extremamente apreensivo.

— Sim, mas para isso, precisaríamos viajar da nossa linha temporal para a deles, só que eu não tenho conhecimento de como poderíamos.

— Nós já temos uma vaga ideia, Thor... o Doutor Pym é o criador das partículas Pym, o elemento usado para entrar no reino quântico e navegar no caos para sairmos de um ponto para o outro. – O Homem de Ferro explicava e o físico tomava a frente.

— Sim, mas por enquanto são apenas especulações, porque não sabemos se é possível entrar no reino quântico ainda. Encolher do tamanho de um átomo é extremamente perigoso, então, precisamos fazer alguns testes.

— Foi por isso que decidimos ir atrás de Scott Lang e propor que ele atue como a cobaia que entrará nesse lugar. – Hope completava o raciocínio de seu pai.

— Incrível, mas como planejam fazer isso? – O asgardiano os contestava, curioso.

— Estaremos trabalhando todos juntos nessa tecnologia. – Banner respondia à pergunta de Thor.

— Eu pensei que o Doutor Erik Selvig seria útil nessa missão, Thor... o que acha...? – Fury sugeria, arrancando um sorriso do deus do trovão.

— Isso é ótimo. Ele e Jane poderiam auxiliá-los nessa missão com certeza.

— Selvig não é o cientista que estava trabalhando com vocês quando o tal Loki saiu do portal que o Tesseract abriu? – Kiara perguntava, porque até agora, ela apenas tinha ouvido tudo em silêncio, tentando entender o plano de todos.

— Ele mesmo. – Nick respondia de volta.

— Certo... e vocês pretendem usar as descobertas da Doutora Lawson? – A Segundo-Tenente o contestava, deixando Fury irritado.

— Você vai começar com suas indagações novamente, Kiara?

— Eu só quero saber se você já disse a todos os Vingadores sobre Carol Danvers e se vai abrir o jogo do que de fato aconteceu em Los Angeles e no deserto de Mojave em 1995.

— Você mencionou isso da outra vez, senhorita Ellis... nos diga o que sabe.

— Bem, o que eu sei é que imagens de uma mulher chamada Carol Danvers vazou para um setor da força aérea na base onde eu e meus companheiros estávamos a uns anos atrás, e nessas imagens, essa mulher que foi dada como morta anos antes, voava e soltava uma espécie de energia por suas mãos... essa mesma energia fluía de todo o seu corpo... ela abateu várias ogivas que entraram na exosfera, vindas de... uma nave alienígena. Vimos tudo isso pelos satélites da NASA, então acho que temos o direito de saber o que aconteceu ali, Fury... – Kiara dizia tudo o que sabia, deixando o Diretor da SHIELD encurralado.

— Certo... você quer a verdade, Kiara...? Eu vou lhe dizer então. Carol Danvers era uma piloto da Força Aérea Americana que saiu em missão com a Doutora Wendy Lawson, mas ambas foram atacadas por seres intitulados “Kree”. Eles estavam atrás do motor de velocidade da luz e por algum motivo desconhecido, esse motor explodiu e Carol Danvers absorveu toda a energia, resultando nos poderes que você e seus companheiros viram nas imagens.

— Certo, isso é o que eu imaginava, mas e o resto...? Por que esses Krees vieram atrás desse motor? O que aconteceu depois?

— Eu não sei... por que não pergunta a Carol Danvers se ela aparecer por aqui de novo...? Já faz 17 anos que ninguém a vê...

— Carol Danvers? Acho que já ouvi rumores sobre essa pessoa. – Thor revelava, deixando Kiara de olhos arregalados.

— E o que sabe sobre ela?

— Uma mulher que tem o poder de voar e explodir coisas através de rajadas de fótons... ela tem viajado por vários lugares... ajudando nações que não possuem um planeta para morarem... isso é tudo o que eu sei.

Fury ficava em silêncio, imaginando que talvez Kiara não sossegasse em continuar investigando sobre a Major Carol.

Mas ele não podia mencionar que tinha um pager da Capitã Marvel e nem mesmo que mantinha contato com Talos e alguns skrulls.

Tudo aquilo era extremamente confidencial.

— Bem, agora que sabemos de tudo isso, preciso esclarecer sobre o significado das joias do infinito e entendermos a lógica por trás de os Vingadores do futuro terem voltado a nossa época para coletá-las. – Thor continuava e todos prestavam atenção.

— Continue. – Tony o pedia para prosseguir.

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Cada uma possui um elemento: Tempo, poder, espaço, mente, realidade e alma. Dizem que uma entidade cósmica chamada Nemesis se dividiu e formou as joias... elas foram alteradas e aprimoradas por várias civilizações no decorrer do tempo. Somente seres muito poderosos podem usá-las diretamente. Qualquer outro que as toquem, pode ter consequências gravíssimas, levando a morte.

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Mary Crystal ouvia as palavras do asgardiano, logo pensando em si mesma... ela foi apenas exposta a radiação do Tesseract e obteve efeitos colaterais, que embora tivessem sido benéficos para seu corpo físico, foram terríveis para sua mente, por conta das visões e sonhos que tinha durante todos aqueles anos.

— O que quero dizer é: Se cada joia, separadamente é capaz de causar um grande estrago, juntas, elas podem destruir o universo inteiro. – Thor concluía, deixando-os assustados.

— E existe alguém que quer destruir o nosso universo? – Steve o questionava.

— É aí que está... parece que sim, há alguém que está atrás das joias e depois de muito procurar, descobri o nome do ser que está por trás dos ataques a terra e que mandou Loki diretamente aqui.

— E quem seria esse ser...? – Dessa vez, era Tony quem perguntava.

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O nome dele é... Thanos...

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Todos arregalaram os olhos e automaticamente desviaram o olhar para Mary Crystal, já que a mesma disse aquele nome dias atrás, na missão em San Diego.

A garota estava em choque...

— Você disse Thanos...? – A Segundo-Tenente indagava.

— Sim.

— Em minhas visões... eu o vi... ele tinha um exército e lutava contra vocês três. – Ela apontava para Tony, Steve e Thor.

— Entendo... então a sua visão pode ter relação com os Vingadores do futuro e se você teve contato com o Tesseract há muitos anos, desenvolveu o dom de ver coisas de outras realidades e outras linhas temporais. Meu pai, Odin, disse que o Tesseract e as demais joias possuem a singularidade de deixar que as pessoas que tiveram contato com elas, vejam ou façam coisas que possam lhes revelar alguns mistérios...

— Isso explica porque o tempo todo sou atormentada com visões desconexas sobre diversas épocas...

— Exatamente.

— Não sei como as coisas ficarão daqui pra frente, mas podem piorar. Precisamos investigar sobre os planos desse tal Thanos e impedi-lo de fazer qualquer coisa contra o nosso universo. – O deus do trovão concluía, clareando a mente de todos ali presentes.

— Atualmente, há duas joias na terra: a do cetro do Loki e a que se encontra com alguém que mexe com artes místicas. Precisamos ir atrás de ambas. – Fury articulava. Natasha e Clint já estavam atrás de Alexander Pierce, no intuito de descobrirem para onde o ex-secretário da SHIELD havia levado o cetro do Loki.

Já a tal pessoa que mexia com artes místicas, nunca foi encontrada...

— Tudo isso é muito assustador, mas agora temos um reforço no time, que é o Doutor Pym. – Tony alegava com certo alívio.

— Mas não esqueçam que não teremos respostas claras enquanto não entrarmos no reino quântico. – O físico o lembrava.

— Mas vocês também terão a ajuda de Selvig e Jane. Tenho certeza que se todos unirmos forças, vamos desvendar esse enigma da viagem no tempo o mais rápido possível. – Thor afirmava com plena convicção e de certa forma, todos ficavam um pouco mais tranquilos.

Menos Mary...

A garota que antes estava alegre, fazendo piadas do Capitão América junto com o Homem de Ferro, não estava otimista como a maioria deles.

Aquelas visões horríveis eram reais demais para ignorar...

E então, a missão dos Vingadores agora era clara: Construírem uma máquina do tempo e investigarem sobre Thanos e as joias do infinito.

— A Torre já está praticamente terminada. Ela agora será o nosso QG e batizada de... a Torre dos Vingadores. – Tony completava, deixando claro que o local seria usado para a missão central de todos eles.

— Isso é ótimo. Devemos nos organizar e partir para lá o mais breve possível. – Banner reforçava as palavras de Tony.

— Pode trazer o Doutor Selvig e a Doutora Foster para a torre, Thor. Eles serão bem recebidos. Todos vocês terão um espaço individual lá. Será o nosso novo lar. – O Homem de Ferro estava bastante empenhado em trabalhar em grupo, o que não era de seu feitio.

— Stark... isso não é uma excursão... – Clint sorria de forma debochada da cara do bilionário.

— Ah, mas vai rolar umas festinhas do pijama de vez em quando! – Tony entrava na brincadeira, e todos acabavam achando que a parte da festa real.

— Então está decidido. Quando precisarmos nos dividir para realizarmos missões individuais, todos serão reportados. – Steve concluía e assim, todos chegavam a um acordo.

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Uma hora se passou e os Vingadores e agentes se encontravam dispersos, trocando informações que completassem os planos traçados daqui para frente.

Mary se sentia deslocada de tudo... aquilo não era o seu mundo... as suas pessoas...

Seu lugar era na Força Aérea Americana, ao lado de seus colegas, fazendo missões que tinham mais a ver com a sua área de atuação.

Ser usada como uma bola de cristal por Nick e os Vingadores, não era algo digno...

A garota então foi para o canto da sala, pegar uma bebida no frigobar, e sem querer, acabava ouvindo a conversa de Steve com o Doutor Pym.

Ambos conversavam sobre a SHIELD de décadas atrás e...

O físico incentivava o Capitão América a ir atrás de Peggy Carter...

— Ela era a pessoa mais correta no meio daquele ninho de cobras peçonhentas... a Margaret é alguém que eu admiro profundamente, então acho que devia visita-la... isso te fará bem... – O físico sugeria.

— Não sei se tenho coragem... – Steve confessava, mostrando muita insegurança de ir atrás daquela que ainda era o seu grande amor.

— Pois devia ter. Não perca a chance de ter um diálogo produtivo que pode mudar a sua vida, Capitão. – O Doutor tocava o ombro do Capitão, num gesto de amabilidade.

Era notório que Steve ainda sofria por conta de Peggy... e Kiara pôde testemunhar isso muito de perto...

Ela o observava com certa estranheza... raramente tinha uma visão positiva a respeito do Super Soldado, mas naquele instante era impossível não se comparar a ele...

Steve tinha experiência com guerras, coisa que Mary não tinha. Sabia ser silencioso, agir no momento certo, tinha habilidades as quais só se conseguiam com experiências reais... e ele sempre esteve na linha de frente, vivenciando as piores experiências...

O Capitão América era uma inspiração para Kiara quando pequena. Ela, uma garotinha repleta de problemas de saúde, que apenas preocupava seus pais, via em Steve Rogers, uma luz de esperança... porque ele foi como ela no passado... um garoto doente e debilitado...

Mas Steve conseguiu se transformar num herói que salvou o país...

Conforme o tempo foi passando, aquela linda imagem ia se desgastando e Mary Crystal passou a deixa-la de lado, mudando suas concepções sobre o Super Soldado, até que... nos anos em que esteve na Força Aérea, a imagem que tinha de Steve Rogers era a mais patética possível...

As coisas mudaram muito desde que se tornou uma piloto e Segundo-Tenente...

E agora ela estava ali, trabalhando ao lado de seu antigo ídolo... era tudo muito estranho e inacreditável...

A garota observava Hank Pym deixando Steve sozinho, até que Tony entrou em seu lugar e passou a conversar com o Super Soldado, que parecia bastante apreensivo com tudo sobre o futuro...

Pelo que ouviu falar nos corredores da SHIELD, Tony e Steve não se deram bem no primeiro momento, no entanto, agora, ela podia ver claramente o contrário.

Os dois conversavam seriamente e o Homem de Ferro não tinha mais a expressão zombeteira de antes...

Ela respirou fundo, perdida... o que mais desejava era ir embora dali... daquele antro repleto de heróis e pessoas geniais.

Então, a garota resolvia sair da sala da mansão e espairecer do lado de fora, no entanto, enquanto caminhava para longe dali, passando ao lado de Steve e Tony, ela ouvia algumas coisas que a chocaram de imediato...

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Se tudo der certo no final... o que acha de voltar para 1945...? Você parece bastante depressivo, Cap...

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A pergunta do Homem de Ferro para o Capitão América não era em tom de brincadeira, mas de seriedade...

Desde quando a relação deles havia evoluído tanto? Quando foi que Tony começou a se preocupar com Steve?

A loira sabia que não podia parar no meio do caminho para terminar de ouvir a resposta do Capitão... e então...

Ela saia dali... com uma sensação estranha...

Então... Steve pensava mesmo em voltar para 1945 um dia...? Seria por causa de Peggy Carter...?

A garota não entendia porque de certa forma, aquilo parecia...

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Lhe incomodar...

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Passadas quase duas horas que todos se reuniam na mansão de Tony Stark, Mary resolvia ficar fora todo aquele tempo.

A loira estava sentada no gramado, de frente para o mar, com os braços em torno do joelho, observando o pôr-do-sol atentamente.

Seus cabelos esvoaçavam com a oscilação do vento...

Em breve o verão chegaria...

Aquele dia estava sendo completamente estranho, mas teria de respirar fundo, engolir o desânimo e fingir que estava tudo bem.

Enquanto se encontrava imersa na linda imagem do oceano, a garota ouvia passos em sua direção...

Desejava que a pessoa que estava se aproximando não fosse Steve Rogers, pois temia que acabassem discutindo, já que seu humor naquele final de tarde não estava dos melhores, no entanto... pela sombra da silhueta larga, era impossível que não fosse ele...

E então, como Kiara temia...

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Senhorita Ellis, por que está sozinha todo esse tempo aqui fora...?

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Ela se irritava profundamente pela presença do dono daquela voz...

A garota não se prestou ao serviço de olhar para ele...

— Só estou tentando colocar meus pensamentos em ordem... apenas isso...

— Há algo lhe incomodando?

“Sim, você!” – Ela quis responder, mas tais palavras ficaram presas em sua garganta.

— Não há nada me incomodando... – Respondia, de forma fria, indiferente e apática, e obviamente, o loiro percebia.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, até que...

— Posso me sentar...? – A indagava, gentilmente educado, como de costume...

Mary Crystal ergueu o rosto para encará-lo...

Ele era tão alto... e a fraca e quente luz do sol que se encontrava atrás do loiro, ofuscava sua visão... céus... Steve parecia um anjo que acabava de posar na terra...

Kiara se recordava dos pôsteres que colecionava do Capitão América quando era pequena... como ele conseguia ser mais bonito pessoalmente do que naquelas fotos?

Ela exibia uma feição intransigente e inflexível em resposta...

— Claro, vá em frente... – Assentia, com uma expressão enfadonha.

A garota voltava a olhar para o mar.

Steve notava que a Segundo-Tenente parecia estar de mal humor, mas sentou-se ao lado dela mesmo assim.

Ele a fitou por um tempo até que...

— Por mais que faça pouco tempo que te conheça, pressinto que há algo de errado com a senhorita...

— Sim e há... minha vida começou a dar errado depois que a sua começou a dar certo... – A loira mantinha o olhar fixo no oceano, exibindo impaciência.

— Não precisa responder dessa forma.

— Achou minha resposta irritante? Agora imagine a sua pergunta. – Replicava, ríspida.

— Bem... eu pediria desculpas, mas não sei o que fiz de errado...

— Existir... – Kiara respondia com certa serenidade...

Steve não soube o que dizer. Ele sabia que provavelmente Mary estava tendo um dia péssimo, logo, não entraria numa discussão desnecessária com ela.

Então, sem esperar por aquilo, a Segundo-Tenente apenas notava a mão do Super Soldado erguida em sua direção, lhe devolvendo algo...

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O lenço que ela deu a ele, em Washington DC, quando o mesmo se encontrava num estado depressivo...

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— Senhorita Ellis... não tive a chance de agradecê-la por ter me ajudado aquele dia... e aproveitando a ocasião, estou lhe devolvendo o lenço que me deu. Ele está lavado e em perfeito estado, então... obrigado...

Mary Crystal virou o rosto na direção de Steve...

Todas as vezes que olhava para ele, tinha a sensação de tocar o céu... e se afogar naquele olhar magicamente azul...

Ele sorria, grato, pacífico e gentil... e Kiara gostava de seu olhar celestial, seu sorriso caloroso, nem tão pequeno, nem tão largo...

Ela admirava sua essência pura, ingênua e imaculada... e das variadas formas como expressava isso...

Era fascinante...

Steve não procurava ser... mas acabava sendo de qualquer maneira...

O Capitão tinha um modo estranho de amenizar parte das inseguranças dela... inseguranças essas que confundiam seus pensamentos com uma palavra ou um olhar...

A Segundo-Tenente nunca havia experimentado a atenção total de um homem que não fosse seu pai...

Até que conheceu Steve Rogers...

Os perfeitos olhos azuis do Super Soldado observavam e examinavam cuidadosamente a feição de Mary Crystal, esperando que a mesma pegasse o lenço de suas mãos.

E foi o que a garota fez...

— De nada, Cap... – Ela desviou o olhar rapidamente dele, temendo se sentir extasiada por aquela aura demasiadamente angelical.

A garota segurava seu lenço, dobrado, sem saber o que dizer... estava tão perdida aquele dia...

O loiro resolvia tentar o diálogo com ela novamente...

Não entendia o porquê, mas apenas tinha vontade de poder animá-la de alguma forma, já que Mary fez a mesma coisa por ele quando mais precisava.

— Tem certeza que não quer falar a respeito do que tem lhe afligido, senhorita? Se precisar de alguém para lhe ouvir... eu estou aqui...

Kiara olhou para baixo, desanimada... sabia que Steve tinha boas intenções e ela não estava disposta a falar de seus problemas internos com ele, no entanto, para evitar que o mesmo lhe incomodasse com certas indagações ainda mais irritantes, apenas resolveu confessar o que lhe incomodava de verdade.

— Eu só quero voltar pra Força Aérea... e eu não devia estar aqui... — Respondia com certa apatia na voz, temendo que ele logo entendesse e parasse de lhe fazer perguntas.

— Entendo... não deve estar sendo fácil...

— Nunca é fácil estar inativa... – Ela retorquia, olhando para o mar, seriamente...

Steve observava os cabelos da garota esvoaçarem diante do balanço do vento... até que...

Uma mecha loira entrou na frente dos olhos dela e...

A mão do Super Soldado a desviou, colocando a madeixa ondulada atrás da orelha da garota...

Ele atentava para o brinco de pérola que Mary usava... exatamente o mesmo da festa dos veteranos em Nova York, se recordando de quando a conheceu...

Era... nostálgico...

Kiara inclinou o rosto na direção do Capitão, fitando-o curiosamente diante daquele doce e afável toque...

Ela sentia os tons de azul de Steve manchando o vermelho sangue de sua aura... como se o mesmo estivesse lhe purificando de seus desconfortáveis pensamentos...

O Capitão contemplava o verde-ouro dos olhos de Mary Crystal... e reparava em como o sol coloria seu olhar de uma forma esplêndida...

Era como se tivesse uma poesia naquele olhar... refletida nos olhos esverdeados através de uma canção presa em sua alma... um piano em execução... semelhante a melodia que ela tocou no começo da tarde...

Ambos se entreolhavam... e estranhamente pareciam se entender e se conectarem sem dizer sequer uma palavra um ao outro...

E então, sem esperar por aquilo, Steve exprimiu um semblante mais afetuoso do que o normal e a mesma mão que antes colocava a pequena mecha loira atrás da orelha da garota, agora passava a acariciar o topo de sua cabeça, num terno e meigo carinho...

— Não se preocupe, senhorita Ellis... você vai voltar para a Força Aérea quando tudo isso acabar... eu prometo... – A calorosa mão do Capitão percorria os longos cabelos ondulados da Segundo-Tenente, com extrema delicadeza e docilidade...

Os olhos verdes da garota alargaram diante da recordação de quando Steve a confortou semanas atrás, e ela chorou como uma criança por conta de suas visões...

Uma imagem também vinha em sua mente...

Ela recordava de seu pai, quando o sentia lhe acariciando daquela forma... era um carinho que viciava... um sentimento fraternal materializado na ponta dos dedos...

Finalmente Kiara se convencia que estava sentindo saudades de seu pai, muito mais do que o normal... fazia meses que não o via...

E por que o Capitão América se parecia tanto com ele naquele aspecto...?

Temendo que o mesmo percebesse sua carência afetiva, Mary apenas fazia uma típica piada...

— Eu acho que você seria um ótimo namorado... Peggy Carter tem muita sorte. – A garota sorria cinicamente, o provocando.

— A Peggy é uma senhora de idade, Mary...

— Bem... se Tony, Banner e o Doutor Pym conseguirem construir uma máquina do tempo, você pode voltar para a década de 40 e realizar o grande sonho de se casar com ela. – A loirinha piscava, com uma feição travessa na face.

— Não, eu não vou embora... não posso deixar o Bucky sozinho...

— Mas fala a verdade... você queria voltar para a Agente Carter, não é?

O Super Soldado inclinou o olhar, exibindo uma expressão desanimada...

Era tão nítido sua paixão extrapolada por Peggy?

— Eu sou assim tão transparente...? – O rosto dele corava enquanto olhava para baixo, tentando disfarçar.

— Insista ou desista. Meio termo cansa... – Ela revirava os olhos.

— Não sei como ficarão as coisas no futuro... – O loiro confessava, receoso com todas as descobertas daquele dia.

— Relaxa! No final você morre! – A loirinha sorria diabolicamente cínica.

— Você é de uma ironia realmente encantadora, senhorita Ellis...

— Não estou sendo irônica. Só dei minha opinião...

— Então a pegue de volta, porque não a quero.

— Uau, já está tendo crise da terceira idade, Cap!? – A garota soltava uma gargalhada e Steve decidia parar de confortá-la, afinal, ela parecia melhor, já que seu maior hobby era sempre ridicularizá-lo.

— Gosta tanto assim do som da minha voz, pra incitar conflitos que me levem a discutir com a senhorita o tempo todo? – O Super Soldado voltava seu olhar para o mar, exatamente como ela.

— Amo sua voz e amo quando extravasa o seu pior lado, que ironicamente, é mostrado apenas pra mim, não é...? – Mary sorria de canto, triunfante.

— Tem razão... mas de algum jeito, você sempre elogia e insulta ao mesmo tempo...

— Ao menos você entende que isso é verdadeiro. Não estou atuando...

— Acho que sei quando está atuando e quando não está... estamos progredindo... – O loiro confessava, num tom ameno.

E então, ambos olhavam para frente, admirando o pôr-do-sol, contemplando a linha do horizonte do oceano...

Era incrivelmente lindo...

— O universo não nos programou pra sermos amigos, Capitão Rogers... – Kiara afirmava, olhando para o mar.

— Concordo... – O loiro assentia, olhando na mesma direção dela.

Steve estava começando a se habituar a Mary Crystal...

Ela não era um porto em uma tempestade... ela era mais como o mar... incerta, imprevisível e selvagem... e assim como o mar, havia dias em que estava calma e firme e dias em que se encontrava mais agitada e indomável...

— Está anoitecendo... vamos voltar...? – O Capitão a questionava, sentindo que em breve esfriaria.

— Mas já...? Minha companhia é tão terrível assim...?

— Temos que continuar traçando nossos futuros planos. É por isso que todos estão reunidos aqui, hoje. Temos que nos concentrar.

— Tente ser feliz um pouco, ao invés de tentar ser perfeito, Steve... – Mary soltava tais palavras, cansada de sempre o ver se doando muito mais do que todos os outros.

O loiro entendia a lógica, mas aquela era a missão do líder... ele sempre trabalharia mais do que os demais membros do grupo.

— Sabe que tenho muito mais a fazer, afinal, essa é a minha posição... fui escolhido para liderar.

— Sim... a liderança é uma coisa maravilhosa e preciosa, mas tem um preço: a solidão... – A garota ponderava, deixando explícito o que achava.

— Tem razão... só que não tenho medo... aprecio minha própria companhia.

— E o que fará se você falhar no meio do caminho...? Vai aceitar a derrota, Capitão Rogers...? – Kiara lançava um olhar desafiador e o loiro apenas sorria singelamente mediante suas palavras.

— Vencedor não é aquele que sempre vence, senhorita... mas sim aquele que nunca para de lutar.

— Uau... suas frases de herói são bem impactantes...

— Vamos voltar para dentro? Está ficando tarde e a temperatura está caindo... – O Capitão se levantava, erguendo a mão na direção da Segundo-Tenente, esperando que ela a pegasse e ele a puxasse...

Mary o fitou, extremamente intrigada...

Steve Rogers era mesmo incrível... ele tinha tanto poder e tanta vulnerabilidade ao mesmo tempo...

Mary pegou na mão forte e quente do Capitão América e ele a puxou com força, levantando-a...

O forte impulso a impeliu quase que totalmente para perto dele... e tudo o que Kiara conseguiu sentir, foi a brisa da primavera espargindo o perfume do Super Soldado em suas narinas...

A vibração do cheiro fresco e cítrico daquele aroma, dimanava energia, masculinidade e vigor, e fluía através de um magnetismo que inspirava força, hombridade e valentia...

Era delicioso... a fragrância de Steve fazia um arrepio intenso percorrer por seu corpo...

Mary desviou o olhar, um pouco tonta diante de tanta masculinidade...

O loiro então virou de costas enquanto caminhava na frente...

Ela observava a silhueta perfeita dele e seu olhar abaixava para o traseiro mágico e tão bem-dotado do Super Soldado...

Kiara soltou um risinho travesso, maníaco e sacana, até que resolveu correr rapidamente na direção dele, para dois segundos depois...

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Dar um tapa na bunda de Steve...

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O loiro arregalou os olhos, com o susto...

Céus, o que aquela garota maluca tinha acabado de fazer...?

Como Mary Crystal conseguia ser tão ousada, desavergonhada e louca por agir daquela forma?

Um forte rubor subia pelas bochechas de Steve...

— Você... – Ele não conseguiu terminar de dizer nada, porque a loirinha corria na frente, com uma expressão brincalhona e descarada no rosto, para então dizer...

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Deus abençoe a América!!!

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Notas finais
Pra quem queria que a Mary desse um tapinha na bunda do Cap, tá aí. E se você acha que a novela com a bunda dele acabou, sinto dizer, mas teremos uma segunda temporada. O que isso renderá? Outro tapa? Acompanhem pra saber =D ALERTA DE SPOILER: O PRÓXIMO CAPÍTULO SERÁ O AUGE DE TODO ROMANTISMO DESSA FANFIC. EMBORA OS DOIS NÃO ESTEJAM APAIXONADOS, SERÁ UM CAPÍTULO LONGO, LINDO, SUBLIME E DIVINO, COM DIREITO A COISAS QUE SOMENTE CASAIS APAIXONADOS FAZEM! NÃO PERCA! AAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! *propaganda mais desesperada que essa, vc não encontra em lugar nenhum