Nem tudo é perfeito, não se engane!
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Jonathan...
– Por que você me bateu, o que eu te fiz?
– O que você me fez? Eu realmente preciso dizer?
– Se você não sabe, eu perdi a memória e não me lembro de nada.
– Engraçado como você lembrou que era namorado da Sophia.
Nós estávamos gritando um com o outro.
– Olha, eu não tenho culpa se meu cérebro não lembra de tudo, assim como eu lembrei dela sendo minha namorada, eu lembrei de você sendo minha melhor amiga, agora sinto muito se não lembro dos momentos que passamos juntos.
Ela já estava chorando.
– Me perdoa.
Ela caiu ajoelhada ao meu lado.
– Eu sinto muito, tudo isso é culpa minha por você estar assim, me perdoa, por favor.- ela implorava.
– Para, eu não quero sua humilhação, eu só quero sua amizade. Eu prometo lembrar de tudo o que nós passamos juntos.
– Não prometa o que não pode cumprir.
Ela falou com desprezo na voz.
– Eu vou me esforçar muito, darei o meu melhor.
– Jonathan, eu gosto muito de você, só me deixa ser sua amiga. É só isso que eu te peço, mais nada.
– Sou eu quem tenho que te pedir isso.
...
Depois que as coisas se acalmaram, nós conseguimos falar de coisas engraçadas deixando de lado os assuntos sérios que mais cedo ou mais tarde teríamos que falar.
...
– E aí, como você lembrou que eu era sua amiga, se não consegue nem lembrar o que nós já fizemos juntos?
– Sei lá, quando eu te vi naquela quarto, só veio na mente que era minha amiga, eu lembro que nos conhecemos na fila de um show e depois tudo se apaga.
– Eu vou te ajudar a se lembrar, eu te juro que vivemos muitas coisas legais, mas também já brigamos muito e eu já te fiz sofrer muito também.
Ela disse com tristeza na voz a última parte. Eu senti uma vontade imensa de abraça-lá, mas nessa cadeira de rodas fica difícil.
– Eu aposto que também já te magoei, então estamos quites.
– O que você fez comigo, para me deixar em uma cadeira de rodas, você tem toda essa força ou eu que sou fraco?
Disse para brincar um pouquinho, o clima estava piorando ali.
Ela deu um pequeno riso ao qual eu reconheci, aquele era quando ela estava envergonhada.
– Não foi eu quem te deixou assim, digamos que eu só fui o motivo. Foi meu ex-namorado quem bateu em você por ciúme de mim, mas ele foi um covarde, pois era só você contra o grupinho dele.
Agora eu entendia do por que de tantos machucados, eu tinha sido espancado.
– Por que você terminou com ele e por que ele sentiu ciúme de mim?
– É um pouco obvio que eu não namoraria com um cafajeste igual a ele, se eu não tivesse chegado a tempo era possível ele ter te matado. E digamos que essa não foi a primeira briga de vocês dois por minha causa.
Eu não entendia, por que eu brigaria por causa dela, sendo que eu tinha uma namorada?
– Então quer dizer que eu era um brigão?
Brinquei, por mais que estava naquele estado por causa dela, eu não conseguia sentir nem uma gota de raiva dela.
– Brigão, teimoso, fofo, companheiro, amigo e lindo.
Eu ri constrangido por receber elogios dela, por mais que fossemos amigos era estranho essa intimidade toda.
– Bobo, você nunca ficava envergonhado comigo, pelo contrário, era você quem adorava me deixar com vergonha, você dizia que era fofo me ver corar.
Ela ficou vermelha quando disse isso e realmente era verdade eu dizer aquilo, ela ficava ainda mais linda com vergonha.
O motorista entrou me chamando, dizendo já ser tarde.
– Como você viu, tenho que ir embora. Mas você vai me visitar!?
– Não sei não.
– Sabe sim, você vai e pronto, o médico disse que quanto mais tempo passar com quem faz parte da minha rotina, mais cedo eu recupero as memórias e pelo jeito, eu passava mais tempo com você do que com a Sophia.
Ela deu risada.
– Sim, você passava o tempo todo comigo, mas na época você não namorava com a Sophia.- ela disse com uma tristeza notável na voz.
Eu não entendi, como assim? Pelo o que eu me lembro eu e a Sophia nunca tínhamos terminado o namoro, não é possível que eu e ela estejamos namorando a tão pouco tempo.
Me despedi da Sabrina e fui para casa. A Sophia tinha muita coisa para me explicar.
...
Sabrina...
Assim que o Jonathan foi embora a minha cunhada veio conversar comigo, algo milagroso, pois eu estava impossível desde o falecimento de minha mãe.
– E então, recuperou seu amigo?- perguntou, sorrindo.
– Espero que sim, só quero que as memórias dele voltem para que ele lembre de todas as coisas felizes que já fizemos juntos.
– Vai voltar, você vai ver.
Alguém bateu palmas, a minha cunhada foi ver quem era. Ela voltou com um sorriso no rosto.
– É, hoje tiraram o dia para te visitar, é para você.
– Quem é ?
– Quem mais seria? Seu namorado.
É, já deu para ver que ninguém ainda sabia do fato acontecido, eu não tinha contado e não vai ser agora que vou contar.
Sai atender, ele me deu um beijo ao qual eu não neguei, por causa da minha cunhada que provavelmente estava olhando.
– Você me perdoou?
– Vamos conversar em outro lugar, pode ser?
– Onde você quiser, meu amor.
Fomos para um doceria que tinha inaugurado a pouco tempo no bairro.
Eu soltei das mãos dele.
– Olha, aquilo foi tudo teatro, eu já disse pra você não olhar mais na minha cara. Que saco, sai do meu pé e me deixa em paz!
– Eu não vou desistir de você! Você vai voltar para mim, vai ver. Você é a minha primeira namorada e a primeira garota que eu me apaixonei, você não pode me tratar igual lixo, por causa daquele otário do Jonathan.
– Não fale assim dele.
– Eu vi ele saindo da sua casa agora a pouco, Sabrina, me diz que você não foi feliz comigo naquele um mês que ficamos juntos?Se você dizer que não foi, eu prometo sair do seu pé, mas se eu te fiz feliz, deixa eu tentar de novo, por favor, me dá mais uma chance?
Que droga é essa que eu estou sentindo no meu coração?Como assim eu estou com pena dele? Como assim eu quero dizer sim? Eu fui feliz naquele mês de namoro, mas ele mostrou ser outra pessoa. Eu estou gostando dele e agora com o Jonathan namorando não tenho pelo o que lutar, pois antes mesmo de começar a batalha eu já sai perdedora. Agora eu não sei, digo sim ou não?
...
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