Nem tudo é o que parece
1 Capítulo 1
“Em um Beco escuro, um corpo estava no chão e muitas, mas, muitas pegadas mesmo” – os olhos do garoto estavam quase saindo de suas órbitas, — “fui chegando mais perto só que eu estava com muito medo então estava com os olhos meio fechados. Havia sangue por toda a parte, foi quando percebi que alguém estava me olhando. Corri o máximo que pude sem olhar para traz, a única coisa que consegui ver foi uma sombra gigantesca com umas orelhas, tipo de gato.”
Era nítida a impaciência de Beckett e contrastando com o entusiasmo de Castle.
— Então, você está dizendo que uma pessoa gigante vestida de gato no beco em que você viu um homem morto?
— Não, Sr Castle! Na verdade, não pude ver nada, só uma sombra gigantesca com uma cabeça de gato, ou – ele se aproxima para poder falar mais perto de Castle que repete o gesto do garoto; — poderia ser um morcego!!!
— Você quer dizer como o Batman?
O garoto afirma com a cabeça e se reclina novamente no encosto da poltrona. Neste momento, Beckett intervém e acaba com a brincadeira toda.
— Muito obrigada, Ronald! – ela o acompanha até a porta – Se precisarmos nos falaremos novamente. Pode ir até seu pai.
— Eu não acredito nisso Castle! – coçando a cabeça e querendo mata-lo de qualquer jeito.
— Nem eu Beckett, o que o Batman estaria fazendo em um beco escuro com um cara morto?
— Chega, vai embora daqui! – nunca que ela tinha falado com ele daquele jeito.
Em um sobressalto ele se levanta indignado.
— Mas, Beckett! O que...
— Eu disse AGORA, Castle! Em casa conversamos.
Ele sai com uma cara de que percebeu que passou dos limites e teria que arrumar aquilo urgente se ainda queria manter o seu posto ao lado da amada.
— Detetive, aconteceu alguma coisa? – Tory entra pela porta da sala do café.
— Nada não Tory, mas, preciso que você rastreie as câmeras do perímetro de onde achamos o corpo. Enquanto isso vou até o necrotério e saber se a Lane descobriu alguma coisa.
— Pode deixar Beckett, farei imediatamente. Mas, onde estão Ryan e Esposito?
— Estão de folga hoje, para ajudar a situação.
Beckett chega ao necrotério e Lane já percebe que tem algo errado.
— Presumindo a visita, Castle fez alguma cagada!
— Não estou mais aguentando esse complexo de Peter Pan dele. Já passou dos limites.
— Qual foi a de hoje?
— BATMAN!
— O que? – Lane para o que está fazendo, levanta os óculos e deixa o bisturi cair próximo ao seu pé.
— É! Desta vez o suspeito é o Batman. Segundo o relato de uma testemunha de 13 anos.
— Amiga você precisa tomar uma atitude urgente. Já está ficando complicado mesmo.
— Não sei o que fazer, você sabe o quanto eu o amo! Ele é um garoto grande, um babaca infantil, mas não suportaria ficar longe dele. Ele é um cretino, mas, é meu!
— Assim fica mais difícil não é amiga?!
Beckett fica mais um pouco conversando com Lane, quando Tory liga e ela volta para a delegacia.
— O que encontrou Tory?
— Acho que encontrei o Batman do Castle! – Solta uma risadinha de canto de boca.
— Você também, não né!
— Não Detetive, olhe aqui.
Ambas estão observando as filmagens das câmeras de vigilância do local. Beckett nota que existem algumas janelas abertas quando percebem mesmo uma grande sombra que fazia qualquer um imaginar que fosse o próprio Batman, mas, não tinham como verificar de onde ela realmente vinha e então Beckett decide ir novamente ao local do crime.
— Então Tory, já foi para campo alguma vez?
— Só em meu treinamento. As ruas não me agradam, prefiro meu computador onde posso ver tudo e todos... – foi interrompida pela Detetive.
— Tudo bem Tory, pegue suas coisas porque hoje você irá comigo.
— Mas, detetive! Eu...eu não... – Tory está nitidamente apavorada.
— Tem uma arma? – Beckett é firme com a garota que afirma apenas com um gesto feito com a cabeça; — Então pegue sua arma, suas coisas e vamos.
Beckett sai enquanto Tory corre para pegar sua arma, seu celular e seu tablet e colocar tudo em uma bolsa que colocou atravessada ao seu corpo.
Ao chegarem ao local do crime Beckett observa as janelas do local em busca das janelas abertas que observou no vídeo, mas, todas estão fechadas.
— Estão todas fechadas! – Ela fala em voz alta e olha para Tory que está tirando o tablet de dentro da bolsa. – O que está fazendo Tory?
— Testando um aplicativo novo que Jen instalou ontem. – Ela mostra para Beckett o Tablet; — Ele consegue reproduzir o esqueleto da construção que queremos avaliar e mostrar os pontos falhos, passagens, estrutura, portas abertas e fechadas sem que precisemos aguardar a documentação da prefeitura.
— E isso é Legal?
— Se tratando de Jennifer Rodgers, não duvido de nada, mas, como é protótipo, podemos usar sem problemas.
— Por que este local está verde? – Aponta para o tablet de Tory.
— Porque é uma porta e está aberta, todas as outras estão vermelhas.
— Já entendi, estão fechadas. Vamos até lá.
Beckett chega até a porta e antes de entrarem dá algumas instruções para Tory.
— Não faça barulho, fique atrás de mim e pegue sua arma.
— Mas detetive preciso ficar com o Tablet para verificar a edificação e avisar se há algo perigoso ou fora do contexto deste prédio.
— Então não saia de trás de mim, ok?
Ela entra de arma em punho e uma lanterna para iluminar seu caminho.
— Vê alguma coisa?
— Ainda nada, mas, temos muitas vigas em péssimo estado e.. – Puxando Beckett pelo braço ela mostra no tablet algum em movimento por trás de algumas caixas.
— Polícia de Nova York, saia com as mãos para cima!
Beckett segura com mais firmeza sua arma e repete a ordem para sair com as mãos para cima quando de repente, sai de trás das caixas, um homem de mais ou menos uns 2 metros de altura com um cobertor amarrado nas costas e uma tiara de gatinha com as mãos para cima.
Nitidamente se via que era um homem perturbado.
— Consegue me compreender?
Ele acena afirmativo com a cabeça.
— Poderia se sentar e colocar as mãos para trás?
O homem faz o que é pedido e Beckett o algema. Tory fica imóvel e Beckett olha intrigada para aquele homem que se balança para frente e para trás ela pega o telefone e solicita uma viatura especial para leva-lo.
— Detetive, está aí o seu Batman. — Tory fala para Beckett.
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