Nem tudo foi ruim
1 ...Nem tudo foi ruim
Notas iniciais
Tive um dia bastante complicado, mas quem disse que o dia de um ídolo seria simples? Quem o disse está a dizer a maior mentira do mundo. É muito trabalhoso, exige muito de nós, tanto fisicamente como psicologicamente.
Só que hoje parecia que queriam que eu morresse de cansaço, só pode mesmo.
Flashback on:
– Acorda Syo-chan! Estamos atrasados! Muito atrasados! – O Natsuki me abanava na cama para que eu acordasse porem o que estava a resultar melhor em me fazer despertar seriam os horríveis gritos que ele dava em meu ouvido.
Tentava compreender o que ele balbuciava, mas por conta do sono estava, ainda, muito confuso com aquele drama todo, porem quando percebi o que ele estava a dizer, levantei-me num pulo da cama.
Corri para o banheiro e fiz a minha higiene o mais depressa possível, não sei como, mas em 10 minutos estava pronto, saindo do banheiro e correndo para ir até onde se encontravam os meus sapatos para me calçar, em seguida coloquei o meu relógio de pulso e olhei as horas. E qual grande não foi a minha surpresa ao reparar que o Natsuki havia me acordado uma hora antes?
MUITO GRANDE! Senti o meu sangue ferver e uma vontade de ver o sangue dele em minhas mãos surgio. Eu iria mata-lo!
– Natsuki! – Gritei o nome dele com raiva evidente em minha voz. Ele virou o rosto em minha direção, pois o mesmo acabava de vestir um casaco. – Eu vou te matar! – Afirmei, sem mais nem menos, e corri até ele que se levantou e começou a correr, também, pelo quarto a fugir de mim, já que estava atrás dele para cometer o assassinato do ano!
Ele estava para sair pela porta, mais branco que um fantasma de tanto medo da minha explosão de raiva e olhar de ódio, porem antes de fugir pela porta fora, ele tropeçou em um de seus bonecos do Piyo-chan, caindo de cara no chão.
Nunca pensei dizer isto, mas obrigado Piyo-chan! Saltei para cima dele, e fechei o punho pronto para dar um soco nele, mas antes disso o Natsuki falou:
– O que eu fiz para esse ódio todo Syo-chan? – Ele perguntou desentendido, porem ainda a tremer de medo. Quer dizer que ele andou a correr pelo quarto a fugir de mim, sem ao menos saber o por quê? Ou ele é idiota ou tem muito amor à vida, irônico não é?
Eu lhe mostrei o relógio e ele ficou admirado por ser tão cedo e depois pediu desculpas umas mil vezes, e explicou que havia visto mal as horas, ficou tudo esclarecido, apesar de ter vontade ainda de matá-lo. Como já não iriamos mais conseguir voltar a dormir depois daquilo tudo, decidimos ir comer alguma coisa, onde eu e o Natsuki eramos os únicos que estávamos a comer à uma hora daquelas.
– Então o Ceccil-chan disse... – O Natsuki falava como se não houvesse amanhã e eu fingia que estava a ouvi-lo, respondia com simples “uhm...” e às vezes “sim...” e “não...” Obviamente que estava bastante distraído, alia os meus pensamentos estavam muito longe daquele local.
Antes de sair do quarto, o que foi já há algum tempo, reparei que o Ai-senpai já não estava na cama àquela hora, apesar de ser ainda muito cedo, fiquei preocupado, pois ele anda há passar muito tempo sem dormir, andando de um lado para o outro com o trabalho e ainda tentando arranjar tempo para comigo e o Natsuki.
O Ai-senpai está a virar um irresponsável com a sua própria saúde, já nem deve dormir ou comer direito. Espera... O que eu estou a pensar? Estou preocupado?
Apesar de que depois de nós ganharmos o premio UtaPri, tenhamos ficado mais próximos, não é para tanto. Tsc... O Ai-senpai já é um adulto, ele deve saber se cuidar, mesmo assim ainda não consigo ficar normal em relação a isso.
– Deixa de ser idiota Syo. – Respondi para mim num sussurro, em seguida levei as mãos à cabeça e desorganizei o cabelo todo, como se tivesse a me livrar daqueles pensamentos.
– Disses-te alguma coisa Syo-chan? – Perguntou o Natsuki preocupado com a minha reação.
– Não, eu não disse nada. – Afirmei, soltando um suspiro logo a seguir.
Passado uma hora o restante do grupo apareceu finalmente, comeram alguma coisa e logo de seguida fomos todos juntos para uma sessão fotográfica, enquanto andávamos no nosso carro, eu olhava pela janela distraído e assim acabei por notar que o tempo não estava nada bom, provavelmente iria chover.
Chegando lá, a primeira coisa que descobri foi: Não gosto nada do fotografo, só faltava ele nos violar (abusar sexualmente) ali mesmo, no trabalho, a frente de todos e enquanto está a tirar uma selfi. Serio parece uma bicha louca.
Meu Deus, aquilo é baba?
– Meninos! Vocês são lindos! Tu baixinho. – Disse apontado para mim com um sorriso que não me agradou nada, mas o que eu odiei mesmo foi o apelido. Segurem-me se não eu o mato! – Tire as calças, se vire ligeiramente de costas e apoia-te nos ombros do foguinho! – Pediu, ou melhor, ordenou, ainda com aquele sorriso desagradável.
Olhei para ele em descrença e depois para o Otoya que estava com o cinto das calças aberto e sem camisa, ajoelhado no chão. Ele quer que eu tire as calças?
Estava a ver que estava com sorte a mais, quase todos já estavam sem uma peça de roupa, até é aceitável... Mas a pose que ele está a pedir para mim e aos outros, são humilhantes. Imagina, ele esta praticamente a pedir, indiretamente, para eu empinar a minha bunda... NEM FODENDO VOU FAZER ISSO!
– Seu pervertido de merda. – Disse irritado, e os outros me olharam meio que suplicantes para fazer aquilo tudo acabasse. Com muito prazer eu vou parar com esta merda toda! – Sabe uma coisa? Eu estou aqui para promover a marca de roupa, e não para fazer publicidade para um filme de pornô! Por isso eu me recuso a tirar, nem que seja, mais uma foto. Só tiro quando houver profissionalismo aqui! — Afirmei quase saindo do local. – Vamos embora! – Gritei isso, e eles começaram a vestir as suas roupas e quando acabaram fomos embora.
Agora estávamos, novamente, em nosso carro a ir fazer uma entrevista, no carro os rapazes me agradeceram, e o Otoya até chegou a dizer “Se não fizesses nada naquele momento, eu juro que iria desmaiar ali mesmo! Nunca passei por uma vergonha destas.”
Entre conversas idiotas e alegres chegamos ao local da entrevista. Que não durou muito tempo, porem quase fui enganado três vezes durante ela, pelo menos acho que foram só estas vezes, o mesmo aconteceu com os outros. Gente aproveitadora.
As três perguntas eram:
1º: Gostas dos Starish?
Pois, isso poderia ser interpretado de outra maneira, eu para dar a volta por cima, respondi. “Claro, somos todos grandes amigos, praticamente irmãos! É uma honra pertencer a este grupo!” Ao que parece e entrevistadora não gostou muito da minha resposta.
2º: Tem alguém especial na vida?
Não era bem para enganar, mas se eu cometesse um deslize poderia ficar muito mal na minha imagem, por isso respondi. “Com toda a certeza! Tenho os meus colegas de banda que como já disse, eles são para mim praticamente meus irmãos, claro que o meu maninho Kaoru que me apoiou bastante na minha carreira e os nossos senpais que nós ajudam bastante!” Outra vez a entrevistadora, esperava outra resposta.
3º: Há boatos que é muito próximo do seu senpai, Ai Mikaze, membro do grupo Quartet Night. É verdade?
Agora ela havia soltado a bomba, fiquei meio sem resposta no momento, mas tratei logo de responder, já que não posso manchar a imagem do meu senpai. “Com o passar do tempo tornamo-nos amigos, como com os outros senpais, alem de ele ser uma grande ajuda para o meu desenvolvimento, e do Natsuki, como ídolos.”
Respondi um pouco mais serio e seco, o Masato pareceu notar e tratou logo de mudar de assunto falando de uma nova musica em andamento que estávamos á acabar. Obrigado Masato! Passado pouco tempo a intervista acabou.
Estávamos outra vez no carro para irmos para uma sessão de autógrafos, mas quando estávamos no carro o meu Teles toca a musica Trans Winter, o toque que escolhi para o Ai-senpai. Peguei no Telefone (Celular) e atendi.
Ai: Olá, tudo bem? Como está o trabalho? – Perguntou, se eu não o conhecesse diria que ele está até preocupado como está o meu dia.
Fui tirado dos meus pensamentos quando ele tossiu um pouco, o que me deixou inquieto já que o senpai além da tosse estava com a voz meio arrastada e rouca.
Syo: Oi Senpai! – Disse animadamente, disfarçando a minha preocupação. – Está quase tudo bem, e o trabalho está cansativo. – Comentei, soltando um suspiro. Ouvi um leve riso e depois mais um acesso de tosse.
Ai: Eu já sei o que aconteceu na sessão fotográfica, tomei providencias para que nunca mais trabalhem com aquele fotografo e que nada fosse contra vocês. – Avisou com a sua voz arrastada e rouca, ele não deve estar bem.
Syo: Obrigado Senpai. – Eu agradeci um tanto aliviado. – Ai-senpai, estás bem? Você Parece doente. – Eu falei meio preocupado, novamente esta preocupação estupida.
Ai: O que foi chibi? – Perguntou divertido, pois bufei quando ele disse o seu apelido carinhoso. – Está preocupado comigo? – Perguntou novamente com o seu arzinho de diversão.
Syo: Tsc, por isso não posso falar contigo. – O Ouvi rir com dificuldade do outro lado do Telefone (Celular). – Se continuas assim vou desligar! – Avisei já irritado!
Ai: Não espera! – Ele falou com um pouco de pressa e alto, o que arrancou uma tosse bem seca dele, que fez a minha preocupação aumentar ainda mais. – Respondendo a tua pergunta, só estou um pouco constipado, nada demais. – Afirmou com desinteresse na voz, mas o tom rouco doentio com o que ele falava dizia o contraio.
Syo: Tens a certeza? – Perguntei novamente preocupado.
Ai: Absoluta.
Syo: Espero que sim, tem cuidado com o frio Senpai. – O ouvi rir novamente do outro, mas logo em seguida o carro parou a frente do local onde seria a sessão de autógrafos. – Eu tenho de ir! Tem mais cuidado com a tua saúde. Tchau!
Ai: Só mais uma coisa. – Disse me impedido de desligar, dei um uhm como resposta para ele continuar. – Adoro-te ver preocupado comigo, és um querido. – Ele disse meio irônico comigo, o que me fez ficar de vermelho. Quando ia o responder ele desligou na minha cara, idiota!
Na sessão de autógrafos, foi cansativo, a minha mão ainda está dormente. Valeu a pena, ver o sorriso dos fãs é a melhor coisa do mundo, até me fez esquecer um pouco da piada do Ai. Sempre que me lembro disso eu fico vermelho, o Tokiya chegou perto de mim, fiquei meio em pânico ao pensar que ele poderia fazer alguma gracinha.
– Syo, estás vermelho. Estás doente? Não devias te esforçar tanto! – Ele começou a me repreender ao pensar que estava doente, e felizmente ele pensou que eu estava doente, porem o Ren riu na minha cara e o Natsuki gritou “Kawaii”, acho que eles perceberam que não era nenhuma doença.
Por fim, no final do dia só tinha de ir gravar umas musicas, ai até correu tudo bem, se o Ceccil não tivesse se esquecido das letras no seu quarto, ele é que tinha guardado todas as musicas com ele, pelo menos todos trouxeram algumas que tínhamos por acaso deu para fazer alguma coisa.
Outro imprevisto aconteceu e tive que também ir falar com o realizador de um filme em que vou participar, visto que não vou poder comparecer no próximo ensaio, pois tenho outros compromissos. Isso irritou um pouco o realizador, mas é assim, se ele quer Syo Kurusu no seu filme terá que esperar um pouco, mesmo contra vontade, ele aceitou. Adoro quando não vão contra mim.
Estávamos a ir todos para o local do Mestrado, claro novamente no carro, acho que vou ficar com o rabo quadrado de tanto andar de carro num dia, mas de repente começa a chover bastante, como eu tinha previsto, mas alem disso ficou bastante frio, e quando cheguei ao mestrado eu fui a correr para dentro me lembrando das palavras do Natsuki.
“Vou passar a noite fora, gomenasai Syo-chan”. E logo em seguida foi embora, sem dar mais numa explicação. Hoje vou ter quarto só para mim, acho eu, pois o Ai-senpai tem estado a vir muito tarde.
Flashback off:
Tinha acabado de tomar um banho quente, pois estava a tremer por conta da chuva fria que tinha apanhado ao sair do carro. Vesti o meu único pijama (roupa de dormir) quente, apesar de ainda não ter sono e comecei a fazer uma lista mental do que iria fazer provavelmente: Acabar uma letra de uma musica que tinha começado há pouco tempo, ver a chuva a cair porque simplesmente adoro observa-la, ler uma mangá novo, e talvez ir comer alguma coisa antes de deitar cedo.
Comecei a fazer o que tinha planeado, fui acabar de escrever a letra de uma musica, estava a ficar boa, mas com o tempo a pouca inspiração que tinha se foi e tive que parar. Fiquei a olhar a janela, a ver a chuva cair, estava a pensar no dia, e agora que olho para trás, reparei que em todos os trabalhos que tive hoje, houve alguma espécie de problema, posso afirmar que o dia me correu muito mau! Simplesmente tudo!
– Tsc... Este dia está a ser um desastre. – Concluí para mim mesmo.
Olhei para portão do Mestrado e vejo uma pessoa com um cachecol bem grande enrolado ao pescoço, e um casaco igualmente em tamanho. Ele estava para entrar pelos portões, mas acabou por se agarrar a um dos enormes portões.
Acho que a pessoa estava a ter uma crise de tosse. Olhei com mais atenção e reparei numa cabeleira azulada... não me digas que... Peguei um guarda chuva que encontrei por acaso no quarto e fui a correr meio que desesperado até o senpai.
Cheguei ao pé dele e rapidamente coloquei o guarda-chuva por cima do mesmo, assim acabando por ficar molhado. Ele olhou-me e deu um sorriso que me acalmou, mas logo teve uma crise de tosse e rapidamente peguei nele e o levei para dentro, chegando ao quarto. Sentei-o na sua própria cama.
– Estas a arder! – Disse ao colocar a mão na sua testa, ele tinha a pele vermelha que simplesmente queimava com a temperatura elevada. Como ele foi ficar assim? Será que foi a chuva? Provavelmente... Maldita chuva! O que eu faço?
– Syo ... – Ele sussurrou, e levou uma das suas mãos ao meu rosto, tentando me acalmar. – Está tudo bem... – Afirmou com a sua voz falha, acompanhado de um de seus raros sorrisos verdadeiro, mas não, nada estava bem! Ele está mal, muito mal!
– Não digas nada. – Eu afirmei preocupado, peguei nele e levei-o até ao banheiro, e ele me olhou como se perguntasse o que estava a fazer. – Eu sei que estas mal, mas tens de tomar um banho quente, para aquecer e também estás imundo! – Argumentei olhando para as suas roupas sujas, o que aconteceu para ele estar assim? – Tomas banho sozinho? – Perguntei preocupado, no entanto ao perceber que a minha pergunta, foi um tanto que indiscreta, corei.
– Eu não me importo se me quiseres acompanhar, chibi. – Ele falou divertido e com certa malicia na voz, o que me fez corar ainda mais. Maldito azulado, com a voz sexy!... Espera voz sexy? Será que também estou a ficar doente como o Tokiya disse?
Ele tomou banho, SOZINHO, e eu simplesmente me sequei da chuva. O senpai voltou a entrar no quarto, com um pijama bem quente que era do Natsuki, já que era o único pijama quente disponível, porque o único pijama quente que tenho eu estava a usa-lo, mas acabei por ter que mudar de pijama, já que na rua, por conta de chuva, ele acabou todo ensopado.
O Ai-senpai simplesmente não tem pijama, ao que parece dorme só de calça sempre, idiota. Ele se deitou na sua cama e eu me sentei ao lado da cama dele, tinha um remédio para a garganta comigo que ele tinha de tomar e água fria com uma toalha pequena caso a febre subisse muito durante a noite, apesar de ele já estar quente o suficiente.
– Belo pijama. – Disse olhando para mim e logo começou a rir, mas a tosse impediu que ele risse muito. Ele olhou para mim com um olhar analisador.
Como o meu único pijama quente estava molhado, tive de "roubar" outro do Natsuki. O problema é que o pijama era muito embaraçoso, porque ele tinha bonequinhos do Piyo-chan. Além do pijama também ser muito grande: as calças caiam com alguma facilidade, as mangas eram bastante compridas e a camisola estava sempre a cair no ombro.
Porque o Natsuki tinha de ser tão grande?
– Parece que encolhestes na maquina de secar com essas roupas chibi. – Referiu dando um sorriso cínico, provavelmente rindo internamente da minha cara. Ele não deveria criticar! O pijama dele era azul que nem o céu e com ursinhos!
– Olha quem fala, não sabia que tinhas um fetiche por pijamas azuis com ursinhos, a ponto de não te importares de usar um assim tão grande. – Pois, o Ai-senpai não ficava atrás, o pijama para ele também era bastante grande para ele. O Natsuki é grande demais.
– Olha para ti, parece que tu tens um fetiche em parecer menor do que já és. – Argumentou irônico, com a sua voz um tanto doentia a falhar. Com a irritação a flor da pele eu peguei o remédio e enfiei pela boca adentro, o obrigando a engolir fazendo com que o mesmo se calasse e me olhasse sem acreditar do que tinha feito.
– Finalmente silêncio. – Afirmei, enquanto o azulado olhava-me ainda abismado, com o passar do tempo o remédio pareceu fazer efeito e ele adormeceu.
Eu também adormeci ao lado dele sobre a cama, dormia tranquilamente quando de repente senti algo muito quente e a tremer me tocar, rapidamente abri os olhos e olhei para o Ai... Infelizmente ele tinha piorado a respiração descompassada, suores frios, febre e ainda por cima tremia de frio.
– Senpai, acalma-te, tu vais ficar bem. – Dizia isso para ele, mas na verdade dizia mais para mim mesmo, é serio, ele está muito doente. O azulado olhou para mim e ao ver a minha face preocupada tentou sorrir, mas a tosse o atingiu forte, deixando impossibilitado de falar.
Coloquei um pano molhado sobre a sua testa, e fui repetindo varias vezes durante a noite fui mais ou menos três vezes mudar de água, pode não parecer, mas era cansativo, não dormir e estar sempre atento a alguma coisa, sim muito cansativo.
O Ai dizia às vezes “Descansa chibi, tens trabalho amanha.” e eu sempre o respondia “Não digas merdas, a tua saúde é mais importante. Agora te cala!” e ele dava um daqueles belos sorrisos que eu tanto amo... Quer dizer que deixa as fãs aos gritos.
A temperatura baixou, mas ele não parava de tremer, o que eu faço? Já lhe dei a maioria dos cobertores, e tive de tirar bastante deles, pois estava a dificultar a sua respiração por causa do peso. Até que tive a ideia mais estupida de sempre.
– Ai-senpai... – Eu fui interrompido de falar por ele.
– Chama-me só de Ai, chibi-chan – Afirmou com dificuldade, merda já o tinha dito para ele não falar. Chamar só de Ai? Normalmente só faço isso às vezes quando só nós estamos a falar, mas é raro. Fiquei vermelho ao pensar que nisso e ele sorriu, apesar da sua situação. Se eu fiquei vermelho com isto nem quero imaginar com o que vou fazer.
– Ai... – Dei uma pausa depois de dizer o nome dele, dei um sorriso e ele ficou a me encarar, dirigi a minha mão aos seus cabelos e comecei a fazer um leve cafuné, ele fechou os olhos apreciando o cafuné, até mesmo levantando ligeiramente a cabeça, me incentivando a continuar. – Ainda estás com frio? – Perguntei preocupado, pois ele ainda tremia, se ele ainda tiver terei que seguir a ideia mais estupida que já tive.
– Um pouco. – falou sem perceber, pois estava mais concentrado no cafuné, o que o deixou distraído.
Respirei fundo...
Puxei os cobertores dele para trás, e ele me encarou como se eu fosse um idiota, entrei na cama junto com ele, e voltei a por as cobertas sobre nós dois. O encarei e ele me olhava um pouco sem reação, mas deu um sorriso malicioso logo a seguir.
Fiquei vermelho, mas mesmo assim o puxei contra mim, fazendo com que ele colocasse a cabeça no meu peito o que o fez prender a respiração. Comecei a fazer cafuné outra vez nos seus cabelos azuis suaves e ele me puxou para mais perto, abraçando a minha cintura.
– Está melhor agora? – Perguntei envergonhado e com a voz ligeiramente a tremer, mas ao fazer a pergunta ele afundou ainda mais a cabeça no meu peito, e me apertou ainda mais.
– Muito melhor. – Respondeu. – Muito mais quente. – Respondeu novamente, um pouco malicioso, o que me fez corar ainda mais.
Passado um tempo ele adormeceu ainda naquela posição e eu não tinha parado de mexer nos seus cabelos sedosos, até que senti o sono me alcançar finalmente, mas antes de adormecer beijei-lhe a cabeça.
Ao contrario do que eu pensei o Ai levantou a cabeça dele na mesma altura que a minha, os lábios deles bem próximos dos meus, as respirações que se misturavam o hálito quente dele, os seus cabelos sedosos nos meus dedos, os seus braços na minha cintura. Não aguentei a distancia e selei os nossos lábios.
Um simples selinho comprido, que deu para sentir a textura dos seus lábios suaves. O selinho passou a ser um beijo calmo que com o tempo tornou-se faminto pelos lábios um do outro, os sentimentos daquele beijo eram muitos, mas os que se destacavam era a paixão e preocupação de um para com o outro.
Os lábios se mexiam em uma sincronia perfeita, eles se moldavam um no outro perfeitamente, o que deixava ainda mais tentador. Ai lambeu o meu lábio inferior, logo abri passagem para a língua atrevida daquele maldito azulado adentrar a minha boca, nós dois tentávamos descobrir os mistérios da boca um do outro.
Agarrei a camisola do pijama o trazendo para mais perto de mim, voltando logo em segui a agarrar o seu cabelo com as minhas mãos, em resposta ele apertou mais a minha cintura, deixando os nossos corpos completamente colados.
Sentir o sabor, sentir a língua de cada um a roçar uma na outra e sentir toda aquela mistura de sentimentos maravilhosa e acolhedora. O beijo acabou quando foi necessário o ar, ambos corados e com as respirações descompassadas e um fio de saliva que ligava as nossas bocas e outro que escorregava ligeiramente do canto da minha boca, ele logo tratou de lambê-lo sensualmente até ao canto dos meus lábios dando em seguida um selinho carinhoso.
Nota mental: O Ai beija muito bem, mesmo estando doente.
– Boa noite. – Sussurrou-me rouco. – Obrigado. Logo ele tentou voltar à posição de antes, mas...
– Boa noite. – Mas... Eu lhe respondi com um beijo cheio de carinho na testa, não sei quem sou eu neste meio tempo, mas só sei que neste exato momento eu estava a fazer exatamente o que queria. Olhamo-nos aos olhos, e não falamos nada, pois não eram necessárias palavras para saber o que cada um estava a sentir naquele momento.
Dormirmos juntos, aquecidos pelos cobertores e por o calor de cada um... Foi agradável.
No dia seguinte:
Acordei atordoado, e com uma dor enorme de cabeça, comecei a me lembrar do que tinha acontecido no outro dia, corei logo a seguir, olhei para o local onde supostamente deveria estar o Ai, mas ele não estava lá.
Ouvi a porta de o banheiro abrir e de lá saia o Ai em perfeito estado, sem aquele pijama idiota, mas sim com uma roupa do dia a dia, eu ia para falar, mas de repente tossi, espera... Eu tossi? Não me digas que...
– Chibi-chan, acabas-te por te constipar! – Disse o Ai irônico com a minha situação, até aparecia se orgulhar que foi ele a me deixar doente, idiota. Eu vou mata-lo.
– E de quem é a culpa? – Perguntei ainda mais irônico que ele, com a minha voz rouca. Até a voz ficou assim? Merda.
– Do beijo. – Argumentou em sua defesa.
– Do beijo? – Perguntei confuso.
– Sim, Sim... – Ele afirmou convencido. – Não sabias chibi-chan? Quando uma pessoa está doente não a deves beijar, podes acabar doente também. – Logo começou a rir da minha cara. Se eu não tivesse correspondido o beijo, mas estava tão bom... Eu não acabei de pensar isto não é? – E como tu ficas-te doente, eu como um senpai responsável tenho de tomar conta de ti o resto do dia todo. – Pois um bom senpai?
Um bom senpai não agarra o seu Kouhai e o beija mesmo sabendo que pode ficar doente! Onde eu posso contratar um assassino? Porem, ficar ao lado dele, durante um dia inteiro tendo só atenção dele para mim... Parece bem interessante.
– O dia todo? – Perguntei com a minha horrível voz, que na maioria das vezes tenho tanto orgulho dela.
– Todo. – Disse se aproximando de mim dando um selinho.
– Parece interessante. – Respondi dando-lhe um selinho no canto do lábio, só para deixar ele na vontade, mas depois me lembrei. – Não me podes beijar. – Disse o afastando, ele se aproximou de mim outra vez e me olhou como se dissesse Porque chibi? – Podes ficar outra vez doente! – Respondi a sua pergunta muda.
– Me deixa analisar as coisas: Se eu te beijar, fico doente novamente, tu iras cuidar de mim no dia seguinte outra vez e mais um dia de descanso ao teu lado... Parece bem agradável para mim. – Aproximou-se de mim e roçou os seus lábios nos meus de maneira tentadora.
– Acho então que não tem como eu recusar. – Ele me beijou.
Assim passou o dia, entre beijos, discussões, “apelidos carinhosos” e carinhos...
Devo admitir, se é assim tão bom ficar doente, acho que tenho de repetir.
Felizmente, acho que o Ai tem a mesma opinião que eu. Só de lembrar o dia anterior, posso afirmar com certeza que o dia foi horrível, porem durante a noite pude constatar que...
...Nem tudo foi ruim.
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