Notas iniciais
Suspeito ou testemunha?

O homem parece um integrante do Show de Horror de um circo qualquer.

Enquanto ele aguardava na sala de interrogatório, muitas pessoas iam até o vidro para observá-lo. Uns comentavam que ele tinha problemas mentais e outros davam ênfase à história do Castle.

— Espero, sinceramente, que todos tenham feito suas tarefas. – Gates passa pela sala e todos saem da sala imediatamente. Ela se dirige para sua sala.

— Detetive Beckett, em minha sala agora! – Gates está curiosa para saber o que está acontecendo.

— Sim, Capitão!

— Qual é a explicação para o Show Circense na sala de interrogatório.

— Ele é suspeito do assassinato do Beco Srª.

— Este homem? – Apontando para a porta com os óculos na mão. – Você acha que eu vou levar esta informação para o Comissário?

— Na verdade Srª, ainda não interroguei o suspeito porque estamos tentando identifica-lo, portanto, ainda não terá que dizer nada para o Comissário. – Em um tom de defesa e deboche, Beckett sai da sala e cruza com Ryan na delegacia.

— O que faz por aqui Ryan? Não é seu dia de folga?

— É que esqueci um documento em minha mesa e... – disfarçando nitidamente.

— Ele está na sala 2.

— O que? “Puff“ Não sei do que você está falando.

Beckett estica o braço em um gesto de conduzi-lo até a sala e ele, muito sem graça, vai até lá e também observa pelo vidro.

— Você acha que ele tem o que, Beckett? – Ryan fala sem tirar os olhos do Homem que continua se balançado na cadeira.

“Ele é um TEA!”

Eles se assustam com a voz que surge da porta, mas, logo a reconhecem.

— Jen, o que está fazendo por aqui? – Beckett vai de encontro à garota acariciando sua barriga que já está bem aparente.

— Na verdade vim com o Tom e decidi dar um oi para vocês e verificar a história do Castle. – ela dá uma risada sabendo da palhaçada do primo.

— E o que quis dizer com TEA? – Ryan está curioso

— Na verdade é Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) referem-se a um grupo de transtornos caracterizados por um espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados. Os TEAs, como são conhecidos, apresentam uma ampla gama de severidade e prejuízos, sendo frequentemente a causa de deficiência grave, representando um grande problema de segurança e saúde pública. – Como sempre ela fala sem respirar e acaba confundindo as pessoas.

— Isso quer dizer que...???

— Que ele é um autista em um grau elevadíssimo.

— Se você diz que ele tem um “prejuízo qualitativo na interação social”, ele não teria reagido com agressividade quando eu falei com ele? – Beckett está bem confusa.

— Na verdade, nem todos tem a mesma reação. Observe os movimentos retilíneos que ele está fazendo com os dedos sobre a mesa. Este é um movimento bem característico, a repetição e padronização.

— E como você sabe tudo isso? – Pergunta Ryan.

— Tenho lido bastante coisa por causa do Anthonny! – Ela olha para Beckett sorrindo.

— É um menino! – Beckett a abraça novamente.

— É sim, acabamos de saber.

— Castle vai cair para trás. Não deixe te fazer mudar de ideia e colocar o nome de Cosmo.

— Não Beckett, — ela ri – Esse nome fica para o seu filho. Já é uma escolha dele. – dão mais risada – Já vou indo, estou muito cansada hoje.

— Eu vou interrogar o nosso TEA. Mais tarde passamos lá.

Tory chega com a ficha do suspeito e Beckett, junto com um dos Guardas, vai para a sala de interrogatório.

— Sr Jimmy Stuart, consegue me compreender?

O homem faz sim com a cabeça, continua se balançando e riscando a mesa com o dedo.

— O que aconteceu na noite passada no Beco da Fábrica, pode se lembrar?

— Não fazer mal! Nada de mal! – Balançando mais rápido. – Nada de Mal! Jim bom! Bom...

Beckett vê que o homem não tem condição de responder a nada, mas, tenta mais uma vez.

— Jimmy, olha para mim. – sua voz era mais firme. – Olha para mim Jimmy. Jimmy é bom, certo? Jimmy sabe o que é mau? Jimmy viu homem mau?

— Jim bom! Quer bom de tudo! Homem bom foi embora! Muito sangue. Jimmy fazer bom...

As coisas estavam ficando sem sentido e Jimmy mais agitado, por isso, Beckett decide parar e falar com Gates.

— Capitão, precisamos de um profissional para nos ajudar neste caso. Jimmy Stuart é Autista em um grau altíssimo, ele tem uma dificuldade enorme de comunicação e sozinha não irei tirar nada dele.

— Vou ver o que consigo, mas, enquanto isso continue as investigações.

— Claro Srª, vou até a Lane descobrir quem é a vítima.

No caminho para o Necrotério Beckett recebe uma ligação de Castle.

“Oi meu amor!” – Ele está bem carinhoso.

— Oi Castle, o que você quer?

“Desculpar-me com você, passei do limite.”

— Falamos disso depois. – Desliga o celular e dá de cara com ele na porta do necrotério com flores nas mãos.

— O que você está fazendo aqui Castle, e com... – Ela dá um suspiro – ...”rosas” e cerejas?! Você sabe que amo rosas e cerejas.

— Por isso que eu as trouxe. Pedidos de desculpas são para isso, agradar a quem decepcionamos.

— Bom, já que está aqui, pode me acompanhar.

Mais uma vez ele consegue o que quer e acaba acompanhando sua amada.

— Olá Lane, o que temos?

Em tom de desaprovação Lane se dirige a Castle e diz:

— Batman, só você mesmo Castle! Pode ficar aqui porque é marido da minha amiga, mas, a primeira palavra que disser eu abro seu tórax.

Com o bisturi na mão direita e a esquerda cheia de sangue, ela olha para Castle que entende o recado e leva as mãos à boca.

— Bem, nossa vítima é Robert Lugs, 32 anos e morreu por causa de uma pancada bem dada na parte posterior do crânio.

— Hora da morte? – Beckett fala e olha para Castle que observa os pertences da vítima apontando para um porta cartões sem emitir um som.

— Entre 16h00minhs e 20h00minhs.

— Faz sentido, Ronald, o garoto que encontrou o corpo disse que foi às 19h30minhs.

Castle já está quase com tendinite de tanto que balança os braços para Beckett ver o que ele encontrou quando Lane o vê.

— O que eu disse Castle?

— Mas, não estou emitindo nenhum som. Você não falou de balançar os braços.

Lane quer mata-lo nitidamente.

— Tem um porta cartões aqui, pode ser uma pista.

Beckett pega o objeto com uma luva e abre. Ela vê alguns cartões e um tem o nome da vítima.

“Robert Lugs

Agente de Negociações Imobiliárias

Corretora Nora Smith

Fone: 5555-2236”

— Corretora Nora Smith! Quer comprar uma casa Rick?

Notas finais
O que esperar de Jimmy Stuart?