Nem tão Natasha

1 1. Eu já falei que sou trouxona?


Vamos começar bem assim: direto, honesto e realista. Até porque, se eu não conseguir contar a verdade para uma tela de computador, pra quem caralhos vou contar? Para a minha melhor amiga, talvez, mas ela já tá tão cansada de me ouvir falar desse assunto... Eu já estou cansada também. Eu não posso nem numerar os textos que já escrevi, porque foram tantos. Cada vez que ele passava debaixo da minha janela e soltava aquela risada escandalosa, já me dava motivo para suspirar e para relembrar.

Eu não quero relembrar. Não de novo. Porque junto com todas as boas lembranças boas, vem as ruins também. E é, elas me deram várias valiosas lições que eu pretendo levar para sempre e que eu realmente espero que ninguém tenha que aprender do mesmo jeito do que eu. As partes ruins foram necessárias, elas sempre são, e eu simplesmente não estou pronta para lidar com elas de novo. É que nem você queimar em cima daquilo do que já tá sarando, sabe? Não importa o quão calejado você esteja, parece que dói mais.

Não serei hipócrita. Toda vez que eu entro em uma escada, não importa de qual bloco, um sorriso me trai antes mesmo que eu me dê conta. Quem diria que uma escada pudesse ser tão divertida, não é mesmo? Mas nós fizemos ficar. Quem diria que eu reprimir o tesão só fosse me deixar mais apaixonada por você? Mas fez. Trouxona? É. Eu fui.

Pega no meu cabelo e me puxa para baixo. Sou sua, mesmo que por poucos segundos. E você era meu naqueles momentos, não importa o quanto tentássemos negar. Na minha boca, você estava completamente rendido, ao mesmo tempo do que eu. Provamos que nesses momentos, só a entrega, não há domínio. Não há totalidades, parcialidades. Cada um estava no comando ao seu modo, e que belo modo.

Eu sinto mais prazer dando do que recebendo. E não do jeito que as maliciosas mentes que me leem entenderam, eu gosto de dar prazer, me sinto bem vendo os outros bem. Trouxona eu, né?

Quando eu vejo alguém que eu gosto machucado e frágil é que o instinto materno, que tanto tento negar e esconder, se aflora. Quero cuidar, dar remédio, pôr no colo e falar que vai ficar tudo bem. Mesmo que a outra parte não precise. Eu necessito disso pra finalmente sentir que vai ficar tudo bem.

Não se engane, cada mensagem foi cuidadosamente pensada e analisada antes de enviar. Trocando palavras para ficar mais real, mais descontraído. Não se engane, não estou de quatro esperando as suas vontades e mesmo que você venha, eu vou gentilmente dispensar. A lei da vida é uma só, não tem como um ciclo começar sem outro se fechar. Não posso correr atrás do meu futuro se ficar olhando o passado. A preocupação foi real, o sentimento também. Mas é assim que tem que ser, cada um no seu canto. Fomos feitos um pro outro, mas não pra sempre.

Os Deuses não se enganam. Tudo nessa vida tem um proposito. Maktub, é o destino. Dizem que as pessoas utilizam o destino como uma desculpa para não fazer acontecer, para justificar os seus erros. É justamente o contrário. O caminho que você vai trilhar é definido, mas ninguém escolhe as bifurcações que você vai pegar, os atalhos. As escolhas tem suas consequências e é com elas que precisamos crescer e aprender. O objetivo de todos é um só, e todos nascem no começo de um mesmo caminho, que tem uma mesma chegada: a felicidade. Só nos separamos nas bifurcações.

Eu já falei que eu sou trouxona? Já? Mas tava pensando... talvez nem tanto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.