Nem Todos São Iguais !!
24 24|Revivendo
Notas iniciais
Estava escuro. Muito escuro. A correnteza de ar frio batia em minha pele de modo que sentia todo o meu sangue congelando por dentro. Queria fugir dali, queria correr o mais rápido que conseguisse usando os restos de minhas forças, para o mais longe possível dele. Ele me achou, não sei como, porém ele está a minha frente agora e o mais perto do que imaginava, estou sem forças para lutar ou reagir. Sua mão puxa o meu cabelo e engulo o choro que grita querendo sair. Escuto sua voz ameaçadora soar pelo meus ouvidos, fazendo uma lágrima fugitiva cair em meu rosto, solitária
"Realmente achou que fugiria de mim princesa? Bem vinda de volta à casa."
Abro os meus olhos molhados. Foi um pesadelo, mais um. Tento acalmar meu coração que insiste em bater descontroladamente, abro os olhos, repentinamente sentindo me encurralada
"Matt?"falo hesitantemente baixo, esperando sua resposta. Que não veio
Olho ao redor, estava escuro, porém estava quente e confortável. Estou no quarto de Mark, Matt deve ter me trazido depois que dormir no sofá. Não sei que horas são, deve ser madrugada, mas não estava conseguindo voltar a dormir. Toda vez que fechava o olho sua voz ecoava em meus ouvidos
"Realmente achou que fugiria de mim princesa?"
Toda vez que tentava ignorar, sua face aparecia em minha mente
"Bem vinda de volta à casa." Eu estava com medo, me sentia que a qualquer momento ele entraria pela porta do quarto e terminaria o que começou, era como se estivesse a espera que adormecesse para me atacar e finamente conseguir o que queria a tanto tempo
Levanto me da cama. Não enxergava nada em minha frente, porém, segui em frente. Assim que consegui alcançar a porta, eu a abro e saio em direção a sala correndo o mais rápido que conseguia, ele poderia estar nas sombras esperando me, quando chego ao meu destino, grande é a minha decepção, ascendo a luz. Matt não estava aqui. Eu estava aqui sozinha? Não!!! Ele vai me pegar. Pânico começava a me invadir, como ele conseguiu sair? Porque me deixou aqui sozinha? Lágrimas brotam em meu rosto, mas aí, lembro me que. Todo apê do prédio contém dois quartos. A minha esperança
Apago as luzes e corro. Estava assustada, estava frio e escuro assim como no sonho. Estremeço com esse pensamento. Abro a porta não ligando se Matt acordaria ou não, rapidamente a fecho e deito me na cama apressada. Consigo sentir o quente que emanava de seu corpo e tento fazer meu coração parar de bater ardentemente, engulo as lágrimas que teimavam em sair, foi só um pesadelo mas parecia tão real, tal palpável. Junto me mais ao corpo de Matt, sentia me segura, ele poderia me defender se caso o Gordon realmente estivesse aqui. Merda, parecia uma criança com medo que o bicho papão saísse debaixo da cama
"Julie?" escuto a sua voz rouca e lenta. Acho que o acordei
"Sou eu." sussurro
"O que você está fazendo aqui?"
"Eu.. Eu.. " enquanto penso em uma desculpa esfarrapada, me dou conta. O que eu estou fazendo aqui? Meu Deus que vergonha, provavelmente ele me chutaria daqui, e o dou razão para isso fazer " ãh, me desculpa, eu já estou indo embora." teria que lidar com os meus medos como uma (quase) adulta que sou. Eu sou realmente estúpida, isso sim. Assim que faço menção de sair da cama, me sinto sendo puxada, fazendo me cair no colchão fofo ao seu lado
"Não.. fica." sua voz sai entrecortada. Eu não sei se sorrio ou o abraço. A que ponto cheguei
Relaxo, e vejo sua silhueta deformada pelo escuro se aproximar e puxar me fazendo com que minha cabeça encaixasse perfeitamente em seu peito. Ouvia seu coração batendo em um ritmo estranhamente calmo. Estava aconchegante ali
"O que houve?" percebo que por mais que ele se esforçasse para sua voz sair firme, ainda eram leves murmúrio. Agora, sinto vontade de me bater por o acordar desse jeito, mas como sempre, no momento que corri até sua cama, só pensei em mim, e acabei mais um vez por ser demasiada egoísta
"Pesadelo, fiquei com medo." confesso, querendo me jogar no primeiro buraco que aparecesse em minha frente
"Você? Julieta Torres, com medo de um pesadelo? " perguntou em forma de um sussurro zombeteiro
" O que foi? Eu também sou humana." me defend
"Certo.. Não quer contar? Dizem que se o fizer, a pessoa não sonha mais." ele faz desenhos aleatórios em minha pele, e diferente de como pensava, isso de acalma um pouco
"Não." me senti desconfortável, nem o Mark sabia dessa parte de minha vida, ninguém que me é próximo na verdade, e prefiro manter essa parte da minha vida do jeito que está: perdido no escuro Acho melhor eu voltar pró quatro do Mark. falo tentando me desvencilhar de seu corpo, porém este mantém seu aperto forte em mim
"Fica. Não pergunto mais."
"Eu nem dever.. " queria poder dizer que eu não deveria estar ali pra começo de conversa, que eu estava me sentindo ridícula estando ali acuada em seus braços. Porém ele foi mais rápido que eu mais um vez interrompendo me
"Shiiiuu." ele me silencia com a voz arrastada. Só dorme Julie, está tudo bem agora." sussurra apertando me mais contra si, o que faz com que, inconscientemente me aninhe mais em seu peito
Fiz tanta coisa fora do comum hoje. Me deixei levar pelo beijo da consequência, praticamente me entreguei em outro mais cedo e agora estava aqui, deitada na cama usando de escudo para os meus medos, a pessoa que três meses atrás eu estaria chutando seu rabo e rindo da sua desgraça. Eu já não me reconheço mais.
Assim que abro os olhos desejo não o ter feito: Matt me fitava com um olhar perdido em meu rosto, não pude deixar de me sentir irritada com isso. Quanto mais digo que NÃO gosto de ser observada parece que menos se ouve meu mantra
"Oi. " sorriu
"Oi." respondo me afastando de seu braço que estava descansando em minha barriga, contenho um suspiro enquanto penso mais uma vez que se arrependimento matasse, estaria em decomposição à anos
"Ta tudo bem? " me olhou preocupado
" Sim, por que não estaria." falo tentando passar indiferença em minha voz. Me levanto da cama, tenho assuntos pendentes que devem ser devidamente pagos
"Se aquela porta não estiver aberta, vou fazer aqueles traidores comerem cada pequeno pedaço dela quando eu sair daqui." praguejei indo em direção a sala
"Ate parece que passar a noite comigo foi esse sacrifício todo. " escutei os passos largos de Matt atrás de mim
" Acredite. Todos os meus pecados foram pagos. " nem todos
" Que isso Julie, não tem ninguém aqui. Não precisa esconder o quanto deseja o meu corpo nu." brincou
"Certamente eu ficarei com trauma pelo resto da minha vida depois de ouvir essa. " ri, soltando o ar pelo nariz, provocando um som que podia ser igualado a de um porquinho. Só a Renata me fazia rir assim, ponho a mão a boca depois de contatar tal fato Eu vou ver se a porta tá aberta. falo apressadamente não dando a Matt um tempo de resposta. Assim que chego na porta abro-a com força necessária fazendo com que quase batesse com meu rosto no chão: finalmente resolveram acabar com a palhaçada e abriram a porta
Entro no elevador tentando fazer minha respiração voltar ao normal, certamente hoje seria o dia em que passaria o resto da minha vida na cadeia. Ponho os números no meu andar e espero impaciente enquanto não chego lá. Como eu não desconfie antes, logo eu, Annabelle toda apresada pra jogar verdade e consequência quando ela claramente odiava esse tipo de jogo, as perguntas de Ricardo durante o jogo, a luz e as lanternas que Jú fez tentando da um "clima". Ridículo
Assim que o elevador para em meu andar, abro a porta do meu apê com um pouco mais de brutalidade do que o necessário, adentro o mesmo quase caindo pra trás quando elevo meu olhar. Estou fudida, não pode ser, acho que estou vendo uma miragem, limpo meu olhos tentando inutilmente tirar a imagem dela da minha cabeça, porém, ela continua me fitando com o mesmo ar de raiva e indiferença de antes
"Mãe? O que a senhora está fazendo aqui?" minha saiu um pouco esganiçada, porém me recomponho não querendo causar um escândalo, Mark e Jú me observavam atentamente
"Já que o seu celular não serve para nada além de marcar encontro com os seus clientes, vim eu mesma dar o recado." revelou me fazendo conter um bufo, mal chegou, e me recebe com insultos. O que droga ela estava fazendo aqui então? E eu pensando que ela estava com 'saudades' passei do limite das touxas
"Realmente, aqui não tem nenhum que me interesse mãe Deixei todos em São Paulo, bons tempos." rebati
"Não basta ter me tirado o único orgulho da família Julieta? Tenha a deiscência de não causar ainda mais injúria a sua família. Não sei como seus primos aguentam olhar todo dia para sua cara de vagubunda assassina." gritou de punhos fechados. Na verdade, estava demorando ela entrar nesse assunto, e o mais me deixava triste nessa história, não era ela me chamar de vagabunda, não era me chamar de assassina. Era ouvir isso da sua própria mãe e saber que ela estava certa. Eu deveria estar acostumada com todos esses insultos.. Ela tinha me dito coisas piores, mas toda a vez em que os escuto, não consigo parar de me sentir o que eu realmente sou: um lixo
"Tia, me desculpa. começou Mark Quer saber.. Foda-se, desculpa nada, sabe? No seu lugar, teria orgulho de ter uma filha como a Julie, tento me convencer de que isso é passageiro, que isso é saudades de Renata, porque acredite, todos nos sentimos a falta dela. Mas se passaram 2 anos, 2 ANOS, é doentio. A senhora realmente não pode fazer o que faz com a sua restante única filha, ela é do seu sangue, COMO TEM A CORAGEM?
"
Infelizmente a minha única filha foi covardemente assassinada pela pessoa que ela julgava ser a irmã dela." falou seca, respirei fundo tentando engolir o bolo que que se formava em minha garganta. Humilhada, pisoteada, excluída, ignorada, e agora?... Fui jogada de vez aos abutres
"Julie.. Você não quer ir.." escutei a voz de Matt atrás de mim, calando se lentamente quando se deu com a cena em sua frente
"Oh, vejam só, e eu achando que eu não teria mais surpresas." ela ficou ereta olhando pra Matt de cima a baixo, minhas pernas começavam a ficar fracas e minha visão a ficar turva
Eu não iria chorar. Eu não iria chorar. Eu não iria chorar
"Só tenha cuidado rapazinho, eu realmente te aconselharia a ir à algum médico quando saísse daqui.Tenho a certeza de que você não quer morrer de Aids, gonorréia ou coisa parecida."
"Mas o que porra... " a voz de Matt parecia estar indignada mas não o esperei terminar a frase
" EU TE ODEIO. " gritei com todas as minhas restantes forças, caindo do meu olho uma lágrima que se perdeu das restantes, a limpo. Eu não iria chorar. Ela me olhava com a mesma indiferença na qual entrou a aqui, já meus primos, pareciam perplexos. Tiro Matt da minha frente e corro o mais rápido que consigo. Estava bom pra ser verdade, três meses em paz se nenhuma aparição surpresa dela, parece que se lembrou dos insultos diários o qual ela faltou de me presentear, agora, tinha acabado de cobrar com juros. Abro a porta da saída do prédio e corro como se a minha vida dependesse disso, não sabia pra onde estava indo, e no fundo, preferiria continuar sem saber.
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