Nem Todo Mundo Odeia O Chris - 2ª Temporada
21 Todo Mundo Odeia Matemática
Notas iniciais
POV. LIZZY (Brooklyn – 1985)
Meu melhor tempo de colégio começou depois que eu conheci o Chris e o Greg. Desde então sempre andei com eles no bem e no mal. O Greg era o nerd sabe tudo e o Chris era o rejeitado por todos. Eu ficava no meio termo e tentava dar um equilíbrio para aqueles dois doidos.
Como quase todo aluno concorda, estudar é um saco. Naquela época minhas notas eram razoáveis em quase todas as matérias. Geometria era minha maldição. Eu não conseguia entender nada. Pra quê tanto ângulo? E pra que diabos eu preciso saber como calcular o perímetro de um círculo?
Várias vezes pedi ajuda ao Greg e eu sempre passava morrendo nessa matéria. Já para o Chris, o pesadelo era Álgebra. Há poucos meses um professor substituto tinha 'perseguido' ele até ele aprender a matéria. Ele tinha até dominado bem, mas logo aparecia conteúdo novo e ele ficava mais confuso que cachorro perdido na mudança. Eu e o Greg ajudávamos como podíamos, mas como eu em geometria, ele sempre passava morrendo. A gente comemorava por passar direto, mas no final do ano letivo a turma sempre ficava com raiva dele. Não batiam porque eu não deixava. Motivo?
O dia da pizza era no dia da última prova de álgebra do ano. A turma que ficasse com a média de notas maior ganhava as pizzas. Todo mundo se esforçava para tirar nota boa, mas a nota da turma sempre caía por causa da nota baixa do Chris.
Não sei o que deu nele naquele ano, mas ele botou na cabeça que queria e ia ganhar a bendita da pizza.
"Bem, turma, nessa sexta feira vamos ter nossa prova final de álgebra e, como todos já sabem, também é o dia da pizza." Ela olhou exatamente para o Chris. "Chris, você tem que melhorar a sua nota ou não vamos ganhar pizza... de novo."
Senti o olhar de ódio de todos sobre ele e por instinto me inclinei para frente e o abracei, passando meus braços sobre seus ombros. Ele simplesmente suspirou e respondeu.
"Eu vou me esforçar, srta. Morello." Ela assentiu e continuou a aula.
No intervalo fomos comer alguma coisa diferente na lanchonete do outro lado da rua e eu descobri a intenção dele de melhorar.
"Greg, pode me ajudar em álgebra?"
"Ah, foi mal, cara. Recebi cinco pedidos antes do seu e se eu não ensinar os burros, aí sim nossa pizza tá perdida." Chris assentiu, entendendo, e me olhou.
"Então a gente estuda junto, né?" Assenti, sorrindo.
"Não é minha melhor matéria, mas eu posso te ajudar."
Ele fez uma careta e torceu o nariz.
"Eu vou ganhar essa bendita pizza e ver se eles param de encher o meu saco." Ri pelo motivo dele e repliquei com um leve sarcasmo.
"Melhorar a nota pra passar de ano? Que é isso? Não precisa. O motivo é a falta de paciência mesmo. Existe melhor motivação do que estar de saco cheio?" Eles riram e entramos na lanchonete.
POV. CHRIS
Na boa? Eu já tava cansado de todo ano ficar aguentando piada dos outros por causa daquele dia da pizza. Era a mesma coisa todo ano: eu me esforçava, mas sempre tirava nota baixa. A turma perdia a pizza e me detestava ainda mais. Como se eles precisassem de um incentivo pra isso… Então resolvi levar a sério e parar de pensar que não conseguia entender. Eu vou conseguir!
No dia que a srta. Morello falou do dia da pizza eu pedi a tarde de dispensa pro Doc pra poder estudar com a Lizzy. Em recompensa, tive uma bela surpresa... e não tem sarcasmo na parte do 'bela'.
A gente tinha combinado de estudar na casa dela porque se fosse lá em casa minha mãe descobriria, e eu não queria isso. A Lizzy até riu quando eu contei sobres os métodos educacionais da minha mãe, mas eu não. Ainda tinha pesadelos com os gritos..
Então, depois do almoço, peguei minhas coisas e fui pra casa dela. Não era surpresa nenhuma já que a gente sempre estudava junto. Imaginando que ela estaria na sala, me esperando pra gente subir juntos, bati na porta e esperei. E para a minha surpresa, quem atendeu foi a sra. Jackson.
Senti o sangue fugir do meu rosto e ir Deus sabe pra onde. Vi ela ficar pálida e os olhos se arregalarem levemente pela surpresa. Pela ampla experiência que eu tinha em ser escurraçado pela mãe da Lizzy, lembrei que tinha 5 segundos antes que ela se recuperasse do choque de me ver e começasse a me enxotar. Conclui que era melhor dar o fora dali antes que eu arranjasse confusão.
"Ah... Desculpe, sra. Jackson... Não quis lhe incomodar... Eu... falo com a Lizzy depois..." E virei as costas pra ir embora.
E eu teria ido, se não tivesse ficado completamente paralisado ao ouvir ela me chamar.
“Espere…” Foi muito baixo — pouco mais que um sussurro -, mas eu tive certeza que ouvira.
Lentamente virei para olhá-la, um pouco apreensivo. Ela mantinha os olhos baixos e torcia as mãos, demonstrando nervosismo.
“Sim?” Finalmente ela me olhou e eu percebi a diferença.
Eu já estava acostumado a ver as pessoas me olhando com desprezo. Eu enfrentava aquilo no colégio todo dia. Mas com o apoio da Lizzy e do Greg eu passei a me importar menos. Que se dane o que os outros acham! Não me conhecem, então não preciso me preocupar com o que pensam de mim.
O olhar da sra. Jackson sempre foi igual ao de todos: frio e indiferente. Mas naquele momento eu vi outro olhar. Não sabia descrevê-lo, mas sabia que não era frio nem indiferente. Não tinha mais o desprezo de antes. Aquilo me deixou sem fala e eu senti meu coração acelerar. O que aconteceu com ela? Que mudança é essa?
Quebrando minha linha de pensamento, ela falou.
“A Lizzy está lá em cima. Pode subir… Chris.” Dessa vez não teve como eu esconder toda a minha surpresa.
Ela me chamou pelo nome? Eu to ficando maluco? Mas felizmente eu não tava. A prova era ela ali na minha frente, com o olhar e tom de voz mudados.
Tentando não parecer um idiota, achei que era melhor eu subir e ir falar com a Lizzy. Mesmo porque o clima já tava ficando estranho.
“Ah… obrigado, sra. Jackson.” Subi as escadas o mais rápido que pude, sem correr, e ouvi a porta de baixo fechar.
Eu tava tão aéreo que nem notei que não bati na porta da Lizzy. Quando dei por mim já estava dentro do quarto dela, encostado na porta fechada.
“Chris? Aconteceu alguma coisa?” Ela largou os livros e veio na minha direção. “Você tá pálido.” Minha cara devia denunciar tudo, então contei logo.
Ela ficou tão chocada quanto eu achei que ficaria.
“Ok. Isso é inesperado.”
“Inesperado é pouco. Eu achei que era impossível.” Olhei bem sério pra ela. “Ela levou alguma pancada na cabeça?” A pergunta era bem idiota, mas eu tava considerando qualquer coisa no momento.
“Não que eu saiba.”
Baixei os olhos pros livros na minha mão e lembrei o real motivo de eu ter matado trabalho pra estar ali.
“É melhor a gente deixar isso pra lá por enquanto. Eu preciso entender a porcaria dessa matéria.” Lizzy assentiu.
“Verdade. Mas eu vou descobrir o que aconteceu.”
“Eu também.”
Como sempre, nos espalhamos no tapete do quarto dela e começamos a estudar.
Duas horas depois minha cabeça estava doendo de tanto esforço que eu tinha feito. Eu juro que podia sentir o sangue pulsando na minha cabeça. Mas a Lizzy tava dando tudo de si pra me ajudar e eu não queria decepcioná-la.
"Faz essas três aqui enquanto eu vou buscar alguma coisa pra gente comer, tá?" Ela levantou e saiu do quarto, descendo as escadas.
Consegui resolver as três que ela tinha falado, mas eu ainda não entendia muito bem e por isso fazia devagar. Quando terminei, me larguei deitado de costas no tapete e fechei os olhos, suspirando. Vai ser uma semana difícil...
Alguns minutos depois a Lizzy voltou pro quarto trazendo uma bandeja com sanduíches e suco e chutou minha perna de leve pra me 'acordar'.
"Desperta, dorminhoco." Ela riu e sentou do meu lado enquanto eu fazia o mesmo.
A gente comeu e eu me senti um pouco melhor.
"Lizzy, eu ainda não to entendendo direito. Minha cabeça já tá doendo. Álgebra é uma bela porcaria." Ela sorriu, meio triste.
"Desculpa. Eu to fazendo o meu melhor."
"Eu sei. Você é incrível." Acariciei e beijei seu rosto um pouco corado. "Obrigado mesmo. Eu só queria encontrar alguém que me explicasse como um professor." Assim que fechei a boca eu encontrei a resposta. "Eu sou muito lesado! Como eu não pensei nisso antes?!" Olhei pra Lizzy, sorrindo. "Minha avó foi professora. Eu podia pedir a ela. Só que minha mãe não pode saber."
"Depois da discussão dela com a sua avó por causa do encontro às escuras, dá pra imaginar o clima."
"Elas já se entenderam depois daquilo. Minha mãe é que não gosta de pedir nada à minha avó. Pode ir comigo amanhã?" Ela me olhou surpresa.
"Se não tiver problema eu posso ir."
"Claro que não tem. Minha avó te adora." Ela sorriu, ficando um pouco vermelha de novo.
"E se você disser pra sua mãe que tava estudando comigo não vai ser mentira." Sorri pra ela, meio sacana.
"Muito espertinha." Ela riu e me socou de leve no braço. "Amanhã depois da aula então. A gente almoça no colégio." Ela assentiu.
"Quer estudar mais um pouco?"
Choraminguei com a ideia. Era tão bom conversar com ela. Inventei de fazer birra e balancei a cabeça.
"Quero não."
Deitei novamente, mas dessa vez com a cabeça no colo dela. A Lizzy riu e começou a acariciar meu rosto. Fechei os olhos e me deixei relaxar.
Minha cabeça pesava com tudo o que eu tinha pra pensar, mas com ela ali comigo, eu preferi esquecer e aproveitar o momento. Conversamos e rimos até que deu 18:30h e minha consciência disse que eu tinha que ir pra casa. Meu pai devia chegar em pouco tempo e a mãe ia servir o jantar. Levantei a cabeça do colo dela meio a contra gosto e falei.
"Tenho que ir, Lizzy. Obrigado por hoje."
"Que nada." Ela sorriu e me abraçou.
Levantei e me despedi dela, saindo do seu quarto e logo depois da casa. Já ia entrar em casa quando escuto uma buzina familiar atrás de mim. O sr. Jackson estacionou o carro e desceu, subindo as escadas na minha direção.
"Oi, sr. Jackson."
"Oi, filho. Seu pai já chegou? Queria falar com ele."
"Não chegou ainda, mas deve estar chegando." Naquele momento me veio a ideia de que eu podia descobrir o que tinha acontecido com a mãe da Lizzy. Tomei coragem e perguntei. "Sr. Jackson, aconteceu alguma coisa com a sra. Jackson?"
Ele franziu o cenho, obviamente tentando entender o propósito da minha pergunta.
"Não que eu saiba. Por quê?" Fiz uma leve careta, procurando as palavras certas.
"Ela... está agindo... estranho... comigo."
Um sorriso quase invisível apareceu no rosto dele.
"Ela te tratou bem?" Olhei pra ele com os olhos arregalados.
"C-como você sabe?"
Ele sorriu e murmurou pra si mesmo. "Parece que funcionou..."
Fiquei ainda mais confuso.
"O que funcionou?" Ele me encarou e dessa vez estava sério.
"Eu contei para ela sobre o incidente da Lizzy e como você a salvou. Se eu sou agradecido a você como pai, imagine ela como mãe. Você sabe que a relação das duas não é das melhores, mas elas são mãe e filha apesar de tudo. Do jeito dela, a Helen ama e cuida da Lizzy." Assenti, mas estava muito surpreso. "Não imaginei que ia acontecer uma mudança efetiva, mas se essa é a reação dela eu fico muito feliz."
"Eu... tentei pensar em um motivo pra mudança, mas não imaginei que fosse isso. Obrigada, sr. Jackson. A Lizzy vai ficar feliz em saber. Ela também ficou surpresa com a mudança."
"Vou contar pra ela."
Naquele momento meu pai chegou e eles começaram a conversar sobre um assunto aleatório, me dando uma brecha para entrar.
O jantar foi normal e assim que terminei com a louça, subi pro quarto, aproveitando que o Drew tinha ido pro banho. Eu precisava pensar.
Desde o incidente com a Lizzy, eu nunca tinha parado pra pensar nas consequências do que eu tinha feito. Pra mim eu tinha ajudado ela e só. O alívio que eu senti ao ver que tinha chegado a tempo e que ela estava bem era melhor que qualquer coisa. E o sorriso dela depois de tudo foi recompensa o suficiente. Pra mim foi uma coisa nossa e eu não pensei no que as outras pessoas que sabiam, pensavam a respeito. Obviamente notei mudança no comportamento do sr. Jackson e sabia que ele estava agradecido, mas pelo gênio que a mãe da Lizzy tinha eu não achei que fosse fazer a mínima diferença pra ela. E agora perceber que fazia, que ela se importava com a Lizzy, me fez enxergar que talvez ela não fosse tão ruim. Não que eu detestasse ela, mas quando se leva muita pancada de uma pessoa você aprende a ficar na defensiva.
Dei de ombros mentalmente quando senti uma pontada particularmente aguda na minha cabeça. Meus olhos pesaram e eu resolvi dormir quando o cansaço me dominou.
O assunto da ida pra aula no dia seguinte obviamente foi o motivo da mudança da sra. Jackson. O sr. Jackson tinha contado pra Lizzy o motivo e ela ficou tão surpresa quanto eu, mas também ficou feliz. Parecia que a esperança de ter uma relação mais leve com a mãe dela voltou com tudo.
Felizmente eu achei que a aula passou na velocidade da luz. Depois que o Greg se despediu da gente, fomos almoçar e então seguimos pra casa da minha avó. Ela ficou surpresa quando viu eu e a Lizzy batendo na porta. Explicamos a situação pra ela e pedimos segredo. Ela entendeu e disse que me ensinava sem problemas.
Os três dias seguintes se passaram na mesma rotina: íamos pra aula, almoçávamos na escola e passávamos a tarde na minha avó. Ela adorava a Lizzy. Segundo o que eu tinha ouvido ela dizer pra minha mãe, ela achava a Lizzy a coisa mais fofa do mundo. Claro que eu concordava com ela.
Devo admitir que mesmo com as explicações da minha avó, a matéria continuava difícil. Eu tava entendendo melhor então já era alguma coisa, mas não era o suficiente. Até que minha avó descobriu meu ponto fraco: esporte.
"Gosta de beisebol, Chris?"
A Lizzy riu, levantando a cabeça das próprias equações.
"Gosta? Acho que tá mais pra vício, Dona Maxine."
Minha avó me olhou, interessada, e então foi até uma das estantes da sala.
"O Michael gosta de apostar em beisebol, então ele sempre tem uma folha com as estatísticas de todos os times, embora eu tenha certeza que ele não tem a mínima ideia do que cada número daquele significa." Finalmente ela achou o papel e veio se sentar com a gente de novo. "Se ele soubesse talvez ganhasse dinheiro ao invés de perder." Eu e a Lizzy rimos e minha avó continuou. "Talvez isso te motive mais, Chris. Vamos tentar de novo."
Respirei fundo e estralei o pescoço, me preparando.
"Beleza. Pode falar."
Com beisebol metido no meio, eu consegui entender mais rápido que as rebatidas do Darryl Strawberry. Lá pro final da tarde eu tava competindo com a Lizzy em quem resolvia equações mais rápido. Tava empate de 25 a 25 quando deu a hora da gente ir embora e eu me senti mais confiante pra prova o dia seguinte.
Na sexta, quando a srta. Morello entregou as provas eu me concentrei ao máximo no papel que estava na minha frente e excluí todo o resto. Fiquei com mais orgulho que surpresa quando percebi que sabia resolver todas as equações da prova. Sorri internamente e comecei a resolver. Já estava na sexta das dez questões da prova quando sinto um papel deslizar pelo meu cotovelo. De imediato reconheci a letra da Lizzy.
Presta atenção nas linhas das questões... L.
Olhei minha prova e senti o sangue fugir do meu rosto quando percebi meu erro. Eu tinha respondido a primeira questão na linha e dois e assim sucessivamente. Eu sabia que todas as respostas estavam certas, mas não ia dar brecha pra srta. Morello tirar minha pizza. Apaguei o mais rápido que pude e escrevi as respostas de novo nas linhas corretas. Maldição… Bem que podiam ter feito essa porcaria sem linhas… Facilitava minha vida…
Por ter perdido tempo com o erro, não deu tempo de eu terminar a última questão antes do tempo acabar. Torci o nariz quando a srta. Morello recolheu as provas, reclamando mentalmente.
Como precisávamos saber o resultado pra saber quem tinha ganhado a pizza, tivemos que esperar a srta. Morello corrigir todas as provas. E pela minha sorte eterna, a minha prova foi a última a ser corrigida. Quando deu minha nota ela me olhou surpresa e a turma inteira me encarou. Pude sentir a ameaça em cada olhar, mas me concentrei no que a srta. Morello ia dizer.
“Chris, eu devo dizer que estou surpresa, agradavelmente surpresa. Sua nota foi ótima. Mesmo não resolvendo a última questão você ficou com A-. E o que você tirou a mais na sua nota, cobriu a nota baixa de outro aluno, não é, sr. Caruzo?” Ela disse, erguendo uma prova com um C+. Mas logo ela sorriu. “Isso significa que ganhamos a pizza!”
Todo mundo fez a maior bagunça com direito a bolinhas de papel voando pra todos os lugares. Inclinei a cabeça pra trás com os olhos fechados e respirei aliviado. Ouvi a Lizzy rir e fazer cócegas no meu pescoço. A pizza chegou em poucos minutos e devo admitir que comi demais. Saímos da escola meia hora mais tarde que o normal, mas sem arrependimentos. Depois de uma semana estudando que nem um louco, me deixei relaxar e fui a viagem pra casa inteira com a cabeça recostada no ombro da Lizzy.
“Cansado?” Apenas assenti e fechei os olhos. Ela riu levemente e começou a acariciar meu cabelo. “Pode descansar. Te aviso quando formos descer.” Suspirei, sentindo o perfume dela, e tentei esquecer que ainda tinha que ir pro Doc’s mais tarde.
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