Neji Shinden - Aprendendo a voar
5 Neji Taichou: o Jounin em ação
Notas iniciais
No dia seguinte Tsunade-sama aguardava Neji para dar-lhe instruções pessoalmente.
— Ohayou, Goidaime.
— Ohayou, Neji-san. Vou lhe explicar a situação. Tem um povoado que vive num lugar conhecido como Mizunomori, que vive quase na fronteira do país do fogo, e é conhecido por usar chacra para outras atividades que não as usuais ao shinobi, incluindo tratamentos médicos e outros rituais de fortalecimento do corpo, como resistência à venenos e regeneração. Recentemente temos recebido relatos de ataques irradiando daquela região e vindo em direção à Konoha, consistindo em ataques a shinobis que são facilmente nocauteados, tem seu equipamento ninja roubado e acredita-se que estejam coletando informações secretas nos corpos desses ninjas, já que mesmo muitos da elite foram derrotados. Ao serem resgatados seu estado é grave, com ferimentos irregulares, feitos por uma arma desconhecida, e um alto desgaste de chacra, também com causa desconhecida. Reunindo as informações, acreditamos que haverá um ataque em breve, que deverá ser evitado. Entretanto, só temos informações dos ninjas que foram emboscados e não entraram em combate com o inimigo por tempo suficiente para seu objetivo real. Uma infiltração foi desconsiderada porque a região é isolada e pouco conhecida, além de a tradição desse povoado ser repleta de mistérios.
— Sumimasen, Tsunade-sama. Mas você acha que esse pequeno povoado está causando todo esse estrago?
— Sim. Eu já mandei duas equipes só de Jōnin, e nenhum se recorda ao certo do que aconteceu. A Anbu está apenas coletando informações nos arredores de onde os ataques acontecem e estão de sobreaviso caso ocorra algum ataque, eles darão cobertura.
— Está me dizendo que a nova equipe enviada será como uma isca, na verdade, certo? E a Anbu está encarregada de coletar o maior número de informações.
— Sim e não. Precisamos saber o tamanho do poderio militar do povo de Mizunomori. E ao mesmo tempo não podemos perder mais poder. Ou seja, precisamos de um confronto seguro, que pareça acidental por não envolver apenas ninjas de elite. Por isso, confiarei a você a missão de escolher mais três pessoas para ir com você.
— Bom, analisando as informações vejo que teremos que fazer uma perseguição discreta, que demanda boas habilidades de rastreio, complementares às minhas. Também precisaremos de combate para forçar o inimigo a mostrar a sua força e técnicas. Tudo isso disfarçando a missão e coletando informações e artefatos do inimigo de forma ágil. Nesse caso escolherei Kiba, apesar de não ter trabalhado com ele sei que além de rastreio ele tem evoluído seu Taijutsu, Lee por ser um lutador esplêndido e TenTen, por sua experiência com armas e...
— Sim? – Tsunade ficou curiosa pela parada repentina.
— Tsunade-sama, você pretende fazer com que a missão seja um disfarce... para tentar uma infiltração se virmos uma brecha, certo?
— Hai! Esperto como sempre, Neji. Esperava isso de você, além da boa articulação com sua equipe e boa adaptação aos objetivos da missão. Conto com você para passar as informações necessárias de uma forma a engajar o time, e garantir o sucesso da missão.
— Hai, Tsunade-sama!
— Vocês partem amanhã.
— Hai. Com licença.
Neji estava certo sobre Lee e TenTen, mas não muito sobre Kiba. Temia que este fosse infantil e não soubesse lidar com o risco da missão. Decidiu selecionar as informações que repassaria aos três. “E TenTen, como falarei com ela?”, se preocupou por ela estar chateada, mas sabia que ela era a melhor e lidaria com isso como uma boa kunoichi que era.
Os três foram convocados, Kiba com ar de curioso e despreocupado ao mesmo tempo, brincando com Akamaru, Lee empolgado por sair de novo em equipe e saudoso por Gai-sensei, desejando que estivesse em Konoha para ir com eles. TenTen estava com olhar frio, determinada e fechada como não se viu antes, parecia estar a milhas de Neji, porém focada como nunca mesmo vestida daquela forma.
Neji explicou da seguinte forma:
— Pessoal, estamos numa missão de perseguição que deve ser a mais discreta possível. Kiba contamos com seu faro e do Akamaru.
— Hai, capitão! – Akamaru latiu. Kiba pegou no ar um pedaço de tecido que um ninja conseguiu arrancar de um combatente, para usarem como pista.
— Seremos discretos, tentaremos coletar informações sem sermos notados. Mas se precisar de combate Kiba e Lee, contamos com sua sincronia. Lee, force o inimigo a mostrar sua força, mas não se coloque em perigo. Poderemos recuar se acharmos que as informações são suficientes.
— TenTen, como podem perceber é a chave do disfarce. – Ele olhou para ela, e pensou instantaneamente “Linda!”. Se desconcentrou. Ela encarou de volta com uma sobrancelha arqueada, e ele prosseguiu – Ela... não é uma isca. Fingiremos escolta-la até um lugar nos arredores de Mizunomori. Suas habilidades de luta à distância e selamento vão manter nossas informações seguras, além de seu conhecimento em armas ser fundamental.
TenTen não mudou sua expressão séria, nem com o elogio. Estava um pouco envergonhada. Nunca soltava seus cabelos, além disso não estava bem vestida para a batalha com aquela saia. Usava um short por baixo, mas jurou que se alguém o visse ela o mataria. Algo dentro dela dizia para provar que também era perigosa, e era autossuficiente.
Neji deu mais detalhes sobre a missão, escondendo uma parte da periculosidade para não apavorar os companheiros, mas reforçou os objetivos e a possibilidade de recuo caso necessitassem.
Neji olhou de novo para TenTen e a viu ajustando uma faixa na perna com seus pergaminhos, pegou o seu pergaminho e suspirou fundo lembrando aquele dia “Como ela está linda hoje, não sabia que usaria o cabelo solto novamente.”. “Não sei no que estou pensando, preciso de foco”.
— San! – Neji ordenou e foram caminhando conforme combinado, Neji e Kiba ao lado de TenTen e Lee acima deles nas árvores, escondido para eventuais emboscadas.
Kiba ia direcionando-os e Neji sempre checava discretamente com seu Byakugan, em quase 360º de cobertura. Não queria perder nada, nem ninguém. TenTen estava calada, até um pouco antipática. Nem quando pararam para comer ela falou. Devia estar encarnando o papel de ser uma protegida, mas se torturando por dentro com a ideia de provar a si para ela mesma e para os outros, em especial para Neji “Baka”, pensou ou murmurou?
— TenTen? Disse algo? – Kiba perguntou, mas apontou em uma direção discretamente.
Neji checou e era apenas um animal a 10 horas deles, a cerca de 3km. Mas era grande, como um cervo.
— Preciso fazer uma parada, — TenTen declarou saindo em direção a um local de mata mais fechado – volto em cinco minutos.
TenTen saiu e Kiba ficou imaginando “Será que ela foi ao banheiro?”, e Akamaru aproveitou e fez o mesmo. Para o caso de caírem em um Genjutsu, usariam o cheiro da marcação dinâmica para se localizar.
— Então, ela é sempre assim ou tem dias que ela é mais... sabe? Feminina?
Neji ignorou a pergunta.
— Mesmo olhando assim de perto, e tão diferente do habitual, não dá para saber se ela gosta de algum de vocês. Gosta?
— Não nos preocupamos com esses detalhes da vida um do outro. – Neji respondeu mais ríspido do que gostaria. – Por que você deveria se preocupar?
— Calma, já entendi. Você gosta dela, então. – Neji pigarreou, mas não negou. – Quem diria, Neji o gênio com medo de confessar um amor platônico pela TenTen... mas ela é feita de fibra de aço.
— O que? – Neji enrijeceu-se todo. “Eu gosto dela? Que idiota intrometido!”
— Psss... – Kiba fez um gesto de silêncio e Akamaru rosnou.
— TenTen abaixa! – Neji gritou para TenTen que estava retornando.
— Uma emboscada! Como não percebemos?
Lee reuniu-se ao grupo, mas sem se revelar, afinal estavam todos alertas.
— Quem são vocês? — Demandou uma voz indefinida.
Neji queria seguir com o plano e começou a explicar:
— Somos ninjas de Konoha e estamos em uma missão de escolta.
— Escolta? – Demandou a voz, com tom de ironia. – Essa é a donzela frágil que estão escoltando? E para onde?
TenTen rangeu os dentes, “Frágil? Mais um, baka...”.
— TenTen é a filha de um lorde que irá se casar em breve, — improvisou. A levaremos em segurança até a casa de sua tia, nos arredores de Mizunomori. Ela é órfã de mãe, e sua tia irá prepara-la para o casamento. – Neji contorceu-se por dentro com quase tudo que disse. Mas não demonstrou dúvidas no que estava falando.
— Casar? Essa daí? Só porque é bonita e rica. De simpática não tem nada.
— Baka! – TenTen esbravejou. E ia sacar seu equipamento ninja, quando Kiba a segurou, lembrando-a do disfarce.
— Tudo bem. Vocês podem ir, mas irei avisar a patrulha da fronteira. Não queremos ninjas enxeridos no nosso vilarejo.
— Não iremos até Mizunomori, o destino fica antes. De qualquer modo, vocês estão cientes da missão. – Neji reiterou. Mas questionou-se “Por que eles têm uma patrulha?”.
— Sayonara! – Disse a figura com a voz indefinida, mesmo com as piadas não dava para saber se era homem ou mulher.
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