Neji Shinden - Aprendendo a voar
3 Amigos também se divertem a sós
Notas iniciais
TenTen nunca foi indecisa quanto ao que vestir, mas essa noite estava se sentindo mais feminina. Resolveu usar uma blusa sem mangas com botões diagonais com detalhes, e optou por uma calça confortável e com bom caimento.
Olhando-se no espelho, fitou-se por longos segundos. Seu cabelo ainda solto exalava um leve perfume de ervas de banho. Mesmo assim resolveu passar uma loção, e ao perceber o que fazia se indagou “Por que? Será que estou... apaixonada? Não sei. Nunca vi o Neji como nada mais que um amigo. Mas senti ciúmes da Fu, com certeza. Também queria que ele me elogiasse como o Lee. E só tenho notado progresso em sua moral. Hmmm... e ele é tão...!”
— ESTRANHO! – Gritou TenTen com um pulo para trás já com a mão em seu pergaminho de armas. Ela notou um vulto abaixo da sua janela, que ficava ao lado de sua penteadeira.
— Calma, TenTen. Sou eu. – Neji falou em um tom mais alto debaixo de sua sacada.
“O que ele faz aqui?”, assustada e com o coração a mil, nem notou que sua mãe correu escadas a cima para avisá-la:
— TenTen, Neji veio busca-la. Ele está lá em baixo. Eu estava indo abrir a porta quando você gritou, escandalosa!
— Eeeeh... nani?!
— Ele está falando com seu pai. Vocês têm um encontro?
— Eeeeh... nani?! – Ela sentou-se na cama como que para apoiá-la de um golpe invisível que levou no estômago.
— Daijobu?
— A... Ah. – Não entendia nada.
— Ele disse que queria a permissão para saírem, já que não irão com Gai-sensei e Lee... parece que ele não quer ser mal compreendido. Que educado. – Ela insinuou algo, como algo mais que um elogio, como uma provocação.
— Sim... – Sua mãe a encarou como que exigindo que ela admitisse que tinha algo mais. – Mas não é esse tipo de encontro, mãe. Eu nem sabia que ele viria.
— De qualquer forma não o deixe esperando.
— Estou pronta! – Pegou um embrulho que preparou rapidamente e guardou em seu bolso.
TenTen desceu sem saber como usar as próprias pernas pelo susto. Encontrou seu pai sentado com Neji na sala, ambos com os semblantes tranquilos, mas firmes. Ela não sabia o que esperar, fora pega desprevenida pelo ato de Neji.
— Konbanwa, Neji! – Ela disse sem hesitar para não dar voz ao desespero.
— Konbanwa, TenTen. Sumimasen. Não a avisei que viria, porque decidi após combinarmos.
— Mas já está tudo esclarecido, Neji-san. Vocês podem ir, TenTen-chan.
Eles mal saíram da casa de TenTen e ela disparou:
— Baka! O que estava pensando?
— Sumimasen, TenTen. Eu realmente quero comemorar sem termos nada nos preocupando.
Ela não sabia dizer o certo o que tinha no ar, mas havia algo diferente em Neji. E era bom. Sereno, quase como se tivesse algo que ele estivesse protegendo, guardando para si mesmo e compartilhando com ela ao mesmo tempo “Ou será minha imaginação?”, pensou. “Ele é muito responsável, deve ser isso. Não posso hesitar, sinto que teremos um bom momento hoje”.
A noite passou como um piscar de olhos. Claro, comeram bons pratos, intercalaram com conversas curtas relembrando sua trajetória desde genin, as duas edições do Chūnin Shiken, todos os acontecimentos inesperados e percalços superados. TenTen corou quando sua mão tocou a de Neji acidentalmente ao pegarem o mesmo molho, mas torturou-se “Ele nem perceb...”
— Você também gosta desse? É ardente.
— Ah... um pouco, sim! – “Ele percebeu e não desviou.”. Sorriu.
E ele retribuiu o sorriso. Com os olhos, claro. E que olhos ele tem. Ela quase nunca os esquece, o Byakugan que tudo vê. “Será o que ele pode ver?”, ela imagina sempre. Mas foi interrompida quando viu Neji encerrar a conta, e, justa como sempre, quis dividir e foi recusada.
— Mas Neji! Isso não é gentil, somos companheiros de equipe ainda, lembra? Nosso lema demonstra que somos unidos, mas sem apagar a existência do outro. Deixe-me dividir, sim! – Reclamou.
— Eu serei um Jōnin agora. Mais responsabilidades, riscos e mais missões de nível A e S. Lembra? Mesmo estando diferente, você não muda. Não seja orgulhosa, TenTen.
Ela concordou, não queria contrariá-lo. “Diferente?”, ignorou a palavra, continuava sem graça. Afinal esse não era um encontro “Ou é?”.
Ao saírem ela se apressou a colocar as mãos no bolso, pois a brisa estava mais fria que no inicio da noite, fazendo-a se arrepender de ter colocado blusa sem mangas. Mas... passou a mão pelos braços e por... uma mecha de cabelo! “O que? Não prendi meus cabelos?”, assustou-se. Como saíra de casa sem perceber isso? É por isso que não sentiu frio nas costas. “Agora já foi. E... ele notou que estou diferente!”
— TenTen? Daijobu?
— Ah... sim. – Pegou o embrulho em seu bolso antes que sua coragem se dissipasse. Estendeu as duas mãos a Neji. – Omedetou, Neji!
— TenTen... – Ele pegou o embrulho, analisando a fita perolada e a forma da caixinha, imaginando o que seria.
Abriu o embrulho e encontrou um pequeno pergaminho, que tinha um omamori preso numa argola na extremidade. Ele imaginou que o pergaminho teria algo escrito, como uma mensagem, mas abriu e encontrou selos em volta de dobraduras de papel que tampavam o que estava selado, mas tinham um rótulo indicando o conteúdo. Eram vários utensílios ninja, como armas e material de registro, suprimentos e até diferentes kits médicos. Ele ficou surpreso, mas curioso “Como usarei isso? Não sei usar jutsu de tele transporte. É a especialidade da TenTen”.
— TenTen? – Ele olhou para ela encabulado.
— Eu explico. Elaborei isso para você, agora que é Jōnin e irá em missões com outras equipes e até sozinho. Você poderá liberar com um Hakke Kūshō. Fiz esse selamento especial, que irá utilizar o chacra liberado por seu golpe para desfazer as dobraduras e ativar o transporte.
— Han... – Ele parecia ainda confuso.
— É fácil, você verá. Até eu consigo, você vê! – Parou pensando se era mesmo necessária para a sua equipe. – Assim não precisará carregar tudo nas missões, poderá até fazer curativos... Bom, espero que não seja necessário.
— TenTen... Arigatou! Mas discordo de você.
— Han?
— TenTen, você é necessária para a equipe. Não pense o contrário. Mesmo que sua técnica pareça fácil, você teve que se dedicar, e tem melhorado muito. Você não é apenas conveniente como pensa. Lembre-se que você também tem sua astúcia como trunfo. Agradeço, muito! Pela parceria de sempre e pelo presente. Vou levá-la sempre comigo.
TenTen corou e abaixou seu rosto. E quase perdeu o vislumbre do rosto de Neji... também corado! Ele não percebera que falou que a levaria consigo dali em diante, e não se referiu ao presente. Mas ele não sabia se tinha a intenção de dar esse significado. E não se importava, ela entendera.
Neji e TenTen logo chegaram à casa dela, que já estava escura, embora ela soubesse que seus pais provavelmente aguardavam seu retorno acordados. Neji parou ao seu lado e virou-se de frente para ela. Em um gesto inesperado, impensado neste momento talvez, ela também se virou e pegou a mão dele:
— Obrigada, Neji! Omedetou! A noite foi inesquecível. – Sorriu leve, e com os olhos brilhando: lágrimas de alegria. Ela conseguira, tocou a sua mão e lhe disse o que estava transbordando seu coração.
Ele, de olhos arregalados, surpreso e acuado pela ação repentina de sua, até então, colega de time, entreabriu os lábios... pensou. Fechou. Colocou a mão em seu ombro, sobre uma mecha de seu cabelo cheio e macio:
— Isso não é um adeus. E sim um até mais, não é mesmo? Somos shinobi, independente de nossos títulos agora. – Sorriu desajeitado, “Eu fiz mesmo isso? O que eu estou sentindo no estômago? É enjoo pela comida? Não, é bom. É um anseio pelo que ainda tenho para conquistar, como ninja e como homem”.
— Oyasuminasai! – Finalizou Neji.
— Oyasuminasai, Neji! – Ela disse docemente se virando para a porta de sua casa, soltando vagarosamente a mão de Neji.
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