Need You Now

27 Capítulo 27


Havia uma tensão entre eles, e Elisabeta não sabia explicar o motivo. Talvez fosse a ansiedade, a perspectiva do novo. O certo é que falaram pouco ao sair de casa, menos ainda quando embarcaram para Paris, e agora, quando estavam quase chegando ao local de destino, continuavam praticamente calados. Era uma noite fria e Elisabeta sentia o queixo bater mesmo dentro do carro.

Darcy estava à seu lado, e era completamente estranha aquela posição. Ver outra pessoa dirigindo enquanto ele estava olhando as luzes da cidade através da janela. Elisabeta percebeu então que não havia dito nada à ele sobre sua relação com Paris. Será que Darcy se surpreenderia? Percebeu de repente que não costumavam conversar tanto assim. E agora estavam prestes a ficar mais de uma semana convivendo diariamente.

Estava pensando em como agir quando as ruas começaram a ficar cada vez mais conhecidas. E não demorou para que o carro parasse em frente à um prédio de esquina, fazendo Elisabeta sorrir automaticamente. Darcy ergueu a sobrancelha, mas não falou nada. Descarregaram o carro e Darcy impediu que Elisabeta levasse sua própria bagagem. Ela encontrou a chave na bolsa e abriu a porta de ferro.

Havia um elevador muito barulhento naquele prédio, mas Elisabeta adorava tudo aquilo. Em pouco tempo estavam no quarto andar e com uma girada de chave ela estava novamente em um dos lugares que mais amava no mundo. Já fazia quase um ano desde a última visita, e ainda assim tudo estava exatamente igual. Era um apartamento pequeno, completamente diferente da mansão.

Darcy deixou as bagagens no chão e Elisabeta fechou as portas. Ele andou pelo local, observando os detalhes. As grandes janelas que mostravam as luzes de Paris, o sofá que Elisabeta tanto amava, as plantas cuidadas com perfeição por sua equipe. Era quase como se alguém morasse ali. Havia uma pequena lareira no canto e a lenha estava a postos.

— Esta é sua casa em Paris? – ele perguntou, erguendo a sobrancelha.

— Decepcionado? – Elisabeta sorriu, deixando a bolsa e as chaves em uma pequena mesa lateral.

— Surpreso. – Darcy também sorriu. – Eu estava esperando algo mais suntuoso.

— Uma mansão, você quer dizer. – Elisabeta sentou em uma das poltronas.

— Uma mansão, empregados por todos os lados. – ele deu de ombros, olhando pela janela. – Eu gosto mais deste estilo.

— Paris é meu refúgio. – ela explicou. – Eu gosto de chegar em casa, preparar o jantar, ler com uma taça de vinho.

— Você? Cozinhar? – Darcy olhou brevemente para ela. – A dona do império Green?

— Eu também preciso me alimentar. – ela riu.

— Você não cansa de me surpreender. – Darcy piscou para ela.

— Venha conhecer o resto da minha mansão. – Elisabeta levantou-se, e Darcy a seguiu.

Era realmente um apartamento muito pequeno. Elisabeta reformara o lugar, retirando todos os papéis de parede espalhafatosos que eram a moda da época. Todas as paredes eram brancas, havia pouca arte nas paredes, os móveis de madeira contrastando com o ambiente. Havia uma cozinha, a sala, um banheiro e o quarto. Era tudo o que ela precisava quando estava em Paris.

— Este é o banheiro. – Elisabeta apontou para a peça. – E este é o quarto. – apontou para a peça do lado.

— E onde eu vou dormir? – Darcy deu um sorriso de lado.

— Eu tenho um sofá muito confortável. – ela deu de ombros. – Ou você pode me fazer companhia.

— Está um pouco frio para dormir no sofá. – ele se aproximou um pouco dela. – E alguém precisa aquecer você.

— Eu tenho cobertas nessa casa, Darcy. – Elisabeta sorriu.

Darcy levou as duas mãos à cintura de Elisabeta, encostando-a levemente no batente da porta.

— Não estou me referindo a este tipo de aquecimento. – Darcy respondeu com malícia.

— Nesse caso... – Elisabeta desdenhou, fazendo Darcy prensar o corpo contra o dela.

— Você deveria ter me avisado que estava me trazendo para uma armadilha, linda. – ele disse, aproximando-se do ouvido dela.

— Uma armadilha? – ela riu.

— Eu achei que teria que entrar escondido no seu quarto, desviar dos seus empregados franceses. – Darcy mordeu a orelha dela. – Você ao menos tem um carro nessa cidade?

— A empresa tem. – ela deu de ombros.

— Você ao menos precisa de um motorista? – ele grunhiu no ouvido de Elisabeta.

— Eu já tenho um motorista. – Elisabeta riu. – Ele é alto, magro, tem cabelos castanhos e se chama Pierre.

Darcy afastou-se um pouco dela, olhando em seus olhos.

— Você tem outro motorista? – perguntou, sério.

— Sim. – Elisabeta sorriu. – Um rapaz muito simpático.

— Eu espero que você não dê o mesmo tratamento para todos os seus motoristas. – ele resmungou.

Elisabeta fingiu ficar pensativa.

— Não me faça quebrar o nariz de outro homem. – Darcy disse.

— Deixe o nariz de Pierre em paz. – Elisabeta riu, passando os braços pelo pescoço dele.

— Se você não precisa de um motorista, o que eu estou fazendo aqui? – perguntou, a contragosto.

— Você está aqui para o meu entretenimento pessoal. – ela manteve o sorriso.

— Isso foi rude. – Darcy sorriu.

Elisabeta deslizou o casaco dele pelos ombros, e Darcy deixou a peça cair no chão.

— Você acha? – ela disse, em voz baixa. – Vai ser divertido para você, eu prometo.

Ela procurou a barra do suéter de Darcy, puxando-a para cima junto da camiseta que ele vestia. Darcy a ajudou a retirar as peças.

— Eu não sou um homem tão fácil assim, senhora Green. – ele disse, e Elisabeta gargalhou.

— Eu não achei que fosse. – ela passou as mãos pelos braços dele, seguindo para seus ombros.

— Fui contratado para ser seu motorista. – Darcy fingiu inocência. – Eu não sei se é adequado.

Elisabeta acariciou o peito de Darcy, descendo para seu abdome. Será que algum dia deixaria de desejá-lo?

— Tenho certeza que não é adequado. – Elisabeta sorriu, aproximando-se dele. – Você deveria reclamar com seu patrão.

Os olhos de Darcy brilharam em divertimento.

— Ah, é mesmo. Sou eu. – ela deu de ombros. – Nesse caso, não me parece que adiantaria reclamar.

— Você poderia demonstrar algum respeito por mim.

Elisabeta o encarou brevemente, mas ele mantinha o sorriso. Ela beijou a pele do peito dele, mordendo levemente. Suas unhas o arranharam levemente.

— Eu tenho muito respeito por você. – Elisabeta disse.

Seus beijos então desceram pelo tórax dele, suas mãos explorando cada músculo, cada pelo, cada detalhe. Elisabeta mordeu o abdome de Darcy, e então ela abriu o cinto, o primeiro botão da calça, o zíper.

— Eu vou inclusive ajoelhar em respeito. – ela disse, e Darcy riu.

— Não parece confortável. – ele comentou, fingindo estar distraído.

Ela o empurrou levemente até que agora ele estivesse encostado no batente.

— Eu jamais deixaria um funcionário pensar que eu não tenho respeito por ele. – Elisabeta fingiu indignação.

E a brincadeira não precisaria chegar àquele ponto, mas ela queria que chegasse. Lembrava-se perfeitamente das palavras de Darcy, antes mesmo deles se entregarem ao desejo. E ela queria fazer aquilo, desesperadamente. Queria ter um pouco de controle naquela situação, dar prazer à Darcy daquela forma. Por isso ela o acariciou e de fato ajoelhou em frente à ele.

— Lizzie, você não precisa. – Darcy sussurrou, saindo completamente da brincadeira.

Elisabeta o ignorou, acariciando-o novamente. Darcy resmungou, e Elisabeta cuidadosamente removeu as barreiras de roupas. Não era a primeira vez que fazia aquilo, mas era a primeira vez quando ele podia vê-la. E era exatamente o que Darcy estava fazendo, seus olhos estavam escuros, e Elisabeta sentiu um arrepio passar por seu corpo.

Ela o estimulou com uma das mãos e Darcy gemeu. Os olhos dele não saiam dos dela e foi com essa conexão que Elisabeta passou a língua por toda a extensão. E após isso, não houve mais pensamento coerente. Só instintos, gemidos de Darcy, arranhões, e Elisabeta sentia-se completamente poderosa de fazer aquilo com ele. Mas Darcy não permitiu que ela terminasse. Quando sua respiração começou a falhar, ele a ergueu sem qualquer dificuldade.

Se alguma vez suas roupas foram arrancadas tão rapidamente, Elisabeta não poderia se lembrar. Mas logo Darcy a apertava em todos os lados, beijava todos os locais que sua boca alcançava, e jogou-se na cama com ela, em completo desespero. Os olhos dele continuavam escuros, e Elisabeta sorriu ao sentir Darcy preenche-la. Foi bruto, rápido, intenso, e ela sabia que Darcy estava no limite, mas ainda assim ele esperou por ela. Quando Elisabeta tremeu ele entregou-se também, escondendo o rosto na curva do pescoço dela.

— Você me deixa louco. – Darcy sussurrou, segundos depois.

— A culpa é sua, lindo. – Elisabeta beijou o ombro dele. – Você é tentação demais para mim.

— Você que é. Quando coloquei os olhos em você naquele escritório eu soube que estava perdido. – ele a beijou de leve.

— Ah, é?

— E então você apareceu de camisola no corredor e eu precisei de dois banhos gelados pra dormir. – Darcy acariciou o rosto dela.

— O seu pai deveria ter mostrado uma foto sua antes de propor que eu te contratasse. – Elisabeta sorriu.

— E você teria me aceitado?

— É claro que não. Ou teria deixado você no quintal. – ela riu. – Bem longe da minha imaginação.

— Ah, você não queria ter me conhecido? – Darcy segurou os pulsos dela. – É isso que eu estou entendendo?

— Minha vida era muito mais pacífica. – Elisabeta disse, pensativa.

— Sua vida era chata. – Darcy sorriu. – Você precisava desse desespero que temos um pelo outro.

— Você é muito convencido. – ela gracejou.

— E você foge pra não responder porque sabe que é verdade. – ele beijou de leve os lábios dela.

Elisabeta acariciou os cabelos dele, e os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas olhando um para o outro.

— O que você quer ouvir? – ela disse, de repente. – Você mudou minha vida, Darcy Williamson. No dia que você entrou no meu escritório, quando me tocou pela primeira vez.

— Eu nunca pensei que você me daria uma chance. – Darcy suspirou. – Até o dia em que conheci Ludmila.

— O que aconteceu nesse dia? – Elisabeta perguntou, curiosa.

— Ludmila jamais agiria daquele jeito se não tivessem falado sobre mim. – ele sorriu, convencido.

— Eu disse a ela que queria lamber você. – Elisabeta deu de ombros.

E fez exatamente isso, dando um beijo molhado no pescoço dele. Darcy respondeu passando a mão pelo corpo dela.

— Naquele dia eu soube que você ia acabar na minha cama. – Darcy a beijou.

— Tecnicamente é você quem está na minha cama. – Elisabeta acariciou as costas dele.

— Eu moro na sua casa, então todas as camas são suas. – ele riu. – Mas não tem problema, não é? Você é minha.

— Eu sou. – Elisabeta sorriu. – Mas a sua mulher aqui está com fome.

— Onde é que vamos conseguir algo para comer a essa hora? – Darcy sorriu. – Algo que não esteja nessa cama, é claro.

— Esse apartamento pode parecer simples, Darcy, mas eu ainda sou herdeira de um império. – ela disse, convencida. – Já temos tudo o que precisamos em casa.

— Por que então você não vai tomar um banho enquanto eu preparo o jantar? – Darcy beijou o pescoço dela, descendo para seus seios. – Antes que eu fique distraído novamente.

— Eu gosto das suas distrações. – Elisabeta suspirou. – Mas nós teremos tempo pra isso depois.

— Você deve mesmo estar faminta. – ele resmungou.

— Eu estou. E é bom que você seja um cozinheiro fantástico. – ela o puxou para cima, colando sua boca à dele.

Os dois ainda perderam alguns minutos entre beijos e carícias, e então Elisabeta foi para o banheiro. Quando saiu, a casa já cheirava à comida, a lareira estava acesa, e Darcy anunciou que faltava pouco para o jantar ser servido. Ele deu um beijo na testa dela antes de entrar no banheiro, e Elisabeta aproveitou para abrir uma garrafa de vinho. Serviu duas taças, e levou a sua até a janela.

Como amava aquela vista, aquela cidade. Tanto a ponto de distrair-se, até que sentiu os braços de Darcy em volta de seu corpo. Ele beijou seu pescoço de leve. Cheirava a sabonete e à Darcy. E ela podia se acostumar com aquilo, com a presença dele em sua vida. Darcy roubou sua taça e tomou um gole.

— A última vez que estive em Paris foi na guerra. – ele disse, sombrio. – O marido de Angel havia acabado de morrer em combate. Eu tinha estudo, você sabe. Eles preferiam me manter na base. Ele não teve a mesma sorte.

Elisabeta segurou os braços dele. Não sabia de nada daquilo. Sabia tão pouco sobre ele, sobre quem ele era, seus sonhos e aspirações.

— Quando voltei para casa Charlotte já estava sendo enrolada pelo canalha. – suspirou. – Eu nunca imaginei que tudo isso me levaria à você. Eu passei a vida ouvindo meu pai falar sobre você, Elisabeta Green.

— Eu quero saber mais sobre você, Darcy. – ela disse, encostando a cabeça no peito dele. – Quero saber tudo sobre você.

— Teremos tempo para conversar, linda. – Darcy beijou os cabelos dela. – Mas agora vamos jantar, eu não quero deixa-la com fome.

— Vamos. – Elisabeta suspirou. – E Darcy?

— Hm?

— Eu gosto quando você ignora completamente eu ser uma Hall.

— É porque eu tenho esperanças de um dia convencê-la a ser uma Williamson.

Ele riu depois, mas seu tom foi completamente sério. E por algum motivo aquilo deixou Elisabeta mais feliz do que assustada.