Need You Now
28 Capítulo 28
Elisabeta adorava acordar sem preocupações. A sensação de abrir os olhos e não haver qualquer problema para resolver, nenhum lugar onde deveria estar. É claro que isso acontecia em raras oportunidades, mas aquela era uma delas. Aquele era um dia em que havia acordado sem saber o horário, e a iluminação precária dizia que era um dia nublado. Mas nada disso importava. Elisabeta suspirou.
Seu corpo estava dolorido e ela virou-se para a fonte daquelas sensações. Darcy dormia de bruços, agarrado a um travesseiro, seu bonito rosto virado em sua direção. Estava frio, mas ele não usava uma camiseta, nem mesmo aquela regata tão conhecida. Bem, ele não usava nada. Ostentava nas costas marcas vermelhas pelas quais Elisabeta assumia total responsabilidade. Céus, ele tirava o ar de seus pulmões apenas por dormir ao lado dela.
Havia sido uma noite intensa, uma vez que mal conseguiam tirar as mãos um do outro. E Elisabeta adorava a sensação dele ser insaciável, de nunca parecer resistir à ela. Tudo doía pelo prazer, tudo estava marcado por ele. Das coxas arranhadas pela barba de Darcy ao cabelo desgrenhado que ela sabia que deveria ter. E ele estava ali como um monumento, inabalável.
Elisabeta tinha vontade de jogar-se por cima dele, de beijar cada pedaço do corpo de Darcy, provocá-lo até que ele não aguentasse mais. Sorriu com o pensamento. Podia apostar que não fazia mais do que três horas desde a última vez que pensara o mesmo. E havia feito exatamente isso, deixando Darcy exausto após mais um pouco de exercício intenso. Não faria o mesmo agora. Queria apenas observá-lo.
Era possível o coração bater tão forte por alguém? Era normal a sensação de inquietude, as borboletas no estômago quando ele apenas olhava para ela? Era aceitável chegar ao extremo de excitação com apenas um toque? Ela duvidava disso. Sabia que nada daquilo era normal, nada daquilo era conhecido. Eram todas sensações oriundas de apenas uma verdade. Amava Darcy Williamson.
Amava seu sorriso de lado, os sussurros safados, as mãos grandes. Amava seus olhos preocupados, a forma como levava em conta o prazer dela, seus cabelos caindo nos olhos. Amava os suspiros, as risadas, as brincadeiras, a seriedade. Amava até mesmo o ciúme que as vezes tomava conta dos dois. E amava tê-lo ali, com ela, em seu refúgio. Amava dividir um pedaço da vida com ele.
Poderia ficar ali, observando-o dormir. Observando sua respiração tranquila, os movimentos de seu corpo. Sentindo seu cheiro, que se misturava com o dela. Poderia ficar ali, no calor do corpo dele, ignorando o mundo. Mas era melhor deixa-lo descansar, e por isso Elisabeta vestiu a primeira peça de roupa que encontrou – a camisa branca dele, que ficava gigantesca nela.
Aquele apartamento era um de seus lugares preferidos no mundo. Ela tomou um banho rápido, vestindo novamente a peça de Darcy. E então calmamente começou a separar ingredientes para preparar um café da manhã simples. Estava em meio ao processo quando sentiu a presença dele atrás de seu corpo, e não demorou para ele abraça-la por trás.
— Bom dia, minha linda. – a voz rouca dele soou, seguida por um beijo em seu ombro.
— Bom dia, dorminhoco. – Elisabeta sorriu, encostando-se totalmente nele.
— Você me deixou cansado. – ele riu contra seus cabelos.
— É por isso que eu estou fazendo café da manhã para você. – ela respondeu.
Darcy continuou abraçado a ela, enquanto Elisabeta lentamente cortava algumas frutas. Ele pareceu ficar um pouco entediado, pois afastou os cabelos dela, colando a boca ao pescoço de Elisabeta, causando pequenos arrepios.
— Eu poderia me acostumar a acordar assim. – ele sussurrou, mordendo a orelha dela.
— Assim? – Elisabeta ergueu a sobrancelha, mas Darcy não viu.
— Com você andando pela casa só com a minha camisa. – Darcy disse em voz baixa, descendo as mãos pelo corpo dela.
Elisabeta suspirou ao senti-lo abrindo os botões lentamente, e então as carícias em seus seios, em sua barriga, até tocar sua intimidade. Elisabeta gemeu baixo e largou a faca antes de causar algum acidente.
— Sem empregados, empresas, maquiagem, império. – ele continuou, arrancando outro gemido dela. – Só Lizzie. A minha Lizzie.
— Eu achei que você estava cansado. – ela disse, com a voz entrecortada.
— Eu poderia passar o dia dentro de você e ainda seria pouco. – Darcy mordeu novamente a orelha dela.
Elisabeta o sentiu esfregar-se contra ela, enquanto um dedo dele a penetrava lentamente. Era uma loucura a forma como seu corpo se rendia à ele com apenas alguns toques. A outra mão de Darcy brincava com um de seus mamilos e Elisabeta suspirou pesadamente.
— Eu sou louco por você. – ele confessou, mimetizando os pensamentos dela. – Seu cheiro, seu corpo.
Ela sentia o prazer sendo construído em seu ventre, mas encontrou forças para afastar-se um pouco, girando nos braços dele.
— Para de me torturar. – Elisabeta sorriu.
— Eu gosto de torturar você. – um sorriso bonito surgiu no rosto dele. – Gosto de sentir você perdendo o controle por mim.
— Eu não tenho controle nenhum quando se trata de você. – ela respondeu, encostando o corpo no peito dele, gerando um gemido baixo nos dois.
— Você tem o controle o tempo todo. – Darcy beijou a testa dela. – Ou não era exatamente isso o que você pretendia?
Elisabeta fez uma expressão travessa, sem qualquer remorso. Suas mãos subiram pelo peito dele, enlaçando seu pescoço. Ela aproximou-se o suficiente para tocar os lábios nos dele, e então sugou o lábio inferior de Darcy. As mãos de Darcy tocaram a pele dela, descendo por sua bunda, puxando-a contra a ereção evidente. Foi Darcy quem aprofundou o beijo, guiando Elisabeta até uma parede praticamente vazia da cozinha.
Darcy a virou novamente, e retirou sua camisa do corpo dela, grudando o corpo de Elisabeta à parede gelada, um contraste com o corpo quente. A boca dele estava em seu corpo, mordendo suas costas, lambendo sua pele. Ele a estimulou novamente, e Elisabeta gemeu seu nome. Elisabeta sentiu ele se livrando das próprias roupas, e então ele encostou-se novamente nela.
— Sobre aquela tortura... – Elisabeta suspirou.
— Não seja apressada. – Darcy posicionou-se na entrada dela, gerando um suspiro dos dois.
— Achei que você estava acostumado. – a voz dela falhou ao sentir Darcy invadi-la. – Forte e rápido, lembra?
— Como eu iria esquecer? Por um segundo eu pensei que você ia me demitir. – ele riu contra a pele dela.
— Como você é inocente. -Elisabeta respondeu, com ironia.
— Você poderia ter me pedido pra exemplificar. – Darcy disse, provocativo. – Eu teria feito com prazer. Pra nós dois.
— Eu estou pedindo agora, lindo. – ela sussurrou.
E ele a obedeceu sem pensar duas vezes, parando apenas quando nenhum dos dois parecia mais capaz de respirar direito, Elisabeta sendo invadida por um prazer que não parecia mais ser possível. Mas agora tudo parecia amplificado pelo cuidado que ele tinha com ela. Pela forma como a levou pela mão até o banheiro, que tomaram banho juntos, como se não houvesse possibilidade de se manterem separados.
Elisabeta sentou no colo dele enquanto tomavam café da manhã, o barulho da mastigação sendo interrompido por pequenos beijos e carinhos. Darcy acariciou o rosto dela, beijando a ponta de seu nariz. Elisabeta fez o mesmo com ele, limpando uma migalha de sua barba.
— Você não tem que trabalhar hoje? – ele perguntou, de repente.
— Eu tecnicamente só chego amanhã. – Elisabeta confessou.
— E você quer sair? Passear pela cidade? – Darcy a beijou de leve.
— Não. – ela deu de ombros. – A menos que você queira.
Os dois olharam pela janela, tomada por pequenas gotículas de água.
— E perder um dia inteiro com você? – ele sorriu.
E dali passaram para o sofá, sem quase variar de posição. Elisabeta estava entre as pernas dele, suas costas encostadas em Darcy. Ele mantinha os braços enrolados nela. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, ouvindo o barulho da chuva.
— E então, qual é a história deste apartamento? – Darcy perguntou, em voz baixa.
— Eu comprei quando Xavier morreu. – Elisabeta deu de ombros. – Precisava de algo meu, um espaço meu.
Darcy ficou em silêncio por alguns segundos.
— Você sente falta dele? – perguntou, sem qualquer traço de emoção na voz.
Elisabeta pensou um pouco antes de responder.
— Não. – disse, simplesmente. – Eu sei que parece horrível, mas nunca senti falta dele.
— Você acha que seria feliz se ele estivesse vivo?
Ela distraiu-se com os dedos entrelaçados aos dele.
— Acho que eu teria um casamento horrível. – respondeu. – E provavelmente nunca teria levado os negócios à sério.
Darcy beijou o topo da cabeça dela.
— É difícil imaginá-la sem o império Green. – Darcy disse.
— Foi tudo o que sobrou dos meus pais. – Elisabeta disse, em voz baixa, e Darcy beijou seu ombro.
— Eu não quero que você fique triste. – ele sussurrou, beijando o pescoço dela. – Você acha que teríamos nos envolvido se você ainda fosse casada?
Elisabeta riu com a mudança brusca de assunto.
— Acho. – respondeu, certeira. – Isso tudo que nos envolve é muito forte.
— Eu não sei se seria seu amante. – Darcy disse, com um toque de humor na voz.
— É claro que seria. – Elisabeta sorriu. – Você não resistiria à mim.
— Eu não sei se conseguiria lidar com outro homem tocando em você. – Darcy a apertou em um abraço.
— Xavier nunca me tocou como você me toca, Darcy. – ela riu. – Ele deve ter morrido sem saber a graça de estar com outra pessoa.
— Que bom que não tivemos o mesmo azar. – ele mordeu o pescoço dela.
— Você quase viveu o mesmo destino. – Elisabeta revirou os olhos. – Ou você acha que sua anja deixaria você fazer tudo isso com ela?
Darcy riu contra a pele dela.
— Angel não é minha. É no máximo minha amiga, você já sabe disso. – ele beijou novamente o pescoço dela. – E eu nunca pensei em nada disso.
— Ah, não? – Elisabeta virou-se um pouco para ele, erguendo a sobrancelha.
— Você tem essa imagem de mim, mas é você quem desperta esse meu lado. – Darcy sorriu.
— Então você era um santo antes de me conhecer? – perguntou, irônica.
Darcy puxou as pernas dela por cima de uma das dele, ficando praticamente de frente para ela.
— Não. – disse, sério. – Mas era tudo vazio, tudo físico. Você, linda, desperta todo o resto.
Elisabeta deu um sorriso pequeno, e Darcy acariciou o rosto dela.
— Me diverte a ideia de você ser tão ciumenta, porque é claro que eu nunca tive dificuldade com as mulheres. – disse, sem um pingo de arrogância. – Mas nem nos meus melhores sonhos eu imaginei ter uma mulher como você nos braços.
Ela ergueu a sobrancelha, sem saber o que dizer.
— Eu espero o dia em que tudo isso vai desmoronar. – Darcy disse, triste. – Em que você vai perceber que eu não tenho nada a oferecer à você.
Elisabeta cruzou a pequena distância entre eles e depositou um beijo nos lábios de Darcy. Um beijo para impedi-la de confessar tudo o que parecia gritar em seu interior.
— Eu nunca ouvi tanta bobagem em uma só frase. – ela sorriu, ao fim. – Você não tem nada a oferecer para mim?
— Eu sou só um empregado, Lizzie. – ele deu de ombros. – E você tem um reino.
— Darcy Williamson, nos últimos meses você me conheceu melhor do que ninguém. – Elisabeta disse, séria. – Você esteve ao meu lado nos melhores e nos piores momentos.
— Eu não fiz nada demais. – Darcy sorriu.
— Você imagina o quanto é difícil para alguém que perdeu tudo deixar outra pessoa se aproximar? – ela sentiu o coração acelerar.
Darcy a estudou por alguns segundos, e Elisabeta respirou fundo, aguardando a resposta, aguardando que ele pedisse que ela dissesse mais do que aquilo. E não sabia se conseguiria. Mas os lábios dele tocaram os dela em um beijo calmo, e ao contrário das outras vezes, nenhum deles tentou avançar nos carinhos.
— E eu morro de ciúmes de você. – ela confessou, quando os dois partiram o beijo. – Eu quis me jogar nos seus braços no primeiro segundo. É muito difícil imaginar que você não tenha esse efeito em todas as outras, lindo.
— Eu não tenho. – ele riu. – É algo nosso. Eu acho que se você tivesse me tocado naquele primeiro dia, eu teria perdido o controle.
— Achei que fosse ficar louca perto de você. – Elisabeta disse. – Ainda acho, as vezes. É muito forte.
— É intenso e me faz perder o controle. – Darcy olhou diretamente nos olhos dela. – É um sentimento muito forte.
Elisabeta o beijou antes que pudessem dizer qualquer coisa a mais. Haveria tempo.
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