Notas iniciais
Depois de um sufoco e de várias promessas de mais uma oneshot, aí está. Espero que eu continue escrevendo e que mais ideias venham na minha cabeça, e espero que venham mais comentários para que eu tenha mais vontade de escrever! haha Espero que vocês amem o shipp, porque eu amo os dois demais ♥ Dedico essa oneshot a Queen Jeller porque foi ela quem trouxe esse shipp maravilhoso pra minha vida e ela merece mesmo! No mais, espero que gostem! ♥

Da janela semiaberta, surgiam raios de sol cruéis, fortemente luminosos, que batiam no rosto dormente de Roman. Estava deitado sozinho naquela cama de casal, mas ainda respeitava os limites invisíveis do lado esquerdo que pertencia àquela mulher que tanto amava, por mais que ela não fora capaz de deitar naquela cama há um mês. Roman suspirou.

Já fazia um mês. Um longo e doloroso mês.

Pegara o seu celular que estava no bidê ao lado, vira a data monstruosa e checou a hora. Eram 8h10 da manhã, um pouco mais cedo do que costumava acordar, já que as noites eram carregadas de insônia e solidão sem ela por perto. Ficou mais um tempo na cama antes de levantar, olhando para a foto que era o papel de parede de seu celular. A foto mostrava a mulher que amava, sorrindo com seu longo cabelo castanho escuro contracenando com aqueles traços firmes, porém leves, daquela linda face de olhos castanhos que, desde o momento que vira, tem sido a sua perdição.

— Só Deus sabe como sinto saudade de você. – murmurou triste para foto.

Largara o celular no meio da cama e, segurando algumas lágrimas, levantou da cama com seu corpo que parecia pesar cada vez mais. O peso de tudo parecia pesar cada vez mais. Já passara por tanto em sua vida, assim como sofrera, mas nada podia se comparar ao que ele enfrentava no momento. Mas não podia sofrer, tinha que ser forte. Forte por ela.

Deixara a cama desarrumada, pegou sua toalha e saiu de seu quarto em direção ao banheiro. Tomou um banho gelado, deixando parte de seu estresse e preocupação escorrerem pelo ralo juntamente com a água, se perdendo em pensamentos constantemente assombrosos em sua mente. “Um mês”, pensava, “um mês”. Já fazia tudo aquilo de tempo e ela continuava longe, em um lugar onde não tinha como resgatá-la. Ela mesma estava lutando por ela numa luta que parecia não terminar. Roman queria salvá-la mais do que tudo em sua vida, mas não podia fazer nada. Não poder fazer nada era o que mais o incomodava, e era pelo o que mais se culpava. Saíra do banho, vestira uma camiseta bege justa da qual as mangas tapavam até a metade do seu antebraço e uma calça jeans azul escura, juntamente ao cinto de couro marrom. Estendeu a toalha no box do chuveiro e saiu do banheiro descalço, em direção ao seu quarto para colocar um par de meias e depois calçar seus sapatos. Assim o fez, depois, pegou sua jaqueta de couro preta e vestiu-a rapidamente, com intenção de sair logo de seu apartamento. Pegou o seu celular do meio da cama e deu uma última olhada no espelho, aquele espelho que a amada insistira em comprar e que ele acabou comprando para ela. Ele era um espelho retangular de corpo inteiro de madeira, posto no canto do quarto. Reparou como sua barba, algo imutável em sua vida, crescera, e logo teria que apará-la.

Deixando os pensamentos inúteis sobre sua aparência, dirigiu-se a saía de seu apartamento, mas parou quando viu um pacote inesperado em sua mesa de jantar. Havia um bilhetinho junto ao pacote, o qual pegou e leu.

“Roman, eu sei que agora você está passando por um momento sombrio na sua vida, mas eu quero que você saiba que você tem pessoas que você sempre pode contar a qualquer hora. Eu estou aqui, assim como Kurt, Patterson e Reade. Você sempre pode falar comigo. Eu sempre estarei aqui e você sabe disso. Eu sempre estive, mesmo longe. Você precisa falar com alguém. O que você está passando agora é muito doloroso para enfrentar sozinho e calado, por mais forte que você seja.”

Roman virou o bilhete, e havia mais palavras escritas.

“Você é um guerreiro, assim como ela é uma guerreira. Vocês estão juntos nessa luta, por mais que não pareça. Você precisa ser mais forte do que nunca agora, por ela. Ela irá acordar, Roman, mas essa não é uma luta da qual ela luta sozinha. E, pela milésima vez, nada disso é sua culpa. Se você se culpa por tudo que aconteceu, você vai se destruir. E isso a destruirá da mesma forma que destruirá você. Para ajudá-la, você precisa ajudar a si mesmo também. Então, coma o café da manhã que eu te trouxe. Além do mais, para um agente da FBI, você não esconde a sua chave reserva muito bem não! E responda minhas mensagens e ligações, estou cansada de só encontrar você no hospital. Vamos marcar alguma coisa, qualquer coisa. Só fale comigo, por favor.

Com amor, Jane”

Roman se sentou na cadeira da mesa de jantar e ficou encarando o bilhete. Sua irmã Jane. Sempre tentando ajudar. Sempre tão atenciosa, mesmo com tanta coisa que tivera que aguentar em sua vida. Ele tem se afastado das pessoas, pois passava seus dias no hospital e só voltava para casa para dormir e tomar banho. Abriu o pacote por curiosidade: um café puro preto e um sanduíche natural. Por mais que seu coração dizia para ir logo para o hospital, se contentou com o estômago que roncava de fome, e sua mente e coração fizeram um trato de tomar aquele café da manhã o mais rápido o possível. Se não comesse por ele, pelo menos faria isso pela Jane.

Ou melhor, faria isso pela Tasha.

***

Parou na porta do quarto do hospital. Reuniu um pouco de coragem para abri-la. Era a mesma imagem que via todos os dias, mas cada vez que a via naquele estado, a dor aumentava. Lentamente, abriu a porta, assim como lentamente a fechou. Parou ali na frente da cama do hospital, com as mãos no bolso, observando-a. A mulher que costumava ser tão forte e destemida, tão durona, agora se mostrava tão frágil como nunca. Usava aquela camisola de hospital, coberta por um lençol branco, com aparelhos ajudando-a a respirar, mantendo-a viva. O rosto era escasso de bochechas rosadas, as olheiras eram fortes, marcadas, e o cabelo longo e castanho escuro estava meio despenteado, por mais que não mudara de posição por um mês.

Já fazia um mês – um longo e doloroso mês – que Tasha Zapata estava em coma.

Tudo fora tão rápido. Era o fim do inverno, as ruas eram escorregadias por causa das constantes chuvas de Nova York e aquele começo de março implorava por uma aventura. Roman se lembra como aquela noite tinha sido maravilhosa, mas nunca poderia imaginar que terminaria de um jeito tão trágico. Ele, dirigindo às duas da manhã, e Tasha, no banco da carona, cantando junto com a música que tocava no rádio que agora assombrava Roman com todo fôlego de seus pulmões. Os dois, perdidos no meio de tanto álcool em seus organismos, mas, ainda, mais felizes do que nunca. Os dois estavam juntos, depois de uma longa semana de trabalho na FBI. Finalmente juntos, mesmo que há pouco tempo os dois começaram a dividir o mesmo copo de escovas de dente e a mesma cama, transformando tudo que uma vez era ‘seu” ou “meu” em “nosso” e mesmo que trabalhavam no mesmo lugar, indo para as mesmas missões. Roman e Tasha sentiam falta um do outro à todo momento. Precisavam de uma noite louca, memorável e maravilhosa como essa deveria ser. Foi louca e, com toda certeza, memorável, mas nada maravilhosa como estava previsto. Nenhum dos dois estava com cinto, mas não se importavam, estavam vivendo o momento, muito ocupados com as risadas e os sorrisos radiantes de cada um. Tasha pegara a mão de Roman, apertara forte, mesmo ele estando dirigindo. Então, Roman olhou para Tasha. Observou seu sorriso, o jeito como ria, os olhos brilhando tão fortes. Como ela era linda. Ele se perguntava naquela fração de segundo como ele conseguira aquela mulher incrível para si. Ele se sentia o cara mais sortudo do mundo. Nem mesmo do mundo, do universo. Tinha Tasha Zapata. Ele amava Tasha Zapata e tinha certeza que sempre iria amar. E naquele instante, prometeu para si mesmo que iria protegê-la de tudo, até que, na outra fração de segundo, não foi capaz de cumprir a promessa. Perdeu o controle do carro, e, de repente, perdeu controle de tudo que acontecia ao seu redor. O carro capotou, e Roman só conseguiu ouvir Tasha chamando pelo o seu nome, antes de ouvir o torturante som do vidro estilhaçando quando Tasha era arremessada para frente, quebrando o vidro frontal do carro. Depois, foi tudo como um flash branco e angustiante que cegara os seus olhos por cruéis segundos enquanto o carro capotava. Quando acordara, abrindo os olhos lentamente com dificuldade, cheio de hematomas e com uma dor dilacerante em sua perna direita, conseguiu ver Tasha ao longe, no asfalto, com os cacos de vidros espalhados pela rua. Com dificuldade, saíra do carro, mesmo que mancando por causa da dor em sua perna direita, quase caindo na maioria das vezes em que tentava permanecer de pé. O carro estava de cabeça para baixo, com uma boa parte destruída. Mesmo com todas as dificuldades, Roman andara até Tasha o mais rápido que pudera. Quando a viu, logo sentou no asfalto e colocou a sua cabeça em seu colo, com cautela.

— Tasha? – murmurou sem resposta, fracamente. – Tasha? – chamara novamente, ainda sem resposta. Checou o seu punho. Graças a Deus, ela respirava. Mas seus batimentos pareciam fracos. – Tasha?! – Roman chamara mais uma vez, num tom mais alto, mas, ainda não obtivera resposta. Lágrimas cresciam em seus olhos. – Tasha, não faça isso comigo, por favor! Acorde!

— SOCORRO! – gritara desolado, segurando o rosto da amada em suas mãos. – Tasha, por favor, responda! SOCORRO! – continuava gritando até que uma viatura avistara os dois.

E a noite maravilhosa se tornou um pesadelo. Viu Tasha ser levada por uma ambulância sem poder ir junto, pois Jane e Kurt insistiam que primeiro ele teria que receber o tratamento médico necessário antes que pudesse estar junto à Tasha. Era tudo o que mais queria naquele momento. Depois daquela noite, nada que poderia fazer de bom no mundo iria livrá-lo da culpa que tinha pelo que aconteceu com Tasha, a mulher que tanto amava, que prometera proteger, e que, por escolhas estúpidas, não conseguiu cumprir sua promessa.

Agora, exatamente um mês depois, se perguntara se aquela fração de segundo fora a última chance que tinha para olhar o rosto de acordado Tasha. Era o que mais temia. Tinha medo que Tasha nunca mais iria acordar. Temia que nunca mais poderia dizer “eu te amo” olhando naqueles olhos castanhos. Temia que, depois de tudo que já perdera na vida, de tudo que sacrificara, de tudo que enfrentara, depois de tudo, tudo, que fizera para que finalmente ele pudesse viver algo verdadeiro com alguém que amava e que o amava de volta, ele descobrisse a pior dor que existe, a dor de perder alguém amado que, pela primeira vez na sua vida, via além de todas as coisas horríveis que fizera e encontrava o verdadeiro Roman. Tasha era essa pessoa. Tasha era a escolhida, alguma coisa dizia isso como um estrondoso eco em sua alma e seu coração. E lá estava ela, lutando pela sua vida por causa de um erro que Roman cometera. Mesmo ela sendo uma agente da FBI, exposta a tanto perigo todo o dia, Roman foi a razão de talvez ela nunca mais respire sozinha.

O cinza do hospital era levemente ofuscado pela grande quantidade de flores e balões que enfeitavam o quarto. Havia alguns bichinhos de pelúcia também, esses, claro, presentes da Patterson. Roman sempre deixava um vaso de rosas vermelhas, sempre as repondo quando elas morriam. Na verdade, Roman trazia rosas porque não fazia ideia de quais flores Tasha gostava. Achava até que ela não gostava de flores, pois “não são de comer nem de usar”, como ela dizia debochadamente quando Roman trazia flores para ela de vez em quando. Mas ele trazia, pois, ela não poderia comer nada a não ser a comida pelos tubos do equipamento do hospital e não podia usar nada além daquela camisola. Melhor flores do que balões, e os bichinhos de pelúcia já eram demais. Deixou de ficar parado em pé, tirando as mãos do bolso, para pegar uma cadeira e colocá-la perto da cama para ficar o mais próximo possível de Tasha. Antes de se sentar, beijou a testa da amada, como fazia todo dia, e segurou forte a sua mão. Sem largá-la, sentou-se na cadeira. Segurava firme a mão dela, não querendo soltá-la jamais.

— Bom dia, Tasha. – ele disse com um pequeno sorriso triste. – Estou aqui de novo, todinho pra você. – ele riu. – Tem sido difícil dormir sem você, sabe... Sem sentir você abraçando meu corpo... – Roman já sentia o nó se formando na sua garganta. – Mas não se preocupe comigo, eu estou bem... Eu prometo. Você deve só se preocupar com você agora. — lágrimas, aos poucos, corriam pelo o seu rosto, traçando o caminho pela sua cicatriz e bochechas, se perdendo nos fios de sua barba.

Roman suspirou e usou a outra mão para enxugar as lágrimas que vinham.

— Eu tento me cuidar, comer, Jane fica insistindo, sabe? Eu sei que ela quer meu melhor, ela é minha irmã... Mas parece tudo sem sentido. Sem você aqui, tudo fica sem sentido. – por mais que enxugasse as lágrimas, elas vinham com mais força. – Eu só continuado vivendo por causa de você, Tasha. Se eu pudesse, eu respirava por você. O que eu faria para eu pudesse estar em seu lugar... – os olhos já estavam inchados de tantas lágrimas e não havia pano que as enxugasse. – Me desculpe, Tasha... eu falhei com você. Eu quebrei minha promessa. Você não merecia estar desse jeito! Eu merecia estar em seu lugar!

Roman chorava, soluçando, desolado, perdido em culpa e em um rancor enorme por si mesmo.

— Tasha, já se passou um mês... – disse Roman, agora segurando as duas mãos de Tasha. – Volta pra mim, por favor... Se não for pra mim, volte pro Reade, pra Jane, pro Kurt... volte pra Patterson e peça para ela parar de mandar tantos bichinhos de pelúcia toscos... – ele riu para si mesmo. – Mas, por favor, só acorde. Volte pras pessoas que te amam. Por favor, Tasha, eu te amo. Eu te amo muito, mais do que tudo que já amei na vida... Você é a pessoa que me faz me esquecer de todos os meus demônios, as coisas que me assombram, você é quem me protege de tudo... Desculpe não te proteger como eu deveria, eu nunca vou me perdoar por isso. Nunca.

Roman agora acariciava o rosto de Tasha, esperando que aqueles olhos pudessem se abrir. Se pudesse, ele morreria naquele momento se isso significasse que ela acordaria.

— Sabe... – disse Roman depois de se acalmar, mesmo que ainda chorasse. – Eu me lembro daquele dia que estávamos na sua sala de estar, algumas músicas tocavam no rádio e você me convidou pra dançar ali mesmo... e eu recusei e não dancei de jeito nenhum. Eu tenho que te recompensar por isso. – ele disse com um sorriso triste. – Essa é uma promessa que não vou quebrar. Quando você acordar, eu prometo que nós vamos dançar juntos no lugar que você quiser com qualquer pessoa assistindo. Mesmo que o Kurt me assista e me zoe pelo resto da minha vida, vai valer a pena. – ele riu pra si mesmo. – A qualquer música que você escolher... Eu estou dentro.

Ele sorria e as lágrimas secavam aos poucos.

— Só volte e eu vou fazer tudo o que você quiser.

E ele ficou lá. Não saiu do quarto e só comeu quando a equipe veio visitar Tasha, isso quando Jane insistiu que ele deveria comer. Recusou a carona para casa, dizendo que só iria sair dali quando ele estivesse prestes a dormir. Mas, mesmo sonolento, não saíra de lá. Adormecera segurando a mão de Tasha e dormira encostado na cama até que algo o acordou.

Sentiu um leve aperto em sua mão. Abriu os olhos lentamente, ainda sonolento, mas, quando percebera que a mão de Tasha apertava sua mão, levantou o olhar rapidamente e dirigiu-o ao rosto da amada.

— Tasha? – disse ele, esperançoso por uma resposta.

Tasha apertava a mão de Roman, levemente mexendo os dedos.

— Tasha, eu estou aqui, não vou a lugar nenhum. – Roman segurava fortemente sua mão.

Então, com dificuldade, Tasha abria seus olhos lentamente, enrugando-os por causa da claridade do quarto e pelo esforço que prestava à tarefa de se situar depois de passar um mês em coma. Roman sorria, com lágrimas nos olhos, finalmente feliz por sua amada estar acordando depois daquele mês doloroso que enfrentara. Tasha encontrara o olhar de Roman e, lentamente, um sorriso se formava em seu rosto.

— Roman? – ela disse, fracamente.

— Estou aqui, Tasha! – ele respondeu, entre lágrimas e um sorriso de orelha a orelha.

— Você... me conquistou quando disse que dançaria comigo em qualquer lugar com qualquer um nos assistindo... – ela disse recuperando forças, num tom fraco e baixo, depois, soltou um riso curto.

Roman segurava sua mão o mais forte que podia.

— Você conseguia ouvir tudo o que eu disse? – ele disse entre as lágrimas.

— Tudo. – ela respondeu, num tom mais alto e forte. – E eu voltei. Eu voltei para você, Roman. – disse ela, com lágrimas se formando nos seus olhos. – Eu te amo, Roman.

— Eu também te amo, Tasha. – ele respondeu, entre tantas lágrimas resultantes de uma felicidade imensurável.

Roman a beijou carinhosa e apaixonadamente, depois, se sentou na beirada da cama, envolvendo o corpo de Tasha em seus braços, com a cabeça da amada em seu peito, com cuidado. Ela respondeu ao abraço e abraçou-o com a maior intensidade que podia depois de ter passado um mês em coma. Roman beijou o topo da cabeça de Tasha e fechou os olhos, sentido o abraço da mulher que amava, aquele abraço que tanto sentia falta.

— Roman, eu não acordei só porque você vive por mim. – disse Tasha, entre lágrimas. – Eu voltei porque eu preciso viver por você também.

Notas finais
O que acharam? Bem emocionante né, mas bonitinha! Espero que vocês gostaram! Comentem ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!