Notas iniciais
Chegou ao fim! Foi bom ter vocês! Leia minha outra estória, é uma série e a primeira temporada já está disponível! Aguardem a segunda temporada de Necrofilia!

Voe

Quando chegamos à Scurry o motorista me entregou uns trapos velhos para que eu pudesse me cobrir e me indicou onde ficava a delegacia da pequena cidade.

Meu fedor afastava as pessoas por onde eu passava e as deixavam intrigadas, se perguntando quem eu era, ou o que eu fazia ali.

O delegado Jacob me ouviu por minutos quase infindáveis, enquanto eu discorria sobre tudo que me havia acontecido. O homem parecia não dar importância ao que eu dizia, mas mesmo assim me ouviu. Quando finalizamos a conversa, ele quis que eu o levasse até o tal posto, eu tive medo de retornar, mas ele insistiu que eu fosse e eu não tive forças para dizer não. Voltei pela mesma estrada numa viatura de polícia, acompanhada pelo delegado e mais dois oficiais.

No caminho o delegado me explicou como a cidade era pequena e que quase nunca tinham uma ocorrência naquele lugar, que na maior parte do tempo as ruas estavam sempre vazias, com um ou dois carros passando de hora em hora e como o som das aves era a única coisa que predominava no ambiente.

***

Os irmãos estavam decididos a deixar o posto o mais rápido que pudessem, mas uma mensagem chegou ao celular de Leon antes que os dois saíssem para sempre do posto.

Leon pegou o celular; Mensagem de Idiota mostrava a tela do aparelho, entre as piscadas que ela dava.

— O idiota do nosso pai pegou a Carrie.

— Jura?! – Jack soara aliviado.

— Não, é pegadinha de primeiro de abril seu doente!

Os olhos de Leon se encheram de ironia.

— Sendo assim, já que o morto lá embaixo não pode te enrabar “frutinha”, acho que terei que traça-lo para que sua passagem por aqui não fique em vão.

Leon se inflou de ira, estava cansado das brincadeiras do irmão. Pegou-lhe pelo pescoço e o pressionou contra o balcão.

— Se me chamar de frutinha mais uma vez eu corto essa porcaria que você carrega no meio das pernas.

— Calma maninho. – A voz saiu rouca em meio ao aperto na garganta.

Leon o soltou sem pressa nos movimentos.

Jack tentou segurar o irmão pela garganta, mas o outro se esquivou.

— Tem que ser mais rápido que isso maninho. – E finalizou com uma rasteira.

Jack bateu com as costas no chão.

— Acostumei-me a ganhar de você desde pequeno. – Leon debochou.

Uma viatura estacionara no posto no instante seguinte.

O delegado Jacob desceu do carro acompanhado da moça e de mais dois oficiais. Carrie estremeceu ao ver o lugar de onde tinha fugido à pouco mais de duas horas, ela não achou que fosse revê-lo tão rapidamente.

Os irmãos deixaram o interior da loja de conveniência e se juntaram aos demais do lado de fora. Vestiam os mesmos casacões de sempre. Jack fitou a moça lançando um sorriso maldoso em sua direção. Ela se arrepiou no mesmo momento que as mãos de ambos os oficiais de policia se envolveram em seus braços erguendo-a e levando-a para dentro do posto.

— Soltem-me! – Ela gritava enquanto tentava se livras das fortes mãos dos policiais.

Carrie foi deixada novamente no quarto cheio de infiltrações, gritando e chorando, sem entender os motivos que a polícia tinha para larga-la ali de novo, completamente desamparada.

— Tiveram sorte dessa vez, crianças! – Disse Jacob com os olhares carregados de advertência. – Que isso não se repita.

— Não haverá uma segunda vez pai. – O tom de Leon soou confiante demais.

— Claro que não haverá, vou matá-la assim que passar por aquela porta. – Jack apontou a entrada da loja.

— Contanto que ela e nenhum outro tornem a fugir tudo bem. – Concordou o delegado.

Leon coçou a cabeça, pronto a dizer alguma coisa, os policiais resurgiram atrás dele, deixando o interior da loja.

— Há uma coisa que preciso contar para você – olhou para o pai –, fique um pouco mais.

Jacob fez sinal para que os policiais voltassem a cidade.

— Não se preocupem comigo, eu retorno em um dos carros que estão aqui.

Dito isso os dois oficiais tomaram a viatura e regressaram à Scurry. Jacob e os filhos entraram na loja de conveniência. O delegado sempre com a mão apoiada em seu revólver.

— Diga o que quer Leon, não tenho muito tempo.

— Se me permitem, tenho coisas a fazer...

— Fique Jack. – Leon pediu interrompendo o irmão.

— Se a minha presença é tão importante assim querido irmão, eu digo que fico.

De repente, Leon – que estava atrás do balcão – empurrou todos os objetos, doces e potes que estavam em cima da bancada, fazendo-os estilhaçarem ao contato com o chão, criando a distração necessária para que ele ganhasse tempo para pegar a espingarda calibre 12, pendurada na parede.

— Que diabos você está fazendo Leon Lamper?! – Perguntou o delegado percebendo logo em seguida que estava sob a mira da espingarda.

Leon disparou e um projétil riscou o ar, entrou no delegado pelo olho esquerdo e saiu deixando um buraco imenso na parte de trás de sua cabeça. O corpo de Jacob caiu desajeitado, esparramando miolos e sangue pelo piso.

— O que você fez Leon?! Ele não era grande coisa, mas era a merda do nosso pai cara!

Um segundo tiro riscou o ar e um segundo depois a boca de Jack tinha sido completamente destruída, pedaços de dentes, carne e ossos voaram, o frentista tombou sobre o pai, alimentando a enorme poça de sangue que corria pelo chão, sem direção. Nenhuma lágrima desceu dos olhos de Leon, seu semblante permanecera carrancudo o tempo todo, sem apresentar nenhuma emoção.

O frentista apanhou a chave do camaro de dentro de uma das gavetas do balcão e desceu para o piso subterrâneo do posto.

***

Eu ouvi dois tiros e depois um silêncio perturbador invadiu os meus ouvidos. Meu coração palpitou da forma mais intensa que conseguiu, minhas mãos gelaram e um suor frio escorreu pelo meu rosto. De repente as gotas de infiltração que caiam do teto se tornaram mais audíveis. Meu nervosismo aumentou quando a porta do quarto se abriu.

Leon passou por ela com uma espingarda nas mãos, eu sabia que era ele, seus olhos já me eram familiares.

— O que você fará comigo? – Perguntei num sussurro medroso.

— Voe – ele respondeu.

— Não estou entendendo.

As chaves na sua mão balançaram quando ele as lançou para mim.

Leon se aproximou e agachou, me olhando fixamente.

— Você é um pássaro bonito e eu sou um pobre menino sem migalhas para te oferecer. Voe. – Ele repetiu.

Voar? Para onde?

Seus lábios tocaram os meus com paixão e eu não me movi. Depois ele me entregou a espingarda, pondo-a sobre o meu colo.

— Mate-me, por favor! – Era uma súplica. Seus olhos se encheram d’água.

— Eu gosto de você.

— Mas não deve gostar. Há algo de ruim em mim, algo que você conhece, algo que não pode sobreviver. Mate-o.

Meus olhos também se encheram de lágrimas. Ele se afastou abrindo os braços e eu apontei a arma em sua direção. O tiro o acertou no estômago. Ele caiu.

Fiquei deitada sobre ele por um longo tempo, admirando a beleza dos seus traços, seu rosto bem formado, seus olhos que me tiravam o fôlego. Era estranha a maneira como eu havia me apegado a ele. Não o deixei ali, ele tinha me poupado e eu deveria agradecer de algum modo. Arrastei-o para fora daquele lugar imundo e passei horas cavando uma cova decente para o Leon. Enterrei-o nos fundos do posto e desde então voltei àquele lugar sempre que podia. Jurei não contar para ninguém o que vi ali, exceto para você.

Fim.

Notas finais
Acabou! Mas O Próximo Corpo está esperando por você, leia agora! Aguardem a segunda temporada de Necrofilia!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!