Neclitvill
2 Pela floresta é mais seguro
Notas iniciais
— Do que você está falando? — Questionei.
— Você não intenderia. — Disse Carly se virando e colando mais cartazes.
Do que ela estava falando? "É com pessoas como você que realmente nos importamos", pessoas como eu? Engraçado que eles nunca sequer se importaram com qualquer um que não seja como eles.
Fui para a sala de aula, os professores não tocaram no assunto, mas eu sinto que eles também estão encomodados com essa situação.
Na hora do almoço me sentei com Mike e Cathy.
— Carly veio com um papo estranho hoje. — Falei comendo meu lanche.
— Estranho tipo? — Perguntou Mike.
— Algo sobre "eles" se importarem mais comigo do que com pessoas como eles. — Falei.
— A Carly é pirada, não de atenção à ela. — Disse Cathy.
— Tem razão. — Falei olhando para a mesa onde Kyle senta todos os dias, seus amigos estavam todos la, incluindo Carly, alguns estavam até me olhando, logo desviei o olhar.
O resto do dia foi se arrastando, como se as horas não passasem e quando finalmente o sinal bateu eu me senti mais cansada do que o nunca, como se ficar sentada fosse cansativo.
Tive que voltar sozinha, já que Mike e Cathy ficaram na escola para o treino.
Existem dois caminhos para ir pra casa, um é o caminho por onde todos vão e francamente eu não quero encontrar Carly, por isso vou fazer o outro caminho, pela estrada da floresta.
Fui andando e de longe vi carros de polícia, o que é um problema já que minha mãe está de serviço hoje.
Se eu voltar corro o risco de encontrar Carly, se eu seguir em frente minha mãe me mata, decidi então ir pela encosta da floresta, longe o bastante da estrada, mas perto o suficiente para não ser assasinada.
Eu estava bastante ansiosa, virava para trás a cada minuto, foi em uma virada dessas que pisei em falso e cai em um buraco.
— Filha da Puta. — Gritei.
Como eu fui cair em um buraco? É uma floresta Jessyca, é óbvio que haveria buracos.
La de cima ouvi um barulho
Derrepente vejo Kyle Morooe acima de mim, me olhando e segurando-se para não gargalhar.
— Vai ficar ai parado ou vai me ajudar? — Falei.
Ele me puchou para fora do buraco e me ajudou a sentar no chão. O machucado mais grave foi o pé destroncado, fora isso, só alguns arranhões de leve.
— Ta tudo bem? — Perguntou Kyle gargalhando.
Eu apenas o ignorei.
— Desculpa. — Disse ele se aproximando de mim e analisando meu pé.
— Aiii. — Gritei quando ele torceu meu pé.
— Parece que você não vai conseguir andar por alguns minutos. — Disse ele soltando meu pé.
— É mesmo gênio? — Falei levantando.
Sabe quando seu cachorro está comendo um osso e de tanto morder o osso se quebra? Pois é, foi um barulho similar a esse que saiu do meu pé.
— Vem. — Disse ele me segurando pela cintura.
Ficamos nos encarando fixamente.
— Não precisa. — Falei me afastando.
— Para com isso Jess, eu te ajudo. — Disse ele se aproximando novamente.
— Não deveria confiar em você. — Falei me apoiando nele.
— Você sabe que eu não fiz aquilo, não sabe? — Perguntou ele me olhando.
— Sei, você não é tão estúpido para fazer tal ato. — Falei.
— Que bom, sua opinião conta muito para mim. — Comentou.
Balancei a cabeça e sorri.
— O que foi? — Perguntou ele.
— Você é assim sempre? — Perguntei.
— Se você falasse comigo saberia que sim. — Falou ele pondo a mão na minha cintura.
— Por quê eu falaria com você? — Perguntei.
— Por quê não? — Respondeu ele.
— Não curto muito narcisismo. — Falei.
— Isso vindo da garota que só se importa com ela mesma. — Disse ele.
— Acho que você está confundindo os papéis. — Falei.
— Eu não me importo só comigo, me importo com você também. — Disse ele olhando nos meus olhos.
— Jeito estranho de se importar. — Falei.
— Jess, acho que é só você que não vê. — Disse ele parando de andar.
— Não quero falar sobre isso, o que você estava fazendo aqui e sozinho? — Perguntei.
— É um bom lugar para um assasino se esconder. — Falou ele olhando para o chão.
— Por quê mesmo que você foi acusado? — Perguntei.
— Na noite de um dos assasinatos sua mãe me encontrou na floresta desmaido e coberto de sangue, então eles ligaram uma coisa a outra e me acusaram. — Contou.
— E o que realmente você estava fazendo aqui? — Perguntei.
— Longa história. — Disse ele
— O garoto que morreu era seu amigo, não era? — Perguntei.
— Era, agora eu que não quero falar sobre isso. — Falou ele olhando para a estrada que estava logo a nossa frente.
Andamos mais alguns passos sem falar mais nada, até chegarmos na estrada.
— Meu carro está bem ali. — Disse ele apontando para seu carro.
— Acho melhor eu ir andando, é melhor se ninguém nos visse juntos. — Falei.
— Entendi, não quer ser vista com um assasino. — Disse ele fitando o chão.
Eu sorri e olhei para ele.
— Pelo contrário, não quero que pensem que você anda com gente como eu. — Falei.
Ele sorriu e balançou a cabeça.
— Por isso gosto de você. — Falou ele. — Esta tão preocupada em ser você mesma, que não se importa sobre o que os outros irão falar. — Falou ele abrindo os braços em empolgação.
— Então você e a Carly? — Perguntei tentando mudar de assunto.
— Acho que vou ter que desenhar. — Disse ele sorrindo.
— O que? — Perguntei.
— Eu gosto de você Jess, você nunca percebeu? — Disse ele, como se aquilo fosse óbvio.
— Desde quando? Você nunca falou comigo. — Falei fazendo careta.
— Na verdade, foi você quem nunca me deixou falar uma palavra sequer. Ah e desde o dia que você protegeu Kit McLaren na 7 série. — Disse ele me conduzindo até seu carro.
— Fala do dia que vocês bateram nele porquê não eram capazes de tirar nota 10 em matemática? — Falei.
Kyle abriu a porta do carro e me ajudou a sentar no banco.
— Eu era um idiota. — Disse ele pondo o sinto em mim.
— Eu acho que eu posso fazer isso. — Falei.
— Fica quietinha, você está estragando o meu momento de cavalheirismo. — Disse ele sorrindo.
Depois fechou a porta do carro e foi até o lugar do motorista e sentou.
— Onde é a sua casa mesmo? — Perguntou ele.
— Do lado da sua. — Falei.
— Você estava do meu lado esse tempo todo. — Disse ele.
Eu sorri.
Voltamos para casa sem falar mais nada, de vez enquanto ele me olhava e sorria.
Ele parou o carro na frente da minha casa e me ajudou a descer.
— Me avise se precisar de ajuda. — Disse ele.
Eu agradeci a carona.
Ficamos nos encarando alguns minutos.
— E sobre eu ser um assasino, ja está tudo resolvido, não se preocupe. — Disse ele.
— Não estou nenhum pouco preocupada. — Falei dando de ombros e entrando em casa.
Fiquei olhando ele ir embora pela fresta da janela.
— O que aconteceu? — Perguntou meu pai surgindo atrás de mim.
— O que aconteceu? — Falei tentando arrumar uma desculpa.
— É Jess, o que houve? — Perguntou novamente.
— Eu caí. — Falei.
— Caiu? E porquê você estava com o filho dos Moore? — Perguntou meu pai.
Pensei que ele não tinha visto, mas parece que eu me enganei.
— Eu? Quando? — Perguntei.
— Jessyca. — Chingou meu pai.
— Ele só estava me ajudando pai. — Falei.
— Mesmo que ele tenha cido absolvido das acusações não confio nele, então fique longe. — Advertiu.
— Tá bom. — Concordei.
— Vai se arrumar para o jantar, ah e seu irmão está vindo no final de semana. — Contou meu pai.
A princípio, eu tenho um irmão, ele é incrível, logo mais eu conto sobre ele.
Subi e entrei para o banho.
Será? Não, ele não gosta de mim, se bem que ele foi bem convincente, mas não.
Ou será? Será que Kyle Moore realmente gosta de mim?
E por quê as acusações foram retiradas? Ou pior ainda por quê ele foi acusado sem provas.
Eu acredito nele, acredito que ele não faria aquilo.
Me arrumei e desci para jantar.
Sentei na mesa com meus pais.
— Como você se machucou? — Perguntou minha mãe.
— Obrigada papai. — Falei em ironia.
— Responde Jessyca. — Falou minha mãe nos servindo.
— Caí na aula de ginástica. — Falei.
— Ah na aula de ginástica? Então como Kyle Moore te ajudou, se ele estava ausente da escola? — Perguntou minha mãe.
Fudeu.
— Mike ligou para ele. — Falei e acho que ela caiu.
— Fique longe daquele garoto, ele é uma má influência. — Completou.
— Sim senhora. — Falei.
Ajudei minha mãe a limpar a louça e depois subi para o meu quarto para fazer meus deveres.
Sentei em uma mesa que dava de frente para a janela, onde dava para ver direitinho o quarto de Kyle.
Eu sei que é errado mais vamos dar uma espiadinha.
Olhei pela janela e as luzes do quarto estavam apagadas. Ele deve estar dormindo.
Terminei os deveres e dei mais uma olhada pela janela para conferir. Kyle estava lá, mas adivinhem só? Carly também estava, ela estava sentada na cama dele e ele trocando de blusa, o que não me impediu de analisar aquele maravilhoso tanquinho.
Que novidade Jessyca.
E é por isso que nunca fico com alguém da escola, de lugar nenhum na verdade.
Deitei na cama e dormi, acordei na madrugada com um barulho que vinha da garagem do Sr. Moore, mas isso é frequente, então não dei atenção e voltei a dormir.
Deve ser Carly indo para casa. — Pensei.
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