Necessidade
1 Trying Not To Love You
Notas iniciais
– Que bocejo é esse logo no começo do Ano Novo?
– Não tenho culpa. Ontem, Iba-san e os outros me obrigaram a festejar a noite toda.
Abarai Renji não era acostumado a mentir, mas falar a verdade naquele momento seria mais do que constrangedor. Não devia satisfações de sua vida pessoal para Rukia ou qualquer outra pessoa, porém sabia que se não dissesse alguma coisa, a baixinha iria enchê-lo de perguntas. Por favor, não julgue este pobre shinigami tatuado. Ao invés disso, coloque-se no lugar dele: Como você diria para sua melhor amiga que passou a madrugada do dia 31 de dezembro “namorando” o irmão mais velho dela?
~**~
– Eu me certifiquei de chamar a maioria dos homens. – disse Tetsuzaemon, entregando um pedaço de papel ao ruivo. – Não falte desta vez!
– Tudo bem, Iba-san. – Renji sorriu, aparentando estar animado com o convite.
– Vamos fazer com que essa festa seja melhor do que a das mulheres!
Era comum a Associação de Shinigamis Masculinos organizar essas festas no Rukongai. O incomum era Abarai Renji aceitar participar desse tipo de coisa. Admitia o quanto era divertido passar o tempo com seus amigos, mas quando todos se juntavam, alguma coisa dava errado. Competições estranhas, bebidas sendo consumidas de forma irresponsável, palavrões sendo berrados para toda a Soul Society ouvir. Suspirou enquanto sorria, percebendo o quanto se assemelhava com seu capitão pensando daquela forma. Talvez fosse a convivência.
Não se importava com o fato de ter ficado um pouco mais responsável e “certinho” depois de tanto frequentar a mansão Kuchiki. Mas entendam, se você mantém algum tipo de relacionamento com Kuchiki Byakuya, é normal que sua personalidade mude de alguma forma, mesmo que não seja radicalmente. Como foi o caso do nosso querido tenente do esquadrão seis. Renji continuava com sua personalidade divertida e animada de sempre, mas como foi dito anteriormente, seus pensamentos e opiniões passaram a ser muito formais. Ninguém se incomodara com isso, mas de toda forma, era estranho.
Caminhou a passos lentos até a sede do sexto esquadrão, torcendo para que apenas seu superior estivesse ali. Se fosse esse o caso, poderia abraçá-lo como em muito tempo não fazia. Tocar seus cabelos negros e macios, sentir seu cheiro fino e único e, se tivesse sorte, sentiria os lábios finos que tanto amava tocando os seus próprios. Antes de todo aquele incidente com o hollow que quase tirou sua vida e a de seu capitão, Renji não pensou que se viciaria tanto em beijar aquele homem. Segundo ele mesmo, não era vício, e sim necessidade.
Assim que chegou ao escritório, o ruivo empurrou a porta devagar, se deparando com o capitão da décima terceira divisão conversando com Byakuya. Era raro Ukitake aparecer por ali... Sobre o que estariam conversando?
– Tem certeza que não vai, Byakuya? – dizia o de cabelos brancos. – Vai ser divertido.
– Tenho, mas agradeço pelo convite. – A voz calma chegou até os ouvidos do tatuado, fazendo-o se perguntar por que se sentia tão bem a ouvindo.
– Que pena. Então, até mais ver! – Ukitake se despediu do moreno, saindo da sala do capitão. Cumprimentou Renji quando o viu, logo saindo da vista do mesmo.
O rapaz sorriu de leve após fechar a porta, andando devagar até a mesa do Kuchiki. Ele conseguia ficar ainda mais bonito naquela postura séria, assinando aqueles tediosos relatórios. Olhos quase fechados, tronco ereto, a língua lambendo os lábios finos vez ou outra... Aquela era uma cena tão comum, não seria exagero da parte do Abarai dizer que já a vira centenas de vezes. Mas mesmo assim, se encantava sempre com a beleza única daquele homem.
– Bom Dia, Kuchiki taichou. – cumprimentou o ruivo, ignorando momentaneamente seus pensamentos.
– Bom Dia. – Byakuya não olhou para o outro shinigami, apenas continuou seu serviço. Aquilo era bem normal, apesar de Renji não gostar. Gostava de quando aqueles belos olhos azul-acinzentados fitavam-no.
– O que o Ukitake taichou estava fazendo aqui?
– Ele convidou-me para a festa que os outros capitães estão organizando para hoje. – O mais velho finalmente olhou para seu tenente, suspirando em seguida. – Eu recusei.
– E por quê?
– A verdade é que... – O nobre voltou sua atenção para os papéis postos em sua mesa, tentando não olhar para o belo rosto de seu tenente. – Eu tenho outros planos.
O Abarai ficou pensativo. Byakuya não era mesmo de festejar, a recusa do convite de Ukitake não o surpreendera. Entretanto, a última frase o intrigara. Imaginou que seria algum tipo de reunião com seu clã, ou algum jantar com Rukia. Não poderia ser outra coisa, certo?
– Renji. – A voz firme e bela o fez estremecer. – O que você vai fazer essa noite?
Os lábios do shinigami mais alto curvaram-se em um meio sorriso. Depois de tanto tempo juntos, Renji passou a observar outros lados de seu capitão. Sua curiosidade por tudo o que o ruivo fazia ou com quem andava só reforçavam a ideia de que o líder da família Kuchiki era ciumento. Não comentara isso com ele, afinal ele nunca admitiria. Entretanto, o que o fizera sorrir não era os ciúmes secretos – ou nem tão secretos assim – de Kuchiki Byakuya, e sim o real significado daquela pergunta. Será que estaria dentro dos tais planos do nobre? Resolveu responder com sinceridade, torcendo para que sua análise estivesse correta.
– Iba-san me convidou para uma festa. – O sorriso em sua face aumentou ao sentir o olhar do outro sobre si. – E eu aceitei.
Silêncio. Byakuya ficara quieto, ainda encarando o ruivo. Parecia estar pensando no que dizer... Era difícil decifrar aquele homem, até mesmo para Renji. Pensou em perguntar ao mais velho do que se tratava aqueles planos que dissera anteriormente, porém não houve necessidade.
– Que pena. – começou o nobre, sem cortar o contato visual com seu tenente. – Meu plano era convidá-lo para ir a minha casa. Eu queria passar a noite com você.
Direto.
O ruivo ainda não havia se acostumado com certas coisas, como por exemplo, a forma natural com que Byakuya dizia aquelas coisas. Está certo que sentiu que estava nos planos do Kuchiki, mas não esperava ouvir aquilo. Aquela simples frase o fez sentir uma série de arrepios... Amava aquele homem, não conseguiria recusar nenhum pedido dele. Será que alguém realmente pensou que Abarai Renji trocaria uma noite com Kuchiki Byakuya por uma festa maluca com seus amigos? Tolice.
– Mas tudo bem, convidei-lhe tarde demais. – Voltou sua atenção para os papéis, mantendo a expressão indecifrável. – Acho que vou reconsiderar o convite do Ukitake.
–Taichou – sussurrara o ruivo, sua rouca voz soando perto demais.
Byakuya sentiu a respiração do tenente acariciar sua orelha, e ao mesmo tempo, um arrepio percorrer seu pescoço. “Quando ele chegou aqui?”, pensou. Se fosse em alguma batalha, se sentiria um tolo por não perceber tal aproximação. Porém, o que poderia fazer? Renji era sua fraqueza. Sentiu seu rosto esquentar ao ouvir o ruivo continuar:
– O senhor sabe que eu nunca recusaria um convite seu. – Renji levou seus lábios até o rosto do mais velho, deixando ali um breve beijo.
Um misto de felicidade e vergonha se fazia visível na face do capitão. As maçãs levemente rosadas, o canto dos lábios levantados, os olhos fechados... Nenhum detalhe escapava do ruivo, que observava atentamente o homem que amava. Achava adorável o fato dele ainda sentir vergonha com um gesto bobo daquele.
Nenhuma palavra sobre o assunto fora pronunciada nas três horas seguintes. Renji havia voltado ao seu lugar e passou a trabalhar com um ridículo sorriso em sua face, enquanto Byakuya continuava sério, apesar de vez ou outra olhar para o rosto de seu tenente e sentir o coração acelerar. Desde que Hisana morrera, tinha a certeza de que não amaria mais ninguém. Mas quem diria! Acabara se apaixonando novamente, dessa vez por um homem carinhoso, atencioso e que correspondia veemente seus sentimentos. Renji parecia um sonho, antes não imaginava que uma pessoa lhe faria tão feliz com ações e palavras aparentemente tão simples.
Byakuya terminou de assinar sua pilha de relatórios antes do meio-dia. Levantou-se vagarosamente de seu lugar, olhando o céu azul pela janela. A brisa fresca batia em sua face, balançando seus cabelos negros e suas vestes de capitão. Sentia-se realmente feliz por ter terminado todo o seu trabalho cedo, do contrário, não poderia ir para sua casa arrumar suas coisas para quando Renji chegasse. Sentia falta de passar um tempo sozinho com o ruivo, sem ter que trabalhar. Sorriu, pensando no quanto tudo o que planejara estava dando certo. O moreno desviou o olhar da janela, olhando em seguida para o seu tenente, surpreendendo-se com o mesmo, que havia se esquecido do seu trabalho apenas para admirá-lo.
Isso era bem comum, afinal. Sempre flagrava o mais alto olhando, abobado. Queria muito descobrir no que ele pensava enquanto o olhava... Mas apesar de isso sempre acontecer, Byakuya ainda não havia se acostumado, por isso se envergonhava, como acabara de acontecer. Percebendo que fora pego olhando seu capitão novamente, o shinigami ruivo sorriu sem graça, fingindo ler um relatório em seguida.
– Eu estou indo. – disse o mais velho, trazendo o olhar de Renji novamente para si.
– O senhor terminou cedo hoje. – comentou, vendo o outro guardar suas coisas.
Não conseguia evitar, sempre observava tudo o que o nobre fazia, era quase involuntário. Renji suspirou, tentando, pela terceira vez, voltar a trabalhar. Se continuasse distraído daquela forma, iria acabar levando bronca.
– Até a noite, taichou. – disse em seu tom habitual, sem desviar os olhos dos papéis.
Byakuya se aproximou silenciosamente do ruivo com um leve sorriso em sua face. Levou sua mão direita ao maxilar do rapaz, trazendo-o para perto de si, surpreendendo-o. Sem se importar com o fato de ainda estarem no esquadrão, o capitão Kuchiki colou seus lábios nos semelhantes de seu tenente, beijando-o com toda a vontade que possuía. As línguas logo se encontraram, se entrelaçando com vontade mútua e sem receio algum, os olhos se fechando para aproveitar a sensação de que tanto sentiam falta. O ósculo não foi demorado, mas durou o suficiente para que os dois matassem a saudade que tinham de se beijar.
– Te vejo a noite, Renji. – sussurrou o nobre rente ao ouvido alheio, fazendo o rapaz tatuado se arrepiar. – Não demore.
O capitão sorriu quase imperceptivelmente ao ver o Abarai corar. Saiu dali sem pressa alguma, sentindo-se realmente feliz por ter conseguido convidar seu tenente, afinal não levava jeito algum para essas coisas. Seu objetivo agora era ir até sua casa e fazer com que todos saíssem para que pudesse ficar sozinho com ele naquela noite. Primeiro iria dispensar os empregados, em seguida arranjar uma desculpa qualquer para não ir para a reunião do clã e, por fim, iria convencer Rukia de ir até a festa das garotas. Sua irmã era ciente de seu relacionamento com Renji desde o início, mas não seria nada elegante dizer a ela que queria ficar sozinho com o jovem shinigami. Portanto, inventaria alguma desculpa para a pequena também.
– Okaeri, Niisama. – saudou a garota dos cabelos negros, curvando-se.
Byakuya nada respondeu, ao invés disso, tocou a cabeça de Rukia, bagunçando de leve alguns fios. Acabou por fazer isso sempre que estava sozinho com a irmã, demonstrando o carinho que nutria por ela, pelo menos um pouco.
Os dois irmãos foram para a sala de jantar desfrutar da refeição feita pela mais nova. O capitão ficou surpreso ao ouvi-la dizer que havia feito sozinha, além disso não conseguira de forma alguma evitar sorrir quando a pequena confessou que queria agradar o irmão com aquele almoço. Byakuya tinha certeza de que não conseguiria sorrir daquela maneira para outra pessoa que não fosse Rukia ou Renji.
Após aproveitarem da refeição, o líder dos Kuchiki sentiu que precisava agir. Da forma mais natural possível, foi pessoalmente até todos os empregados que ainda estavam na mansão e dispensou-os educadamente, desejando-lhes feliz ano novo. Em seguida, procurou o conselheiro para dizer-lhe que teria um compromisso no mesmo horário da reunião, portanto não compareceria. Entretanto, aquele conselheiro era bastante esperto e encheu Byakuya de perguntas e insinuações. Depois de longos quarenta minutos, o velho terminou seu discurso com palavras que o capitão conhecia muito bem: “Não faça nada que envergonhe a família Kuchiki, vigésimo oitavo líder.” Complacente, o moreno suspirou, voltando para onde estava sua pequena irmã.
Ás vezes queria entender por que sua felicidade incomodava tanto aqueles velhos. Primeiro se incomodaram com o casamento com Hisana, depois por adotar Rukia... Agora, estava condenado a ouvir palavras rudes e acusadoras por estar se relacionando com Abarai Renji. No entanto, Byakuya era um homem precavido. No momento em que beijara o ruivo pela primeira vez, pensou em todos os problemas que teria com sua família e em como os enfrentaria. De fato, se relacionar com Renji fora pior do que se casar com Hisana, pois ele era jovem, também havia vindo de Inuzuri, era tenente de sua divisão e, acima de tudo, era homem.
Apesar de tudo, o Kuchiki não se arrependia de nada. Não iria desistir de sua felicidade assim tão fácil, mesmo depois de passar décadas ouvindo o que deveria ou não fazer. Estava finalmente sendo ele mesmo.
Quando encontrou sua irmã perto do lago, Byakuya tivera a certeza de que seria de grande dificuldade convencê-la de ir para a festa das garotas e voltar apenas no dia seguinte. Quer dizer, como faria isso afinal? Aproximou-se dela e iniciou uma conversa.
– Hisana costumava observar as carpas aqui... – suspirou, olhando para a água cristalina. – Gostaria que vocês duas tivessem passado um tempo juntas.
– Eu também. – A baixinha falava em tom baixo, com um sereno sorriso em sua face.
Permaneceram calados por algum tempo, apenas aproveitando aquele raro momento. O shinigami estava nervoso, criou inúmeras frases em sua cabeça, porém não conseguiu proferir nenhuma, afinal todas eram muito suspeitas. Mas ao que parecia, Kuchiki Byakuya estava com sorte naquele dia.
– Niisama – começou Rukia, mantendo o olhar fixo no lago. – Matsumoto-Fukutaichou me pediu para ajudá-la com os preparativos de uma festa e também... Para participar.
O mais velho sentiu uma enorme vontade de sorrir, porém conteve-se. Sua irmã falava em um tom baixo cheio de receio, e imaginando o que aquilo significava, tocou o ombro da pequena.
– Você tem a minha permissão para ir. – disse, tendo finalmente os olhos violeta fitando-lhe.
– Obrigada! – exclamou ela, sorrindo largamente. – Mas o senhor vai ficar sozinho aqui?
– N-Não... – Byakuya gaguejou, amaldiçoando-se mentalmente. – Na verdade eu estou pensando em ir à festa dos capitães, não se preocupe comigo. Apenas divirta-se.
Com um sorriso em sua face, a pequena Kuchiki agradeceu mais uma vez, informando que voltaria no dia seguinte, depois das saudações que faria no mundo real. Quando Rukia saiu dali, Byakuya suspirou alto, sentindo-se feliz por tudo estar dando certo. Agora só precisaria esperar Renji chegar.
~**~
O tenente Abarai saiu da sede do esquadrão antes do sol se pôr. Andava com pressa até sua casinha, temendo se atrasar para o seu compromisso. Ao chegar lá, tomou um banho rápido e em seguida fora procurar algo decente para vestir, afinal não poderia ir até a mansão Kuchiki vestido de qualquer maneira. Sorriu alegre ao lembrar-se do yukata azul que ganhara de seu capitão em seu aniversário, procurando-o em meio as suas coisas logo depois. Ao encontrar a peça, Renji a observou por um tempo. Seria a primeira vez que usaria aquela roupa e só de olhar para o tecido bonito, sua mente deduzia que aquilo deveria ter sido muito caro. Quando recebera o presente, ficara extremamente feliz, pois não esperava receber nada vindo daquele homem. Entretanto, depois de pensar melhor, sentiu-se desconfortável por ganhar algo tão caro. Ás vezes não sabia como agradar seu capitão, afinal de contas não tinha condições de dar algum presente daquele mesmo porte para ele.
“Não seja tolo. Sabe que lhe presenteio de coração, e é isso que importa de verdade.”
Já ouvira Byakuya dizer aquelas palavras uma vez e sabia que ele não mais as repetiria. Suspirando, pegou a peça azul e encaixou-a no corpo tatuado, amarrando a fita em sua cintura. Após prender seu cabelo escarlate com um elástico, Renji suspirou, constatando que ainda estava muito cedo para ir até o seu capitão. Não podia evitar, sempre se sentia ansioso, ainda mais quando fazia muito tempo desde a última vez que ficara sozinho com ele sem ser no trabalho. Nem sequer se lembrava de quando fora...
Depois de passar quase duas horas devaneando sobre sua relação com o Kuchiki e sobre como deveria prender seu cabelo, o jovem shinigami saiu de sua casa com um largo sorriso em sua face. Andava a passos largos, segurando-se para não correr ou até ser mais desesperado e usar seu shunpo. Seria engraçado ver um homem todo arrumado correndo apenas para ver seu capitão.
Dentro da mansão, o nobre Kuchiki também estava ansioso. Havia feito um jantar, coisa que há décadas não fazia, mas por sorte ocorrera tudo certo, agradecia Hisana em sua cabeça por ela ter lhe mostrado como fazer uma refeição. Sua casa estava vazia, seu quimono cinza estava perfeito em seu corpo magro, seus cabelos negros devidamente penteados, sem seus típicos kenseikan.
– Agora só preciso esperar Renji chegar...
Seu monólogo fora interrompido ao sentir uma reiatsu conhecida em sua propriedade. O sorriso veio sem seu consentimento, levantou-se do tatami e sentiu o coração acelerar dentro do peito. Ações involuntárias apoderavam de si apenas por saber que ele estava próximo, e ás vezes sentia-se tolo por isso. Era um homem respeitado por toda a Soul Society, líder de uma das famílias tradicionais, capitão do sexto esquadrão! Não tinha mais idade para sentir aquelas cosias...
– Boa noite Kuchiki taichou. – A voz extremamente rouca sussurrara bem perto, o arrepio percorrendo o pescoço e a coluna veio assim que ouviu a saudação. Mandou todos os seus pensamentos certinhos ás favas e virou-se de frente para o homem ruivo, perdendo a fala assim que o viu.
Os cabelos escarlates do Abarai não estavam presos no topo de sua cabeça como de costume; apenas um simples rabo de cavalo e a franja caindo sobre o rosto bonito. Logo os olhos brilhosos do capitão desceram pelo pescoço tatuado, observando a roupa que ele trajava. O yukata azul-marinho que havia lhe presenteado há meses atrás ficara perfeito no corpo alto, e Renji fez-lhe o favor de deixar a roupa com seu próprio estilo, deixando-o bem aberto na região do peito, deixando amostra a pele morena manchada pelas linhas pretas que tanto lhe agradavam. Quando percebeu estar olhando demais para o corpo do tenente, Kuchiki Byakuya passou a encarar os olhos estreitos castanhos, perdendo-se no brilho que emanava dos mesmos.
Da forma mais natural possível, aproximou sua face da alheia sem cortar o contato visual, beijando-o lentamente logo em seguida. O dos cabelos negros invadiu a cavidade alheia com a língua vermelha, levando a mão esquerda até um das bochechas do rapaz, fazendo um leve carinho ali, enquanto recebia um afago gostoso em madeixas escuras. O beijo seguiu calmo, os dois depositavam no ato todo o carinho e amor que sentiam um pelo outro, ambos deixando a saudade em evidência. Quando cessaram o ósculo, o ruivo envolveu o corpo menor que o seu em um abraço confortável, tocando os fios sedosos que amava.
– Boa noite, Abarai fukutaichou.
Com os dedos entrelaçados e rostos serenos, os dois adentraram na mansão, indo desfrutar do jantar feito pelo moreno. Renji se surpreendeu quando o ouviu dizer que preparara tudo aquilo sozinho, afinal o capitão possuía servos o suficiente para preparar um banquete para toda a sereitei. A atitude o deixara ainda mais alegre do que já estava, e sem graça é claro, ainda não era acostumado a ter alguém fazendo algo por si.
Enquanto jantavam, Renji pode observar melhor o homem mais velho. Os cabelos negros estavam do jeito que gostava, sem os kenseikan, o quimono bonito cobria quase completamente o corpo magro, deixando visível apenas a pele clara do pescoço e as clavículas proeminentes. “Como pode ser tão bonito?”, perguntou-se levando uma porção de comida até a boca farta. Era difícil ficar perto do mais velho e não olhar atentamente o que ele fazia, captando cada movimento e concluindo pela enésima vez o quanto ele era belo. Byakuya sempre foi um shinigami de alto nível, além de ser inteligente e um mestre dedicado. Antes, Renji pensava que havia se apaixonado intensamente por essas características. Atualmente, o ruivo tinha certeza que amava ainda mais cada pedacinho do seu superior, afinal descobriu outros lados de sua personalidade e vez ou outra era vítima de seus atos carinhosos e doces. Viver tudo aquilo era como um sonho bom do qual não queria acordar.
– Pensando em algo bom? – perguntou o Kuchiki ao ver os lábios esticados na face alheia.
– Sim, senhor. – Renji respondera, sentindo seu coração bater absurdamente rápido contra suas costelas ao ver um sorriso iluminar o rosto pálido do nobre. Sempre que pensava que não se apaixonaria mais, aquilo acontecia. Paciência, a culpa era sua por olhá-lo demais.
~**~
– Aceita um pouco de chá? – perguntou o mais velho, começando a preparar a bebida quente.
– Não, obrigado taichou.
– Quantas vezes devo dizer-lhe que não há necessidade de me chamar dessa maneira aqui?
Renji sabia que em algum momento ouviria aquilo. Se acostumar em chamar aquele homem pelo primeiro nome era quase impossível. Respeitava-o sempre, mesmo sabendo que não precisava ser tão formal quando estavam a sós.
– Sabe que é involuntário! – comentou com bom humor.
– Mas não é difícil. Tente não dizer “senhor” ou “taichou”. “Byakuya” para mim está bom.
– Eu te chamando pelo primeiro nome seria estranho. – Renji riu alto, fechando os olhos minimamente. – O máximo que consigo dizer é... “Byakuya-sama”.
O ruivo ria sem nenhum pudor, não percebendo que o Kuchiki havia parado tudo o que estava fazendo.
– Não é engraçado? Eu me sentiria ridículo te chamando assim...
– Cale-se!
A voz firme se fez presente em um grito descomunal e assustador. O tenente Abarai cessou imediatamente suas risadas, ficando imóvel logo em seguida. Não sabia exatamente o que, mas havia dito alguma merda. Pousou o olhar sobre o capitão, o vendo segurar com força a xícara de chá, as mãos brancas tremiam e seu semblante era aquele sério e superior que lembrava ter visto quando perdera para ele pela primeira vez.
– Hisana... – começou ele. – A Hisana me chamava assim. Não vou permitir que você zombe disso!
Ao ouvi-lo falar alto daquele jeito, Renji sentiu-se um idiota maior do que já era. O olhar que recebia do homem que amava era frio, sentia-o perfurar sua alma. Sentiu as próprias mãos e pernas tremerem por algum motivo e, mordendo o lábio inferior, curvou-se completamente diante da figura nobre e implorou:
– Perdoe-me a indelicadeza Kuchiki taichou! – Sua voz rouca saía fraca demais. – Eu não queria ofender o senhor ou a Hisana-san... Desculpe-me por ser um tolo!
O Kuchiki concluiu que ele próprio era tolo assim que viu o shinigami alto se curvar. Por que gritou com Renji daquela maneira? Sentiu o sangue ferver por lembrar que sua falecida esposa o chamava de “Byakuya-sama” e nunca perdoaria alguém que caçoasse disso... No entanto, o ruivo não tinha conhecimento disso, caso contrário não teria dito nada; conhecia-o bem o suficiente para chegar a tal conclusão. Sentiu seu coração apertar e acabou por franzir as sobrancelhas involuntariamente ao ouvir o tenente continuar:
– Muito obrigado por hoje. O senhor fez muito por mim, me deixou realmente feliz. – O tatuado ergueu o corpo, evitando ao máximo encarar os orbes azuis. – Vou pra casa. Desculpe por incomodar tanto...
“Kuchiki Byakuya, seu idiota!” Sua voz interior berrava, alertando que se não fizesse algo, o seu tenente iria mesmo embora.
Ao ver o Abarai caminhar até a saída, o moreno foi rápido; segurou a mão alheia com força, abaixando a cabeça. Sentiu os olhos castanhos sobre si, porém não ousou encará-los. Perdeu a fala ao ouvir a voz gostosa dizer de forma surpresa o seu “nome”.
– Taichou?
– Não vá... – conseguira dizer, intensificando o aperto na mão.
Ficaram daquele jeito por um tempo. Byakuya se desesperava a cada segundo por não receber alguma resposta ou um mínimo gesto vindo do mais alto. Ele provavelmente estava magoado. O mais velho arregalou os olhos ao sentir Renji afastar sua mão.
– Não posso ficar aqui depois de ter insultado a sua esposa, senhor. – disse ele, tentando se afastar, mas sendo impedido pelas mãos rápidas e trêmulas de seu superior.
– E-Eu não queria ter levantado a voz com você. – gaguejou enquanto segurava o pano azul da roupa do ruivo. – Hisana foi alguém muito importante para mim e é natural que eu me zangue quando falam dela...
Renji tentaria se afastar novamente caso não sentisse os braços do nobre rodearem sua cintura, abraçando-o daquela maneira. Sentiu que as mãos de Byakuya ainda tremiam e que seu coração batia forte por estarem com os corpos colados. Logo seus batimentos cardíacos aceleravam também e, após um suspiro derrotado, levou as duas mãos até as alheias, entrelaçando os dedos de leve. Acariciou a pele branca de uma das mãos do mais velho com o polegar, em um incentivo mudo para que ele continuasse a falar.
– Sei que não foi sua intenção zombar de ninguém, você sequer sabia que ela me chamava assim. Desculpe-me... – pediu com a voz suave, levando em seguida seus lábios finos até a nuca descoberta do outro, deixando ali um cálido beijo. – Renji, você é muito mais importante para mim agora do que Hisana já fora um dia.
O abraço ficou mais apertado. As bochechas do mais novo estavam rubras, nunca esperou ouvir palavras tão belas e tão profundas vindas de seu capitão. Ele era tão carinhoso consigo, e mesmo depois de ter ficado magoado há poucos minutos, não seria capaz de desgostar daquele homem. Sabia que tentar não amá-lo apenas faria o amar mais.
– Amo-te, Abarai Renji. Muito mais do que você imagina...
Dito aquilo, Byakuya se soltou das mãos grandes que o acariciavam e levou as próprias até os ombros dele, puxando o tecido azul para baixo, revelando as tatuagens bonitas devagar. Sentiu a boca salivar ao ver o músculo forte das costas largas se contrair a media em que o tenente retirava as mangas do quimono. Não lutou contra o desejo de beijar as linhas pretas enquanto voltava a abraçá-lo. As mãos frias foram de encontro ao abdômen quente do ruivo, sorrindo ao sentir a pele morena se arrepiar sob seus dedos. Em seguida, desamarrou a faixa branca que prendia o yukata, vendo a roupa deslizar pelo corpo alto e ir de encontro ao chão logo depois.
– T-Taichou... – gemeu baixo ao sentir a língua molhada passar pelo seu pescoço.
Não resistindo à súbita vontade que apoderou de si, Renji virou-se de frente para o moreno, encarando-o profundamente. Sem dizer nenhuma palavra, atacou os lábios alheios, iniciando um beijo diferente de todos os que trocaram naquele dia; a destra do tenente segurou o maxilar alheio enquanto beijava-o com intensidade, as línguas se tocando com absurda pressa dentro das bocas. Seus dedos longos foram para os fios negros entrelaçando-os ali, de forma a aprofundar o ósculo ainda mais. Sem cessar o beijo, os dois shinigamis caminharam até o quarto do nobre. O elástico que prendia os cabelos ruivos e o quimono cinza do moreno encontraram o chão, enquanto os corpos seminus encontraram a cama.
O mais alto se encontrava deitado sobre o colchão macio, recebendo lambidas e mordidas pelo torso tatuado. Seu corpo começava a reagir àquelas carícias íntimas que tanto sentia falta, e como de costume, nem sequer tentou controlar seus gemidos. A boca pequena trabalhava em cada parte sensível, as mãos frias de seu capitão enlouqueciam-no sem muito esforço apertando suas coxas grossas... Renji sentia-se incrivelmente bem por saber que era o único a ver aquele lado do grande Kuchiki Byakuya, seria o único a ter sua pele sugada com força pela boca dele, o único a sentir a mão calejada arrancar a peça íntima de seu corpo e, em seguida, tocar de forma despudorada seu membro já ereto. Os olhos castanhos ficaram bem abertos o tempo todo, observando atentamente aquela cena que era de sua inteira exclusividade.
Apesar de toda aquela ação ser bem conhecida por si, Renji fora surpreendido. Byakuya segurava seu falo com firmeza, a mão subia e descia pela extensão em velocidade deliciosamente rápida, fazendo o ruivo suspirar murmurar palavras desconexas com a voz mais rouca do que o normal. O tenente arregalou os olhos ao ver o nobre abaixar a cabeça em sua região pélvica, seu membro pulsando em antecipação na mão alheia. Ergueu o tronco, ficando agora sentado sobre o colchão macio, em seguida levou a mão direita até a mandíbula do capitão, em uma tentativa de impedi-lo de continuar a descer o rosto. Contudo, para a sua surpresa, sua mão fora afastada gentilmente e logo, a boca quente do moreno envolvia sua glande devagar.
Os movimentos iniciaram lentos e desorganizados, Byakuya não sabia muito bem como fazer, pois era sua primeira daquele jeito. Apesar desse fato, o nobre tinha certeza de que o ruivo não tinha do que reclamar; seus gemidos altos denunciavam o prazer elevado que sentia. À medida que se acostumava com o volume em sua boca, o moreno aprofundava o ato, sugando com mais intensidade a carne quente, ao mesmo tempo em que apertava as coxas novamente.
Em meio a tudo aquilo, o Kuchiki esperava todas aquelas reações: O arquejo das costas tatuadas, os olhos fechados com extrema força, as mãos grandes segurando seus fios suavemente, os gemidos roucos que presenteavam seus ouvidos... Entretanto, ele nunca imaginou que seu tenente pudesse lhe incentivar da forma mais incrível possível.
– B-Byakuya... – Veio o gemido que fizera o nobre cessar seus movimentos.
Os olhos azuis miravam a face do ruivo de forma incrédula. O que acabara de ouvir? Pensou em pedir para que Renji repetisse, porém não houve necessidade. Sua boca logo foi tomada por um beijo feroz e intenso, ao mesmo tempo em que os dedos ágeis iam até o resto da roupa do capitão, retirando-a com pressa. Enquanto o ósculo era compartilhado, o mais alto tratou de trazer o corpo mais baixo para cima do seu próprio, acariciando a pele branca com todo o cainho e paixão que tinha por ele.
– Eu quero você, Byakuya. – sussurrou o ruivo após o beijo cessar. O sorriso dele encantou o dos cabelos negros, fazendo-o imaginar se poderia amá-lo ainda mais. Aquela voz dizendo seu nome daquela forma enquanto lhe envolvia nos braços fortes, a boca carnuda marcando bem o seu pescoço... Era inevitável que se apaixonasse um pouco mais.
– Eu sou seu, Renji.
Depois de inverter as posições, o tatuado resolveu agir. Encarou-o brevemente antes de tocar o membro desperto do nobre, massageando-o à medida que deixava beijos estalados pelo seu peitoral e abdômen. Os dedos apertavam a ereção com força, subindo e descendo com rapidez pela extensão de forma habilidosa. Byakuya reagia a cada carícia, sentia os pelos de seu corpo se eriçarem e o rosto esquentar pela vergonha. Gemia sem pudor algum, parabenizando a si próprio em sua mente por ter conseguido esvaziar a mansão.
Após cessar os movimentos no falo alheio, o Abarai levou a mão esquerda até uma das pernas do mais velho, separando-as com cuidado, ao passo que apalpava as coxas leitosas com a direita. Depois disso, levou dois de seus dedos até os lábios de seu capitão, tendo-os sugados imediatamente por ele. O ruivo fechou os olhos ao sentir a língua macia rodopiar e molhar seus dígitos, lembrando-se brevemente da sensação de ter seu falo dentro daquela boca, sentindo-o pulsar. Contudo tratou logo de ignorar esses pensamentos e se concentrar no Kuchiki. Retirou os dígitos molhados da boca dele, substituindo-os imediatamente por sua língua, beijando-o com volúpia enquanto deleitava-se com as mãos alheias acariciando seus fios vermelhos.
Sem desfazer o beijo, o Abarai levou o indicador até o meio das pernas do moreno, arrastando-o para a entrada do mesmo, penetrando-o sem pressa em seguida. Sentiu-o gemer contra sua boca, certamente ele estava incomodado com a sensação, afinal já fazia muito tempo desde a última vez que o tocava daquela forma. Largou a boca do Kuchiki, inserindo mais um dedo no interior do mesmo e logo iniciando os movimentos. Renji mordia seus lábios ao passo que estocava mais profundamente o nobre com seus dígitos, sentindo-se completamente encantado pelo rosto inebriado de prazer do mais velho. Seus gemidos desesperados, os olhos cerrados, o corpo bonito se contorcendo aos poucos... A ereção do ruivo pulsava ao captar cada um daqueles movimentos. Desejava-o mais a cada segundo que passava ao seu lado, e não iria mais esperar.
Após julgar tê-lo preparado o suficiente, o tenente retirou os dedos de dentro do capitão, sorrindo ao ver os olhos azuis encararem profundamente os seus. Separou um pouco mais as pernas longas, posicionando-se no meio delas sem cortar o contato visual com o homem que amava. Respirou fundo antes de levar o próprio falo até a entrada do mais velho, invadindo-o de uma só vez. Byakuya soltou um gemido despudorado ao sentir todo aquele volume dentro de si, a boca quente do tatuado tocava a cútis branca do seu pescoço, investindo continuamente contra seu corpo.
Enquanto sentia a rajada intensa de prazer tomar conta de seu corpo, Byakuya pode notar o quanto Renji movia-se de forma voraz, impaciente. Estocava com força o corpo do outro sem pudor algum, fazendo o nobre gemer como nunca fizera antes, dando a entender o quanto estava gostando de tudo aquilo. Os olhos azuis se abriam vez ou outra para contemplar a imagem do ruivo sobre si, os cabelos longos cor de fogo caíam nas laterais de seu rosto, as tatuagens espalhadas pelo abdômen brilhavam por conta do suor, a face levemente rubra denunciava a vergonha, os olhos fechados e as sobrancelhas franzidas montavam a expressão prazerosa... Sentia necessidade de observá-lo, de senti-lo o máximo que podia. Ah, ainda era possível amar aquele homem com mais ardor!
Os dedos firmes do Abarai seguravam com força a cintura alheia, ao mesmo tempo em que se retirava quase completamente dele e voltava a atingi-lo profundamente. Os braços de Byakuya buscaram o pescoço amorenado, abraçando-o de forma possessiva. A sensação gostosa dos troncos nus se tocando não se sobrepunha com a das pélvis se chocando, mas serviu para intensificar todo o ato. Renji trouxe o moreno para o seu colo sem dificuldade, passando agora a morder cada pedaço da tez macia que encontrava, ouvindo com satisfação os gemidos manhosos e despudorados que o seu amado deixava escapar.
O rapaz ruivo era habilidoso; sabia como deixar o Kuchiki louco, abusando de seu conhecimento sobre ele. Movia-se na velocidade correta, sugava e mordia os locais mais sensíveis do corpo branco, sentindo as unhas curtas do mais velho arranhar suas costas. Além disso, Renji fazia questão de gemer rente ao ouvido do nobre, a voz rouca causando-lhe arrepios cada vez que o nome “Byakuya” era proferido.
O corpo tatuado voltou a deitar-se na cama com o alheio por baixo de si. As bocas procuravam-se com desespero, e logo um beijo afoito e lascivo fora iniciado. As respirações descompassadas chocavam-se em meio ao ósculo, os corpos se movendo em velocidade absurda sobre a cama enorme... Byakuya sentia que poderia chegar ao ápice a qualquer momento sem mesmo ter seu membro tocado, afinal toda aquela voracidade de seu tenente enlouqueciam-no.
No entanto, para sua surpresa, o rapaz parou de se mover subitamente. O beijo fora cortado e, com os olhos arregalados e as pálpebras trêmulas, o capitão mirou a face do mais alto, sentindo a face esquentar ainda mais ao ver os lábios do Abarai esticados em um sorriso malicioso. Após se retirar do corpo mais baixo, o ruivo chegou sua boca perto do ouvido alheio e sussurrou, com a voz ainda mais rouca do que o normal:
– Fique de bruços.
Com as bochechas em brasa, o moreno fez o que fora dito pelo tenente. Sentiu suas mãos tremerem e a vergonha se apoderar de si, pois tinha a certeza que Renji observava minuciosamente o seu corpo exposto. A mão esquerda do ruivo buscou a do moreno, entrelaçando os dedos com força, afastando os cabelos negros em seguida apenas para distribuir beijos pela nuca e costas suadas do Kuchiki. Não querendo perder nenhuma expressão do homem abaixo de si, o ruivo tratou de puxar sem muita força os fios pretos, vendo o rosto que tanto amava avermelhado.
– B-Byakuya... – gemeu rente a orelha quente novamente, penetrando-o sem rodeios, não resistindo em estocar o interior dele de forma veloz como antes.
Byakuya finalmente sentira seu membro ser agarrado e massageado de forma hábil, nem sequer tentando controlar os gemidos altos que cortavam sua garganta. Intensificava o aperto das mãos entrelaçadas, segurando com força o lençol da cama com a livre, tentando assim descontar tudo o que sentia; ter Renji atingindo firme e forte o seu ponto sensível fazia-o esvaziar a mente, deixando de lado seu orgulho e sua vergonha. Eles não importavam realmente. Urrava cada vez que ouvia seu nome, impulsionando involuntariamente suas nádegas contra o baixo ventre alheio, chamando também o nome daquele que aprendeu a amar.
– Renji!
O dono da voz bela e enfraquecida gemia alto, virando o rosto um pouco para beijar de forma desajeitada a boca do ruivo. Os toques quentes em seu falo e as investidas fortes em seu corpo o deixavam desnorteado... Com a respiração falha e soltando gemidos altos chamando pelo tatuado, o moreno se entregou ao orgasmo, derramando o seu prazer. O tenente grunhiu quando sentiu o interior quente do capitão se contrair, engolindo sem membro e fazendo-o chegar finalmente ao ápice.
O tatuado caiu cansado sobre as costas do nobre, apertando as mãos que permaneciam entrelaçadas. Tudo o que se ouvia naquele quarto era o som dos ofegos, os dois shinigamis tentando normalizar as respirações desreguladas. O ruivo se retirou de dentro do Kuchiki com cuidado e observou-o endireitar o corpo, o encarando com uma belíssima expressão em sua face. Renji esticou os lábios ao ver o sorriso sereno e as bochechas ainda rosadas de seu capitão... Tão bonito, nem parecia ser real; ou melhor, toda a situação parecia irreal. Há tempos atrás Renji nunca imaginaria estar daquela forma com Byakuya, que poderia tocá-lo como quisesse sem nenhuma repreensão, que poderia dizer que aquele homem orgulhoso era apenas seu. Com esse pensamento, soltou a mão do mais velho e tocou-lhe a face rubra, acariciando a pele quente com a ponta dos dedos, sentindo a maciez daquela região. Sua mão fora beijada pelos lábios finos e só aquele toque sutil fazia seu coração bater com ainda mais força contra suas costelas.
– Eu te amo. – O ruivo conseguira dizer baixinho, sorrindo de forma sincera antes de beijá-lo novamente.
– Eu também...
Passaram mais um tempo daquela forma, trocando beijos e carinhos em silêncio sem se importarem com nada além da presença um do outro. Ouvia-se ao longe as pessoas da sereitei gritando alegres pela chegada do ano novo, com certeza estavam se divertindo muito. Com esse estranho pensamento, Byakuya soltou-se do beijo envolvente do ruivo apenas para por em prática suas regras de etiqueta.
– Desculpe. – disse ele, fazendo aparecer uma enorme interrogação na cabeça do tenente. – Você poderia estar se divertindo naquela festa com seus amigos agora...
Ao ouvir aquilo, Renji não sabia se ria ou se o empurrava na cama e fazia-o repetir todos aqueles gemidos. Por Deus, como Byakuya podia ainda pensar daquela forma? De fato, ele sempre fora um homem surpreendente. O mais alto suspirou tocou novamente a face pálida do capitão, fazendo-o lhe encarar. Já provara tantas vezes seu amor, não se importaria de fazer isso uma última vez naquela noite.
– Não existe lugar melhor para eu estar agora do que aqui, ao seu lado.
As bochechas pálidas voltaram a se enrubescer, o coração já acelerado ficara ainda mais descontrolado. Por que Renji tinha que ser assim tão... Romântico? Isso estava errado, não era merecedor de tais palavras e gestos! Era um homem orgulhoso, ranzinza e insensível, além de ter do dom de afastar todos de si dizendo poucas palavras. Não, esta era a pessoa que costumava ser, antes de se apaixonar pela segunda vez em sua longa vida.
– Sou eu quem deveria estar dizendo isso. – Byakuya disse com um sorriso, abraçando o mais novo com toda a força que possuía. – Feliz ano novo, Renji.
– Feliz ano novo, B-Byakuya.
Quando o abraço fora finalmente desfeito, os dois shinigamis trataram de se limpar de forma rápida pra voltarem a se deitar sobre aquela cama. O tatuado apertou o corpo do capitão em um novo abraço, enquanto observava seu rosto sereno ser tomado pelo sono aos poucos. Não sabia dizer ao certo por quanto tempo permaneceu velando o sono de seu superior, acariciando sutilmente sua face e seus cabelos. Porém, tinha a certeza de que precisava fazer aquilo; cada expressão verdadeira dele, cada gesto, cada palavra... Trancafiaria todas essas imagens em seu coração, jurando nunca esquecê-las e, ao mesmo tempo, jurando que sempre o faria mostrá-las novamente apenas para si. Aquele homem era finalmente seu, tinha a necessidade de reconfirmar esse pensamento o tempo todo em sua mente, caso contrário nunca acreditaria. Como dizem, bom demais para ser verdade.
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