Nebulosa

65 Capítulo 65 – Boas Novas.


Notas iniciais
Olá meninas,

PDV Edward Cullen.

Chuva torrencial... Raios assustadores, trovões ensurdecedores. Parecia que o mundo inteiro estava desabando sobre nós... Eu e Bella corríamos tentando escapar da tormenta que nos perseguia furiosa. Era difícil enxergar... Os animais fugiam se embrenhando no meio da mata, buscando abrigo. Atordoado, eu procurava uma saída e não encontrava. O medo atravessava os meus ossos... Comecei a ficar desesperado, sem saber o que fazer, como nos tirar dali... Nesse momento, bem ao longe uma vozinha infantil suave interrompeu meus pensamentos... “Tenha calma, papai. Vai dar tudo certo...”

Como? O que? O que estava acontecendo afinal?!

Abri meus olhos devagar, tentando entender o que havia acontecido e constatei que tudo não passava de um sonho. Ou melhor, de um horrível pesadelo. Suspirando, quase não acreditei. Segundos depois sentei sobressaltado, com Bella ainda agarrada ao meu corpo e vi os raios de sol entrando pelas frestas sob a porta do celeiro.

- Maravilha! Bella, amor, acorde. Vamos.

- Hum...

Ela gemeu e se enrolou novamente no cobertor. Não pude deixar de sorrir com a sena. Acariciei levemente seu rosto e me levantei com cuidado. Caminhei até as portas duplas com uma ansiedade crescente. Retirei a barra de ferro, coloquei no chão e abri uma das portas, dando um largo sorriso para o sol que brilhava no céu.

- Isso!

Exclamei eufórico.

- Edward?

Me virei para fitá-la. Bella esfregava os olhos, sonolenta. Seus olhos demoraram um pouco a se acostumarem com a claridade.

- Parou de chover?

Perguntou alegremente.

- Sim, a chuva cessou Bella. Podemos sair daqui agora mesmo.

Ela levantou e correu para o meu lado.

- Que bom! Vou pegar nossas coisas.

- Vou ajudar.

Não só a chuva, mas o vento também cessara por completo. A temperatura havia voltado ao normal e mais um dia quente nascia em Tucson. Nós arrumamos tudo rapidamente, colocamos na picape e entramos dispostos a dar uma volta pela fazenda. Eu estava super preocupado com os Appaloosa então girei o carro na direção dos estábulos, mas a destruição enorme causada pelo tornado saltava a nossa frente.

Árvores imensas haviam sido derrubadas, arrancadas com a própria raiz. Aves diversas, esquilos e muitos outros animais silvestres jaziam mortos, a lama era espessa e se espalhava por todos os lados.

Apertei a direção com força, enquanto Bella cobria a boca, horrorizada com a cena deprimente. Fiz o que pude para ir rápido, mas a estrada de terra alagada não ajudou. A lama predominava e o carro derrapou por duas vezes. Ao chegarmos perto dos estábulos tivemos de ir deixar o carro e seguir o restante do caminho a pé. Nossas botas afundavam no lamaçal, mas Bella não reclamou nem por um minuto. Olhei por sobre meu ombro e falei:

- Fique aí enquanto eu vou até lá.

Ela nem se deu ao trabalho de responder, abrindo a porta e saltando do veículo. Revirei meus olhos e pedi paciência a Deus, pois o segundo nome da minha esposa com certeza era teimosia e não Marie.

- Estou logo atrás de você Edward.

- Por favor, tenha cuidado sim? O chão está escorregadio e você pode cair e se machucar...

Ela assentiu e ficou um passo atrás de mim. Subimos algumas pedras, desviamos de outros obstáculos e finalmente chegamos até os cavalos. Meu coração deu um baque: Kyra, a égua rajada que estava prenha de mais um potro havia morrido. Com o tornado, ela e Relâmpago, meu cavalo favorito, haviam pulado as baias e saído da segurança do local, indo para o meio da tempestade. O corpo do animal jazia estirado no chão e já cheirava muito mal. Senti a raiva começar a me dominar, mas me controlei. Eu, Bella e o bebê estávamos bem, e era isso o que importava. Relâmpago tentava fazer com ela ficasse de pé, empurrando-a com o focinho. Suspirei.

- Oi amigão.

Falei afagando seu pêlo.

- Passou por maus bocados não foi?

O animal apresentava pequenas escoriações em seu pêlo e numa das patas traseiras, mas aparentemente nada grave.

- Nós também, mas não se preocupe. Vai dar tudo certo ok?

Enquanto acariciava o cavalo vi pelo canto do olho que Bella chorava silenciosamente fitando a égua.

- Tudo vai ficar bem amor. Eu prometo.

Falei segurando o rosto em formato de coração entre minhas mãos, tentando confortá-la um pouco.

- Vamos lá dentro ver os outros como estão.

Sem dizer nada ela veio até mim e me deu a mão. Seguimos juntos até os estábulos e empurrei a porta com força. Os animais relincharam agoniados. Alguns estavam mais magros devido à falta de comida, mas bem. O outro garanhão também havia sumido. Com toda certeza havia pulado a baia e saído para o temporal. Mas depois eu iria atrás dele. Agora tínhamos que cuidar dos que restaram ali. Olhei para Bella preocupado.

- Tem certeza de que está bem? Não quero que se esforce desnecessariamente amor. No seu estado...

- Eu estou bem Edward.

Falou convicta.

- Tudo bem. Vamos então.

Voltamos até o celeiro para buscar ração, escovas e baldes. A água do lago serviria para lavá-los. Tentei ligar o celular, mas não obtive êxito. As linhas estavam mudas. Com certeza muitos postes deviam ter sido arrancados. Estava quebrando a cabeça, pensando numa forma rápida de retirar a égua morta dali quando ouvimos um barulho de carros que se aproximavam. Estreitei os olhos tentando ver quem era, quando Emmett acenou de pé no seu jipe. Jasper estava dirigindo e Rose no assento do passageiro. Minha mãe, Alice e Jared vinham na caminhonete do meu pai.

- Olhem! Eles estão ali!

Gritava o gorila. Bella ria e chorava ao mesmo tempo. Sacudi a cabeça sorrindo e agradecendo a Deus por minha família. Mal os carros pararam, D. Esme saltou, vindo rapidamente na nossa direção, os olhos inundados pelas lágrimas.

- Graças a Deus estão bem!

Falou aliviada.

- Nós estávamos super preocupados...

Completou a sininho, abraçando Isabella. Jasper, Rose e Emmett vinham logo atrás.

- Nós também Esme.

- Cuidado Rose.

- Estou bem Emmett, não se preocupe.

Emendou sorrindo e alisando o ventre crescido.

- Tudo bem Edward?

- Perdemos Kyra, Jared.

- Droga!

Falou tirando o chapéu e indo até o animal sem vida.

- E a Charlotte Jared?

Meu capataz sorriu ao ouvir o nome da pequena coruja.

- Ela está bem Bella. Achei melhor deixá-la em casa hoje. Nós não sabíamos o que iríamos encontrar por aqui.

- Tudo bem. Traga-a de volta assim que puder, ok?

- Acho que seu filho já tem uma concorrente, mano.

Rose rolou os olhos e deu um tapa no braço do marido. Que hora mais infame para se fazer piada!

- E papai?

Questionei voltando minha atenção para mamãe.

- Ele está bem filho, mas não pode vir, pois o hospital está uma loucura.

- Imagino. Quantos mortos?

- Mais de duzentos aqui em Tucson. A situação é ainda pior em Catalina. O furacão Valéria não poupou nada no seu caminho.

- As coisas na cidade estão um caos. Os telefones estão mudos, não há energia e há o risco de faltar água.

- Meu Deus!

- Sim Bella. É muito triste, mas a única coisa que podemos fazer é arregaçar as mangas e reconstruir tudo de novo. O Governo já está se encarregando disso.

- Graças a Deus! Mas com os telefones mudos, como vou poder avisar os meus pais?!

Fui até ela e abracei-a.

- Não se preocupe amor, nós daremos um jeito.

- Tem as linhas de emergência na delegacia, os rádios amadores...

Disse Jasper.

- Ok. Mas se a situação é ruim assim o Emmett não deveria ir para o hospital também?

Questionou Bella.

- Sem chance cunhada! Eu gritei na cara do diretor que podia me demitir, mas eu viria trás de vocês dois. E pelo visto foi à coisa mais certa a fazer, pois teremos um trabalhão pela frente.

Disse meu irmão se aproximando e abraçando minha esposa.

- Pode apostar gorila!

Eu disse sorrindo.

- Ele não vai demitir você, filho. Seu pai vai cuidar disso.

- Não quero nem saber mãe.

- Obrigada por terem vindo.

Bella falou cansada.

- Somos uma família Bella. Não viemos antes por que não dava para chegar aqui.

- Onde vocês se abrigaram?

- No celeiro.

Dissemos juntos.

- Eu sabia!

Bradou Jasper.

- Nós ficamos achando que vocês estavam em casa, mas o Jasper apostou conosco que vocês estavam no celeiro.

- Era o mais óbvio a fazer depois da reforma.

Retrucou Jasper.

- Mas não ficamos no celeiro por causa disso Jasper, embora esteja mais que comprovado que nem Valéria, nem Catrina, nem qualquer outro furacão que vier que vier vai destruir o celeiro.

- Ah, não?

Bella sorriu.

- A tormenta nos pegou desprevenidos e o celeiro era o refúgio mais próximo.

- Se ferrou Dr. Sabe tudo!

- Cala a boca Emmett!

Bradou Rose e todos seguiram para ajudar com os animais nos estábulos, deixando as duas grávidas com as tarefas mais leves, pois teimosas como sempre não concordaram em ir para a casa grande descansar, deixando a cargo dos demais os trabalhos a serem feitos.

Horas mais tarde...

PDV Narrador.

Jared e Emmett haviam encontrado o outro reprodutor e embora machucado, a animal estava bem. A notícia trouxe grande alívio para todos.

- Vocês vão dormir comigo e seu pai hoje Edward.

- Mãe...

- Bella está exausta! Se vocês ficarem aqui ela vai acabar indo para a cozinha!

Ele sabia. Esme prosseguiu:

- Vocês viveram dias horríveis naquele celeiro abafado, sem conforto, sem conseguirem se alimentar direito e muito menos dormir! Então seja razoável e não discuta comigo, filho.

Ele suspirou. Sabia que sua mãe tinha razão, mas gostaria de dormir em casa e na sua própria cama. Tentou argumentar sabendo que não obteria nenhum sucesso.

- Tem muita coisa para ser feita por aqui.

- O bem estar da sua esposa e do seu filho são nossa prioridade agora. Se você quiser ficar aqui, tudo bem, mas vou levar Isabella comigo para a cidade.

Não havia a mínima chance de Bella ir sem ele, como também não havia nenhuma chance de sua mãe desistir da idéia, então Edward achou melhor concordar.

- Tudo bem. Eu vou buscar algumas roupas e saímos todos em meia hora.

Satisfeita, Esme deu um abraço no filho e foi apressada, contar a novidade para os outros. Aquela era por hora a decisão mais acertada a se tomar.

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PDV Isabella Swan.

Estávamos na casa dos pais de Edward, no quarto de hóspedes, deitados. Carlisle havia conseguido avisar o meu pai e pediu para que ele dissesse a minha mãe que nós estávamos bem. Apesar de não ter conseguido falar com eles eu estava aliviada. Imagino a aflição que passaram sem saber notícias minhas e de Edward durante os últimos dias.

Esme só sossegou depois de nos fez jantar e Carlisle verificou o meu estado e o do bebê. Nesse momento, eu sentia os braços rijos do meu marido me envolvendo, mas era como se eu não estivesse realmente ali. Na minha mente apenas as imagens devastadoras da destruição que assolaram a cidade nos últimos dias se desenrolavam como um filme em câmera lenta. O rastro de destruição em Masen foi grande, mas na cidade eu não tinha palavras para descrever a terrível tragédia. O número de mortos e desabrigados aumentava a cada hora, sem falar-nos que ainda estavam desaparecidos.

Comecei a sentir uma espécie de letargia, de torpor a me dominar, como se eu estivesse saindo de uma forte virose... Era como se apenas agora eu tivesse consciência do risco enorme que nós havíamos corrido.

- Bella? Está sentindo alguma coisa meu amor?

Ele questionou me trazendo de volta a realidade. Levantei meus olhos e fitei aquele rosto lindo de anjo. Assim como a vida que crescia em meu ventre, Edward me dava motivos para reagir àquela letargia, da mesma forma como me dera desde o instante em que me abrigara, sem memória, na sua casa logo após o acidente de ônibus que sofremos.

Como não o respondi, ele segurou meu rosto entre suas mãos, encarando-me preocupado, um vinco formando-se no meio de sua testa.

- Amor, você está bem?

- Estou.

- Aquecida?

- Sim Edward.

- Quer uma xícara de café ou chocolate quente?

- Não. Só quero você aqui comigo.

- Estou aqui Nebulosa.

Mais do que bem nós estávamos vivos. Senti meus olhos se encherem de lágrimas e não consegui mais segurar a tensão.

- Edward, eu...

Vendo a expressão de horror estampada em meu olhar, ele me abraçou com força, como se corresse o risco de me perder. Palavras eram desnecessárias. Nossa sintonia era única. Ele sabia o que eu estava sentindo. Enlacei-o pelo pescoço desatando a chorar. O choro convulsivo me dominou e absolutamente entregue, escondi meu rosto no peito dele, que me segurava como uma criança e me dizia palavras de consolo, tentando me acalmar.

Não sei quanto tempo permaneci assim, mas ele foi carinhoso e extremamente paciente. Em seguida, enxugou os meus olhos com delicadeza e me levou ao banheiro da suíte para que eu lavasse o rosto.

- Estou horrível.

Murmurei enquanto ele sorria.

- Para mim você será sempre linda.

Eu sabia que ele estava mentindo descaradamente, mas não me importei. Amava aquele homem com todas as minhas forças e não havia coisa melhor nesse instante que poder abraçá-lo, senti-lo junto a mim e saber que me apoiava em todos os sentidos.

-Venha Bella, vamos pra cama.

Assenti. Depois de tudo que nós enfrentamos o que mais queríamos agora era uma boa e tranquila noite de sono.

Notas finais
Mais tarde posto mais um cap. meninas.
Beijocas Kiki