Nebulosa
34 Capítulo 34 – Fim de Noite.
Notas iniciais
PDV Isabella Swan.
Que noite. Fechei os olhos e recostei a cabeça no banco. Eu havia deixado Mike na calçada de sua casa e estava dentro do táxi, voltando para Masen. Foi uma ótima idéia o Edward lembrar de me dar a chave extra da casa... Meus pensamentos voaram para algumas horas mais cedo. Alice, Rose e eu tínhamos ido jantar em um requintado restaurante francês, o Maxime’s. Rose já estava nos esperando quando chegamos.
— Oi, vocês estão ótimas.
— Você também Rose, — eu falei dando um meio sorriso.
— E a greve?
Alice perguntou e eu fiquei olhando para as duas sem compreender.
— Ela está fazendo greve de sexo, — completou Alice.
Arregalei os olhos.
— Sério?
Perguntei.
— Sim. Depois do comportamento terrível na festa do Jasper, meu marido merece uma boa lição.
— Dá-lhe Rose!
Alice ria. Nesse momento notei que alguns rapazes sentados numa mesa próxima, bem atrás da nossa, observavam com interesse a conversa.
— Estamos chamando a atenção, — falei baixinho.
— Deixa pra lá, Bella, — disse Rosalie.
— E você e o Edward Bella?
Inquiriu Alice.
— Eu prefiro não falar sobre isso Alice.
— Eu sei que você gosta dele amiga. Vejo isso nos seus olhos. E tenho certeza de que o meu irmão sente a mesma coisa, mas é muito orgulhoso e duro consigo mesmo, para dar o braço a torcer.
Mordi os lábios com o coração aos saltos. Será que Edward realmente gostava de mim ou Alice estava enganada? O garçom chegou e pedimos alguns drinques. Ele anotou os pedidos e se retirou. Resolvi mudar de assunto.
— Rose, a Victória esteve na fazenda ontem...
— O que?!
— A Victória?
— O que ela foi fazer lá?!
As duas perguntaram ao mesmo tempo. Enchi meus pulmões e depois soltei o ar vagarosamente...
— Ela foi dar em cima do Edward.
— O QUE?!
As meninas gritaram em uníssono e todos ali se voltaram para a nossa mesa. Eu não sei dizer quem de nós estava com mais vergonha. Alice deu um pigarro e falou:
— Desculpe Bella, mas você tem certeza disso?
— Absoluta. Ouvi toda a conversa.
— Mas que cachorra! Não conseguiu o Emmett, mas quer entrar para a família de qualquer jeito! Vadia, ordinária!
Bufou Rose e eu assenti.
— E ela ainda xingou você amiga...
Eu tinha começado o incêndio e agora ia botar mais lenha na fogueira.
— Bandida! O que foi que ela disse Bella?
— Fala logo Bella...
— Que o Emmett estava casado com o jaburu loiro da bunda grande.
— HÁ, HÁ, HÁ, HÁ!
Alice não conseguiu segurar e deu uma gargalhada enquanto Rose e eu a olhávamos céticas.
— Hum, me desculpem, ok? Não está mais aqui quem riu.
Falou a baixinha dando um sorriso amarelo.
— Aquela catraia ruiva não perde por esperar...
Emendou Rose. O garçom voltou com os drinques e aproveitamos para fazer os pedidos. Como elas estavam acostumadas a frequentar o local, deixei que escolhessem por mim.
— O que exatamente ela disse ao Edward, Bella?
Fechei os olhos antes de responder, pois as borboletas começaram a saltar no meu estômago, me deixando nervosa e enjoada.
— Que havia cansado de esperar pelo Emmett. E sendo assim, como o Edward é um homem muito sexy e interessante, ela queria saber se ele não estava disposto a desfrutar de bons momentos de sexo com ela...
— Mas que vaca!
— Ordinária! Cretina!
— Nunca pensei que ela fosse desse tipo, — emendou Alice.
— Pois eu tinha certeza! Só você não enxergava a bisca que ela é, Alice!
Ótimo. As meninas estavam de acordo comigo. Seriam com toda certeza minhas aliadas dali para frente.
— E ele?
Questionou Alice.
— Recusou como um perfeito cavalheiro, então ela foi embora, envergonhada.
Falei, mas pude sentir que o meu rosto estava pegando fogo. Eu não teria coragem de contar para as meninas o que fiz e muito menos o que aconteceu depois. Minutos mais tarde fomos interrompidas.
— Boa noite. Posso me sentar com vocês?
Era um dos rapazes que estava nos observando. Antes que nós respondêssemos, ele puxou a cadeira que se encontrava desocupada e sentou sem cerimônia, sorrindo. Se apresentou como Caius, era loiro, bonito, muito simpático e bem mais velho que nós.
— Posso oferecer uma bebida para as moças mais bonitas de Tucson?
— Não, obrigada.
Replicou Rose.
— Vamos lá garotas... O que há de mal em nós nos divertirmos um pouco?
— Bom, mais uma vez eu vou dizer não. Nós três estamos recusando o seu convite encantador Caius. Agora se puder nos dar licença...
— Saiba que eu adoro um desafio, Loira.
Ele respondeu abusado.
— Saiba que o meu marido brutamontes vai quebrar a sua cara quando entrar por aquela porta e vir você aqui conosco...
Rose falou enquanto Alice e eu permanecíamos quietas. Ele deu de ombros e sorriu sem graça, levantando em seguida. O rapaz saiu e o garçom chegou com o jantar que estava simplesmente divino. Adorei o Filet a Chateubriand. A combinação da carne com o vinho tinto era perfeita.
Após o jantar fomos à inauguração do novo cinema multiplex e eu tive a leve impressão de ter visto a caminhonete do Edward quando passamos. Comentei com as meninas, mas elas olharam e não viram nada. Com certeza era a minha imaginação me pregando uma peça.
Escolhemos os filmes a elas queriam assistir a um romance, mas fiz uma careta e fui comprar o ingresso de Zumbilândia. As duas me reprovaram com uma careta, mas eu não quis nem saber. Depois da noite maravilhosa que tive com o Edward e da certeza de que o amava sem ser correspondida, a última coisa que eu precisava agora era assistir a um filme tocante e romântico...
E qual não foi a minha surpresa quando dei da cara com o Mike e com o James na mesma fila que eu. Revirei os olhos. Alice me observava com as sobrancelhas arqueadas e uma expressão de divertimento no rosto. Eles me cumprimentaram e eu respondi educadamente.
Rose estava de costas conversava com um rapaz, por isso não os viu. Com certeza alguém lá em cima, no céu, não gosta de mim... Dei uma risadinha nervosa ao ver as meninas desaparecerem escada a cima.
— Humpf!
Mike parecia mal humorado, enquanto James esbanjava charme e simpatia. Entramos e sentamos juntos. Um a minha direita, o outro a minha esquerda. Me preparei para aguentar as duas horas seguintes concentrada apenas no filme, que estava começando.
As cenas que se desenrolavam a minha frente eram exatamente o que os créditos de abertura do filme prometiam... A população mundial tinha sido dizimada devido a um vírus, variante do mal da vaca louca, que transformava as pessoas em zumbis. Poucos eram os humanos não infectados, entre eles Columbus. Um estudante da Universidade do Texas que deseja voltar para sua cidade natal na esperança de encontrar seus pais ainda vivos. Cheio de fobias, o maior medo de Columbus não são os zumbis, mas os palhaços. No caminho ele encontra Tallahassee que está indo para a Flórida com o objetivo de aniquilar o maior número possível de zumbis. Columbus pega uma carona com o misterioso homem. Ao parar em uma mercearia, a dupla enfrenta três zumbis e encontram duas garotas, Wichita e sua irmã caçula Little Rock e esta já havia sido mordida por um zumbi, o que divide a opinião do grupo sobre o que fazer.
Muita ação e muito sangue. Percebi que Mike estava meio rígido e respirava com dificuldades em sua poltrona. Me virei para ele que sorriu debilmente e voltou a se concentrar no filme. Tanto ele como James havia sentado ao meu lado e se apoderado dos braços da minha poltrona. As mãos deles estavam ali, abertas, viradas para cima, em expectativa. A armadilha era evidente. Fechei a cara e mais que depressa cruzei os braços sobre o peito. Eles que cansassem de esperar, pois eu não ia segurar a mão de ninguém.
Cerca de uns quarenta minutos depois, Mike desistiu e afundou na sua poltrona, se encolhendo. O olhei curiosa, enquanto James sorria. Foi então que Mike gemeu e escondeu o rosto com as mãos.
— Mike, está tudo bem?
Questionei baixinho.
— Não... Não estou me sentindo bem Bella...
Pude ver o seu rosto banhado pelo suor e me preocupei. Ele se ergueu rapidamente e saiu correndo da sala. Eu levantei para ir atrás dele, mas James audaciosamente me segurou pelo braço.
— Deixe o cara ir Bella. Não é problema seu se ele tem o estômago fraco...
Aquela atitude possessiva comigo e de descaso com o Mike me irritou.
— Fique aí você. Eu vou ver como ele está.
Dei as costas e saí, mas pude ouvir James praguejar baixinho e senti os seus passos me seguindo. Lá fora eu corri meus olhos pelo saguão e nem sinal do Mike. Me voltei para o James.
— Será que você pode ir até o banheiro masculino ver se ele está bem?
Ele assentiu e desapareceu pela porta do banheiro, voltando minutos depois e me encontrando sentada na escadaria. Ele se aproximou e sentou ao meu lado.
— O cara está botando as tripas para fora princesa.
— Coitado. Ele deve estar doente...
Sem que eu esperasse, James pegou minha mão com a sua e a segurou.
— Ele não serve pra você Bella. Esse tal de Mike é um molenga, um menino. E você precisa de um homem de verdade ao seu lado.
Fechei os olhos por um momento. Eu já tinha encontrado esse homem, mas infelizmente ele não sentia o mesmo por mim. Cabelos acobreados e revoltos, olhos verdes penetrantes e um sorriso lindo, de derreter qualquer coração. Senti meus olhos se encherem de lágrimas e James continuou...
— Olha Bella, eu sei que você mal me conhece, mas se me der uma chance... Eu realmente gostaria de te conhecer melhor.
— James...
— Eu sei que tá rolando alguma coisa entre você e o Edward.
Aproveitei a deixa e puxei minha mão.
— Minha relação com o Edward não é da sua conta. E saiba que ele é muito importante para mim.
Era bom que ele entendesse de uma vez por todas que eu não estava disponível.
— Não me entenda mal Bella. Seja o que for que esteja rolando entre vocês eu respeito. Mas ninguém sabe o dia de amanhã e se vocês dois não derem certo, eu gostaria de sair com você. Gostei de você desde que te vi naquela festa. Sei ser paciente. Não tenho pressa. Só depende de você.
Por que aquilo me soava tão falso? Era como se ele quisese me passar uma imagem diferente do que ele era realmente. Não sei explicar direito. De repente um pigarro nos interrompeu.
— Ei, Mike. Está melhor?
— Não. Ainda me sinto péssimo!
Ele estava com uma aparência horrível e eu senti pena.
— Não é melhor irmos até o hospital?
— Acho que prefiro ir para casa, Bella...
Perdida nesses pensamentos, não percebi que o táxi havia parado e o motorista me observava curioso. Olhei em volta e percebi que havíamos chegado. Dei um sorriso amarelo e paguei a corrida, saltando logo depois. A casa estava escura, embora as luzes da varanda permanecessem acesas. Suspirei. Isso significava que Edward não estava em casa.
Vagarosamente caminhei pela entrada, subi os degraus, tirei a chave que ele havia me dado e abri a porta do lugar que tinha sido o meu lar nos últimos tempos... Onde será que ele estaria?
PDV Narrador.
Ao chegar a casa, Edward notou que Bella já havia chegado. As luzes da varanda estavam apagadas, mas a da sala permanecia acesa. Passando os dedos nervosamente pelos cabelos, ele tentou o celular de Emmett mais uma vez. Continuava desligado. Irritado, ele deu um soco no volante e se preparou para descer do carro e entrar na casa, certo de que teria mais uma noite terrível pela frente.
Enquanto isso em Forks...
— Tenha calma Jacob.
Falava Sam usando o bom senso.
— Como eu posso ter calma?! Minha noiva está desaparecida há um mês Sam!
Sam suspirou. Eles estavam estacionando o carro em frente a casa de Charlie naquele exato momento. Sem nem mesmo esperar que o amigo desligasse o motor, Jake saltou e correu para a porta, furioso.
— BAH, BAH, BAH!
— Já vai! Mas que pressa é essa?!
Perguntava Charlie do outro lado. Ele escancarou a porta e deu de cara com Jake e com Sam logo atrás. Charlie franziu a boca, torcendo o bigode. Por alguns segundos eles apenas se encararam sem nada dizer.
— Ela é minha noiva.
— É minha filha.
— Que tal entrarmos antes que os vizinhos comecem a bisbilhotar?
Sugeriu Sam apaziguador. Charlie suspirou e se afastou permitindo que os dois entrassem.
— Quer dizer que você vai para Tucson amanhã, Charlie?!
Acusou Jake. O homem mais velho o estudava com atenção. Jake sempre foi um bom garoto e ele teria incentivado e apoiado o namoro do mesmo com sua filha sem nem pensar duas vezes se ela nutrisse os mesmos sentimentos pelo rapaz. Mas o caso não era bem esse...
— Depois de amanhã Jake. Não consegui passagem para hoje nem para amanhã.
— Vou com você.
— Vou sozinho.
— Não estou perguntando se quer que eu vá com você Charlie. Eu vou e está decidido!
Charlie se voltou para Sam, que ergueu as mãos em sinal de derrota.
— E se ela fez isso para fugir desse noivado absurdo de vocês Jake? Já parou para pensar nisso? Sim, pois Bella sumiu três dias depois de aceitar ser sua noiva.
Jacob o olhou com rancor.
— Bella não é covarde Charlie.
— Eu sei que não, mas também sei muito bem do que Renée é capaz! Ela manipula as pessoas ao seu bel prazer. E garanto que ela está metida até o pescoço na história desse noivado de vocês!
— E qual é o problema, posso saber?!
— Acalme-se Jacob!
Esbravejou Sam.
— Charlie sempre foi o melhor amigo do seu pai, mano! Ele não é seu inimigo. Nunca foi!
Olhando para Sam, Charlie suspirou.
— Jake, eu sei que você ama Bella desde menino. Mas ela nunca correspondeu a esse sentimento. Todos nós sabemos disso.
Jacob fechou os olhos tentando esconder a dor que aquelas palavras lhe causavam. Charlie continuou.
— Eu faria o maior gosto nesse casamento se ela amasse você da mesma forma, afinal eu conheço você desde sempre e o seu pai é o meu melhor amigo. Vocês são praticamente da nossa família.
Jacob engoliu em seco e fitou o homem mais velho, que continuou com o seu discurso.
— Mas eu conheço a minha menina. Bella ama você como um irmão e não como homem. Por isso eu não fui logo atrás dela quando sumiu, pois sinceramente achei que minha filha estava tentando dar um tempo e organizar as idéias antes de voltar. Antes de vir até aqui e enfrentar você e essa situação.
— E Renée?
Questionou Jake. Pois sabia que a mãe de Bella era sua grande aliada.
— Ela ligou ontem da Europa querendo saber notícias de Bella e ficou histérica quando eu contei.
Jacob arregalou os olhos.
— Quer dizer que ela não sabia de nada?
Charlie balançou a cabeça confirmando.
— Ela perdeu o celular em Milão e comprou outro por lá. Não havia como eu entrar em contato com ela sem saber o novo número.
Sam aproveitou o momento e interferiu.
— Foi por isso mano que nós não te deixamos viajar...
Jake riu amargo.
— Vocês fizeram mil e uma manobras, usaram todas as artimanhas possíveis para evitar que eu fosse até Tucson. Mas isso acabou. Agora eu vou. De qualquer jeito. E não ousem tentar me impedir!
O homem mais velho assentiu e coçou o bigode.
— Tudo bem Jake, mas trate de conseguir uma passagem, pois eu passei uma semana aguardando na fila de espera.
— Isso não será problema. A galeria tem um contrato especial com a Fly Tour. A que horas você vai para o aeroporto de Whashigton?
— Depois da meia noite.
Respondeu Charlie.
— Estarei aqui.
Charlie concordou e os dois amigos se despediram e partiram para a reserva.
Notas finais
Bem so lendo pra saber nê. então até terça.
beijos
Kiki
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