Nebulosa
23 Capítulo 23 – Madrugada.
Notas iniciais
Boa leitura para vocês.
PDV. Edward Cullen.
Eu apertava a direção com tanta força que seria capaz de quebrar em mil pedaços. Iria fazer uma promessa a mim mesmo... Nunca mais eu ia à droga de festa nenhuma! Especialmente se algum Cullen estivesse metido na porcaria da festa! Mas que inferno! Rose e Emmett brigando todo o tempo... Mike pirralho Newton e James galinha Smith dando em cima de Isabella... Victória dando em cima de Emmett... Tyler dando uma de bobo com Isabella, ou melhor, deixando a mão boba na cintura dela... Era a onda do se colar colou! Eu conhecia bem demais aquelas manhas...
Suspirei. A noite tinha sido um desastre! Jared fazendo besteira em cima de besteira, Jane oferecida me beijando na frente de todo mundo e Emmett detonando com a festa da nossa irmã! Ele tinha bebido tanto que resolveu se exibir como um adolescente irresponsável. Nem imagino o que passava pela cabeça do gorila naquela hora!
O que mais faltava acontecer?! Nada! Isso era o que eu pensava, até ver James encostado em seu carro, encarando a mim e a Bella. O ressentimento estava estampado em seus olhos e para minha surpresa, o sentimento era recíproco. Eu e minha grande boca! Desviei meus olhos e olhei para frente. Aquele magrelo narigudo metido a garanhão não perdia por esperar. Ele não teria Isabella de jeito nenhum! Meti o pé no acelerador e antes de chegar à esquina eu já havia atingido mais de cem quilômetros por hora.
Respirei fundo tentando me acalmar e olhei para ela...
— Fique longe do James, — eu disse com os dentes trincados.
Ela ergueu as sobrancelhas surpresa e levantou o queixo, me olhando com raiva.
— Você sabia que existe a palavra “por favor” Edward?
— Sério? Acho que não consta do meu dicionário, — falei irônico.
— Quem sabe eu não possa te dar um dicionário decente de presente?!
Respondeu me enfrentando. Que raio de mulher teimosa! Respirei fundo várias vezes agora.
— Ele não presta Isabella! Servimos juntos no exército e as mulheres para ele são como roupas... Trocam-se todos os dias.
Ela olhou para a estrada antes de continuar.
— Você me recebeu em sua casa Edward e eu sou muito grata, mas que fique bem claro: você não manda em mim!
— Mas que droga! Você não vê que eu só estou querendo te ajudar mulher?!
Falei exasperado. Ela ia acabar me tirando do sério!
— Bom, em primeiro lugar eu não acho que estou em uma situação confortável para me envolver com alguém, pois sequer me lembro do meu próprio nome. Em segundo lugar, obrigada pelo aviso, mas acho que posso me virar muito bem sozinha. E em terceiro lugar...
Mulherzinha atrevida! Não deixei que ela completasse a frase. Puxei o carro com tudo e parei bruscamente no acostamento da estrada, puxando-a para os meus braços. Eu tinha que provar aqueles lábios, aquela boca macia e convidativa. Nós nem sequer tínhamos dançado juntos naquela droga de festa e eu tinha acabado de atingir meu limite.
Beijamos-nos com paixão. O prazer e o calor que emanavam do corpo dela enlouqueciam o meu. Invadi a sua boca e nossas línguas dançaram e se acariciaram sensualmente por longos minutos. Eu estava perdido. Completamente perdido. Tentei me concentrar na realidade e fui afastando-a de mim, que me segurou com força, impedindo que eu me afastasse.
— Eu não mordo, — ela disse com os lábios a centímetros dos meus.
“Mas se quiser pode me morder todinho” eu quase falei.
— Bella...
Ela era um enigma para mim.
— Edward...
— Adoro quando você diz o meu nome...
Ela suspirou.
— Foi você quem começou!
— Nós estamos brincando com fogo...
Ela ergueu o queixo novamente.
— E se eu quiser me queimar Edward?
Aquilo era uma mulher ou o que? Ela queria me matar falando coisas daquele tipo? Já não era tortura suficiente a presença dela constantemente na minha vida? Eu juro que se ela continuasse assim eu sucumbiria!
— O que foi caipira?
Estreitei os olhos.
— Do que você me chamou?
Ela sorriu e mordeu os lábios tentadores.
— Caipira.
Olhei naqueles olhos lindos, escuros e misteriosos e abri a minha boca...
— Nebulosa.
Agora foi a vez de ela me olhar com desconfiança.
— Do que você me chamou?
Balancei a cabeça divertido.
— O que eu ganho se eu te falar?
Disse tentando ganhar tempo.
— Não acha que eu tenho o direito de saber?
Ela disse tentando se afastar, mas agora fui eu que não permiti. Puxei-a mais para mim, colando nossos corpos, adorando sentir a corrente elétrica que havia se formado mais uma vez.
— Está me provocando?
Falei com o meu hálito roçando no seu rosto. Ela fechou os olhos e engoliu em seco.
— Co.. como assim? Não estou entendendo...
Aquele joguinho de gato e rato eu sabia jogar muito bem...
— Está fazendo propaganda de algum creme corporal ou vestiu essa roupa apenas para me enlouquecer?
— Foi idéia da Alice.
Falou na defensiva.
— E você não poderia ter recusado? Tinha que deixar parte da barriga de fora? Tinha que ficar se exibindo, se mostrando?
Ela umedeceu os lábios com a língua num gesto lânguido e muito sexy. Meu membro vibrou.
— Eu...
Ela estava sem ação.
— Você o que?
Eu insisti. Ela estava aninhada nos meus braços, e eu aproveitei para apertá-la mais, como se nunca fosse deixá-la sair. Eu estava pegando fogo. Meu corpo ardia. A minha vontade era deslizar a minha língua por todo aquele pescocinho e provar cada pedaço daquela mulher.
Ela suspirou e colocou nossas bocas novamente. Eu gemi por entre o beijo e ela se ergueu vindo sentar no meu colo. Nebulosa... Feiticeira de uma figa... ela estava me levando a loucura.
— Não diga mais nada Edward, — ela falava por entre o beijo.
— Bella...
— Apenas me beije. Por favor, me beije...
Mandei o bom senso que me restava pro esgoto quando ouvi ela soltar um gemido rouco e abafado. O seu perfume invadiu minhas narinas e nublou completamente os meus sentidos. Incapaz de racionar e dominado por sensações intensas que o corpo de Isabella despertava no meu, a segurei pelos quadris e esfreguei sua feminilidade no meu membro que latejava pulsante dentro da calça.
— Oh, droga, o que você está fazendo comigo Isabella?
Eu disse com os lábios colados em sua boca carnuda. Ela gemeu mais uma vez e eu me deixei enredar naquela doce e perigosa armadilha... Ninguém melhor do que eu sabia o quanto uma mulher pode causar danos... feridas que muitas vezes demoraram anos para cicatrizar, outras que ainda não haviam cicatrizado... , mas eu simplesmente não conseguia resistir e me deixei levar naquele mar de sensações arrebatadoras e intensas...
Dominada pelos sentidos ela entreabriu os lábios me chamando. A minha língua buscou a sua com avidez e Bella sem se dar conta começou a friccionar seu corpo em mim. Eu tinha plena consciência de que tudo aquilo era uma loucura, mas queria mais do que nunca tê-la sob o meu corpo novamente. A minha excitação estava totalmente insuportável.
Foi exatamente nesse momento que uma caminhonete cheia de jovens barulhentos e latas de cerveja, passaram bem devagar por nós...
— Fiu-fiu!
— Mandar ver compadre!
— Pararam por quê?! Eu quero mais!
— O show tá maravilhoso, viu?
Moleques atrevidos! Eu enrijeci e Bella também. Os garotos gritavam e jogavam as latas de cerveja no asfalto. Ela permaneceu o tempo inteiro de cabeça baixa, rubra de vergonha e se recusando a me encarar. Meu semblante fechou. Meus olhos escureceram pela raiva. Eu olhei para aquele bando de irresponsáveis com uma cara que faria até os meus antigos inimigos militares se borrarem de medo. Eles aceleraram o carro disparando em alta velocidade.
Suspirei. Edward Cullen, veterano do exército americano, amplamente condecorado, líder do pelotão de operações especiais no Iraque, dando showzinho de amassos na beira de uma estrada deserta às três da manhã... Eu mereço!
— Edward...
Ela me olhava envergonhada e insegura.
— Não me olhe desse jeito, — pedi baixinho.
— Por quê? Você me deixa confusa...
Segurei o seu rosto delicado em minhas mãos e afastei uma mecha de seus cabelos, colocando para trás de sua orelha.
— Sabe que estamos entrando num caminho sem volta.
— Edward...
Ela me fitava e eu vi o medo em seus olhos.
— É parar agora ou nunca Bella. Estamos entrando num beco sem saída e também não acho que você queira servir de chacota para um bando de adolescentes bêbados, sendo possuída no banco dessa caminhonete.
A sua postura mudou na hora em que eu proferi essas palavras. Ela se afastou, saindo do meu colo e virando o rosto para janela. Eu sabia que a tinha magoado e faria qualquer coisa para amenizar a dor que ela estava sentindo. Era como se eu a estivesse rejeitando, mas por mais que eu quisesse dizer alguma coisa, as palavras não saíam. Minha mente trabalhava frenética, mas eu não encontrava nada para falar. Ela me fitou e vi nitidamente a rejeição em seus olhos. Engoli em seco.
— Você tem toda razão. É melhor pararmos por aqui, para evitar constrangimentos depois...
Contei até dez. Eu sabia que o que ela dizia era o certo, mas no fundo a decepção tomava conta de todo o meu ser. O silêncio imperou naquele pequeno ambiente e eu levei a mão até a chave, dando partida novamente e me dirigindo para casa. Do lado de fora os sons e barulhos da noite enchiam a atmosfera. Isabella permanecia com as mãos cruzadas sobre o seu colo, fitando a paisagem. Senti a tensão começar a crescer. Meu corpo ardia de desejo e o meu coração batia descompassado... eu achava que a qualquer momento Bella poderia ouvir...
— Bella...
Ela balançou a cabeça sem me encarar.
— Agora não Edward.
Como eu gostaria de tomá-la nos braços outra vez... Naquele momento, meu irmão roncou alto no banco traseiro e nós dois rimos, sendo pegos de surpresa. Por alguns instantes, eu esqueci completamente que não estávamos sozinhos... Até que para alguma coisa o gorila serviu, pois a enorme tensão entre eu e minha hóspede parecia ter sido dissipada, pelo menos por enquanto.
PDV Isabella Swan.
Eu sabia que ele estava certo. Sabia que não podia me envolver com ninguém enquanto não recuperasse a minha memória. Sabia que não era justo nem com ele e nem comigo... Então por que doía tanto, droga?! Por que eu me sentia abandonada, rejeitada, triste e sozinha? Por quê? Balancei a cabeça tentando entender, mas não consegui.
As palavras de Edward ecoavam na minha mente e eu tremia só em pensar no que teria acontecido se aquele bando de adolescentes tivessem aparecido dez ou quinze minutos mais tarde... nós estaríamos fazendo amor... E o pior, com Emmett adormecido logo atrás de nós! Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas não podia deixar aquela loucura dominar minha vida que já estava literalmente de pernas para o ar.
Eu tinha de reagir! Eu precisava fazer alguma coisa. E foi com esses pensamentos que do nada veio a minha mente a imagem de uma cozinha ampla e arejada, com azulejos de flores amarelas e armários amarelos e brancos...
Aproveitei o instante e corri os olhos pelo ambiente tentando me fixar em alguma coisa, mas tão rápida como veio à lembrança fugaz foi embora, me deixando mais uma vez perdida, frustrada e sem rumo.
Eu estava com os nervos à flor da pele. O que aquela visão significava? Que cozinha era aquela? Da minha casa? Da casa dos meus pais? Ou de algum outro lugar? Com certeza aquele local era importante para mim. Meus olhos estavam arregalados de assombro e parecia que o meu cérebro ia fundir.
Onde estariam os meus pais? Será que estavam vivos? A tensão era tão grande que ameaçava me engolir. Eu estava sufocando num misto de ansiedade e desespero. Por mais que eu tentasse esquecer os problemas, eles sempre tornavam a aparecer. Não adiantava jogar a sujeira para baixo do tapete, pois ela só iria acumular e mais dia menos dia, estaria espalhada novamente. Embora a sujeira nesse caso fosse a minha perda de memória. Respirei profundamente.
Nada podia me ajudar nesse momento. Nada mais tinha importância agora... Eu precisava recuperar a minha memória e me afastar de Tucson e de Edward o quanto antes... Eu sabia que não teria forças para enfrentar a situação se a amnésia se tornasse uma condição permanente, se eu esquecesse as minhas origens para sempre.
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