Nebulosa
9 Capítulo 9 - Doce convívio.
Notas iniciais
uma boa leitura para vocês.
Depois de alguns segundos ela desviou os olhos do meu rosto e percorreu todo o ambiente agradável e acolhedor e eu sabia que ela havia gostado. Sorri intimamente diante da sua aprovação.
— É lindo aqui, Edward.
Ela disse enquanto pegava o menu.
— Que bom que gostou, — falei.
— É muito agradável... E o cheiro... Hum... É simplesmente delicioso.
Concordei. Além do acidente e da atração fulminante, era outra coisa que tínhamos em comum.
— Eu amo esse lugar. Venho aqui quando eu preciso ficar longe das pessoas da cidade, — eu acrescentei, nem mesmo precisando olhar para o meu próprio menu, pois já sabia o que iria pedir.
— Eles têm massas caseiras maravilhosas.
Ela balançou a cabeça, sorrindo.
— Eu não sei do que eu gosto, então prefiro que você escolha por mim
.
Aqueles olhos... Nebulosa... Eu me perdi neles por alguns segundos antes de responder.
— Espaguete com molho de vitela é um dos meus preferidos, — eu falei e ela concordou.
A conversa fluiu suave até que os nossos pedidos chegaram e comemos em silêncio, desfrutando naquele momento um da companhia do outro.
PDV Isabella Swan.
Assim que acordei me arrastei até o banheiro. Olhei no espelho e eu estava horrível... Os cabelos desgrenhados, os olhos inchados, minha cara amassada e olheiras profundas e escuras. Com certeza um espantalho no meio de um campo de milho estaria com uma aparência melhor que a minha. Fiz uma careta de reprovação e entrei no chuveiro esperando que pelo menos um bom banho me ajudasse a relaxar...
Minutos depois, revigorada pela água fria, eu voltei ao quarto abrindo as sacolas de roupas que Alice havia me dado... Arregalei os olhos em choque. As roupas eram lindas e caras, pelo visto. Ela tinha colocado de tudo... Até roupas íntimas, produtos de higiene e maquiagem... Me dirigi novamente ao banheiro para escovar os dentes. Agradeceria a Alice outra vez quando a encontrasse.
Sequei os cabelos com uma toalha e me vesti, colocando um vestido leve rosa, meio curtinho e uma jaqueta bege por cima. Não precisaria de sutiã por isso não vesti. Calcei sapatilhas baixas e saí do quarto, ouvindo o barulho da louça sendo lavada na cozinha. Andei silenciosamente e parei embevecida ao avistar Edward de costas para mim, absorvido na tarefa que executava.
Ele estava lindo... A calça desbotada e surrada destacava suas pernas másculas e o seu bumbum rijo. A camisa de malha colava-se aos músculos bem delineados de suas costas... Meu coração disparou em meu peito e eu fechei os olhos por um instante. Depois de ontem à noite, a última coisa que eu precisava agora era que ele me visse com essa “fome” no olhar...
Me acalmei e o chamei. Ele se enrijeceu ao me ouvir, pois distraído, não percebeu a minha aproximação.
Enquanto ele terminava de lavar a louça, eu fiz café e sentamos para comer. Ele desculpou-se por ter apenas frutas e café, mas pra mim aquilo já estava muito bom. Eu não tinha um centavo sequer para comprar nada e ele estava me dando abrigo, sua irmã roupas e seu irmão, assistência médica. Era muito mais do que uma pessoa na minha situação poderia sonhar...
Então ele falou que sairia e eu gelei. A sensação de pânico ameaçava me dominar... Eu não queria ficar sozinha de jeito nenhum. Era um medo irracional e idiota, mas eu não podia controlar. Então perguntei se podia ir junto e ele, surpreso concordou. Senti um enorme alívio... Não tinha lógica mais eu confiava cegamente nesse homem.
No carro o silêncio estava pesado e era quase palpável a tensão entre nós, mas ele ligou o rádio e a música suave encheu a cabine da caminhonete. Eu gostava das melodias, mas ele não, pois ficava mudando de estação todo o tempo irritado, até que ele parou numa onde eu sem querer comecei a cantarolar a música. Ela era vagamente familiar e eu descobri que sabia toda a letra. Abri minha boca e fechei os olhos acompanhando a canção...
Instantes depois, Edward desligou o rádio e eu o encarei sem saber o motivo, mas ele simplesmente deu de ombros. O que ele tinha contra uma boa música?! Sacudi a cabeça... Homens... Vai entender!
Chegamos a um pequeno mercado local e descemos, onde eu conheci Rosalie, a esposa de Emmett, que demonstrou uma verdadeira preocupação com Edward. Ela era linda, deslumbrante, uma deusa da beleza... Loira, cabelos longos e um corpo de dar inveja a qualquer mulher...
Me senti uma coisinha sem graça e insignificante perto dela. E quando ela abraçou Edward... Deus! Eu fui invadida por uma raiva descomunal. Eu queria matar a sujeita! Engoli em seco tentando controlar aquela reação absurda, apertando minhas mãos com força... Mas ao saber que era a esposa do irmão dele, a minha raiva foi embora e eu me senti uma perfeita idiota!
Ela me cumprimentou e foi muito simpática. Fomos até ao balcão, Edward segurando na minha mão e os choques e as fagulhas transpassando em minha pele. Soltei a mão e me afastei um pouco, indo olhar os produtos ali disponíveis... Eu não pensava com clareza quando ele me tocava... Virava uma pomba lesa, por isso me afastei um pouco...
De repente uma marca de shampoo me chamou a atenção e eu me baixei para pegar. Abri o franco e cheirei... Muito familiar... Meu coração deu um salto e eu li o rótulo, entusiasmada... Aroma de morangos... Eu sabia que era o meu preferido, só não sabia explicar como cheguei até aquela conclusão. Suspirei. Era tão ruim não conseguir lembrar de nada...
Tentando afastar esses pensamentos deprimentes, chamei-o para mostrar a minha descoberta e ele veio na mesma hora, sorrindo. Constrangida, perguntei se poderia levar e ele disse que sim... Era péssimo ter que depender dele, mas no momento não me restava outra escolha.
Fomos até o balcão e um rapaz jovem se aproximou. Acho que ele tem mais ou menos a mesma idade que eu, mas como não lembro a minha idade... Ele era bonito... Cabelos loiros, olhos azuis, uma carinha de menino... Ele se apresentou como Mike e foi super simpático. Eu gostei dele, mas senti que alguma coisa incomodou Edward. Ele passou o braço pela minha cintura e os choques recomeçaram... O que era aquilo afinal???
Depois de pagar as compras, voltamos para o carro e demos uma volta pela cidade... Eu sabia que aquela era uma tentativa de fazer a minha memória voltar, mas foi em vão. Em seguida ele me trouxe a um restaurante simpático e acolhedor e eu me vi olhando a boca máscula e querendo sentir os seus lábios sobre os meus... Uma idéia maluca, mas eu não pude evitar. Edward exalava masculinidade por todos os poros... Foco Bella! Sua situação já está ruim, quer que piore ainda mais?! Eu me recriminei mentalmente.
E agora estávamos acabando de nos deliciar com uma maravilhosa refeição, enquanto minha cabeça fervilhava repleta de perguntas...
— Edward...
— Quer mais alguma coisa?
Eu sorri.
— Não obrigada. Estou satisfeita.
— Gostou?
— Acho que não preciso responder..., — eu falei indicando o prato que estava vazio.
— Fico feliz. Achei melhor almoçarmos por aqui, pois não havia nada pronto na fazenda.
Eu concordei e soltei a bomba.
— Você acha que eu sou casada?
Ele me olhou confuso.
— Por que está me perguntando isso?
Suspirei.
— Eu não sei. A minha cabeça está fervendo com um milhão de perguntas e possibilidades e...
Ele me interrompeu, segurando aminha mão por cima da mesa e os arrepios recomeçaram, mas eu me esforcei para ignorar ou iria pular por cima da mesa e sentar no colo dele.
— Ei, tente ficar calma, ok? Eu sei que não deve ser fácil, mas procure viver um dia de cada vez... Hoje você já recordou o shampoo e foi muito bom... Não se esforce demais ou vai acabar piorando.
— Certo, mas você não me respondeu.
— Não, eu não acho que você seja casada ou noiva. Você não tinha nenhuma aliança em seus dedos.
Aquilo era um grande alívio.
— Será que eu tenho um namorado?
Vi que ele cerrou o maxilar e me fitou sério.
— Não tenho como responder a essa pergunta.
Claro, eu sabia. Era ridículo falar sobre aquilo com ele, quando nos conhecíamos há tão pouco tempo, mas eu tinha que falar com alguém.
— E você?
— Eu o que? – Ele questionou.
— Já foi casado?
Percebi que ele prendeu a respiração e ficou claramente desconfortável.
— Não eu nunca me casei, — falou contrariado.
— Por quê?
Ele me olhou com reservas. Seus lindos olhos verdes se mostravam vazios e sem emoção.
— Eu diria que isso não é da sua conta...
Ele falou e deu um pigarro na hora em que a conta chegou. Eu olhei pra baixo e procurei um buraco para me enfiar... Ele tinha toda razão. Me levantei apressadamente e falei aos tropeços...
— Me desculpe você está certo. Eu te espero no carro.
— Bella...
Ele falou, mas eu me afastei quase correndo. Uma insegurança enorme tomava conta de mim. Eu não tinha ninguém para conversar, apenas ele... As dúvidas e incertezas gritavam sem parar na minha mente e uma pergunta simples que eu fazia, ele reagia dessa forma...
Cruzei os braços sobre o peito emburrada e pelo canto do olho vi quando ele chegou perto de mim.
— Escute, eu não tinha intenção de magoar você...
— Esqueça, — falei friamente.
Ele revirou os olhos e antes que abrisse a boca eu o interrompi.
— Eu fui indelicada em querer saber detalhes da sua vida particular. Me desculpe por isso ok.
Ele abriu a porta da caminhonete e eu entrei. Quando se acomodou no banco do motorista, falou.
— Eu morei com alguém durante um tempo, mas não deu certo. Foi com ela que eu pensei em me casar... Mas tudo isso é passado e eu realmente estou disposto a ajudar você Bella, mas esse é um assunto que só diz respeito a mim. Então eu agradeço se você não voltar a falar sobre isso de novo.
Eu concordei com a cabeça e virei o rosto para a janela. Não trocamos mais nenhuma palavra a te chegarmos à fazenda. Com certeza o nosso convívio seria doce e ao mesmo tempo amargo.
Quando chegamos a Masen havia um porsche amarelo reluzente estacionado na frente da casa e Alice e um rapaz alto, loiro e bonito estavam confortavelmente sentados nas cadeiras da varanda.
— O que estão fazendo aqui?
Edward perguntou, saltando do carro.
— Boa tarde para você também meu irmão!
Ela falou irônica, enquanto o rapaz sorria e me olhava de cima abaixo.
— As roupas ficaram ótimas em você, Isabella.
— Obrigada Alice por tudo. E me chame de Bella, por favor.
Ela sorriu e veio me dar um abraço enquanto o rapaz se adiantava e ajudava Edward a retirar as compras e levar para dentro.
— Jasper.
— Edward.
— Bella esse é Jasper, meu namorado, — Alice falou.
— É um prazer conhecê-la Bella, — ele disse com um sorriso cativante.
— Obrigada. O prazer é meu.
Ele era muito bonito só não era mais bonito que o Edward, mais parecia um felino quando andava com passos decididos. Tinha cabelos loiros crespos, olhos azuis penetrantes e um lindo sorriso. Era bem mais alto que Alice. Praticamente da mesma altura de Edward. Eles entraram com as compras e nós seguimos atrás deles.
Depois de ter guardado tudo na cozinha, Edward pediu licença e disse que precisava ver os cavalos. Jasper adiantou-se e foi com ele, me deixando na casa com Alice.
— Obrigada mais uma vez Alice, — falei.
— Por quê?
Ela perguntou arqueando as sobrancelhas.
— Por ter providenciado tudo pra mim... até mesmo produtos de higiene, maquiagem... Eu não sei como te agradecer, — falei sentindo os meus olhos arderem com as lágrimas.
— Não tem que me agradecer Bella. Foi um prazer ajudar, — ela disse com um sorriso sincero em seu rosto.
— Mas eu não quero ver você chorando por isso, tudo bem?
Assenti e mudei de assunto.
— Alice você pode me ajudar?
Ela me olhou com surpresa.
— Claro Bella! Do que você precisa?
Olhei ao redor e ela me acompanhou suspirando.
— Edward não é muito organizado mesmo...
— E eu quero ajudar de alguma forma. Ele me acolheu aqui, está me dando um teto, comida... Até umas coisas, que eu quis comprar hoje de manhã, ele comprou Alice. Eu me sinto péssima com tudo isso! Eu não tenho um centavo sequer, mas tenho que retribuir de alguma forma...
— Ei, Bella. Tenha calma... Eu já entendi o que você quer fazer e acho uma ótima idéia, mas você tem que se acalmar. Emmett me disse que repouso, paz e tranqüilidade são o que você precisa para que a sua memória volte. Se você ficar sob estresse constante, ela pode demorar bem mais tempo para se reestabelecer...
— É que não é fácil Alice, — eu falei.
— Eu sei querida. E agora vamos dar um jeito nessa zorra que o meu irmão deixou em toda a casa...
Sorri e juntas começamos a arrumar tudo. A casa precisava de uma verdadeira faxina. Juntamos as roupas que estavam espalhadas... Tinha até uma meia, embaixo da geladeira. Empilhamos os papéis e colocamos sobre a mesa de centro, bem como as contas e correspondências, e em seguida varremos o corredor, a sala e a cozinha, tiramos também a poeira dos móveis e colocamos a roupa suja na máquina. Primeiro os panos e toalhas de prato. Depois a roupa de Edward que estava acumulada em um cesto de roupas sujas e já caía pelo chão da área de serviço. Estendemos tudo e estávamos acabando quando a porta da frente abriu e os dois entraram.
Edward nos encarou surpreso e satisfeito, quando viu tudo limpo e organizado. Agradeceu e foi ao seu quarto para tomar um banho. Jasper desabou no sofá, cansado pelas exaustivas tarefas que os cuidados com cavalos exigiam e Alice sugeriu que eu também fosse tomar um banho, pois ela iria pedir uma pizza para que nós quatro pudéssemos jantar. Então eu sorri para minha mais nova amiga e me retirei, afinal meu estômago começava a dar claros sinais de que precisava comer.
Notas finais
Beijocas
KIki
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