Nebulosa

7 Capítulo 7 - A Primeira Noite


Notas iniciais
Olá garotas sei que falei que postaria na sexta, mais não deu. prometo que tentarei não atrasar mais.

PDV Edward Cullen.

Suspirei olhando para a mulher ao meu lado. Sem dúvida, eu estava com um parafuso solto dentro da cabeça... Não havia outra explicação, eu tinha enlouquecido de vez. Que idéia infeliz foi aquela de trazer essa desconhecida sexy, misteriosa e atraente para minha casa? Alguma coisa tinha destrambelhado a minha cabeça com o acidente, só pode. Eu nunca agi dessa forma antes, me deixando levar apenas por um impulso forte e lascivo.

Mas a verdade é que eu sentia pena dela... Ela estava sozinha, com amnésia e assustada pra caramba. Fechei os olhos ao pensar nisso e suspirei... A quem você quer enganar hein, Edward? A pergunta piscava sem parar na minha mente... Se fosse uma velhinha desmemoriada ou um marmanjo, você os traria para casa também?! Rolei os olhos diante daquele fato... É claro que não. Porra! Eu tinha provado a sua boca, e ela era demais. Macia, carnuda, gostosa... Ela era tão sexy, que chegava a ser desconcertante... E o pior era que parecia não se dar conta disso. Tremendamente desejável... Mas nada, nada mesmo justificava aquela minha atitude impensada.

Jesus Cristo. Eu estava ferrado. Eu estava procurando sarna para me coçar desde que a segui até aquele apertado banheiro no ônibus e entrei atrás dela. Onze meses. Onze meses sem mulher... Era por isso eu estava excitado daquele jeito... Eu a queria demais. Eu a queria mais do que qualquer mulher que eu já vi. Mais até do que Jéssica. O grande problema era que eu não queria me envolver com ninguém nunca mais, mas o meu corpo, e especialmente meu pênis, não pensavam assim... Gemi. Eu estava numa enrascada sem tamanho... Em todos os meus 29 anos, eu nunca encontrei alguém que mexesse tanto comigo como ela... Isabella Swan.

Só percebi que havíamos chegado à fazenda quando o táxi parou, me trazendo de volta ao mundo real. Agora não adiantava reclamar... Eu simplesmente não poderia voltar atrás...

Tirei a carteira do bolso e entreguei o dinheiro ao motorista. Saltei primeiro, ajudando-a a descer em seguida e pegando as sacolas com as roupas. Ela não me encarava. Parecia constrangida e olhava fixamente para os próprios pés. O que ela estaria pensando? Como eu gostaria de poder ler a sua mente...

Resolvi quebrar o silêncio.

— Bom, chegamos.

Ela ergueu a cabeça e me fitou com aqueles incríveis olhos castanhos... Como alguém poderia querer ter olhos claros, quando lindos olhos escuros pareciam esconder tantos segredos e mistérios? Nebulosa... Era a única palavra que vinha a minha mente para descrever aquela mulher. Ela me fitava e eu pude ver nitidamente o receio em seus olhos. Inconscientemente Bella mordeu o lábio inferior e um simples e inocente gesto quase me levou a perder a cabeça e tomá-la nos braços ali mesmo... Aquela reação me deixava envergonhado, e porra! Eu tinha que me controlar... Pelo meu próprio bem e pelo bem de Isabella.

— O que foi?

Perguntei olhando-a fixamente.

— Eu não sei...

Ela respondeu a beira das lágrimas novamente. Vê-la daquela forma me doeu. Meu coração se apertou no meu peito.

— Bella... Não fique assim...

Falei ainda no meu lugar. Queria confortá-la, abraçá-la, mas não era o momento. Eu estava muito excitado... Não seria prudente. Droga!

— Me desculpe, Edward... É que eu estou me sentindo muito sozinha e com medo. Não dá pra evitar, — ela falou levando as mãos delicadas ao rosto e secando as lágrimas.

— Não chore, vamos. Você está se saindo muito bem, acredite!

Falei imprimindo à minha voz toda ternura que eu sentia por ela naquele momento.

— Você acha mesmo?

Perguntou insegura e eu assenti.

— Vamos entrar. Você deve estar congelando com esse vento frio aqui fora.

Ela apenas concordou com a cabeça e desviou os olhos para um ponto qualquer na noite escura.

Coloquei as sacolas no chão e peguei a chave no bolso da calça, abrindo a porta e me afastando para que ela entrasse. Bella entrou e eu segui logo atrás, acendendo a luz. Ela piscou um pouco até se acostumar com a claridade do ambiente. Voltei para fechar a porta e um pensamento inundou a minha mente... A casa estava uma zorra total. Eu não recebia quase ninguém e não me preocupei em arrumar absolutamente nada antes de ir a Phoenix. Engoli em seco diante do que ela poderia estar pensando...

— Bom você vai ter que me desculpar, mas eu não esperava receber hóspedes aqui em casa...

Falei dando um meio sorriso amarelo e sem graça, correndo os olhos pela bagunça... Havia roupas no chão e no sofá, um monte de papéis espalhados desorganizados e jogados sobre a mesa de centro... Um par de botas desgastados, caído displicentemente na entrada na cozinha e um chapéu meu antigo largado sobre o tapete... Senti um aperto no meu estômago. Realmente ela teria uma ótima primeira impressão... Para o meu consolo, os quartos se encontravam impecavelmente limpos e arrumados.

Ela corria os olhos pelo ambiente sem dizer nada.

— Espero que não se incomode com a bagunça Bella.

Que constrangimento da porra! Ela suspirou e me deu um tímido sorriso.

— Não se preocupe comigo Edward. Você já fez demais por mim. Onde eu vou dormir?

— Venha comigo, — falei e ela me seguiu pelo corredor.

Parei em frente à porta onde era o meu quarto e de Emmett quando crianças e abri. Aquele cômodo me trazia muitas lembranças...

— Você pode se acomodar aqui Bella.

Ela entrou e virou para mim sorrindo.

— Aqui está ótimo, obrigada.

O ambiente era simples, mas aconchegante, com duas camas de solteirão, uma mesinha de cabeceira entre elas, uma cômoda com um grande espelho sobre ela, posicionada em frente às camas e um guarda roupas no canto da parede. Móveis escuros e rústicos que combinavam perfeitamente com a atmosfera do campo. E também tinha um banheiro privativo.

— Se precisar de lençóis e toalhas limpos, encontrará ali na cômoda. Qualquer outra coisa pode me chamar... O meu quarto é no fim do corredor. Agora eu vou tomar um banho, porque estou exausto.

— Pode ir. Eu vou ficar bem.

— Ok. Depois eu volto para que possamos ir comer alguma coisa.

Disse aquilo a saí indo para o meu quarto. Mas eu me sentia péssimo por ter de deixá-la sozinha, mas não havia outro jeito.

PDV Isabella Swan

Fiquei observando Edward sair e a porta se fechar, então acendi o abajur em cima da mesinha de cabeceira e fui até a cama, me deitando. Eu sabia que precisava me alimentar, mas não tinha fome. Na verdade o meu estômago ainda estava meio embrulhado. Não estava cansada, mas o meu corpo todo doía e devido aos analgésicos que eu havia tomado no hospital, eu sabia que o sono não tardaria a chegar.

Por mais que eu tentasse não pensar em nada, eu não conseguia. Simplesmente era demais para mim, ter que ficar dependendo da boa vontade alheia. Eu me sentia péssima... A preocupação me dominava, a minha mente era um vazio total e absoluto. A coisa que eu mais desejava nesse instante era mandar tudo aquilo pro espaço, mas isso era impossível. Uma enorme angústia ardia dentro de mim e ameaçava me sufocar... A sensação chegava a ser insuportável... Mas eu estava muito agradecida a Deus. Dez pessoas haviam perdido a s suas vidas enquanto eu estava ali, dolorida, sem memória, mas viva. Suspirei. Não adiantava nada ficar ansiosa e remoendo o que tinha acontecido. Muito menos mergulhar num mar de auto piedade... Eu ia precisar de muita paciência para lidar com a situação e tentaria viver um dia de cada vez.

Respirei profundamente e ar frio da noite invadiu os meus pulmões, embora a janela do quarto permanecesse fechada. Corri os olhos pelo ambiente mais uma vez e tudo ali parecia combinar perfeitamente com o dono da casa... As paredes brancas, os móveis de uma madeira escura e o chão de tábuas corridas... tudo indicava um local estritamente masculino.

E a bagunça então... Revirei os olhos ao me lembrar de como tudo estava revirado na sala quando nós entramos, mas pude perceber o esforço que ele fazia para não demonstrar o quanto estava constrangido... Também, parecia mais um chiqueiro do que uma residência! Eu seria capaz de apostar que se abrisse a geladeira encontraria uma meia ou uma cueca dentro. Eca! Torci o nariz diante dessa possibilidade.

Aquela casa precisava mesmo era da organização de uma mulher. Tudo indicava que ele era um homem solitário, que gostava de manter a sua individualidade e a sua privacidade. Eu tinha quase certeza de que ele estava arrependido de ter me levado com ele, mas por mais que quisesse voltar atrás ele não faria isso. Era um homem honrado, que aparentemente seguia um rígido código de conduta.

Lindo, alto, másculo, queixo firme, boca sensual... Um rosto marcante e um corpo perfeito. Um homem que exalava virilidade e que jamais passaria despercebido... Edward Cullen. Ele me disse que esse era o seu nome e os seus dois irmãos também eram Cullen... Então não havia porque eu duvidar disso. Ele também me disse que nós havíamos nos encontrado apenas hoje no avião, que sentamos lado a lado e que também estávamos juntos no ônibus... Se era assim por que eu me sentia tão vulnerável e triste quando estava longe dele como agora? E por que eu me sentia tão segura quando ele estava por perto... Afinal não passávamos de dois completos estranhos. Mas o meu instinto me dizia que eu deveria confiar em Edward.

Fechei os olhos e procurei me concentrar nos barulhos da noite lá fora. Eu podia ouvir o coachar dos sapos, o zumbido de alguns insetos... O farfalhar das folhas das árvores, que balançavam com a força do vento... E estava concentrada em perceber esses pequenos detalhes quando a porta do quarto abriu suavemente.

Prendi a respiração enquanto ele se aproximava da cama. Soltei o ar devagar e inspirei novamente sentindo o cheiro masculino se espalhar pelo ambiente. Todos os meus sentidos ficaram imediatamente alertas.

— Bella?

Ele disse num tom suave e eu me arrepiei, abrindo os olhos e fitando-o. Seus olhos estavam escuros e com um brilho diferente. Eu arfei e senti minha boca seca. Ele estava ainda mais bonito se é que isso é possível... Vestia uma camisa de malha grossa bege, de gola rolê e uma calça jeans apertada. Os cabelos bagunçados estavam úmidos pelo banho recente. O que estava acontecendo comigo afinal?

— Você estava tão quieta, que eu pensei que havia adormecido.

Ele falou baixinho.

— Eu não tenho fome, — respondi.

Ele caminhou até a outra cama e sentou.

— Eu imaginei, mas você sabe que tem de comer alguma coisa. É para o seu próprio bem.

Suspirei e concordei com a cabeça.

— Bom então vamos até a cozinha.

Ele falou levantando e estendendo sua mão para mim. Assim que as nossas mãos se tocaram uma corrente elétrica percorreu os meus dedos, o meu braço e se espalhou por todo o meu corpo. Ele também sentiu, pois eu vi claramente a surpresa estampada em sua face. Em seguida ele me soltou e desviou seus olhos verdes intensos dos meus e caminhou em direção a porta. Eu o segui, resignada.

A cozinha não estava em melhores condições que a sala. Migalhas e farelos de comida estavam espalhados sobre o tampo de uma pequena mesa branca de madeira. E sobre o balcão da pia uma pilha de louça esperava para ser lavada. Eu registrei tudo, mas nada comentei. Aquele homem já estava me acolhendo em sua casa, que direito eu tinha de me intrometer em sua vida e criticar a sua bagunça? Nenhum.

Ele fez um gesto mandando que eu me sentasse e foi o que fiz, enquanto ele abria os armários sobre a pia e retirava duas latas de sopa de legumes prontas, dessas que vendem em qualquer supermercado. Ele sorriu sem graça.

— Desculpe, mas estou fora de casa há alguns dias e sopa é o melhor que tenho para oferecer.

Eu dei de ombros observando ele abrir as latas e despejar todo o conteúdo numa panela, acendendo o fogo em seguida. Ele tinha prática na cozinha a pesar da desorganização. Os músculos rijos de suas costas estavam perfeitamente visíveis sob a camisa de malha justa e eu senti um calor subir pelo meu corpo e um leve formigar entre as pernas. Engoli em seco e tratei de desviar os olhos.

Quando a sopa aqueceu, ele a serviu em dois pratos e trouxe para mesa. Um e em seguida o outro. Abriu a porta de um móvel próximo e retirou um porta talheres, colocando-o sobre a mesa, sentando ao meu lado logo depois. Estar tão perto dele era algo que me perturbava, mas procurei disfarçar e me concentrei em tomar toda a sopa, que estava deliciosa. Ou aquela era a melhor comida do mundo ou eu realmente estava com fome. Quando terminamos Edward me encarou com um sorriso divertido.

—Até que você comeu bem para quem não estava com fome...

Eu corei até a raiz dos cabelos com o simples comentário e ele sorriu ainda mais. Desviei então os olhos tomando coragem para fazer a pergunta que estava martelando na minha cabeça sem parar.

— Edward...

Falei insegura.

— Sim?

— Eu... Eu queria saber por que você fez isso...

— Isso o que?

Ele perguntou estreitando os olhos.

— Por que resolveu me trazer para sua casa? Eu preciso saber...

Perguntei e vi que ele enrijeceu com a pergunta. Sem responder ele pegou os pratos e talheres que tínhamos usado e levou para pia, me dando as costas. Eu gelei. Será que ele tinha se arrependido? O que eu iria fazer agora? Mordi o lábio inferior na expectativa. Alguns segundos depois, ainda de costas para mim ele perguntou com frieza...

— Preferia ter ficado no hospital?

Era isso o que ele pensava? Droga! Eu estava fazendo tudo errado... Senti as lágrimas nos meus olhos na mesma hora.

— Claro que não! Eu não suportaria ficar sozinha naquele lugar horrível...

— Então por que está me perguntando isso?!

Ele disse com raiva e eu tremi.

— Por que eu queria entender, droga! O que faz um homem como você acolher uma completa estranha na sua casa e querer cuidar dela?!

Ele apoiou as mãos no balcão da pia e respirou profundamente.

— É uma boa pergunta, — disse minutos depois.

As lágrimas começaram a cair e eu me virei para sair dali o mais rápido possível, mas ele percebeu e veio atrás, me alcançando antes que eu chegasse ao quarto. Ele me segurou pelos ombros e me abraçou. O seu peito forte colado as minhas costas... E outra vez aqueles estranhos choques elétricos correram pelo meu corpo. Mas. Que. Droga. Era. Essa??? Meu coração disparou e eu não queria sair daquele abraço por nada nesse mundo... O que estava acontecendo comigo???

— Isabella, desculpe.

Eu não conseguia falar nada e continuava chorando. Ele afrouxou um pouco o abraço e com muito esforço, eu me soltei dali e entrei no quarto, mas ainda pude ouvi-lo...

— Por favor, Bella, esqueça o que eu disse.

Assenti com a cabeça e fechei a porta rapidamente. Eu não poderia ficar perto dele agora ou não conseguiria pensar com clareza. Fui até a cama e desabei ali. Meu corpo inteiro tremia... Se a minha primeira noite aqui já era um desastre, imagine o resto! De que adiantava eu estar ali se no fundo, não era bem vinda?! Eu não havia só perdido a minha identidade como no momento dependia da boa vontade de um completo estranho, que me afetava de uma forma intensa. Me encolhi esmagada pela força dessas constatações, agarrei o travesseiro e chorei até perder a consciência para o sono.


Notas finais
Agradecendo a recomendação feitas por: paulaf e julicosta valeu meninas.E ai galera o que vocês estão achando da fic. estão gostando?Próximo cap. sexta feira beijos Kiki