Nebulosa

63 Capítulo 63 – Dias de Tormenta.


Notas iniciais
Boa Noite Meninas

PDV Edward Cullen.

A tempestade lá fora jazia furiosa, enquanto eu e Bella nos abrigamos no celeiro. O frio era tamanho que chegava a doer em meus ossos. A chuva torrencial e o barulho ensurdecedor me causavam arrepios. Respirei fundo buscando uma calma que nem de longe estava sentindo, mas por Bella e pelo meu bebê eu precisava me concentrar. Não havia como lutar contra a fúria indomável da natureza. Eu bem que preferia estar no aconchego de nossa casa, mas quando a chuva começou, vi que não daria tempo de subirmos até lá. A tempestade nos alcançaria no meio do caminho e poderia até mesmo nos matar. E aquilo eu não poderia permitir. Jamais. A voz trêmula de Bella me tirou dos devaneios da minha mente.

- Você está ensopado. Troque suas roupas.

Ela ainda tremia de frio. Mas graças a Deus agora vestia roupas limpas e quentinhas, agasalhando a si mesma e ao bebê. Vivenciei alguns tornados na minha infância e adolescência, por isso sempre deixo provisões no celeiro para o caso de alguma emergência. Roupas, um rádio que rastreava a freqüência da polícia, um pequeno fogareiro, algumas latas de sopa, barras de cereal, chocolate, lanternas, garrafas plásticas de água mineral e uma boa arma é claro. Um soldado que se preza não é pego desprevenido. Nunca.

- Você está bem?

Tornei a perguntar.

Ela concordou com a cabeça. Suspirei. Eu não imaginava ter de ficar ali no meio de um tornado gigantesco, com minha esposa grávida de três meses e meio. A preocupação estava me corroendo, mas eu não deixaria que ela percebesse.

As portas sacudiram outra vez com a violência do vento e Bella pulou assustada como um coelho. Tratei de acalmá-la.

- Não se preocupe. Eu praticamente soldei o celeiro ao chão durante a reforma. Tudo lá fora pode ir pelos ares, mas nós dois estamos seguros.

Ela assentiu e eu tirei minhas roupas encharcadas, vestindo meu antigo uniforme camuflado e uma jaqueta de flanela por cima. Em seguida trouxe o fogareiro para pertinho dela e acendi, tendo o cuidado de afastar um pouco de feno que havia ao redor. A última coisa de que precisaríamos agora era de um incêndio em meios a tempestade de vento. Alguns segundos depois o calor invadiu o ambiente e Bella suspirou. Debaixo do seu olhar atento, caminhei até a caminhonete e peguei a comida que ela havia trazido mais cedo. Hoje aquilo seria o nosso jantar.

- Adorei a sua idéia de me trazer um lanche querida.

Falei querendo descontrair a tensão. Ela sorriu com os lábios ainda roxos e eu segurei suas mãos com as minhas, esquentando-as.

- Se eu soubesse que ficaríamos presos aqui, teria trazido à geladeira toda.

Disse tentando sorrir, mas o seu semblante não escondia o tamanho de sua inquietação. Deixei-a por um momento e fui até um canto afastado pegar um saco de dormir. Precisávamos comer ficar aquecidos e dormir para recuperar nossas forças.

- Já enfrentou um tornado antes?

Questionei.

- Nunca.

Tudo na sua postura revelava medo.

- Não se preocupe. Estou acostumado com eles desde garoto. Eles não são frequentes, mas quando vem são bastante violentos.

Ela me olhou com um misto de confusão e preocupação tomando conta dos olhos escuros.

- Quantos dias você acha que ficaremos aqui?

- Não sei. Tudo agora depende da mãe natureza.

Falei com sinceridade, mas pedindo a Deus que aquela tormenta cessasse em breve.

- E quanto à comida Edward? Só temos torradas, frutas e um sanduíche de peito de peru...

- Calma. Você não deve se agitar assim. Faz mal para o bebê meu amor.

Ela deu um longo suspiro.

- E quanto a comida, não se preocupe. Seu marido sempre foi um bom soldado e um homem precavido. Temos comida para quatro dias.

Ela me fitou com desconfiança.

- Tem certeza?

- Sim amor, eu tenho certeza. E se a tempestade demorar mais que isso, eu vou lá fora tentar caçar alguma coisa para comermos.

Ela se empertigou toda.

- De forma nenhuma.

- Bella...

Falei correndo a mão pelos meus cabelos, num gesto típico de nervosismo. Ela me fitou zangada.

- Se você sair Edward, eu vou com você.

Nos encaramos por alguns segundos. A determinação brilhava em seu olhar. Mas se ela sabia ser dura eu com certeza seria muito mais.

- Você sabe que isso eu não posso permitir.

Falei com brandura. Eu queria que ela entendesse que eu talvez conseguisse sobreviver lá fora. Eu era um soldado treinado, experiente. Vivi o inferno na guerra e não me deixei abater nem nos piores momentos. Mas nós dois, ou melhor, nós três, não teríamos a mínima chance de conseguir, pois eu estaria sempre preocupado com ela e com nosso filho e não poderia dar o máximo de mim, como faria na mesma situação se estivesse sozinho.

- Eu é que não vou deixar você sair daqui sozinho. Se formos, vamos os três.

Abri a boca para argumentar, mas ela não permitiu.

- Morrer no lugar de uma pessoa que eu amo Edward, me parece uma forma perfeita para se morrer.

Ela continuou e suas palavras calaram fundo em minha alma. Eu não teria escolha. Olhei para minha esposa e em seguida para o seu ventre. Engoli em seco... Se dentro de quatro dias a tempestade não cessasse, ela sairia dali comigo.

http://www.youtube.com/watch?v=MTvgnYGu9bg&ob=av3e

Música: Neutron Star Collision (Love is Forever) — Muse

O amor é para sempre — Letra e tradução.

I was searching

You were on a mission

Then our hearts combined like

A neutron star collision

Eu estava procurando

Você estava em uma missão

Depois nossos corações combinaram

Como uma colisão de estrelas de nêutrons

I have nothing left to lose

You took your time to choose

Then we told each other

With no trace of fear that...

Não tenho nada a perder

Você não teve pressa pra escolher

Depois dissemos um para o outro

Sem rastro de medo que...

Our love would be forever

And if we die, We die together

And lie, I said never

'Cause our love would be forever

Nosso amor seria para sempre

E se morrermos, morreremos juntos

E mentira, eu nunca disse isso

Porque o nosso amor seria para sempre

The world is broken

Halos fail to glisten

You try to make a difference

But no one wants to listen

O mundo está destruído lá fora

Auréolas não brilham mais

Você tenta fazer uma diferença

Mas ninguém quer ouvir

Hail, the preachers, fake and proud

Their doctrines will be cloud

Then they'll dissipate

Like snowflakes in an ocean

Saúde, os pastores, falsos e orgulhosos

Suas doutrinas serão ''nubladas''

Elas se dissiparão

Como flocos de neve no oceano

Love is forever

And we'll die, we'll die together

And lie, I say never

'Cause our love could be forever

O amor é para sempre

E morreremos, morreremos juntos

E mentira, eu nunca digo

Porque o nosso amor poderia ser para sempre

Now I've got nothing left to lose

You take your time to choose

I can tell you now without a trace of fear

Agora eu não tenho nada a perder

Não tenha pressa pra escolher

Eu posso te dizer agora, sem um rastro de medo

That my love will be forever

and we'll die we'll die together

Lie, I will never

'Cause our love will be forever.

Que meu amor será para sempre

E morreremos, morreremos juntos

Mentir, eu nunca irei.

Porque o nosso amor será para sempre.

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Olhei para Bella e fui até ela, aconchegando-a em meus braços. Ficamos em silêncio até que o estômago dela roncou. Sorri. Meu filho também estava com fome.

- Que tal comermos alguma coisa?

Ela concordou. Levantei, peguei o sanduíche e entreguei em suas mãos. Ela me olhou curiosa.

- Bella...

- E você?

- Ainda estou satisfeito amor.

- Edward...

- Quem está comendo por dois é você Bella, não eu.

Olhou-me de cara feia.

- Pois só vou comer se você comer também, senhor teimoso Cullen!

Dei um suspiro exasperado.

- Como você é irritante mulher!

Ela sorriu travessa. Andei até onde os alimentos estavam e contrariado, peguei uma suculenta maçã. Tomamos o restante do suco que havia na garrafa e eu aproveitei para ligar o rádio. Tínhamos que saber o que estava acontecendo lá fora. Algum tempo depois, consegui sintonizar numa freqüência de um rádio amador. O chiado no aparelho era grande, mas dava para ouvirmos as notícias, que eram aterradoras.

Relatos iniciais de equipes de pesquisas de tempestades diziam que havia uma trilha de destruição de 1,6 km de largura em alguns lugares, afirmou um repórter local.

- Meu Deus!

Exclamamos juntos. As notícias continuaram.

A cidade de Tucson e os condados vizinhos estão sendo vítimas de um grande tornado, disse ele. “Nós temos notícias de carros que foram arrastados de 400 a 800 metros e de casas que foram arrancadas de seus alicerces."

Bella estremeceu e eu a abracei mais forte.

O estrago causado indicava um tornado de grau F3, com ventos de aproximadamente 210 km/h, informava um meteorologista pesquisador da Universidade. O número de feridos era enorme e já havia pelo menos dez pessoas mortas.

Estiquei meu braço, desligando o rádio temporariamente. Eu não queria que ela ficasse mais preocupada e ansiosa do que já estava e me deitei sobre um velho colchão que se encontrava ali no chão, trazendo-a comigo. Afaguei seus cabelos por um bom tempo antes de falar. Senti que ela começava há relaxar um pouco e segurei suas mãos. A sua temperatura estava quase normal, o que me deixou mais calmo. Hipotermia era um sério problema e Bella grávida era um risco enorme. Passeei de leve minhas mãos espalmadas sobre seu ventre e falei em seu ouvido:

- Eu sei onde foi.

- O que?

Murmurou sonolenta.

- Amor, ei! Não durma agora, fique comigo.

- Hum...

Ela reclamou se aconchegando mais a mim.

- Estou com sono, Edward.

- Mas não pode dormir. É perigoso para você e para o bebê!

Eu estava totalmente alerta.

- Deixa de besteira.

Murmurou me ignorando.

- Você quase teve uma hipotermia grave Bella. É preciso permanecer acordada ao menos por duas horas consecutivas.

Falei agitado, sacudindo-a de leve.

- Não.

Enroscou-se em torno de si mesma. Cerrei os dentes e segurei-a pelos ombros.

- Será que vou precisar dar umas palmadas Isabella?!

Falei enérgico sacudindo-a outra vez.

- Estraga prazer!

Disse sentando e cruzando os braços sobre seu peito emburrada. Sorri discretamente.

- Eu disse que sei onde foi.

Prossegui. Ela rolou os olhos.

- Não sei do que você está falando.

Reclamou. Sentei a sua frente e segurei em seu queixo erguendo-o e obrigando-a a me fitar. Enquanto nossos olhares se perdiam um no outro, levei minha mão até seu ventre, onde se notava uma ligeira protuberância. Acariciei de leve por cima da roupa grossa.

- O nosso menino ou a nossa menina. Eu sei onde foi.

Ela piscou e mordeu os lábios involuntariamente.

- Foi naquele pequeno e estreito sofá de dois lugares, na sala de estar, em frente à lareira, quando estávamos em Wilcox.

Ela corou e sorriu tímida. Eu sabia que assim como na minha, as lembranças estavam vívidas na mente dela.

- Não sei se foi exatamente no sofá, mas eu sei que foi no chalé.

Continuei fitando-a intensamente e coloquei minhas mãos em seus quadris, num gesto insinuante.

- Foi exatamente no sofá, Nebulosa. Eu expus você a mim de tal forma que cheguei a bater no colo do seu útero. Eu senti, e na hora achei que chegaria a te machucar, mas por mais que quisesse não pude me controlar.

Falei com seriedade.

- Você não me machucou cowboy. E nós acabamos dormindo no tapete.

Falou afagando meu rosto com as costas de sua mão. Peguei as mãos delicadas com as minhas e mergulhei nos misteriosos olhos castanhos, dizendo com minha voz embargada, frisando cada palavra:

- Eu sei. Mas naquela noite, com todo o meu amor e paixão, eu fiz um filho em você.